segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

RUTE: A MOABITA


RUTE: A MOABITA

"Oh! Bendito o que semeia, Livros ... livros à mão cheia ...
E manda o povo pensar! O livro caindo n'alma
É germe – que faz a palma, é chuva – que faz o mar."
Castro Alves

Não se mede o livro pela quantidade de páginas que possui. Dizem que o estudioso alemão, Julius Welhausen, ao ver o livro de um colega, comentou: “Um livro tão robusto para um assunto tão franzino”. Com o livro de Rute ocorre exatamente o inverso. É literatura com poucas páginas, mas nelas podemos encontrar riquíssimas lições para as nossas vidas. O livro de Rute é um exemplo extraordinário de que a robustez de uma obra literária não está na quantidade de páginas e nem na estética com que o mesmo é apresentado. O livro tem apenas quatro capítulos, oitenta e cinco versículos, mas ensina lições notáveis para todos aqueles que o lêem. 

Esse livro de Rute nos mostra o valor da mulher no contexto do plano redentivo de Deus. Basta mostrar que três personagens homens morrem logo no começo da história. Elimeleque, Malon e Quiliom, pai e filhos respectivamente, morrem em Moabe, nação com quem Israel não tinha lá boas relações e que nasceu como resultado de um relacionamento incestuoso da filha primogênita com seu pai, Ló. Elimeleque está em Moabe procurando fugir da fome que assolava Belém de Judá. Ao morrer Elimeleque e seus dois filhos, deixam as viúvas, Noemi, judia, Orfa e Rute, essas duas moabitas que haviam se casado com Malon e Quiliom. Todo o livro vai contar o lindo romance de Rute a Moabita com Boaz. Mas a atenção se volta sempre para a sogra Noemi e para a nora Rute. E me permitam ser bem humorado em dizer que a relação de Rute com Noemi nos ensina que é possível que nora e sogra se dêem bem.

               Esse livro nos mostra a responsabilidade do homem e a soberania de Deus. Elimeleque resolveu fazer as malas e ir embora de sua terra para habitar entre os moabitas. Sua decisão nos parece precipitada e intempestiva. Assim acontece quando nos deixamos possuir pelo desespero e pela angústia. Quando estamos desequilibrados emocionalmente, a tendência é que esse desequilíbrio afete nossas decisões e escolhas. Foi esse o fragoroso erro de Esaú quando pensou com a barriga e acabou trocando as bênçãos da primogenitura por um simples prato de lentilhas. Decisões precipitadas podem acarretar danos sem conta. Mas, (e essa adversativa muitas vezes concorre a nosso favor) Deus, que está no comando de tudo organiza os eventos de tal maneira que Rute, a moabita, acaba por se casar com Boas, o parente remidor e tem um filho que recebe o nome de Obede (servo) que será o pai de Jessé que por sua vez será o pai de Davi de cuja linhagem vem o messias, Jesus.

               Esse livro nos mostra que o amor é a chave mestra que abre qualquer porta e vai além das convenções humanas. O amor é o remédio que cura qualquer enfermidade, é o sol que sempre brilha e aquece, e a chave que abre qualquer porta, é a memória que nunca esquece. O amor de Rute por Noemi e a recíproca são lições que devem ser aprendidas. Judia e Moabita, sogra e nora, ambas visitadas pela tragédia, encontram no amor, o remédio que cura, a brisa que refrigera, a ponte que liga margens distintas do mesmo rio, o calor que aquece o frio, a esperança que nos faz andar em frente. Todo o drama de nossa redenção é como uma colcha cheia de retalhos costurados pelo amor. O mesmo amor que fez Raabe ocultar os espias hebreus fez Rute preferir Noemi, sua terra, seu povo, seu Deus.

               Há muitas outras lições nesse livro de Rute cujos episódios ocorrem no período pré-monárquico, quando Israel era administrado pelos juizes, mas também um tempo de apostasia e de instabilidade. Mesmo em tempos como aquele, podemos ver duas mulheres, nas mãos de Deus, mudando favoravelmente, o curso da história.                                                                                           

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

COISAS QUE NÃO PODEMOS E NEM DEVEMOS CONFUNDIR...

COISAS QUE NÃO PODEMOS E NEM DEVEMOS CONFUNDIR

Coragem com imprudência. O corajoso não é aquele que não tem medo, mas aquele que controla o medo, para agir. Prudência com covardia. O prudente não é aquele que não age, mas aquele que procura saber a melhor forma, hora e como agir. O apressado come cru, diz um ditado. 

Humildade com pobreza. Uma pessoa só pode ser humilde se conhece a Deus como convém. Conhecer a Deus faz com que tenhamos uma dimensão correta de nós mesmos e não cometamos o pecado tão reprovável do orgulho. Humilde não é quem tem poucos recursos financeiros, ou mesmo pouca intelectualidade. Conheci muita gente pobre social e intelectualmente, mas muito arrogante, assim como conheci muita gente com patrimônio econômico financeiro e também intelectual, mas que era um exemplo de humildade.


Justiça com vingança. É  preciso estar atentos para que nossa justiça não seja vingança. E lembre-se que a misericórdia triunfa sobre o juízo. (Tiago 2.13)


Medo com fraqueza. Medo todo mundo sente. Mas isso não significa que a pessoa é fraca. O medo é útil, pois ele nos mantém alertas. Medo não é fraqueza. Os heróis sentem medo, mas agem.


Erudição com piedade. A piedade não se aprende nas Universidades. Ler a biografia de homens e mulheres piedosos é pedagógico. Isso é erudição. E isso é bom, mas piedade é o resultado do nosso relacionamento com Deus. Imitar homens e mulheres piedosos é útil, mas isso não te faz piedoso na essência.  Assumir o senhorio de Cristo em nossas vidas nos faz piedosos, independentemente da nossa intelectualidade. 

Conhecimento com sabedoria. O conhecimento é útil, mas ele se torna sabedoria quando traduzido em prática. É melhor praticar o pouco que se conhece do que conhecer muito e não praticar nada desse conhecimento. Tiago disse que não devemos apenas ouvir, mas praticar a Palavra de Deus. Sabedoria é conhecimento vivenciado, experimentado.


Cansaço com preguiça. O preguiçoso vive cansado. Qualquer coisa cansa quem não ama o trabalho. Quem trabalha pelo salário, se cansa muito fácil, mas quem trabalha para ser útil, vence as barreiras naturais. É preciso que compreendamos que nada é mais gratificante do que um bom banho, um prato de arroz e feijão, um gostoso sono após um dia árduo de trabalho. As férias só tem sentido para quem trabalha. 


Amigo com colega. Amigo é aquele que sempre está conosco. Amigo é aquele para quem não temos receio de abrir nossa intimidade e revelar nossas fraquezas. Sabemos que ele nunca as usará contra nós, pelo contrário, ele tentará nos ajudar a suplantá-las. Colega é alguém cujo relacionamento é fugaz, passageiro. Um bom amigo é um tesouro. Colegas podemos ter aos montes, mas amigo é sempre mais difícil.


Natal com festa pagã. O Natal não tem origem pagã. O Natal é uma festa na qual comemoramos o nascimento de Jesus. Assim como eu e você nascemos, Jesus também nasceu em Belém da Judéia. Não se sabe o dia certo, mas convencionou-se usar esse dia. O que me importa é saber que se Jesus não tivesse nascido eu estaria morto em meus delitos e pecados. Assim, comemoro o Natal porque em o fazendo estou comemorando minha redenção, minha salvação. Não sou uma pessoa festeira, mas o Natal e a Ressurreição de Jesus eu faço questão de comemorar. Claro, comemorar com parcimônia, sem glutonaria nem bebedice que são frutos da carne, mas com amor, alegria e paz que fazem parte do Fruto do Espírito. 


Que em 2012 concentremos nossas atenções em Cristo Jesus, então será Natal todos os dias.                                                                                                                         

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SEJA UMA CRIANÇA PURA E SIMPLESMENTE.


SEJA UMA CRIANÇA

Jesus disse que deveríamos nos converter como crianças se quisermos entrar no Reino de Deus. O reino de Deus pertence a todos aqueles que são verdadeiramente humildes como as crianças. Estou falando de crianças normais, porque a sociedade moderna tem desenvolvido uma terrível tendência que é antecipar e queimar etapas com as crianças fazendo delas, adultos precoces. Uma criança com mania de adulto não é algo agradável de ser ver.

               Quem de nós adultos não se lembra da infância com alegria, mesmo tendo passado algumas necessidades e carências? Recordo-me dos meus dias de criança quando podia me assentar com meus pais e meu irmão e jantarmos juntos. Lembro-me com alegria daqueles dias de criança porque eram tempos de descobertas, de sonhos. Eu era muito mais feliz naqueles dias. Parece que, hoje vivendo a idade adulta, tenho que encarar a dura realidade. Os sonhos se rareiam, o sono dura a chegar.....

A fase mais importante na vida de um ser humano é a infância. Ela precisa ser tratada com atenção redobrada. A Bíblia doutrina: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Provérbios 22.6

A jornada ao tempo da infância é sempre emocionante. Na literatura damos sempre mais atenção aos textos que falam da infância. Sempre me recordo com grande alegria da rua em que passei minha infância, do campinho de futebol que nós mesmos capinamos, das brincadeiras na rua nos tempos das fogueiras, das histórias que faziam nossos olhos se arregalarem,  da tristeza quando alguém se mudava para longe, das guloseimas em tempos de festa, da imaginação sempre fértil.

A infância devia ser um tempo do qual nunca pudéssemos sair. Um lugar como a Terra do Nunca onde eu e você, à semelhança de Peter Pan, nunca envelhecessemos, onde o bom humor nunca cedesse espaço para a carranga, a malícia, a dúvida, a desconfiança.

As crianças de hoje são muito adultas para o meu gosto. Muitas delas sabem mexer no computador muito melhor que adultos; elas opinam sobre sexualidade, cantam e se vestem como adultos. Não há mais joguinho de bolinha de gude e nem mais distrações simples, sem malícia. Hoje a criança joga vídeo-game tão cheio de violência que eles acabam por se tornar violentos. Jesus contrapondo-se a essa tendência, diz que o adulto é que deveria se converter e se tornar como criança. 

Então: Seja uma criança quando fores te lembrar da ofença, porque ela logo será esquecida. Seja uma criança quando fores dormir, porque criança não tem insônia. 

Seja uma criança quando fores julgar. Criança não sabe fazer isso e o adulto faz isso muito mal.        

Seja criança quando fores escolher suas amizades. Adultos discriminam, preconceituam. Seja uma criança para crer....Adultos duvidam demais, são desconfiados demais.....

Seja uma criança porque um adulto não tem lá muito senso de humor e quando o tem, apela. 

Seja uma criança porque foi Jesus quem disse que deveríamos ser e se é assim é melhor obedecer. 

Giacomo Leopardi disse:  "As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo." Seja uma criança porque uma criança vive, pura e simplesmente, enquanto os adultos tentam sobreviver. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

DEUS FALA. VOCÊ O OUVE?


DEUS FALA. VOCÊ O OUVE?

                Fico triste ao observar quanta gente freqüenta a Igreja, ouve sermões e aulas na Escola Bíblica Dominical, palestras em Congressos, mas não cresce espiritualmente. É entediante observar que há pessoas que são membros de Igreja desde que nasceram, mas continuam fraquinhos no conhecimento da Palavra de Deus e do Deus da Palavra. Isso fica evidenciado pela forma como muitos destes reagem quando ouvem a pregação e o ensino.

                Há os que raciocinam da seguinte maneira: Deus está dizendo isso para mim: Essa é uma conclusão a que chegam alguns após ouvirem a Palavra de Deus. – Deus está falando comigo. Isso é para mim. Só os humildes pensam assim. Os humildes pensam de si, de acordo com a graça e a fé que Deus repartiu a cada um. (Romanos 12.3) Uma pessoa orgulhosa não pensa assim. Veja por exemplo aquele caso do fariseu e do publicano que foram ao templo orar. O fariseu, cheio de si, se gabava de suas “virtudes” em comparação ao “pobre publicano”. O “pobre publicano” disse pura e simplesmente, sem olhar para os lados e nem tampouco erguer os olhos aos céus, batendo no peito em sinal de agonia: - Ó Deus, sê propício a mim, pecador. Bem, foi Jesus mesmo quem disse qual dos dois voltou justificado para sua casa.

                Há os que pensam: Deus está dizendo isso contra mim: Parece ser uma boa conclusão, mas enganam-se os que pensam assim. Quando Deus fala, não o faz como o Acusador das nossas almas. Deus não se gaba e nem se diverte quando revela nossos pecados e nos convoca ao arrependimento. Os que pensam que Deus está contra eles, são levados pelo sentimento de autocomiseração. Se reconhecêssemos nossos pecados e enganos, ficaríamos agradecidos quando Deus começa a combatê-los e quando Ele nos julga e nos pune, ainda que isso venha nos ferir. Saul foi alguém que se deixou possuir por esse destrutivo sentimento.

                Há os que pensam: Deus está dizendo isso, para os outros, não para mim: Lembro-me, quanto a isso, de uma vez em que após ter pregado no aniversário de uma Igreja, lá estava eu cumprimentando as pessoas à porta. Um irmão ao me cumprimentar disse: - Pastor: belo sermão! Pena que muita gente que deveria estar aqui e precisa ouvir isso, faltou.  Creio eu que, enquanto eu pregava ele pensou nos outros e não nele mesmo. Esse é outro erro. Em Lamentações de Jeremias lemos: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim, renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade”. (Lam. 3.21,22) O que é isso senão uma declaração notável que revela que somos miseráveis. Ora, misericórdia é algo utilizável a quem está em situação miserável. Essa era a situação do povo de Deus no exílio.

                Qual desses três tipos de pessoas você pensa que tem possibilidade de mudar de atitude? Qual destes três personagens você representa e encarna? A resposta a esse questionamento não é verbal, pura e simplesmente. A resposta a esse questionamento está nos frutos que produzimos. Bom seria que estivéssemos sempre atentos à Palavra de Deus, com humildade a acolhêssemos e permitíssemos que ela caísse em nossos corações e que nesses corações a semente da Palavra germinasse e produzisse muitos frutos, porque, afinal das contas, devemos ser praticantes da Palavra e não meros ouvintes. (Tiago 1.19-25).

                Ouça e reflita: “Ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas de sua mão. Hoje se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração...(Salmo 95.7,8a)...e por favor, não diga que Deus não falou...

sábado, 26 de novembro de 2011

A VIDA DEVOCIONAL DO PASTOR



Queridos irmãos Pastores:



Joel R. Beeke, afirma que em seu livro “The Autobiography of na Eminete Lancashire Preacher” John Kershaw disse: “Deus salva a todos os tipos de pessoas, inclusive o ministro”. Ele justifica essa assertiva ao dizer: “...embora o ministério seja uma grande vocação para remover o Pastor das atrações de um mundo pecaminoso e amaldiçoado, um dos maiores perigos enfrentados pelo ministro é que ele lida com o sagrado com tanta freqüência que acaba por banalizá-lo”. (Citado na obra “O Ministério Pastoral Segundo a Bíblia, Organizado por John Armstrong—Editora Cultura Cristã, São Paulo—SP, pg 59)

As cartas de Paulo a Timóteo são endereçadas a um Pastor. Timóteo era seu filho na fé e pastoreava a Igreja de Éfeso na ocasião em que Paulo lhe escreve a primeira carta. Paulo, mesmo já próximo do martírio, escreve a ele no afã de estimulá-lo e orientá-lo sobre alguns aspectos da poimênica. Nas duas cartas de Paulo a Timóteo, além de tratar de orientar seu “discípulo”  a refutar os falsos ensinos, encontramos princípios para o cuidado pastoral das Igrejas e as qualificações necessárias aos Presbíteros e Diáconos, os dois Ofícios reconhecidos na Igreja Cristã. Em um dado momento da carta Paulo escreve: “...Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. (I Tm 4.8b)

Para Pastorear crentes é preciso que aquele que se propõe e se diz chamado (vocacionado) para essa tarefa seja crente, exemplo de vida piedosa. Não queremos dizer com isso que o Pastor é perfeito. Somente Jesus, o sumo pastor foi Pastor perfeito. Quando afirmamos que o Pastor deve ser exemplo de vida cristã nos referimos ao fato de que ele, mais do que qualquer pessoa da comunidade, é alguém que se esmera em estar em comunhão íntima com Deus Criador, Salvador e Senhor. Paulo escreve a Timóteo: “....Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem, mas seja um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza”. (I Timóteo 4.11 – NVI)

Para que o Pastor venha se constituir em padrão para os fiéis, em modelo a ser imitado e seguido, é preciso que ele considere seriamente a vida devocional, a intensidade de sua comunhão com Deus quando O ouve na sua Palavra e quando fala com Ele por meio da oração. O ministro de Deus dever ser padrão no Exercício Devocional Pessoal e Diário.

É exatamente essa relação de intimidade que vai gerar vibração, brilho, ânimo, força e encorajamento ao ministro para poder enfrentar os obstáculos sempre constantes na lida ministerial.

Há um lindo hino que eu gosto muito de cantar que diz:

“Mais tempo a sós contigo o Cristo, mais tempo a sós, Senhor.

A sós pra conhecer-Te agora, pois falas-me de amor.

Profundo amor, que doce paz, em Tua graça posso já encontrar.

Mais tempo a sós contigo o Cristo, mais tempo a sós, Senhor”

É das devocionais que eu tenho encontrado alimento para minha alma, alento para minha vida. É no estudo devocional da Palavra de Deus que eu tenho sido desafiado a viver uma vida mais santa na presença de Deus. É nesse momento de retiro pessoal que eu sinto Deus me falando e respondendo os anseios de minha alma. Há momentos em que a Palavra é tão forte em meu coração que eu começo a escrever sem parar e não poucas vezes sou levado e tomado por uma emoção contagiante. É nessas devocionais que Deus me mostra, também, o que e como devo dizer ao seu rebanho colocado sob meus cuidados. Não seria exagero dizer que meus melhores Sermões nasceram dessas devocionais.

Das atividades que compõem a agenda de um Pastor, a exposição da Palavra de Deus é aquela para a qual o Pastor deve dar a máxima importância. Em seu livro “Nove Marcas de Uma Igreja Saudável”, Mark Dever defende a tese de que Deus cria tudo através da sua Palavra. Transcrevo aqui esse notável parágrafo da obra citada:

“Podemos tentar criar um povo em torno de um programa de coral totalmente harmonioso, ou centrado em um determinado grupo social, ou mesmo em torno de um projeto de construção, ou ainda da afirmação de uma identidade denominacional, ou mesmo centralizado em uma série de grupos de assistência social, ou ainda criar um povo ao redor de um projeto comunitário, etc...etc... Deus pode usar todas essas coisas, mas em última análise, o povo de Deus, a Igreja de Deus, pode ser criado, tão somente em torno da Palavra de Deus”.


Ler a Bíblia apenas para preparar sermões, palestras e estudos bíblicos pode nos levar pelo campo da banalização e da profissionalização do ministério. É óbvio que devemos ler e devemos buscar todo o preparo para que nossas prédicas sejam corretas do ponto de vista hermenêutico, compreensível e atraentes do ponto de vista homilético. Mas o Ministro do Evangelho deve desenvolver um relacionamento de intimidade com a Palavra de Deus de tal maneira que sua exposição seja alicerçada na contrição pessoal, e assim não haverá nenhum traço de juízo sobre sua audiência, pelo contrário ele será humilde na exposição da Escritura porque foi o primeiro a ser quebrantado por ela. E devemos confessar com notória sinceridade: humildade é o tempero que dá sabor à prédica.

Mas na devocional pessoal, no retiro individual há outra atividade indispensável e de valor incalculável, a todo cristão, e principalmente ao Ministro. Refiro-me à oração.

Todos grandes homens de Deus mostraram essa marca distintiva em suas vidas: a oração. Nisso conto minha experiência particular e sobrenatural: os meus melhores momentos em minha carreira como Ministro, foram os momentos em que ousei gastar mais tempo a sós com Deus em oração. É lamentável perceber que muitas vezes a correria que caracteriza a vida de um Ministro pode ser um empecilho para que ele exerça o indispensável habito da oração.

Jesus em seu ministério terreno demonstrou, em todos os momentos, o quão salutar e importante é a oração, a comunhão com Deus. Quando oramos demonstramos o quão dependente somos de Deus e damos um golpe certeiro no orgulho, esse inimigo oculto nos labirintos da alma humana. Quando oramos, e quanto mais o fazemos, mais claro fica o quanto precisamos orar. Martinho Lutero disse: “Quando você não sente o desejo de orar, aí é que você deve orar”.

Eu sei que os mais críticos vão objetar e dizer que sou simplista demais, mas eu uso a réplica para dizer que não há nada mais simples que o cristianismo puro e verdadeiro. A alma humana é tão complexa que ela se recusa em aceitar aquilo que é simples. Portanto, afirmar que a piedade individual de um cristão e de um Ministro Cristão exige maior contato com as Escrituras e mais tempo de oração pode soar simples, mas é essa simplicidade que vemos em Cristo e em todos que O imitaram e imitam hoje.

Quando Paulo escreveu ao seu filho na fé, Timóteo, ele o exortou nesses termos. (I Tm 2.1-8; 4.11-16, II Tm 2.15; I3.14-17). Oração, intercessão, ensino, doutrina, Escrituras, leitura, meditação, são palavras chaves quando se trata do exercício do Pastorado com verdadeira piedade.


A leitura da Bíblia sem a oração pode nos fazer intelectuais teologicamente falando, mas quando unimos as duas práticas laboramos em prol de uma vida piedosa. Oração sem meditação nas Escrituras pode nos fazer rasos e superficiais, frágeis demais e sem consistência.  

O ministro precisa zelar por sua vida devocional para que esteja sempre pronto e habilitado a cumprir a tarefa para a qual Deus o tem vocacionado e que exige uma vida exemplar na prática da verdadeira piedade.

Finalizo minhas considerações fazendo um forte apelo a todos meus irmãos Pastores: temos vivido dias em que não nos faltam escritores, palestrantes, congressos, conclaves e tantas outras atividades que visam injetar ânimo em nossa tão desgastante atividade. Tudo isso é útil. Devemos ler bons escritores e desenvolver um senso crítico acurado. Devemos ouvir outros irmãos que fazem suas palestras sobre vários temas da agenda cristã. Devemos freqüentar Congressos na medida do possível sem que o tempo gasto neles não seja subtraído do nosso cuidado com o rebanho (o que em alguns casos infelizmente acontece).Entretanto, o mais importante para qualquer cristão e muito mais para um Ministro de Cristo em Sua Igreja, é a vida devocional, a comunhão com Deus diária e ininterrupta, é o cultivo da meditação profunda nas Escrituras, do exercício da Oração e se necessário for, com jejum. Sem esses items, nem escritores, notáveis palestrantes ou incontáveis congressos poderão garantir o progresso e o bom desempenho que Deus espera de seus Ministros quando recebem a incumbência de cuidar do Seu rebanho.

Que Deus nos abençoe.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O PÚLPITO E O PREGADOR

PÚLPITO.....

Queridos irmãos Pastores:

C. H. Spurgeon, um dos mais consagrados Pastores da história do Cristianismo, e tido como exímio pregador de sua época (Século XIX), afirmou que o púlpito servia bem para ocultar os joelhos trêmulos do pregador.

O Púlpito é aquele móvel utilizado pelo pregador sobre o qual ele apóia a Bíblia e o esboço do sermão que se propõe pregar. Em alguns templos ele é colocado no lado esquerdo e, em outros ele ocupa o lugar central em frente à audiência.

O Púlpito exerce certo fascínio sobre algumas pessoas.

Recordo-me dos meus tempos de criança quando minha tia Duzolina Dalceno Spilla, zeladora da Igreja Evangélica Congregacional do Belém, na Rua Cesário Alvim, me levava, quando ia para fazer a faxina. Em um dado momento eu subia ao Púlpito, abria a enorme Bíblia e começava a “pregar”. Lembro-me também do Púlpito da Igreja Evangélica Congregacional do Parque Cruzeiro do Sul quando era usado pelo competente Pastor Jair Álvares Pintor, ou quando ele trazia pregadores excelentes como John Grant, John Barnet, por exemplo.

Como Pregador do Evangelho já vi Púlpitos de vários modelos e materiais. Quando preguei na Igreja Presbiteriana Central de Itapeva, o Púlpito era um pedaço de um tronco de árvore. Já preguei em Púlpito de acrílico, todo luminoso. Em uma Igreja havia um Púlpito todo de pedra. Há Igrejas em que o Púlpito é quase um lugar intocável. Poucas pessoas podem chegar perto dele. E é bom que saibamos respeitar mesmo esse instrumento, sem exageros, todavia.

Mas, o Púlpito é só um móvel, pura e simplesmente, e tenho a mais absoluta certeza que Pedro, ao proferir os primeiros sermões nas suas experiências em Atos dos Apóstolos, não fez uso deles. O Pregador não precisa do Púlpito para pregar sermões bíblicos. O que o pregador precisa para pregar sermões bíblicos é de Bíblia, uma boa hermenêutica e igualmente uma apreciável homilética associados à uma vida santificada, constituindo-se assim em um canal de bênçãos quando prega.

Devemos entender que a vida do pregador é mais útil do que o móvel que chamamos Púlpito, de tal maneira, que com ou sem ele, o pregador seja o meio pelo qual Deus comunica as verdades bíblicas que irão transformar pessoas.

Púlpito não é trincheira de onde disparamos nossos dardos contra os ouvintes, mas sim lugar para admoestações e exortações que oferecem cura. Há pregadores que fazem do Púlpito um lugar onde a ovelha é flagelada por seus sermões de juízo. Muitos dos que agem assim citam o famoso sermão do Puritano Congregacional Jonathans Edwards—Pecadores nas mãos de um Deus Irado— para justificar a constantes chicotadas como se esse tivesse sido o único Sermão pregado por ele. Mas se formos analisar a vida desse Puritano veremos que não era um chicoteador contumaz, mas um homem que sabia fazer uso da palavra para abençoar seus ouvintes com a Palavra. Esse Sermão citado foi como que uma ilha em meio a um oceano de exortações amorosas e cheias de misericórdia, com certeza.

Há pregadores que usam o púlpito para expor suas considerações pessoais sobre a vida, ou também aqueles que o usam apenas como tribuna de lustro intelectual desfilando seus conhecimentos de teologia totalmente desassociado da tão necessária intimidade com Deus. O Pregador da Palavra de Deus não pode se esquecer, jamais, que ele prega baseado na Palavra de Deus. Usando as boas ferramentas da hermenêutica, o Pregador Sacro vai às Escrituras e tira delas os ensinamentos que julga serem pertinentes a ele mesmo e às ovelhas colocadas sob seus cuidados. O caminho inverso pode gerar, (e isso tem acontecido ao longo da história do Cristianismo), equívocos, e porque não dizer, até heresias. O pregador não pode nunca se esquecer de que as pessoas podem duvidar de suas palavras, mas com certeza irão pensar mais seriamente nelas quando observarem o sermão sendo vivido por ele.

O Púlpito não é lugar onde o pregador mostra que tem “razão”, mas sim lugar onde o caminho da reconciliação com Deus é apontado por alguém que o tem trilhado. O Púlpito é lugar de compaixão e de misericórdia mesmo quando a palavra for de exortação porque, quem prega deve estar incluído na mensagem. Quando o ancoradouro se torna amargo, o navegante pode querer acomodar-se em outro porto.

O Púlpito não é lugar para recados escondidos em palavras de duplo sentido, ou mesmo um lugar para defesa pessoal de nossa particular cosmovisão.

Não importa de que tipo é o Púlpito, nem onde ele é colocado. Há aqueles que o querem no centro porque entendem que a Palavra de Deus deve estar no centro. Mas essa é uma questão física. A Palavra de Deus deve estar mesmo no centro, mas no centro de nossa atenção, consideração, respeito e coração. De que adianta o púlpito no centro do templo se o sermão pregado não é bíblico? Por outro lado um sermão bíblico não depende do lugar onde o púlpito é colocado.

Para pregarmos o evangelho, doutrinarmos o povo de Deus e alimentá-lo com a Palavra é preciso que sejamos suficientemente humildes para nos lembrarmos que antes de dizermos aos outros sobre o caminho que devem seguir nós já o experimentamos e sabemos onde ele nos leva. Para isso o único instrumento indispensável é a Bíblia, Palavra de Deus, que nos ensina que o caminho da misericórdia é sermos misericordiosos.

Meus joelhos ainda tremem escondidos por detrás do Púlpito, não pelo julgamento que os homens farão de minha Prédica, mas pelo julgamento daquele a quem representamos no momento da profecia e sobre quem fazemos asseverações que demonstram nossa intimidade com Ele. O Púlpito é só um instrumento onde pregamos a Palavra de Deus, a Escritura Sagrada, a Bíblia, por que é ela que nos mostra como devemos viver de tal maneira que Ele tenha prazer em nossa companhia. Se não houver Bíblia de pouco importa a suntuosidade do púlpito, por outro lado se houver Bíblia, sendo pregada com fidelidade, o púlpito é apenas um personagem coadjuvante na pedagogia divina.

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

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O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

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