sábado, 25 de junho de 2011

MULTIDÃO NÃO TEM CORAÇÃO E NEM RAZÃO.

A Bíblia diz que Jesus, vendo as multidões se retirou (Mateus 5.1). Eu também me  retiro.

Multidão tem uma psiquê própria. No meio da multidão o sujeito abre mão de sua individualidade para assumir a mentalidade do grupo. Lembro-me do dia em que fui receber minha Certidão de Alistamento Militar e fazer o Juramento de fidelidade à pátria, no estádio do Pacaembú. Depois que aquela turma foi liberada sairam do estádio em arrastão xingando motoristas, chutando carros e outras atitudes animalescas. Certamente muitos daqueles que agiram daquela maneira na multidão, não agiriam assim se estivessem sózinhos.

Freud escreveu um texto sobre esse fenônemo em que o indivíduo deixa de ser ele para ser multidão. Nessa hora a pessoa é corajosa, faz a mais apaixonada pública profissão de fé, se enche de coragem para gritar slogans. Lembro-me dos caras pintadas no tempo do Fernando Color de Melo. Já vi muitas multidões nesse meu São Paulo querido.

Sou contra esse tipo de evento. Amanhã teremos a Parada Gay. Outro dia tivemos a passeata em favor da liberação da maconha (reprimida pela Polícia Militar). Nessa um grupo de ousados e inconsequentes gritava o seguinte slogan: "Polícia, polícia, a maconha é uma delícia". Pode soar engraçado, mas sinceramente, não tem graça nenhuma. Lembro-me da loucura dos Beattles pedindo à Rainha da Inglaterra para permitir que eles fumassem maconha à vontade para poder ter "inspiração" para escrever suas canções. E eu pergunto: Precisava pedir?  Hipocrisia. Quem acompanhou a trajetória desse grupo sabe que eles fumaram e não pouco. E nós brasileiros cantamos algumas de suas canções sem conhecer o seu conteúdo porque naqueles dias a língua inglesa era ainda menos conhecida do que hoje.

Amanhã (26.06.2011) a Paulista recebe o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transsexuais). E eu me pergunto para quê? Eu me pergunto que tipo de contribuição isso vai trazer para a economia, educação, saúde, família, ordem e progresso dessa nação? Ah! vai ser fácil ficar dando gritos e pulos lá no meio da multidão. Vai ser fácil atacar os "falsos moralistas", os "crentes", falar contra Deus e contra a Bíblia, lá no meio da multidão. O mais difícil vai ser encarar o "after day", descer das nuvens dos desvaneios e aterrisar no chão da realidade, sair do êxtase e da loucura para ter que encarar a segunda-feira cheia de responsabilidades que exigem sobriedade. Vai ser difícil colocar a cabeça no travesseiro e ter que enfrentar a consciência, guardiã que não nos deixa em paz, que fustiga nossa mente, que grita no silêncio, que supera os labirintos da alma e se faz presente dizendo que estamos errados apesar de gritarmos a plenos pulmões dizendo que estamos certos. Mas é luta inglória gritar contra o sussuro da consciência. Ela é mais convincente!

Sou contra o populismo. Massas podem ser manobradas e conduzidas. As massas são volúveis. Os partidos políticos usam as massas, percebe? Qualquer político trabalha a questão da popularidade. Hitler que o diga. As imagens, mesmo em preto e branco estão aí para provar. Se você assistiu o filme The Wave, de Dennis Gansel (1981) deve ser lembrar do professor de ensino médio que devia ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Raines Wegner (o professor) se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Triste é saber que o filme é baseado em uma história verdadeira ocorrida na Califórnia em 1967. É fácil manipular as multidões. Veja o que fez Tim Jones nas Guianas. A história está repleta de massas manipuladas.

Já sei, já sei....talvez você diga...- Ele é crente. Por que não fala da Marcha Para Jesus? Não só falo como já falei e já escrevi que sou contra, também. A Marcha Para Jesus é qualquer coisa, menos Marcha Para Jesus. No dia da referida marcha ouvi um dos líderes religiosos dizendo que depois que a tal movimento começou o Brasil melhorou. Bem, eu não sei em que país ele está, mas certamente, não no Brasil. Parece que ele se isola nos outros dias do ano e só sai do seu mundinho no dia da Marcha Para Jesus. Provavelmente ele seja um desses bispos ou apóstolos que se tornaram empresários da "fé". As "igrejas" desses empresários abrem todos os dias em várias sessões. Há "cultos" de todo tipo. Eles vivem dentro da Igreja vendendo a ilusão e, por contar tantas vezes a mesma mentira, já estão acreditando nela. Esse tipo de gente adora multidão porque sabe manipulá-la. E, falando em rendimentos, uma multidão gera muito mais renda do que um punhadinho

Esse país está convulsionado. Veja as decisões do STF, veja o Senado, veja o Congresso Nacional, enfim leia, ouça, assista, se informe, veja os números. E para quem diz que depois da inserção da Marcha para Jesus no calendário dos neo-pentecostais (sim porque começou com a Renascer em Cristo essa tal de marcha) o Brasil melhorou, quero dizer que o PT defende a mesma tese, ou seja, que foi depois que ele se tornou poder e posição é que o Brasil mudou para "melhor" (entre aspas de propósito). Então, não defendo hoje e nunca defendi a Marcha Para Jesus por ser populista, por defender (hoje) um ecumenismo unilateral, porque é fácil assumir a psique da multidão, mas é difícil voltar para a realidade e ser cristão no dia seguinte, no trabalho, na escola, na família, na condução, no trânsito, enfim em todas as dimensões de nossa atuação como cidadãos.

Jesus evitou as multidões e certamente não estava nessa Marcha acontecida no último dia 23.06.2011 como não esteve nas outras mesmo porque se ele aparecesse diria o que disse à mesma multidão que o seguiu por causa do pão: "Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes". (João 6.26)

Amanhã vai ser mais um dia triste para o Brasil. Amanhá teremos mais um espetáculo de horror e de falta de seriedade.

Amanhã a Paulista será palco de mais um desfile da hipocrisia e teremos lá muitos políticos interessados mais nos votos do que na verdade e bem estar dessa nação. Eles não estão nem aí com a verdade, eles querem mesmo é a popularidade que lhes garanta votos e com isso os altos salários que ganham sem merecer. Com o slogan "Amai-vos uns aos outros", aliás tirado da Bíblia Sagrada, o movimento profana as palavras de Jesus. É bom que não nos esqueçamos que Jesus repreendeu a multidão ávida em apedrejar uma prostituta. Mas Jesus disse àquela mulher: - Eu também não te condeno. Vá e não peques MAIS. Jesus proferiu juízo de valor sobre aquilo que a mulher praticava e a absolveu com a exigência de que ela não mais pecasse.

"Amai-vos uns aos outros" também não pode ser entendido sexualmente. Não foi nesse sentido que Jesus disse essas palavras.


"Amai-vos uns aos outros" não exclui a disciplina quando necessário. O amor não é indulgente porque ele se manifesta na disciplina muitas vezes. O pai que ama o filho, o disciplina quando necessário.


"Amai-vos uns aos outros" não significa fechar os olhos e nem tapar os ouvidos contra o que é errado e aquilo que a mesma Bíblia diz ser pecado.

Jesus teve compaixão da multidão, mas ele a conhecia muitíssimo bem. Ele não se iludia com ela. Basta lembrar que muitos que o aclamaram em sua chegada em Jerusalém, com grande probabilidade estavam na multidão que clamava: -Crucifica-o, crucifica-o.

Jesus sempre evitou as multidões. Ele as conhecia bem antes e melhor do que eu, você e Freud. Se Ele as evitou bom seria que fizessemos o mesmo. Bom seria que o trânsito circulasse livremente no domingo, já que durante os outros dias da semana, sabemos muito bem não ser possível.

Bom seria que houvesse amor no coração e juízo no cérebro.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CONSIDERANDO A PREGAÇÃO E O PREGADOR

Vou confessar que estou bastante triste.
Triste em primeiro lugar comigo por não conseguir ser aquele Pastor do Rebanho do Senhor, que eu deveria ser. Pregar com mais amor, visitar com mais constância, saber ouvir e só falar quando tiver fundamento bíblico e amor suficiente, saber olhar para o defeito do outro com simpatia, orar mais, aliás muito mais, ler mais a Bíblia para meu alimento próprio ao invés de o fazer somente com o afã de preparar um “bom sermão”, saber distribuir responsabilidades de tal maneira que meu liderado abrace o “meu projeto” como algo perfeitamente viável e pertinente.
Mas confesso que estou triste também ao observar o reducionismo a que muitos traduzem o Ministério Sagrado hoje em dia. Sim, reducionismo. Alguns reduzem o Ministério Sagrado ao momento da profecia, ou seja, ao momento da Prédica, da Exposição Bíblica, do Sermão.
Recentemente ouvi que certo irmão cobrou do Pastor uma atuação mais eficiente nas visitas, no atendimento às ovelhas no âmbito do aconselhamento Pastoral, na forma carinhosa e cheia de afetividade com que devia tratar as ovelhas, e que recebeu do Ministro a seguinte resposta: - Eu tenho que me preocupar com o Sermão que vou pregar no domingo e por isso dedico a maior parte do meu tempo à leitura, exegese, hermenêutica e preparo da homilética.
Ora, é claro e óbvio que um Ministro precisa pregar bem, que a mensagem deve ser fundamentada nas Escrituras, deve ter uma hermenêutica correta e uma homilética apreciável e que torne a Exposição Bíblica em algo prazeroso e eficaz, mas Pastorear não é somente isso.
O Pastor precisa estar cheio do Espírito Santo para que, tanto no momento do preparo, quanto no momento da entrega da mensagem, haja poder que arrebate os corações. Vejo muitos Pastores, na maioria jovem, com seus rostos enfiados nos livros, mas que se recusam em dobrar seus joelhos para orar. Vejo Pastores querendo apontar o caminho que eles mesmos ainda não trilharam. Soa discurso vazio falar em santidade sem que o próprio pregoeiro se santifique. E a santificação é o terreno propício para uma atuação mais eficaz do Espírito Santo. Quanto mais cheio do Espírito Santo, mais poderoso é o Pastor ou qualquer pessoa que aceite a responsabilidade em testemunhar de Cristo e de suas virtudes. Intelectualidade sem espiritualidade é mera contemplação, abstração. A questão toda é pregar com o coração e com o cérebro e não apenas com o cérebro.

O Pastor não é um carteiro. O carteiro deixa a correspondência e se retira. Há Pastores que são assim. Eles sobem ao Púlpito, abrem a Bíblia, pregam seus sermões (muitos deles belíssimos) e descem dali sem se identificar com aqueles para quem ele pregou. No caso do carteiro, se compreende, mas não no caso do Pastor. O Pastor deve conhecer a ovelha para quem prega. Somente um Pastor de verdade sabe o quanto de alimento e qual alimento são mais interessantes à ovelha do rebanho sob seus cuidados. Somente um Pastor que conhece sua ovelha, é conhecido por ela.
O Pastor também não é um juiz que abre a Constituição, Código Penal e outros livros de leis, e julga. Veja o Senhor Jesus, Supremo Pastor; Ele mesmo disse que não veio para julgar, mas para salvar e dar sua vida em prol de suas próprias ovelhas. É interessante ouvir o que disse Paulo a respeito de si mesmo: “Fiel é a Palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (I Timóteo 1.15). Ao escrever sua carta aos Romanos, Paulo adverte com severidade ao judeu que condenava, sem nenhum traço de misericórdia, o gentio: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que seja; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”. Romanos 2.1
Pastor também não é feitor. Alguns pregadores, adeptos do chicote, citam o sermão de Jonathan Edwards – Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado – pregado em 08 de Julho de 1741, para justificar os açoites com que fazem sofrer as ovelhas colocadas sob seus cuidados. Todavia, seria muito bom que, os que assim agem, estudassem não apenas a vida desse puritano como também analisassem o contexto que o levou a pregar o sermão que se tornou notável.  Seria bom também conhecer toda a obra e vida desse pregador para constatar que seus sermões nem sempre tiveram o tom deste citado que só ganhou notoriedade pelo contexto em que foi proferido como também pelo resultado que provocou.
Pastor também não é chamado para ser o Apologista da Sã Doutrina, pura e simplesmente. Não me refiro ao mesmo tipo de apologistas que surgiram no século II como Justino – O Mártir, Tertuliano, Irineu, por exemplo. Estes e outros, também no século III, defenderam o Cristianismo e o Evangelho dos ataques que lhes eram dirigidos.
Estou me referindo ao tipo de apologista que, tendo um bom preparo teológico, transforma o púlpito em uma trincheira, em uma tribuna para provar que “ele tem razão” e que o “outro está errado”. Pregar não é o mesmo que debater sobre assuntos filosóficos ou teológicos. Isso é fácil, Uma boa formação teológica lhe dará todas as ferramentas para poder formar seu corpo de doutrinas (ou subscrever algum já existente, o que acontece na maioria dos casos) e fazer do púlpito um ambiente de apologética desse escopo doutrinário. O Pastor não deve pregar somente para mostrar que o outro pensa teologicamente errado. O Pastor é o Profeta que convoca o povo ao arrependimento, à conversão, à mudança na forma de pensar e agir. A parede do orgulho precisa ser quebrada com o martelo da Palavra, mas esse martelo deve ser empunhado por mãos amorosas como as que socorreram o homem que jazia semi-morto naquele trecho que ligava Jerusalém à Jericó. (Lucas 10.25-32)
Na primeira carta que Paulo escreveu à Igreja de Corinto ele registrou o seguinte: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco anunciando-vos o  testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva  de sabedoria, mas em demonstração do espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana e sim no poder de Deus”. (I Cor. 2.1-5)
Eu escrevo como Pastor.
Já me pronunciei confessando meu auto-desapontamento. Já fiz o mea culpa. Preferi agir assim para que você não me colocasse contra a parede e dissesse: - Você pensa que é o quê? ou: Quem você pensa que é? Eu confesso, depois de 22 anos de Pastorado, que por diversas vezes já chorei por ter percebido o quanto tenho deixado a desejar no Pastorado. Não posso nem contar a quantidade de vezes em que, de madrugada, me derramei em lágrimas clamando por misericórdia. Já clamei por perdão por um número incontável de vezes. Já baixei os olhos por não ter coragem de olhar nos olhos de ovelhas que precisaram de mim e às quais eu deixei de assistir. Já subi ao Púlpito fraco, sem forças, sendo sustentado pelo Espírito do mesmo Deus que fez sair água da rocha ainda que o instrumento para isso, Moisés, tivesse se revelado auto-suficiente e tolo. Deus por sua misericórdia abençoou o povo apesar das falhas do seu servo que até ali era considerado o homem mais manso da terra. Quantas vezes preguei e vi Deus abençoando o povo (e a mim mesmo) com a mensagem, mas enquanto cumprimentava todos à porta e percebia as pessoas satisfeitas com a mensagem, eu mesmo não via a hora de colocar minha cabeça no travesseiro para chorar.
Eu quero ser outro Pastor e não esse que eu sou. E você? Você está satisfeito com tua poimênica, com teu viver e fazer o pastorado?
Faço você lembrar que o próprio apóstolo Paulo se sentiu frágil em Corinto e que Deus precisou vir a ele em uma visão dizendo que ele não deveria temer porque havia naquela cidade muitos eleitos a serem conquistados (Atos 18.1-11). O grande Elias se deprimiu e quis morrer (I Reis 19.1-8). Timóteo precisou de encorajamento (II Timóteo 4.1-5). Pedro precisou experimentar um êxtase no qual um objeto como se fosse um lençol cheio de animais que os judeus não comiam descia até ele momento no qual ouvia uma voz que dizia: “Levanta-te Pedro! Mata e come”. Tudo isso para poder entender que sua missão evangelística incluía os gentios. (Atos 10.9-16)
Se você pensa como eu e se sente enfraquecido, se você quer ter um Pastorado mais próximo daquele prescrito em I Pedro 5.1-4, convido você a se unir a mim:
  1. Oremos mais, muito mais, por nós mesmos. Confessemos com sincera humildade nossa fraqueza e total dependência de Deus em nosso Ministério Pastoral.      
  2. Estejamos sempre lembrados de que por melhor que sejamos naquilo que fazemos, ainda precisamos melhorar muito e que mesmo assim estaremos longe de sermos excelentes como excelente foi nosso Supremo Pastor.
  3. Provemos da ração e da água antes de as servirmos às ovelhas do Rebanho do Senhor.
  4. Lembremos que nossas primeiras ovelhas são os de nossa casa.
  5. Concentremos nossa atenção naqueles irmãos que serviram a Deus no Pastorado de uma forma exemplar. Eu conheço um bom número de bons Pastores. Suas vidas me inspiram e me encorajam.
  6. Olhemos para as ovelhas como Rebanho de Deus. Somos mordomos de Deus sobre elas. Ele irá cobrar de nós cada ato de desleixo e de descuido irresponsável.
  7. Amemos mais essas ovelhas a ponto de pregar sermões tendo como alicerce a humildade de quem sabe que aquilo que diz a elas, serve para nós mesmos.
  8. Lembremo-nos de que o Púlpito está, normalmente, em uma elevação acima da audiência, mas que essa é apenas uma questão de visibilidade e não de superioridade.
  9. Lembremo-nos sempre de que o púlpito não é trincheira.
  10. Lembremo-nos de que não temos todas as respostas para todas as perguntas e que em alguns casos o silencio é nosso mais convincente discurso.
  11. Saibamos que servimos às ovelhas e que não nos servimos delas.
  12. Saibamos que o mesmo Pastor que alimenta a ovelha, é aquele que rechaça o lobo e que isso só é possível se ele estiver próximo do rebanho. Pastor ausente facilita a ação dos inimigos dos ladrões e dos lobos.
  13. Lembremo-nos que a ovelha só conhece o Pastor, quando o Pastor se faz conhecido pela ovelha.
  14. Que o cajado serve para cutucar alertando a ovelha, com amor, e não para açoitar causando dor. 
Por fim que direi eu a não ser registrar aqui essa passagem da carta que Paulo escreveu aos coríntios e que é por bastante clara e desafiadora a todos aqueles a quem Deus tem chamado para o Ministério Sagrado:
E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse.
Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.
 Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.
 E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão (Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação); não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado; antes, como ministros de Deus, tornando-nos recomendáveis em tudo; na muita paciência, nas aflições, nas necessidades, nas angústias. Nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido, na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, por honra e por desonra, por infâmia e por boa fama; como enganadores, e sendo verdadeiros; como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como morrendo, e eis que vivemos; como castigados, e não mortos; como contristados, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo. (2 Cor. 5.18 – 6.1-10)
 Às ovelhas cabe pedir, com humildade, que orem por seus Pastores e os tratem com carinho respeitando-os como seus guias espirituais (Hebreus 13.7).

segunda-feira, 6 de junho de 2011

SEMPRE HAVERÁ AMANHÃ

Beth estava no Hospital do Câncer. Em poucos meses seu corpo murchou, os cabelos embraqueceram e rarearam. Lá estava ela deitada naquela cama de hospital. Quando entrei naquele quarto quase não a reconheci, confesso. Tive certeza de que era ela porque o Ernani, um de seus filhos me recebeu. A enfermeira lhe aplicava alimentação direta por sonda em seu estômago. Ela, como sempre fazia, sorriu para mim. Eu tremi nas bases. Ia perguntar: "Como vai, tudo bem?" Sim porque isso fica mecânico. Mas tive o tino de não o fazer. Simplesmente beijei-lhe o rosto e me esforcei para não chorar ou mesmo deixá-la ver o meu espanto e tristeza.

Fiquei poucos minutos por ali com ela. Não aprendi no Seminário, a como me comportar em situações como essa. Creio que aqueles que me sucederam no mesmo Seminário, também não aprenderam. E penso ser difícil encontrar quem possa ensinar como agir numa hora assim.

Depois de um certo papo sem muita graça, abri a Bíblia, orei e me despedi. Sai do quarto e as lágrimas verteram em abundância. Ainda hoje quando me recordo, a emoção é muito forte. Entrei no elevador e as pessoas olhavam para mim e o faziam com sentimento solidário. A enfermeira ao sair do elevador me perguntou: - O senhor precisa de alguma coisa? Eu então respondi: - Eu preciso ver o sol, eu preciso ver a rua, eu preciso ver os carros, eu preciso ver a vida. Ela então parou diante da porta por onde entraria e respondeu: - Sim senhor, eu entendo e me apontou o caminho da saída. 

Tirei o carro da garagem e corri para casa, para os braços da minha esposa, curti de forma singular meus filhos que, solteiros, ainda moravam comigo e então agradeci a Deus porque podia esperar que o amanhã acontecesse para mim como um presente do céu.

Na madrugada não consegui dormir e, inspirado na vida preciosa de Beth e naquela cena daquela quarto de hospital, escrevi esse poema.....

E se não houver amanhã?
A vida é frágil e fugaz
Tão tênue a linha que faz
A vida e a morte perto demais.
Isso me faz perguntar:
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
Qual a razão de ser ou existir?
Se de repente posso partir
Se a luz se apagar...
Isso me faz perguntar:
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
Um dia ensolarado
Ficar quietinho ao teu lado
Sentir a brisa, o ar...
Isso me faz perguntar:
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
O que fazer com meus sonhos?
Não sonhar é medonho
Será que vão lembrar?
Isso me faz perguntar:
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
Onde possa sair e passear
Onde possa me alegrar
Viver com fé e esperança
Como faz uma criança.
Isso me faz perguntar.
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
Porque eu quero saber
Eu quero viver,
Oh! Deus o que será?
Será que amanhã haverá?
Um dia a mais, que seja diferente!
Um dia a mais, um presente!
Isso me faz perguntar:
E se não houver amanhã?

E se não houver amanhã?
Que tolice, insanidade!
Isso é fruto da vaidade
Que me faz perguntar:
E se não houver amanhã?
Ora, um cristão vive sempre.
Numa dimensão infinita
Numa realidade mais bonita
Num lugar de bonança e prazer
Onde não há perguntas pra fazer
Onde o ontem é hoje
O hoje, amanhã!
Onde a noite é sempre dia
No fulgor do cordeiro
De singular claridade
Iluminando o amanhã....
Que chamamos Eternidade!

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

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O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

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