quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O TEMPORAL E O ETERNO (Lucas 10.28-42)

Estavam as duas interessadas em desfrutar da companhia de Jesus. E quem não estava, naqueles dias, não é verdade? Afinal de contas as palavras que Ele falava, suas atitudes, seu carisma, eram por demais preciosos para serem desprezados. Por outro lado nem sempre era possível ter um mestre, um profeta em casa. Por isso Maria e Marta, irmãs de Lázaro, amigo de Jesus, estavam felizes em poder recebê-lo em sua humilde casa na aldeia chamada Betânia.


Marta estava, a seu modo, preocupada em demonstrar seu carinho, sua satisfação em ter Jesus em sua casa. Afinal de contas não se tratava de uma pessoa comum. Marta tinha, quem sabe, a preocupação em causar uma boa impressão. Era preciso cuidar de todos os detalhes para que Jesus se sentisse bem em sua casa.

Maria deixou de lado seus afazeres e se sentou próximo aos pés do mestre Jesus e ouvia suas palavras. Quem sabe seu coração fosse mais ávido de benções espirituais e por isso se quedava aos pés daquele a quem julgava ter respostas para os anseios do seu pobre coração. Quem sabe Maria não fosse assim tão ligada nessas coisas dos cuidados com a casa. Não podemos responder a essas questões e nem saber ao certo quais foram as motivações que levaram aquelas irmãos a agirem de forma tão diferente uma da outra.

Em minhas visitas às casas de algumas ovelhas eu já vivi experiências similares, guardadas as devidas proporções. É comum quando chegamos meio de surpresa nas casas de alguns irmãos, ouvirmos, principalmente das esposas as palavras de desculpas pela bagunça em que a casa se encontra. Na verdade na grande maioria dos casos a casa está em ordem, mas por ser o Pastor quem chega para a visita há uma preocupação em causar uma boa impressão. Então enquanto alguém faz a sala, outra pessoa se encarrega de guardar algumas coisas espalhadas, desligar a televisão, abrir uma janela, preparar um café, e assim por diante.

Vejam; essas são situações perfeitamente compreensíveis. O que aconteceu então no caso de Marta e Maria foi que aquela ficou como que enciumada com a postura da outra. Ela sentiu um pouco de repulsa pelo aparento descaso de sua irmã. Deve ter pensado: - Mas que folgada essa minha irmã. Enquanto eu cuido da casa ela fica no bem bom só ouvindo o que Jesus diz. Não seria o caso de trabalharmos, deixarmos tudo em dia, e depois nos assentarmos e ouvirmos juntas o que Jesus tem para nos ensinar? Não sei e creio que é difícil afirmar com segurança o que estava por trás daquelas palavras de Marta dirigidas a Jesus.

Entretanto, de uma coisa sabemos e isso é o que Jesus disse a Marta. “Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. (Lucas 10.38-42) Jesus está dizendo aqui à Marta:
  
1.               Ansiedade não pode acrescentar absolutamente nada à nossa já empobrecida vida. Na verdade a ansiedade tira. Tira o sossego, acrescenta cansaço. Tira a paz da esperança e acrescenta a tristeza da insegurança. Tira a confiança na providência e nos faz agir com auto-suficiência.

2.            Ter muitas coisas, muitas responsabilidades, viver de aparências, não nos faz felizes. Não é o ter muito que traz felicidade, mas sim ter o que realmente precisamos. Jesus disse à Marta: “...pouco é necessário, ou mesmo uma só cousa”. A questão não é ter muito, mas sim ter o que é necessário possuir. Quem é satisfeito com o que tem, ainda que seja pouco é muito mais feliz do que aquele que se deixa possuir pelo quem, seja muito, ou seja pouco.

3.            De tudo pelo que devemos lutar e buscar nessa vida aqui, as mais importantes de todas são aquelas de valor eterno. Uma casa limpa e arrumada é importante, mas uma vida consagrada e atenta às coisas de Deus é muito mais importante. Raciocine assim: se houvesse alguém morrendo naquela casa, precisando urgentemente de um médico, certamente ao chegar o médico tão necessário ninguém iria demonstrar preocupação com os serviços a serem feitos na casa, como arrumar, limpar, guardar, não é verdade? Todos se envolveriam em atender aos pedidos do médico, em assistir o moribundo visando salvar-lhe a vida. Naquele dia inesquecível Marta e Maria tinham o Deus Encarnado em sua casa, Ele era mais importante do que a casa. Parece que Maria percebeu isso. A questão aqui era definir a prioridade. Temporal ou eterno? A casa, ou os ensinamentos de Jesus? Ora, o próprio Jesus afirmou que Maria havia feito a escolha certa.  Era uma escolha certa porque casa e propriedades passam, mas as palavras de Jesus são tesouros perenes.

Irmãos: A ansiedade tem sido considerada uma das mais terríveis doenças do final do final século XX e já no transcurso do século XXI. Roemos as unhas, balançamos nossas pernas, mesmo quanto estamos em um ambiente de descontração e festa. Perdemos o sono com facilidade ao pensarmos nas responsabilidades do dia que se aproxima. Pedro escreveu: “... lançando sobre Deus toda a vossa ansiedade, pois Ele tem cuidado de vós” (I Pe 5.7)  Jesus disse que a ansiedade não pode acrescentar sequer um côvado à nossa existência (Mateus 6.27). Na verdade ela tem encurtado a existência de muitos.

Precisamos pedir a Deus sabedoria para podermos discernir do que realmente temos necessidade. Se conseguirmos, com a ajuda do Espírito Santo, identificar o de que realmente precisamos, constataremos que não é muita coisa. Ninguém dorme em dez camas numa noite. Não sei por que há lugares em que as torneiras são de ouro se a água que nela circula é a mesma que corre a céu aberto e mata a sede dos animais, pássaros e viajantes sedentos. Cuidar da casa e ao mesmo tempo aprender com Jesus era muito para qualquer pessoa. Uma coisa só era necessária e essa era ouvir o mestre.

Entristeço-me ao ver que nessa loucura em ter, os crentes estão trocando o eterno pelo temporal. Cometem a mesma torpeza que cometeu Esaú ao trocar as bênçãos da primogenitura por um prato de lentilhas. Sem se aperceberem esses crentes estão tentando construir o céu na terra. Estão sendo seduzidos pela auto-suficiência e deixando de crer na providência. Não estou falando de sentar e cruzar os braços. A Bíblia mesmo nos ensina que há tempo para tudo e que em todo trabalho há proveito. O problema está em que roubamos o tempo que deveríamos investir em crescimento espiritual pelo tempo em construir uma vida de segurança na terra. Falando a esse respeito Jesus se pronunciou nos seguintes termos: “E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa e come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão tua alma; e o que tens preparado para quem será? Assim é aquele que ajunta para si tesouros, e não é rico para com Deus”. (Lucas 12.19-21)

Com a experiência de Marta e Maria eu aprendo que não podemos perder o trem da história. Há oferecimentos que não podemos e nem devemos desprezar, pois eles são únicos. Eu já dei 57 voltas pelo quarteirão da vida.

Todos que me conhecem sabem do meu amor pela música. Pois bem; esse amor pela música eu herdei do meu querido e saudoso pai Vincenzo Aiello. Entretanto, quando papai quis me ensinar mais sobre a música eu simplesmente não fiz caso e nem levei a sério. Por mais que meu velho insistisse em que eu estudasse e me exercitasse eu simplesmente dei de ombro. Eu não fiz caso do professor que eu tinha quase que todos os 365 dias do ano. Até que ele se foi e eu comecei a trabalhar com música na Igreja. Lamentei não ter aproveitado mais sua competência e enorme capacidade. Lamentar não vai me fazer ser melhor cantor ou tocador de violão, ou mesmo ao ler com mais eficiência uma partitura. O tempo se foi e meu velho também. Se eu quiser ser melhor, vai ser por minha conta e com mais sacrifício do que seria naqueles dias nos quais tinha papai comigo com sua paciência notável e seu prazer incomum em ensinar seus filhos, Mauro e José Luiz. Se eu quiser melhorar agora será por minhas expensas e também à custa de um tempo que eu já não tenho mais. Eu não soube aproveitar a oportunidade que estava bem ali, à minha disposição.

Quantos crentes vão lamentar, no futuro, o fato de terem agido de forma relapsa nos seus compromissos com Deus na Igreja. Quantos vão dizer: - Bem que eu poderia ter freqüentado mais a Escola Bíblica Dominical com mais assiduidade. Ou dirão, ao ver os caminhos de erros e pecados dos filhos: - Eu deveria ter ido mais e deveria tê-los levado a pulso à Igreja. Ou constatarão que suas vozes já não são tão boas para cantar em um coral, ou dizer com tristeza no rosto que poderiam ter feito muito mais do que fizeram, mas que estavam mais preocupados com seus negócios particulares que no final não lhe trouxeram alegria e paz perenes.

Evitemos a ansiedade que adoece. Saibamos viver com mais simplicidade sem nos preocuparmos com as aparências. De nada adianta os homens admirarem nossas roupas, carros, casas, se Deus não vê beleza em nossos corações. Priorizemos o espiritual e não o temporal. O temporal está restrito ao tempo. Passa, é substituído, se torna obsoleto, mas o eterno é sempre novo e satisfaz plenamente.

Sejamos como Maria, sobrará tempo para cuidarmos de tudo o mais.
"Esse texto eu dedico a Yolanda Dalceno Aiello, minha querida mãe. Se eu sei cantar foi porque herdei de meu pai o amor pela música e porque ele me ensinou a dar os primeiros passos no mundo encantado das poesias e das canções. Se eu sei usar as palavras é porque herdei de minha mãe esse lado artístico que todos que a conheciam mais de perto e intimamente sabiam que ela possuía. Nessa madrugada ela foi chamada à presença do seu redentor, Cristo Jesus de quem sempre esteve perto para ouvir seus ensinamentos os quais praticou em uma existência simples e ao mesmo tempo cheia de riquezas.

Querida mamãe.....ontem você estava sempre de cabeça baixa. Isso nunca aconteceu. Você sempre andou de cabeça erguida, mas eu reconheço teu cansaço contras as lutas dessa vida. No ranking das mulheres chamadas maravilhosas, lá está você. Posso ler seu nome.....Nesse mundo não nos veremos mais, mas posso sentir teu cheiro, passar as mãos em seus cabelos, ouvir sua risada e me lembrar do seu olhar de reprovação, posso sentir o toque de tua mão e mais do que tudo....posso ver você abraçar meu netinho Gabriel é dizer: -Mauro, como ele é lindo, né? Essas coisas ficam com a gente........Até logo querida mamãe....até logo...."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

SEJA GENTIL, SEJA EDUCADO

Passei quase cinco horas em um posto de Pronto Atendimento de um hospital onde minha esposa foi atendida e medicada. Quase cinco horas é bastante tempo. Li, ouvi meu IPod, olhei meu celular por diversas vezes, tirei até um cochilo, olhei o movimento das pessoas e dos carros, contemplei pessoas assentadas em mesas de um bar fazendo suas refeições, pessoas se encontrando, chegando e saindo, conversando e por aí vai, pais e filhos, crianças e adultos.. Passei a observar cada uma delas. Com isso em mente cheguei a algumas conclusões sobre as quais discorro aqui.


Sorria para as pessoas. Elas não têm culpa e nem estão relacionadas com as circunstâncias adversas que te sobrevém e se tiveram qualquer relação, olhar sisudo e ameaçador, rugas na testa e semblante caído não irão mudar tais circunstâncias.



Pare seu carro na faixa para pedestres e permita que eles atravessem com segurança. Nessa luta de pedestres contra os carros, aqueles sempre levam desvantagem.


Se te tratarem humilhantemente, pense que de nada adianta reagir na mesma proporção. Uma reação inadequada só irá piorar a situação. Respire fundo, olhe com amor para teu ofensor e “vingue-se” sendo cordial. Ser gentil em atitudes favoráveis é algo fácil de praticar, mas nas situações desfavoráveis é que mostramos o quão nobre é o caráter da gente. Por outro lado não permita que a forma com que te tratam venha moldar tua atitude. Mario Quintana escreveu:

Não te irrites, por mais que te fizerem

Estuda, a frio, o coração alheio

Farás, assim, do mal que eles te querem

Teu mais amável e sutil recreio”.


 Esse poema foi uma gentil cooperação do meu irmão Marcos J. S. Vansconcelos, pelo que também gentilmente agradeço.


Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

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Mário Quintana

Dê passagem para quem vem em maior velocidade atrás de você. Nunca se sabe por qual drama e momento atravessa aquele condutor. Pode ser que esteja indo a um velório de alguém querido, ou ao hospital visitar um parente ou amigo, ou pode ser que esteja atrasado para algum compromisso importante. Se for o caso de ter em sua traseira alguém que irresponsavelmente ama a velocidade, é melhor mesmo deixar que ele passe a sua frente e não ande atrás de você.


Se houver pessoas idosas, mulheres, pessoas com algum tipo de limitação, abra o caminho, abra a porta, ceda seu lugar, acenda a luz, puxe um assento e ofereça. Se elas não quiserem, insista. Há pessoas muito tímidas e para ser sincero o mundo não está mais tão acostumado com esse tipo de atitude.


Cumprimente as pessoas. Quem chega é que tem essa obrigação. Estenda a sua mão, olhe para o rosto da pessoa e sorria. Você não pode imaginar que diferença isso pode fazer para facilitar a conversa e o relacionamento.


Quando for pedir algo a alguém, peça, por favor. Se você pensa que o mundo lhe deve alguma coisa e você não pediu para nascer, saiba que estás redondamente equivocado. Todavia, ainda que alguém te deva um favor, dizer, por favor, pode fazer com que essa pessoa aja de uma forma muito mais solícita e benfazeja. Creia nisso.


Agradeça quando receber um benefício ou uma ajuda qualquer. Muito obrigado é uma forma verbal de mostrar gratidão. Se há uma atitude na qual podemos exagerar, essa é a gratidão. A gratidão é a memória do coração. A gratidão é o antídoto contra a amargura. Seja sempre grato. Quando você agradece sinceramente, deixa uma porta aberta para receber outros benefícios porque as pessoas gostam de saber o quanto foram úteis.


Quando for fazer a refeição não seja o primeiro a se servir. Espere que outros se sirvam. Não encha o teu prato. Em Provérbios 23.1,2 lemos: “Quando te assentares para comer com um governador, atenta bem para aquele que está diante de ti; mete a faca à tua garganta, se és homem glutão”.


Espere o momento certo para falar. Não é elegante interromper a fala do outro. Seja econômico em sua fala. Em Provérbios 10.19 lemos: “No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente”. Ainda em Provérbios 17.28 lemos: “Até o estulto, quando se cala, é tido por sábio, e o que cerra os lábios, por sábio”.


Nunca diga nada que venha de uma, ou de outra forma, destruir ou denegrir a imagem de quem quer que seja, Pode ser até que suas considerações se baseiem na verdade, mas se ela destruir a reputação do outro é melhor se calar. Há um ditado popular que diz: “Ouvir é ouro, calar é prata, falar é lata” e eu particularmente creio que esse ditado se aplica muito bem nessa questão.



Fale em tom normal e evite gritar. O melhor mesmo é sempre falar em tom normal. Se você está conversando com uma pessoa em público, porque é que os outros devem ouvir o que você está dizendo? Normalmente gente que gosta de falar alto é porque quer chamar a atenção dos outros, mas isso não é visto com bons olhos. Mas também não cochiche em público. É indelicado agir assim e muitas pessoas podem pensar que você está falando delas. Talvez fosse o caso de esperar outro momento para dizer alguma coisa que você não queira que outros ouçam. A intimidade tem seu lugar próprio.



Viver é uma arte e é preciso saber viver bem e de bem. A pessoa gentil e educada é sempre uma pessoa bem vinda e que quando parte deixa saudades e boas lembranças. Vi muitas situações naquele ambulatório de Pronto Atendimento e nas circunvizinhanças. Foi cansativo e estava apreensivo por conta da enfermidade de minha querida esposa. Mas foi pedagógico, muito pedagógico. Ela saiu de lá medicada e eu sai dali com lições que espero me façam um sujeito mais gentil e mais educado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A MÚSICA EVANGÉLICA - Um desabafo e um alerta.

O que seria deste mundo sem a música? Você já parou para pensar no que seria um filme sem a trilha sonora? Não é verdade que nos lembramos do nosso amor sempre quando ouvimos uma música que compartilhamos? A música expressa nossos sentimentos de alegria, tristeza, esperança, desventura. A música é a trilha sonora da nossa vida e existência. A música não tem nacionalidade, que me permitam os mais exigentes e nacionalistas. Quando a música é boa, não tem fronteira. Música boa é boa em qualquer língua tenha nascido aqui ou em qualquer outro lugar. Musica é arte!


O maior livro da Bíblia, o livro dos Salmos, contem muitas poesias musicais. O livro dos salmos tem muitos textos compostos por um pastor que era músico e virou rei. Um homem de sentimentos exagerados, extremados, mas um homem segundo o coração de Deus como opinou Paulo em Antioquia (Atos 13.22). Fico admirado ao observar que nos momentos próximos ao seu aprisionamento, após ter comido o pão e tomado o vinho, Jesus cantou um hino e se retirou para o Getsêmane. (Mateus 26.30)


Há um trecho de uma música popular brasileira que diz assim: “Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”. Para ser sincero eu gosto do ritmo do samba, mas confesso que sou doente do pé (não sei dançar). Mas sinceramente, eu sempre desconfio de alguém que não goste de música. Fico me perguntando: Como é possível não se gostar de música? Sendo bem humorado eu diria que uma pessoa que não gosta de música é um....zumbi.


A música é uma manifestação legítima de expressão dos nossos valores, sentimentos, realizações, esperanças. Não é pecado cantar ou tocar um instrumento, seja ele qual for, quando o desejo sincero é louvar a Deus, expressar sua adoração ou contar sua vida com Deus tendo como objetivo precípuo manifestar a glória de Deus e a honra do Seu nome. Entretanto, tenho observado com muita tristeza que muitos dos chamados evangélicos têm perdido de vista esses objetivos. Não há instrumentos canônicos, que me permitam dizer. Não sou tão radical a ponto de dizer que no culto que prestamos a Deus não podemos e nem devemos usar instrumentos. Sinto no meu coração, sem me deixar levar pela passionalidade que esse assunto provoca, que Paulo não seria contra o uso de bateria, violão, guitarra, contra-baixo, teclado, no culto se o instrumentista primar por executar seu instrumento objetivando a Glória de Deus e a Honra do Seu Santo Nome. Nem tudo que eu não gosto, é diferente ou novo, implica em pecado. O problema não está no instrumento, mas sim no instrumentista.



Música é uma forma legítima de expressão dos nossos valores e por isso ela é útil na adoração a Deus.  Todavida, tenho visto com tristeza a espetacularização do “culto a Deus” principalmente quando se trata da questão da música. Creio que quando os cantores ou instrumentistas buscam dar espetáculo, não devemos chamar esse evento de “culto a Deus”. Qualquer expressão artística musical que sonegue a glória a Deus é um ato de egocentrismo, antropocentrismo, vanglória, que deve ser evitado.



Tenho, visto, com tristeza, que alguns “cultos” não passam de shows onde o centro das atenções é a banda tal, cantor ou cantora tal.


Tenho observado com lamento, que a técnica do instrumentista, a sofisticação no arranjo instrumental e vocal têm feito com que valorizemos mais a forma do que o conteúdo. Não sou contra bons arranjos e belos vocais. Mas de que adianta colocarmos uma bela roupa em um cadáver?



Tenho visto com enorme tristeza que as letras de muitas músicas “evangélicas” são tão repetitivas que perderam de vista o seu valor pedagógico, cúltico e de adoração,  funcionando mais como um mantra. A falta de objetividade em algumas músicas tornam alguns refrões muito repetitivos e cansativos. Haja paciência. O nome de Deus é tomado em vão quando agimos sem refletir, como deveríamos fazer, no seu uso.



Minha tristeza é enorme também ao observar a superficialidade e falta de profundidade teológica de muitas músicas chamadas evangélicas. Poesias pobres, rimas pobres, conteúdos vazios e efêmeros só porque a Igreja de hoje tem trocado a Bíblia pelos microfones e instrumentos musicais, só porque a Igreja de hoje tem visto o culto como momento de entretenimento e não de adoração a Deus.



Tenho observado com tristeza que muitos “cantores e cantoras”, muitas “bandas e grupos”, chamados evangélicos, tem trocado o ministério pelo senso profissional. Alguns até adotam nomes artísticos, se vestem como artistas seculares, cortam seus cabelos e mimetizam o estilo de interpretação e os trejeitos vocais dos artistas seculares, tocam instrumentos de tal maneira que se você desligar o som é possível imaginar se tratar de qualquer banda de rock ímpia, mundana, secular.


Não me rotule de retrógrado, nem de ultrapassado. Não se trata, tampouco, de um choque de gerações.


 A música para Deus não precisa ser regateada, nem moldada pelos valores mundanos. Não precisamos moldar nossa música para atrair os jovens, ou agradar os idosos.


O culto tem como objetivo agradar a Deus. O culto deve ser prestado a Deus e bom seria que muitos “cantores e bandas” chamadas evangélicas, hoje, no cenário chamado evangélico nacional, aceitassem o conselho do sábio quando escreveu: “Quando você for ao santuário de Deus, seja reverente. Quem se aproxima para ouvir é melhor do que os tolos que oferecem sacrifício sem saber que estão agindo mal. Não seja precipitado de lábios, nem apressado de coração para fazer promessas diante de Deus; Deus está nos céus e você está na terra, por isso fale pouco. Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo”. Eclesiastes 3.1-4 - NVI


Tampouco podemos cometer a torpeza denunciada por Deus por boca do profeta Isaías: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam é feita só de regras ensinadas por homens". Isaias 29.13 - NVI


Chegou a hora de desligar os instrumentos, fechar os estúdios, abrir a Bíblia, lê-la, orar.....e depois de um bom tempo deixar a música nascer como fruto de uma verdadeira intimidade com o Deus que criou tudo para a Sua Glória (entendeu?).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A IGREJA E O BOM SAMARITANO

 Que os mais exigentes e críticos não me acusem de alegorização. Por uma questão de justiça e correção hermenêutica sei que a principal lição que Jesus ensina ao contar a Parábola do Bom Samaritano é a de que o verdadeiro cristão é aquele que se importa com qualquer pessoa, independentemente da cor da pele, da situação econômica, social, financeira e até das crenças religiosas. O verdadeiro cristão não pergunta quem é meu próximo, mas sim de quem eu sou próximo e a resposta é: qualquer pessoa. Na verdade o intérprete da lei que quis colocar Jesus à prova se viu diante de uma situação extremamente constrangedora para ele ao descobrir que por preconceituar aquele que não era judeu ele estava deixando de amar o próximo como deveria e como evidenciaria ser ele herdeiro do reino. A questão não é, repito, quem é meu próximo, mas sim de quem eu desejo e serei próximo. A questão não é quem se importa comigo, mas sim se eu me importo.

                Quanto a isso Dale Carnegie, escritor do Best Seller “Como Fazer Amigos e Influenciar as Pessoas” sugere com sabedoria que faríamos mais amigos em dois meses demonstrando interesse pelas pessoas do que em dois anos tentando fazer com que as pessoas se interessem por nós.

                Lembro-me de uma experiência que vive há alguns anos atrás. Sabedor de que a mãe de uma certa inspetora de alunos estava bastante enferma, todos os dias pela manha quando a encontrava no campus eu perguntava: - Como está a mamãe? ao que ela me respondia dizendo em que situação sua mãe se encontrava. Isso levou alguns meses. Até o dia em que ao encontrá-la ela correu em minha direção e me disse: Pastor Mauro; não via a hora de me encontrar com o senhor. É que o senhor sempre demonstrou interesse em saber como estava minha mãe apesar de não conhecê-la. Eu me senti na obrigação de dizer ao senhor, antes que soubesse por outras pessoas, que mamãe partiu. Ela morreu no último sábado e eu só não o comuniquei porque não tinha seu telefone ou outra forma de contato. Eu quero agradecer ao senhor porque todos os dias eu dizia a ela que o havia encontrado e que o senhor dizia que iria orar na capela por ela. Obrigado por seu carinho e interesse.

                Essa foi a lição que Jesus ensinou ao intérprete da lei, ou seja: Qualquer pessoa é nosso próximo, não apenas aqueles que comungam das nossas idéias, professam a mesma fé, torcem para o mesmo time, tem os mesmos gostos e afinidades. E isso não depende do outro e sim de você.

                Mas (e por favor não me acusem de alegorização), o Bom Samaritano é um exemplo extraordinário para a Igreja Cristã quanto a alguns aspectos interessantes no que consiste ao nosso compromisso kerigmático, ou seja, com nossa responsabilidade em pregaro evangelho, em testemunhar de Jesus como salvador e senhor. Na parábola que Jesus contou aprendemos como Igreja que:

1.       O BOM SAMARITANO OLHOU DE FORMA DIFERENTE PARA O JUDEU MORIBUNDO. A maneira como olhamos uma pessoa é fator determinante quanto aquilo que faremos por ela ou como nos relacionaremos com ela. Se olharmos com preconceito, discriminação, antipatia, isso era determinar nossa omissão e distanciamento. Lembro-me do episódio no qual Jesus olhou a multidão e viu que estava faminta. Os discípulos deram desculpas, mas Jesus fez o milagre. A partir de cinco pães e dois peixinhos, Jesus alimentou a multidão. O possível você e eu podemos fazer, o impossível Deus fará. Se você olhar para as pessoas que te circundam como você mesmo é, alguém totalmente carente de Deus, você falará do evangelho a ela. Essa é a nossa parte, a conversão e da economia divina, mas para que isso aconteça você tem que olhar as pessoas como o Bom Samaritano olhou aquele homem semi-morto jogado à beira do caminho.

2.      O BOM SAMARITANO AMOU O JUDEU DE FORMA PRÁTICA. O amor não é apenas sentimento. O verdadeiro amor é revelado em atos. A Bíblia diz que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não peraça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16) Ao ver nossa miséria, Deus agiu. Ele deu-nos seu próprio filho para morrer em nosso lugar. Um ato de amor desse é incomparável. Por isso João escreveu: “Deus é amor”. O amor só pode ser visto quando nossas declarações são transformadas em ações. Maria Tereza de Calcutá disse: O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso”.

3.     O BOM SAMARITANO AGIU DE FORMA GRACIOSA. O samaritano era odiado pelo judeu. Eles eram inimigos. Mas o samaritano pouco se importou com isso. Ele explodiu em graça e misericórdia. Ele prestou os primeiros socorros, levou o ferido em seu próprio animal, cuidou dele a noite toda e deixou recursos consideráveis para o hospedeiro continuar o tratamento até a plena recuperação do judeu. Isso é graça, misericórdia. A graça não discrimina, porque se o fizer não é graça é desgraça. O pior miserável é aquele que, vendo a miséria do outro, podendo ajudar, cruza seus braços. A misericórdia tem uma irmã gêmea a quem chama de solidariedade. A graça é a beleza em movimento. A graça age, se manifesta, se revela.

A Igreja precisa aprender a olhar de forma diferente para o mundo ao seu redor. Devemos olhar o mundo com compaixão, amor, graça e misericórdia. E esse olhar irá fazer com que descrusemos os nossos braços e preguemos o evangelho. Assim como aquele homem teve sua vida salva, assim a Igreja tem sobre seus ombros essa maravilhosa incumbência que é pregar o evangelho que transforma e salva o pecador.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O QUE IMPORTA NESSA VIDA....e o que não importa....

 Não importa quanto de dinheiro ganhamos, mas sim como o ganhamos e como o gastamos.

Não importa quantos anos viveremos, mas quanto de vida teremos em cada ano vivido.

Não importa saber muito, conhecer muito. O que importa mesmo é praticar o bem e para isso não é preciso muito conhecimento e nem tampouco muito saber.

Não importa, tanto, a forma como morremos, mas sim a maneira como vivemos. Isso, sim, será lembrado.

Não importa a cor da pele. O que importa é quanto humano somos em nossos conceitos, pensamentos e atitudes.

Não importa se não alcançamos a excelência (às vezes não é possível). O que importa é tentarmos com todas as nossas forças e potencialidades, sermos excelentes.

Não importa se não alcançamos nossos objetivos desde que tenhamos feito tudo para isso.


Não importa se alguém não nos ama. O que importa é amarmos todas as pessoas.


Não importa dar de tudo aos filhos. O que importa mesmo é nos doarmos integral e sinceramente por eles e a eles.


Não importa se o filho será um grande profissional, ou mesmo um mestre. O que importa é que ele seja um grande discípulo de Jesus.


Não importa só saber o que é errado. O que importa é fazer o que é certo ainda que isso seja caro.


Não importa se não nos cumprimentam e não fazem conta de nós, contanto que cumprimentemos e consideremos a todos indistintamente.


Não importa se somos desafinados com nossa voz, desde que nosso cântico seja sincero.


Não importa sermos intelectuais se não somos espirituais.


Não importa conhecer a Bíblia se não estamos dispostos a praticar seus ensinamentos.


Não importa o quanto falamos de Deus aos outros. O que importa é verem esse Deus em nós. Talvez não seja necessário falar tanto.


Não importa saber coisas sobre Deus, o que importa é conhecê-lo intimamente.


Não importa honrar a Deus com nossos lábios. O que importa é ter o coração bem perto Dele.


Não importa acender uma luz se mantivermos nossos olhos fechados.


Não importa os privilégios se não assumirmos as responsabilidades decorrentes dos mesmos.


Não importa ser sal, no saleiro, e nem lâmpada debaixo da cama. O que importa é salgar e iluminar tudo ao nosso redor.


Não importa sermos identificados como membros desta ou daquela igreja ou denominação.  O que importa, de verdade, é sermos identificados como discípulos de Jesus.


Não importa quantos lugares conhecemos e quantas viagens fizemos. O que importa é sabermos o nosso lugar e amar nossas raízes.


Não importa quantas línguas falamos, desde que saibamos usá-las com amor e probidade. Certamente seremos entendidos (as).


Não importa que nos desprezem.....O que importa é saber que Deus nos ama de tal maneira que deu seu único filho para morrer em nosso lugar.


Não importa se não somos tão eloqüentes quanto desejariamos ser. O que importa é que nossa vida seja um discurso visto, ouvido e respeitado por todos. Afinal contra fatos não há argumentos.

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

FAMÍLIA.....
O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

FILHOS

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QUERIDOS