sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O TOCO DO TEREBINTO E DO CARVALHO.

O TOCO DO TEREBINTO E DO CARVALHO.

 

Nestes últimos dias fiquei, mais uma vez, estupefato ao ler notícias sobre escritos e idéias de Ricardo Gondim:

(http://noticias.gospelmais.com.br/ricardo-gondim-nao-faz-parte-movimento-evangelico-30641.html)....

 

e sobre Ed René Kivitz:

(http://outroladodacabana.blogspot.com/2012/02/rene-kivitz-pastor-da-igreja-batista-da.html)

René Kivitz - pastor da Igreja Batista da Água Branca - Entre o Teísmo Aberto e o “Teísmo Obtuso” por Mary Schultze Entre o TeísmoAberto e o“TeísmoObtuso”-MarySchultze –

Acabei de ler um texto do escritor RenéKivitz - “Os Pastores Feiticeiros e seu Evangelho Pagão” e devo admitir que ele tenha, pelo menos, 50% de razão no que escreveu......
Confesso conhecer muitíssimo pouco esses personagens do nosso cenário evangélico nacional. Não tive a oportunidade de gozar da intimidade de nenhum dos dois. Apenas os vi e os ouvi em vezes espaçadas em congressos por aí. Espero que eles não fiquem tristes comigo por me referir a eles assim – “cenário evangélico nacional” – já que eles estão repudiando essa nomenclatura – “evangélicoS”. E não sem motivo.

Ligue sua televisão ou o seu aparelho de rádio, principalmente na freqüência FM. É de dar náuseas. Na televisão você fica boquiaberto ao ver e ouvir Edir Macedo, sua cria, o Cowboy de Cristo com seu chapelão fazendo o estilo rural de evangelizador (jogada de marketing pessoal) o Valdomiro Santiago, com seu suor milagreiro, R.R. Soares com seu estilo despachado, o “missionário” Davi Miranda, aquele que fala errado e mistura o espanhol com o português, Sonia e Estevam Hernandez com sua teoria baseada na Confissão Positiva e Prosperidade, Silas Malafaia com seu estilo combativo, as vezes útil, outras vezes inútil, principalmente quando se aliou a Michael Dean Murdock, mais conhecido como Mike Murdoch,  e tantos outros, populistas e marqueteiros de plantão.

No aparelho de rádio, com mais presença nas emissoras de FM, o desfile não deixa por menos. É “apóstolo” que não acaba mais. É a glossolalia, demonstração de destempero e de êxtase, e porque não dizer, de ilusionismo verbal, que me causa espanto ao ver a ousadia daqueles que assim se pronunciam. Além disso, temos o programa super antropocêntrico com direito até a um jingle, (vinheta) do pastor Samuel Ferreira no qual ele é rotulado como o pastor de São Paulo. Eu me pergunto: Quem é que o nomeou assim? 

Há “programas evangélicos” nos quais o tal “locutor” gasta 90% de sua verborréia tentando arrancar ofertas para manter o programa no ar, ao invés de pregar o evangelho puro e simples da Bíblia. Veja, não quero cometer o pecado da generalização. Mas que a grande e massacrante maioria dos programas “evangélicos”, não são evangélicos, disso eu tenho a mais absoluta certeza.

Gente, não dá para ficar impassível diante de toda essa nojeira e show de absurdos. Não dá para engolir esse sincretismo religioso onde o que interessa é enricar, e não instruir, onde o que interessa é abocanhar a maior parte da mídia televisiva e radiofônica do que aproveitar o espaço para colocar o pecador diante do seu pecado e dos resultados que isso implica. Não dá para ficar sem se escandalizar ao ver coisas do tipo “ligue e venha ao culto que seus problemas serão resolvidos”. Não dá mais para engolir as “novenas” evangélicas, o fetichismo evangélico. NÃO DÁ MAIS PARA AGUENTAR VER E OUVIR TANTAS ABERRAÇÕES DE OUTRO EVANGELHO QUE NÃO TEM NADA, ABSOLUTAMENTE NADA A VER, COM O EVANGELHO DE DEUS CONTIDO NA BÍBLIA.

Quanto a isso eu faço coro com os dois citados pastores, Ricardo Gondim e Ed René. Mas vamos devagar que o andor é de barro. Não vamos cometer o desplante de afirmar que o termo evangélico deva ser execrado e que todos que se autointitulam evangélicos são mercenários, charlatões, desonestos e ilusionistas.

A questão é que não podemos tomar a parte pelo todo. Também não podemos cometer o pecado de rotular os personagens acima (R.R. Soares, Edir Maecedo, etc...) referidos no terceiro parágrafo de minhas considerações como evangélicos. Ora, uma análise, que não carece nem de profundidade teológica, irá mostrar que não são, no sentido lídimo do termo, evangélicos. Na verdade não encontro no vocabulário de nossa língua, um termo que os defina. Talvez seria o caso de buscar no Código Penal alguma caracterização para esses senhores. Sim, não se escandalizem comigo. Esses senhores cometem o crime de estelionato. Eles prometem em nome de Deus o que Deus nunca prometeu. Eles ilusionam e fazem verdadeiros malabarismos com a multidão. Eles, na verdade preferem a multidão porque a multidão (o que Jesus sempre evitou, mas a quem serviu e não foi servido por ela, vide a multiplicação dos pães e dos peixes), uma vez manipulada, pode ser conduzida em sua emocionalidade e êxtases. A multidão é impessoal. A multidão se auto-sugestiona. A multidão tem uma personalidade própria que é a somatória das personalidades de todos que a compõem. Um sujeito cede sua personalidade para compor a personalidade da multidão. Veja as tais marchas para Jesus. Não passam de um movimento populista que busca nos seus slogans, irreais e ufanistas (tipo – São Paulo é de Jesus) com gritaria, sua auto-afirmação. Mas o grito é o sussurro de quem não tem razão e nem razoabilidade. Não se ganha nada no grito.

O que Ed René e Ricardo Gondim deveriam fazer, em meu entendimento, é continuar pregando o santo evangelho. Quando uma pessoa é convertida todo o seu mundo sofre radicais mudanças para melhor. Não precisamos de nenhum mantra entorpecedor, não precisamos de mercantilismo porque a salvação custou muito á Cristo, mas ela é de graça, não precisamos de nenhum sistema alienante e prisionante como era o sistema fariseu dentro do judaísmo, tampouco precisamos de liberais como os saduceus, ou radicais como os essênios ou ainda violentos como os zelotes. Precisamos viver e pregar o verdadeiro evangelho. Como escrevi me enojo ao ver outro evangelho, mas sempre foi assim, desde os dias de Paulo. O gnoticismo foi outro tipo de evangelho e assim o tempo vai passando e muitos vão oferecendo “gato por lebre”. Mas há, graças a Deus, sempre, um remanescente fiel que insiste em lutar a guerra contra o engano e a mentira. É isso que precisamos continuar fazendo. Sim, denunciar de nossos púlpitos os falsos profetas, mas primordialmente pregar o santo evangelho. Uma ovelha de Cristo jamais ouvirá o chamado do mercenário que lhe quer espoliar, que lhe quer tosquiar.

Eu também me enojo de todo esse tipo de “cristianismo” aquoso, pueril, sem fundamentação bibliológica, oferecido por esses “evangélicos”. E isso já faz alguns anos. Quase fui linchado quando me postei contrário àquele movimento tolo da mudança da coloração das amálgamas das obturações, o fenômeno que ficou conhecido como “Dentes de Ouro”

Mas eu continuo tentando pregar o verdadeiro evangelho. Pode ser que eu não tenha uma multidão a me ouvir. Não me iludo com a popularidade. A popularidade nem sempre tem a ver com a verdade e com a excelência. A voz do povo não é a voz de Deus. Eu sempre me lembro das palavras de Deus a Isaías quando do seu vocacionamento: 

“Então, disse ele (Deus): Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhes os ouvidos e fecha-lhes os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta e seja salvo. Então, disse eu (Isaías): até quando, Senhor? Ele respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, as casas fiquem sem moradores, e a terra seja de toda assolada, e o Senhor afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Mas se ainda ficar a décima parte dela, tornará a ser destruída. Como terebinto e como carvalho, dos quais, depois de derribados, ainda fica o toco, assim a santa semente é o seu toco”. (Isaías 6.9-13)
Não é fácil ser profeta, simplesmente porque o profeta é “O Boca de Deus”. Ele não fala o que ele sente e nem o que ele pensa, mas fala com base naquilo que Deus sente e pensa. Não é fácil ser profeta porque quando Deus fala por meio dele, as palavras nem sempre são de conforto e de consolo, mas muitas vezes de séria advertência e apelo ao arrependimento (ex. Isaías 1) que exige confrontação com o pecado. Não é fácil ser profeta porque o verdadeiro profeta não se imiscui da mensagem que chama ao arrependimento (Ex. Neemias 1). O profeta não deve conjugar os verbos de estado e de ação na segunda pessoa do plural (vós), mas sim na terceira pessoa do plural (nós). Não é fácil ser profeta porque o verdadeiro profeta não emite juízos de valores seus, mas sim aqueles juízos baseados na Santa Palavra de Deus. A Bíblia é seu livro texto. Notável a postura dos que redigiram a Confissão de Fé de Westminster ao começá-la por abordar a suficiência das Escrituras Sagradas assim como foi notável o movimento da Reforma quando trouxe à tona o princípio do Sola Scripturae. Somente quando a Escritura é livro texto e determina nosso modus vivendum é que podemos afirmar o Soli Deo Gloria. 

Eu, assim como Ricardo Gondim, Edne René (falo pastoralmente) e todos que se dizem chamados para o exercício do Pastoreio do Rebanho de Deus (I Pedro 5.1-4), precisamos pensar em servir e não sermos servidos, precisamos recarregar nossas baterias com nossa atitude devocional diária que passa pelo exercício sério da leitura e meditação na Palavra de Deus (crendo que ela é inspirada, inerrante e infalível) que nos ensina sobre um Deus incompreensível, mas ao mesmo tempo revelado em Cristo como Salvador e Senhor, por uma atitude de constante e ininterrupta oração, de compromisso com o Rebanho que não é nosso, sob a tutela e poderosa manifestação do Espírito Santo conforme Atos 1.8. Não iremos agradar a todos, com certeza. Jesus teve como seus piores algozes os religiosos do judaísmo. O cristianismo foi, primeiramente, perseguido por esses mesmos religiosos (Atos 4). 

É provável que em minhas considerações eu tenha me equivocado aqui ou ali. Bem, não sou inspirado. Não tenho a pretensão de ser a última palavra e nem de ser entendido como canônico. Eu sou apenas um Pastor que ama o evangelho de Deus que está na Bíblia e que insisto sem desistir de pregá-lo, ainda que eu seja um pequeno toco do carvalho ou do terebinto.

3 comentários:

  1. Olá pastor a paz do Senhor Jesus, é com uito prazer e muita alegria poder ler suas considerações, a respeito do que tem acontecido com o evangelho, quero dizer que estou dentro deste dilema tambem, estamos vendo um povo sem instrução e sem regras quando se fala de evangelho. Fico triste maks du creio que Deus esta no controle, nos por minoria aue sejamos vamos dar nosso recado. O evangelho é lindo, limpo e verdadeiro, cura, liberta, transforma e salva. Um forte abraço.

    Pastor Jonas, prjonacy@ig.com.br

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  2. A paz do Senhor Jesus!
    Pastor concordo com o senhor, quanto ao evangelho moderno que as igrejas pregam. Não falam de Deus e sim de prosperidade e riquezas que chegam muito rapidamente. Fico triste de ver multidões seguindo pastores e cantores. Deixando de lado a Bíblia. Que Deus o abençoe muito.

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