sábado, 31 de março de 2012

A LUXÚRIA


LUXÚRIA..A SEDUÇÃO DO TER.

Por que corremos tanto atrás do vil metal? Que segurança há nele? Quanta paz e felicidade ele nos traz? Alguém escreveu no vidro traseiro do seu carro: "Se o dinheiro não traz felicidade, me dê o teu e seja feliz". Quanta tolice! O dinheiro traz felicidade sim, mas só quando veio por meios honestos, quando veio pelo caminho da providência, quando vem e não nos possuiu, não nos escraviza nem nos faz avaros. Se ele veio e danificou nosso disco rígido como um vírus que apaga nossa memória, não há felicidade nesse negócio. Melhor seria nunca tê-lo. 


Paulo disse que o amor do dinheiro é a raiz de todos os males (I Timóteo 6.10). Não quero aqui levantar a bandeira dos franciscanos (Ordo Fratrum Minorum) onde a temática é pobreza, castidade e obediência. Já assisti ao filme sobre São Francisco de Assis e li a respeito. A despeito do seu aparente amor ao semelhante, creio que seu modelo de cristianismo é radical, exagerado e não encontro na Bíblia nenhum apoio para ele. O sistema monástico também é fruto de uma ideia reacionária contra o que vinha acontecendo no cristianismo do quarto século. Não acredito nesse tipo de saída para a vida, nesse modelo conventual de vida dos franciscanos e nem na postura alienante e isolada do sistema monástico.


Não acredito que o dinheiro é a raiz de todos os males, mas sim que o amor a ele é fonte de toda desgraça e um vírus que transforma homens em zumbis, humanos em brutos. O problema não está em possuir dinheiro, mas em ser possuído por ele. O problema não está em ter dinheiro, a questão toda é confiar que com o dinheiro podemos tudo, até o que não devemos poder.


Veja nossos políticos. É mais do que evidente que a grande e massacrante maioria deles não está nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias Legislativas Estaduais, Câmara dos Deputados, no Senado e Congresso Nacional, para legislar em favor do povo, para elaborar leis que garantam a isonomia e a equidade, a justiça e a verdadeira liberdade. A grande e massacrante maioria está ali não por vocação, e nem por ideais, mas sim para poder, ou enriquecer, ou lutar para manter o patrimônio espúrio que herdou ou conquistou de forma ímproba. Estude a biografia dos nossos políticos, se você tiver estômago é óbvio. O mais triste é ver que os poucos bem intencionados que se aventuram na vida política são rapidamente transformados e percebem que aquilo que disse Cidinha Campos é verdade, ou seja, "a corrupção faz parte do DNA da política nacional". E acredito que o que ela disse foi por inspiração naquilo que disse Bill Clinton inspirado em um depoimento de um de seus assessores, ou seja, que "a corrupção no Brasil é endêmica".


Olhemos para o mundo evangélico brasileiro. O que contemplamos? Sinceramente, a mesma vergonha e insanidade. Ao olharmos para os impérios de Davi Miranda, Edir Macedo, Estevam Hernandez, Valdemiro Santiago e tantos outros, eu me ponho a pensar que aquilo que os difere dos políticos é só a metodologia. Na verdade o objetivo é o mesmo, ou seja, enriquecer. Que contribuições os políticos dessa nação têm trazido para nós a não ser um mar de lama de denúncias sobre corrupção (Mensalão, tráfico de influência, Renan Calheiros, anões do orçamento, e agora até o tal Desmóstenes, líder do DEM, para citar apenas algumas estripulias que tiveram visibilidade). Estou cansado de ouvir sobre Prefeitos Municipais que são cassados por corrupção, vide o caso da cidade de Campinas, uma cidade de não pouca importância no Estado de São Paulo.


Agora sou obrigado a ficar respondendo perguntas sobre a corrupção tão evidente no meio "evangélico" representado por esses senhores citados e outros do mesmo jaez. Estou enojado, e tenho que me controlar para não permitir ser tomado por uma ira quase que incontrolável. Lá vem o Edir Macedo entrevistar uma "endemoniada" cujo espírito diz que tem em seu controle o tal apóstolo Valdemiro. Então o Valdemiro, que fica pedindo dinheiro para se manter no ar com a "justificativa" de que está pregando o evangelho, usa o tempo precioso (e põe precioso nisso) para contra-atacar. Então o repórter Marcelo Rezende, veicula uma reportagem denunciatória contra Valdemiro Santiago mostrando a propriedade onde o apóstolo Valdemiro vai para descansar de suas "labutas" com a bispa Francisléia. E o tal apóstolo contra-ataca acusando o Marcelo "Resenha" (na fala dele) de ter dois contratos com a emissora onde trabalha para não ter que pagar muito de pensão alimentícia. E daí por diante. Essa novela promete ter muitos capítulos onde o personagem central é o dinheiro. 

A questão toda é essa, e que não se enganem os mais ingênuos e crédulos.A questão é o dinheiro.


Infelizmente esse amor ao dinheiro, esse vírus mortal e terrível tem acometido muita gente. Esse dinheiro vem travestido de cargos, posições de destaque e honra, mordomias, hospedagens em hotéis cinco estrelas, refeições em restaurantes chiquérrimos, viagens ao exterior, e de muitas outras formas. E não são poucos os que se deixam seduzir por esse "dinheiro". A massacrante maioria que se deixa enfermar por esse virus acaba por perder o brilho. Nestes meus 23 anos de Pastorado tenho visto muitos cairem por causa desse amor ao dinheiro em suas várias versões.


O sujeito é piedoso, leitor da Bíblia, grande expositor da mesma, arrasta multidões para onde vai. Essas multidões estão ávidas para vê-lo, ouvi-lo. Os olhos dessas pessoas brilham, um sorriso incontido explode no rosto ao cumprimentá-lo. Ele prega e as pessoas ficam ainda mais encantadas. E assim vai por um tempo até que ele mesmo começa a exigir audiência de, no mínimo, 500 pessoas. Já não prega mais para pequenas Igrejas. Só aceita ir até um lugar se a hospedagem for boa demais. Se for de avião, tem que ser primeira classe. Ele não fica para ouvir o período de louvor e quando termina sua "exposição" ele tem que sair rápido porque tem outro compromisso em outro estado (vai ter que pegar o avião). Na verdade quando vi isso acontecer algumas vezes, a impressão que eu tive é que ele não queria nenhum contato com "aquela gentalha". Se tornaram astros (na verdade verdadeiros artistas).


Muitos deles perderam o referencial da família. Aliás, alguns deles perderam a família. A maioria desse tipo de gente vive no âmbito do corporativismo.  São amigos e têm amigos que pensam igual, falam a mesma língua meio codificada, compactuam e são coniventes. Eles se juntam para se protegerem e se auto-beneficiarem. Eles criam Congressos (já que Pastorear Igreja é coisa de "pastorzinho") e eles mesmos são os preletores (e muitos são ótimos - NA TEORIA). Eles não têm mais "amigos". Na verdade eles têm é um montão de bajuladores. Eles não gostam dos bajuladores. Não se trata de probidade, mas é que eles sabem que os bajuladores estão entre os da "quinta coluna". Eles usam os bajuladores, mas não se relacionam com eles em nível de intimidade. Eles vivem desconfiados e pensando sempre que alguém quer puxar o seu tapete (vermelho e persa) de sob os seus pés. Eles estão muito bem e caminham com aparente segurança. O dinheiro e a posição lhes garante isso. Dão de ombro quando se trata de arriscar perder sua posição dentro dessa "zona de conforto", para defender alguém injustiçado ou para fazer brilhar a verdade.


Quando eu leio a história do puritanismo, eu não vejo coisas desse tipo. Quando eu leio a história dos verdadeiros reformadores eu não vejo luxúria, corporativismo, conivência, conchavos. Ao ler a biografia de João Calvino (mesmo daqueles que não se simpatizavam com ele) eu sou informado de que o reformador vivia de forma simples sem luxúria, não se deixava seduzir pelos aplausos e teve a humildade de voltar para Genebra mesmo depois de ter saído de lá de forma injusta e traumática. Quando eu leio a biografia de D.L Moody, C.H. Spurgeon, M.L. Jones, John Bunyan, e até alguns com os quais eu tive o privilégio e a honra de conviver como Rev. John Barnet,  e outros servos e servas de Deus cuja vida se tornaram inspiradoras eu sou inspirado, eu me encho de ânimo e de alento.


A seguinte ilustração pode não ser um fato, mas ilustra bem a verdade que queremos denotar nesse artigo: "Certo sábio que morava na cidade do Cairo foi visitado por um turista que queria conhecê-lo por tanto ouvir referências elogiosas a respeito dele. Ao entrar na casa do sábio o turista ficou boquiaberto ao ver que a casa não tinha um mobiliário suntuoso e perguntou. – Senhor, onde estão suas coisas? O sábio respondeu com outra pergunta: - E onde estão as tuas? O turista facilmente respondeu: - Ah! mas eu estou aqui só de passagem. O velho e experiente homem concluiu: - Bem, meu caro turista; eu também".


Precisamos nos arrepender. Precisamos aceitar a exortação paulina quando diz: "Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória". (Colossenses 3.12-4)


Não estou dizendo aqui que devemos virar franciscanos e nem que devemos ingressar em algum monastério. Não estou dizendo que devemos nos desfazer dos nossos bens (apesar de que Jesus mesmo fez essa proposta ao "moço rico" que o procurou para saber o que deveria fazer para herdar a vida eterna - Marcos 10.17-22). Não estou dizendo que ser rico é pecaminoso. Não estou advogando a opção pela vida acética, tampouco. Não estou defendendo a tese de que devemos viajar sob o lombo de jumentos ao invés de aceitar a primeira classe em uma aeronave e nem que devamos fazer a opção por nos hospedarmos em um hotel sem estrelas em vez de exigir os de cinco estrelas.


O que estou dizendo é se formos ricos monetariamente falando, façamos do nosso dinheiro e da nossa posição, um instrumento para a glória de Deus, para o progresso do reino de Deus na terra, para que os menos privilegiados possam, por nossa instrumentalidade, ter um pedaço de pão que lhe mate a fome, um emprego pelo qual ele, ou ela, consigam existir sem ter que viver a humilhação de mendigar (e, por favor, não me venha dizer que a pobreza é consequência natural do pecado porque por mais que isso seja verdade o maior pecado de todos é ver o pobre estendendo a mão e você encolhendo a sua). Tiago (um sujeito meio revoltado em torno dessas questões) disse: "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando". (Tiago 4.17)

O que estou dizendo é que qualquer projeto que tenha como objetivo maior tornar alguém rico é uma tentativa tola porque a Bíblia diz, como ímpar e singular verdade: "Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade". (Eclesiastes 5.10)

O que estou dizendo é que o avarento, o ambicioso, corre sempre o risco de abrir mão dos princípios éticos e morais mais elementares ou para subir, ascender socialmente, ou para se manter lá em cima. Edme P. Beauchène disse: "Os que acreditam que com dinheiro tudo se pode fazer, estão indubitavelmente dispostos a fazer tudo pelo dinheiro". Todos os que são familiarizados com o texto bíblico e com a história dos reis de Israel sabem o quanto custou para o povo de Deus a riqueza que Salomão, filho de Davi acumulou durante seu reinado. Ele negociou, abriu mão de valores dos quais jamais deveria se divorciar, e por isso foi um rei de bolsos cheios, mas de coração vazio. Seu reinado foi suntuoso do ponto de vista monetário, mas mendigo do ponto de vista espiritual. Rico de mente, pobre de coração.


O que estou dizendo é que devemos estar atentos quando nossos bolsos são abençoados para que não nos deixemos seduzir pela avareza, pelo orgulho. Ouçamos a voz do Espírito mais uma vez: "Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer coma muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. Grave mal vi debaixo do sol: as riquezas que seus donos guardam para o próprio dano". (Eclesiastes 5.12,13)


Estou triste, muito triste. Espero que essa tristeza seja uma ação do Espírito de Deus em meu coração. 


Estou revendo meus conceitos. Estou aberto a me desfazer de muitas coisas que me prenderam nos últimos anos. 


Quero ser reformado não apenas em minha cosmovisão teológica, soteriológica, escatológica, pneumatológica, eclesiológica, ontológica, antropológica, mas sim no que consiste a práxis e o modus vivendum cristão. Não basta crer corretamente, é preciso viver corretamente.


Quero ser reformado pela Palavra de Deus que me diz claramente que o trabalho digno e honesto é o que traz sabor real para a refeição e dá sossego para a noite de sono. 


Quero ser reformado pela Palavra de Deus que nos mostra que na experiência de Israel no deserto o maná foi dado na medida certa. Quem queria guardar via que sua falta de fé na providência divina era enfática no pote cheio de bicho e mal cheiro. (Êxodo 16.20) 


Quero ser reformado pela Palavra de Deus e pelo Deus da Palavra que me ensina: "Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor, do que grande tesouro onde há inquietação" (Prov. 15.16), "melhor é o pouco, havendo justiça, do que grandes rendimentos com injustiça" (Prov. 16.8).


John Rockfeller Jr. disse: "O mais pobre homem que conheço é aquele que não tem outra coisa a não ser o dinheiro".
 

Coloque todo o seu dinheiro (em toda a sua multiformidade) e diga: Dinheiro; você é meu. E se ele tem atrapalhado sua vida espiritual faça como se conta a respeito de Crates, possuidor de uma grande fortuna e que lançou todo o seu ouro ao mar dizendo: "Antes que me ponhas a perder eu te destruo".
 

Se não o fizeres, já estás perdido.

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