terça-feira, 24 de abril de 2012

O PASTOR DE CABEÇA REFORMADA.

Sinceramente? Precisamos reformar. Talvez você esteja pensando naquela notável expressão: "Igreja reformada sempre se reformando". Não estou pensando, ao escrever esse artigo, em reforma da Igreja, mas sim na reforma que é preciso acontecer na cabeça de alguns Pastores.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que esvaziam as Igrejas com  a desculpa de que as estão depurando teológicamente. Alguns são muito ruins na questão dos relacionamentos e fazem do púlpito uma trincheira em vez de fazer dele uma tribuna onde prega-se a verdade em amor, trazendo um pedacinho do céu no seio da comunidade, alimentando as ovelhas e propondo soluções divinas para problemas humanos. 


Alguns não conseguem se comunicar, se tornam intocáveis, distantes.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que vivem repetindo o que Calvino, Agostinho e outros grandes homens de Deus disseram, mas eles mesmos jamais experimentaram a verdade que pregam. Dizem que devemos ler esse ou aquele escritor reformado, mas eles mesmos não praticam o que lêem nesses autores. São discursos bonitos na forma, corretos no conteúdo, mas vazios de poder, simplesmente porque não há eco das palavras na vida do sujeito.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que se esqueceram do exemplo de Jesus - veio para servir e não ser servido. Fico boquiaberto ao observar como tem Pastor querendo títulos e honras humanas. Há alguns Pastores aí que exigem serem tratados pelo título de Reverendo. Mas se alguém precisa exigir que se refiram a ele pelo título é porque, com grande probabilidade, ele não faz juz ao mesmo. Eu me recordo do saudoso Rev. Boanerges Ribeiro. Com toda uma vida de trabalho e serviços prestado, esse personagem de singular grandeza do Presbiterianismo tupiniquim não precisava cobrar de ninguém que lhe chamassem com o título. Por outro lado Reverendo é título. Pastor já denota função. 


Tem muito Reverendo que não é Pastor, mas os verdadeiros Pastores merecem o título honorífico e, certamente, esses não cobram que usem o título para se referirem a eles.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que não saem dos congressos abandonando suas Igrejas. Há alguns deles que frequentam os Congressos, mas não aplicam em sua poêmenica nem um terço do que ouvem neles. O custo benefício está se revelando improdutivo para a Igreja local. 

No Congresso é fácil ser Pastor, mas na Igreja eu concordo que é mais difícil. Afinal de contas fazer ofício fúnebre, visitar membros hospitalizados, famílias em conflito, preparar sermões pertinentes à comunidade e que visem alimentar as ovelhas, reunir lideranças para corrigir rumos e fazer acertos, aconselhar casais em via de se separarem, é menos agradável que ficar hospedado em um hotel cinco estrelas, comendo bem, dormindo bem, ouvindo boa música, boas palestras (nem sempre), conversas com ex-colegas de seminário e por aí vai. 

Não sou contra Congressos desde que eles produzam resultados nas vidas dos que os frequentam, mas sinceramente, tenho conhecido um bom número de gente que frequenta congressos mas cujos ministérios são para lá de ruins. Não quero cometer o pecado da generalização aqui, mas sinceramente se os congressos produzissem os resultados esperados, a Igreja Evangélica brasileira seria uma outra Igreja e viveria uma outra realidade. Preciso deixar bem claro aqui um ponto: O problema não está nos Congressos (apesar de que alguns deles são mesmo muito ruins), mas sim no Pastor que se deleita neles, mas não traz resultado prático para sua vida ministerial.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que vivem repetindo em seus sermões aquilo que eles lêem em livros. Ora, não sou contra a literatura. Sou escritor e amo a leitura. Não sou contra a atitude de se fazer uso de leituras além da Bíblia para uma boa hermenêutica e uma agradável homilética. Eu sempre me beneficiei com a leitura de bons autores, tanto seculares como dentro de minha esfera religiosa. O que eu estou criticando aqui é aquela sedução a que muitos ministros se deixam tomar quando leêm apenas para alimentar a mente. A questão aqui é a sedução pela intelectualidade. O tal pregador cita esse ou aquele livro, esse ou aquele escritor, só para mostrar o quão intelectual ele é. A questão aqui é impressionar a sua audiência mostrando que ele conhece, autores, escritores e seus bestsellers. Alguns se gabam de dizerem quantos livros têm em suas biblioteca. É um amor à intelectualidade proporcional ao vazio existencial espiritual que me dá medo.


Pastores leem para poder alimentar seus corações e firmar suas convicções e depois explicá-las às suas ovelhas.

Precisamos reformar a cabeça de alguns pastores que acham que o púlpito é o único lugar de trabalho. Não podemos desprezar o valor da Pregação da Palavra de Deus. Não podemos negar a crucial importância do ensino na Bíblia. Igrejas fracas são resultado, também de púlpitos fracos, superficiais. Mas como é que o Pregador (Pastor) vai saber aplicar seu Sermão à uma audiência que lhe é estranha simplesmente porque ele não visita, não aconselha, não abre seu coração para acolher a ovelha que lhe busca no anseio de receber ajuda e orientação, se mantém a ovelha à distância? Como saber o que pregar se ele não conhece as necessidades espirituais reais de suas ovelhas? Como ele irá pregar sermões pertinentes e relevantes para uma Igreja com a qual ele não desenvolveu intimidade? Mesmo no caso do Sermão Expositivo, deve o Pregador conhecer as suas ovelhas de tal maneira que ele proponha aplicações pertinentes e relevantes. 

Tenho visto gente muito boa na hermenêutica, mas muito pobre na homilética. O púlpito é importante se conhecermos aqueles que olham para ele todos os domingos esperando, ansiosa e esperançosamente, ouvir uma mensagem que anime, encoraje, fortaleça, desafie, transforme, converta, corrija, exorte, admoeste.

Precisamos reformar a cabeça de alguns Pastores que pensam que a Igreja só irá sobreviver se for teologicamente tecnocrática. Conhecer a Bíblia tecnicamente não garante resultados espirituais. simplesmente porque a Bíblia é o livro para a mente e coração e não só para a mente. Ler a Bíblia para ter insights inteligentes e frases prontas, não é o ideal. Os melhores sermões são aqueles que nascem das devocionais e experiências próprias dos pregadores. 

Somente um cego que voltou a ver é que sabe o valor imensurável que tem a luz. Certamente que o ímpio  não aprecia a mensagem pregada pelo Pastor, mas irá pensar muito mais seriamente a respeito dela se ele a ver sendo vivida pelo pregador. Para conhecermos aqueles para quem pregamos temos que ter a intimidade com eles. Precisamos olhar para eles como o Samaritano olhou para o judeu semi-morto na beira da estrada e não como o fizeram o sacerdote e o levita, mais preocupados com os aspectos éticos de sua religião. A forma como olhamos as ovelhas é de fundamental importância para determinar o que iremos fazer por elas.

Precisamos (e agora eu falo mais especificamente para os Presbiterianos), reformar a cabeça de alguns Pastores que se omitem em frequentar as reuniões dos Concílios além do Conselho. Temos uma gama enorme de Pastores Presbiterianos que amam os Congressos, mas procuram ao máximo evitar os Concílios. É preciso que eles se convençam que a IPB é uma Igreja conciliar. É impossível existir nela como Ministro sem assumir de vez o quão importante é nossa participação no Presbitério, do qual somos membros, nos Sínodos e Supremos Concílios, para os quais somos eleitos. Eu sei que temos vivido dias difíceis quanto a logística destes Concílios, mas fugir deles não vai ajudar a solucionar o problema. 

Certamente há muito mais para ser dito que, com certeza, eu não tenha percebido. Mas com certeza, precisamos começar a Reforma da Igreja tendo Pastores com cabeças realmente reformadas no sentido aludido nesse artigo.

É preciso que nós Pastores nos lembremos que o privilégio do nosso chamado traz consigo uma gama enorme de responsabilidade. Finalizo essas minhas considerações fazendo uso do texto exortativo de Pedro em  I Pedro 5.1-4: "Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda coparticipante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebando de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontanêamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade, nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória".

2 comentários:

  1. Só posso dar GLÓRIA A DEUS,pela exortação,vinda dos céus.Nosso Deus é tremendo,Ele mesmo cuida de todos os detalhes de maneira que os seus filhos sejam supridos das maiores dádivas.Parabéns irmão,que o Senhor continue aperfeiçoando este dom!

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  2. Muito interessante a reflexão, por outro lado, precisamos considerar o tempo em que vivemos. Vivemos dias em que cada vez mais alguns pastores, em nome da política da boa vizinhança tem negociado os absolutos de Deus. Vivemos dias em que não há mais uma preocupação em pregar TODO o desígnio de Deus, ainda que isso traga um teor de ira divina. Não sou daqueles que se assumem fãs do "sermão cajado", onde a ideia é dar uma pancada na cabeça dos seus ouvintes, não, não sou fã deste tipo de sermão como um fim em si mesmo, ao mesmo tempo sou totalmente contra a pastores que vasculham na Palavra de Deus somente palavras de "amor" e "esperança". Ora, isso não é amor e nem esperança! Nossa disposição deve ser pregar todo designio de Deus, e se isso inclui confrontar a igreja em seus pecados, que o Senhor seja glorificado... Eis o motivo pelo qual, particularmente, adoto o método de pregar em série, livro por livro das Escrituras. Deus vai conduzir o seu povo por meio da pregação fiel. E se a pregação fiel consistir em perder pessoas, saibamos que o Noivo conhece os que verdadeiramente são seus. Não é a toa que vemos textos tais como: "À vista disso, muitos dos seus discipulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?" (João 6.66-67) ou "Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." (1 João 2.19). O fato é que vivemos dias difíceis e como "co-pastores" do supremo Pastor de nossas almas, devemos estar atentos para que não seja a nossa sabedoria a conduzir o seu precioso rebanho. É certo de que os verdadeiros filhos de Deus, lhe darão ouvidos, conforme vemos: "Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, ão me dais ouvidos, porque não sois de Deus." (João 8.44).
    Que o Senhor nos abençoe e conduza nossos corações de modo que encaremos as coisas não segundo nossas percepções, mas segundo as percepções do Redentor que está Revelada nas Escrituras.

    Grande abraço, mestre!

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