quinta-feira, 10 de maio de 2012

A MINHA CASA

Se há algo triste na vida de qualquer pessoa é não ter um lugar que ele possa chamar de casa e para onde pode voltar depois das lutas dessa vida aqui. A casa é o ambiente para onde volta o soldado depois que a guerra termina, o trabalhador retorna depois da jornada de trabalho, o convalescente volta depois da internação em um hospital ou clínica.

Casa não é o edifício. Casa são as pessoas. Nada é mais triste do que ser desprezado no ambiente familiar, justamente no lugar onde esperamos receber aquela afetividade que nos leva a repor nossas energias, idealizar, projetar, sonhar, cair e levantar.

Casa é família nuclear, ou seja, aquele grupo composto basicamente por pai, mãe, e filhos quando houver, e que residem no mesmo domicílio. Voltar para esse ambiente é sempre algo que deve dar prazer e alegria. Se não houver ambiente favorável a pessoa é seduzida por qualquer outro lugar. 

Foi o ambiente favorável que fez com que o filho pródigo resolvesse voltar para reatar o relacionamento com seu pai. Ele havia desprezado o pai e a casa paterna. Ele pensou que o mundo poderia lhe oferecer prazeres sem fim, alegria perene, um tipo de liberdade onde ele poderia mandar em seu próprio nariz. Ele havia desprezado o pai ao pedir a parte que lhe cabia na herança. Sim, era um tipo de desprezo porque afinal de contas o pai estava demorando para morrer. - Hei, me dê a parte que me cabe na herança já que me parece que você vai viver muitos anos ainda. Não foram essas as palavras, mas foi exatamente esse o conteúdo de sua proposta. 

Mas quem sonha um sonho tão indigno como esse só podia dissipar seus recursos como aquele filho dissipou. O caráter de um homem é revelado em seus sonhos. Moço sem juízo. Saiu, e foi o mais o longe que pode. Parece que queria romper com seu "passado". Lá longe entregou-se á promiscuidade, à lascívia, à prostituição e quem sabe até ao jogo. Não lhe faltaram "amigos" para as baladas, as festas. Certamente ele era convidado por seus "amigos" para tudo que era festa de arromba. Afinal ele tinha dinheiro. Deveria ter pagado muitas rodadas de bebidas a estes "amigos".   

Mas eis que seus recursos se acabam. Se fosse hoje poderíamos vê-lo tentando sacar algum dinheiro em um caixa automatico de algum banco e na telinha ele lê: SEM SALDO SUFICIENTE. Ou tentado usar o Cartão de Crédito e recebeu a informação de que ELE ESTAVA BLOQUEADO POR FALTA DE SALDO. E para piorar a situação, naquele país aconteceu haver grande fome. Ele tenta então se salvar arrumando um emprego, mas o melhor que ele consegue é trabalhar como cuidador de porcos. Quer coisa mais humilhante do que essa para um jovem que é filho de um homem abastado? Justamente ele que havia tido as melhores roupas, a melhor educação, frequentado os melhores ambientes.  Agora ele vivia entre os porcos e desejava, inclusive, comer a comida que era dada aos porcos e nem isso lhe era oferecido. Eu fico imaginando o que ele devia comer. Essa situação leva algum tempo até que ele consegue raciocinar com clareza. Ele pensou não apenas na casa paterna, mas no fato de que os trabalhadores como ele, naquela casa, eram tratados com muito mais dignidade do que ele estava sendo tratado.

Ele tem consciência da ofensa. Parece que o juízo nasceu. Ele não quer voltar para o status que gozava antes de ter pedido a sua parte na herança e ter saído da casa do pai. Ele sabe que não é merecedor de nenhum privilégio, muito pelo contrário, ele nada tem mais a ver com o patrimônio que seu pai construiu ao longo dos anos. Ele reconhecia a forma irresponsável com que dissipou aquilo que seu pai com muita luta ao longo dos anos conseguiu acumular patrimonialmente. Mas ele sabia quem era seu pai. Ele reconhecia em seu pai o perfil de um homem justo, amoroso, perdoador, misericordioso.

Foram esses os fatores que o convenceram a voltar e reatar com seu pai. E ele voltou para casa. 

Não sabemos ao certo mas podemos imaginar que certa tarde, o pai, como fazia todos os dias, estava na saída de suas terras olhando o horizonte com o coração esperançoso de ver aquele filho voltar. Até que naquela tarde ele foi recompensado. Eis que uma visão encheu seu coração de uma alegria imensurável. Apesar dos trajes andrajosos, ele tinha certeza de que se tratava do seu filho mais jovem. O coração de um pai que ama não pode se enganar. Ele corre até aquele filho. O filho começa o discurso decorado, mas o pai não lhe responde. Sem se importar com o mau cheiro, com as roupas sujas ele o abraça, beija o filho e ordena que seus servos lhe dêem uma outra muda roupa, sandálias novas para os pés, anel no dedo e manda matar o novilho cevado. O pai festeja. E não é para menos. Aquele filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.

Ele não seria tratado como um simples empregado. Ele foi tratado novamente como filho porque o pai era amoroso, misericordioso, porque naquela casa esses princípios eram norteadores. Eles não apenas inspiraram o filho a voltar, como iriam garantir o bem estar dele.

Hoje eu me pergunto: Quantos de nós volta para casa com as mesmas esperanças e certezas. Quantos sabem que a casa para a qual voltam é um lugar de amor, misericórdia, longaminidade, solidariedade, compreensão? 

Meu sincero desejo é que você trabalhe essa questão. Que você coloque tudo dentro de sua casa que lhe garanta conforto, mas não se esqueça de que o amor é a chave mestra que abre todas as portas, é o remédio que cura todas as feridas, é o som que embala os mais lindos sonhos. Que você coloque tudo dentro de tua casa, mas não se esqueça de que o perdão e a misericórdia são imprencindíveis para a convivência e o relacionamento. Não é possível nenhum relacionamento sem que estejamos dispostos a perdoar e aceitarmos o perdão que nos é oferecido.

O filho voltou porque sabia que o pai era um homem justo e jamais trataria dele com indignidade. O filho voltou porque sabia quem e o que era seu pai.

É bom termos um lugar para onde podemos voltar. Que seja uma casa no campo, de madeira, palafitas, ou de alvenaria sem luxo, ou mesmo uma mansão na cidade, com criadagem e todo conforto, não importa o edifício, o que importa são aqueles que neles habitam. Quando há justiça, amor, perdão, misericórdia, compreensão, paciência, solidariedade, a casa, sem se importar o que ela é, com certeza é um lugar para onde sempre desejamos ansiosamente voltar.

Na Parábola do Filho Pródigo temos a perfeita ilustração da alegria de Deus ao ver os seus filhos, eleitos antes da fundação do mundo, voltando para sua comunhão e intimidade. Deus se alegra quando o pecador arrependido, à semelhança daquele filho, em um momento de luz espiritual, percebe a ofensa e a quem ofendeu e decide voltar humilhado e arrependido. Deus se alegra em ver que o orgulho (que precedeu a queda dos primeiros pais), foi derrotado e o filho volta de coração aberto, humilde e sincero para casa. 

Deus se alegra em observar que ainda, mesmo neste mundo em que vivemos, há lares para os quais as pessoas voltam com alegria e prazer e que todos que nela residem acolhem com amor aqueles que retornam.

A casa terrena é um átrio da casa eterna. A casa onde o amor, a misericórdia, o perdão, a solidariedade, a compreensão, residem, é um pedaço do céu na terra.

Pense sobre isso e que Deus abençoe tua vida e tua casa.

Um comentário:

  1. Amo ouvir você, amo ler o que escreve, amigo querido!
    Louvado seja Deus, tenho prazer em voltar para minha casa e estar nela. Belo e verdadeiro texto!
    Que o nosso Deus continue a abençoá-lo ricamente!
    Su

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