segunda-feira, 4 de junho de 2012

O ENCONTRO DE TEÓFILO COM HERÁCLITO NAS RUAS DE ÉFESO.


Teófilo caminhava por uma das ruas de Éfeso. Ele podia se lembrar dali e também dos seus dias de infância e juventude naquela cidade. Éfeso, sua cidade natal, era considerada a Porta da Ásia, uma cidade de comércio e indústria fortes e parada obrigatória para quem ia do Ocidente ao Oriente e vive-versa. Havia aproximadamente 200.000 habitantes naquela cidade. Teófilo tinha se mudado para Roma por conta do seu emprego e há muitos anos não a visitava. Agora seu coração bate mais forte ao andar por aquelas ruas de sua querida Éfeso. Ele amava aquele lugar, aquelas ruas, aquela gente. Estar ali era como viajar no tempo. 

De repente Teófilo vê Heráclito um pouco à sua frente. Sua mente voltou no tempo e ele se lembrou de como Heráclito se tornou mais do que amigo; ele havia se tornado seu irmão em Cristo. Fora Heráclito quem o levara a conhecer Jesus como Salvador e Senhor. Ambos trabalhavam no templo da deusa Artemis e, de repente, Heráclito havia sumido, saido de circulação. Teófilo, que havia sido um sacerdote no templo de Artemis, aquela a quem os romanos chamavam de Diana, a Deusa da Ásia Menor, cujo templo haveria de se tornar uma das Sete Maravilhas do mundo, achou aquilo estranho

A vida de Teófilo como sacerdote de Artemis, era envolta em um paganismo estúpido, em um universo de crendices e fetiches, em uma esfera de obscuridade e ignorância, em um mundo de tristezas e incertezas, de prostituição e lascívia. Por conta desse culto pagão, o nível de moralidade naquela cidade era baixíssimo, as pessoas eram libertinas, supersticiosas, vis e violentas. 

Certo dia Teófilo decobriu o motivo do sumiço do amigo Heráclito. Ele havia se tornado um "cristão". O responsável por essa mudança era um tal de Apóstolo Paulo.  Teófilo foi visitar Heráclito para saber a respeito dessa nova vida e seu amigo viu a tristeza no seu rosto e lhe apresentou Jesus Cristo. A partir daquele dia, então, Teófilo também teve sua vida mudada. Abandonou seu trabalho no templo de Artemis onde cuidava do estoque de estatuetas da deusa, algumas feitas de ouro e que eram vendidas aos montões a todos os turistas que visitavam sua importante cidade.

Agora Teófilo se deliciava em ouvir as histórias sobre Jesus, o homem que venceu a morte, que ressuscitou. Sua existência adquiriu sentido, sua vida passou a ter razão e propósito. Ele começou a estudar as Escrituras e quanto mais estudava mais firme e forte se tornava a sua fé. Ele passou a frequentar as reuniões de oração da Igreja de Cristo em Éfeso. Ele falava de Jesus para todos os seus amigos, vizinhos e parentes. Inclusive teve alguns problemas na família e alguns dos seus parentes passaram a desprezá-lo. Ele gostava de cantar hinos e de ouvir os sermões que o Pastor Timóteo e os dirigentes daquela Igreja pregavam. Ele ansiava por estar entre os irmãos e contar suas experiências de testemunho a respeito de Cristo à pessoas que, como ele, viviam enganadas servindo a Diana a Deusa da Ásia Menor. Todas essas coisas passaram por sua mente enquanto ele via Heráclito caminhando à sua frente.

- Salve Heráclito, meu irmão e amigo – disse Teófilo com o coração repleto de alegria – há quanto tempo não vemos!  Heráclito, surpreso, olhou por atrás de seu ombro direito e ficou maravilhado em ver seu filho na fé, Teófilo. – Amado e nobre irmão Teófilo – responde Heráclito - que bons ventos o trazem de volta à tua cidade? Estás de passagem ou voltas para ficar definitivamente?  

Um forte abraço sela o reencontro de irmãos e amigos de muitos anos e de muitas histórias

– Aqui estou por ordem do meu superior para supervisionar nossos negócios. Fico por um tempo, mas embarco em breve para Roma. E você, querido Heráclito, como estás? E Priscila tua amável e sempre gentil esposa? Os filhos? Cresceram por certo. Heráclito de bate pronto informa que sua esposa está em viagem para Corinto, com seus filhos e criados, pois foram visitar a mãe de Priscila, e que todos gozam plena saúde. 

– Mas e nossa Igreja em Éfeso – pergunta Teófilo - como vai? Cresce? Continua testemunhando com vigor e desprendimento? 

O semblante de Heráclito muda. Ele diz com certo tom de tristeza: - Bem Teófilo; nossa Igreja já não é a mesma. É verdade que temos trabalhado como sempre, que não temos permitido que heresias contaminem nossos fiéis, temos suportado certo sofrimento por causa do testemunho a respeito de Jesus.

Teófilo então questiona: Mas o que há de errado então Heráclito?

- Perdemos a paixão, Teófilo. Tornamos-nos teologicamente corretos, somos ativos e perseverantes em nossas programações, não toleramos pessoas que vivem de forma reprovável, mas falta-nos aquele sentimento, aquele fogo que consumia nossos corações no princípio, quando tudo começou, aquele sentimento de amor legítimo que nos impulsionava e fazia com que superássemos todos os obstáculos para podermos testemunhar de Jesus e estarmos juntos, quando nos expressávamos em adoração com alegria e emocionadamente. Creio, sinceramente, Teófilo, que a Igreja de Éfeso precisa de um avivamento.

Teófilo lamenta a situação da Igreja onde também frequentou e da qual fora membro e colaborador, e concorda com a conclusão de Heráclito. Abraçam-se mais uma vez e descem a rua em direção ao mercado.

Duas semanas depois, a Igreja de Éfeso recebe uma carta escrita por João, um dos seus Pastores, que havia sido desterrado por ordem do imperador Domiciano por causa do testemunho a respeito de Jesus, o Nazareno, aquele que os cristãos afirmavam ter ressuscitado em Jerusalém após ter sido morto por crucificação. A carta era do próprio Jesus ressurreto.

Então, após tomar conhecimento do conteúdo daquela carta, que foi lida diante de toda a congregação, Heráclito escreve uma carta a Teófilo nos seguintes termos:

Heráclito, discípulo de Jesus, por instrumentalidade de Paulo, o apóstolo, ao meu amado irmão Teófilo. Graças e paz da parte do nosso amável Jesus que está vivo.

Fiquei imensamente feliz em rever você quando esteve de passagem por aqui. Sua presença encheu meu coração de alegria. Assim que Priscila retornou com meus filhos e comitiva, de Corinto, contei-lhe de nosso encontro e de nossa conversa. Temos orado todos os dias por você, por tua esposa, filhos, e teus negócios.

Depois de nosso encontro e conversa, passados não muitos dias, nossa Igreja recebeu uma carta do amado Pastor João, que está exilado na Ilha de Patmos por causa do testemunho a respeito de Jesus. A carta é endereçada ao anjo da Igreja, o que entendemos ser o nosso atual Pastor. Ele, então, pelo conteúdo da carta, a leu para toda a congregação. Nessa carta Jesus faz elogios à nossa Igreja, mas exorta a que nos arrependamos e voltemos ao primeiro amor, à prática daquelas obras no princípio de tudo. 

Estive, querido irmão Teófilo, aflito em saber o que significava "voltar ao primeiro amor". Na carta Jesus diz que a Igreja de Éfeso deveria se arrepender e voltar à prática das primeiras obras. 


Conclui, Teófilo, que realmente nossa Igreja precisa de uma avivamento. Conclui que voltar ao primeiro amor é ter novamente novamente amor por Deus o que fará com que amemos todas as pessoas, indiscriminadamente. Voltar ao primeiro amor é olhar todos ao nosso redor e aproveitar todas as oportunidades para, seja individual ou comunitariamente, testemunhar de Jesus sob o poder do Espírito Santo, assim como fazíamos no princípio, quando até o comércio de estatuetas da deusa Artemis teve um decrécimo que afetou a própria economia da cidade pela quantidade enorme de conversões. 

Conclui, Teófilho, que realmente nossa Igreja precisa de um avivamento e que esse avivamento é voltar a termos a mesma alegria em estarmos juntos para adorar a Deus, cultuá-lo com orações, canções, meditações nas Escrituras Santas, ofertas e sacramentos. Sim, meu irmão, somente quando voltamos ao primeiro amor é que essas coisas adquirem sentido. Fazê-las sem amor é simplesmente cumprir um ritual assim como fazíamos quando trabalhávamos no templo da deusa Diana. Fazê-las sem paixão é como um corpo sem vida, sem ânimo, sem alma. Voltar ao primeiro amor é adorar a Deus como fazíamos no princípio, com alegria e despreendimento.

Conclui, que voltar ao primeiro amor, é viver um avivamento que nos coloca sempre diante da leitura e meditação das Escrituras. Você deve estar lembrado da Carta de Paulo escrita à nossa Igreja em Éfeso. Você deve se lembrar do impacto que aquela carta produziu em nossa Igreja. Quantas vezes a líamos e depois orávamos. Você deve se lembrar do nosso Pastor Timóteo e do quanto ele nos instruia nas Escrituras Sagradas. Essas atitudes, Teófilo, eram importantes porque quando conhecemos a Palavra de Deus, conhecemos o Deus da Palavra e nos imunizamos contras as novidades que têm invadido as fronteiras da Igreja e a enfraquecido. 

Despeço-me pedindo que ores por nossa Igreja. Enviamos saudações e recomendações a todos de tua casa e oramos por tua prosperidade. Sejam longos e fartos de dias todos os seus e que Jesus continue reinando soberanamente em teu lar. Paz.

Amados, essa história com seus personagens e diálogos, é fictícia. Eu os criei para ilustrar o que acontecia na Igreja de Éfeso nos dias em que João estava desterrado na ilha de Patmos por conta do testemunho a respeito de Jesus. 

É possível que vivamos a mesma realidade? Sim! É sempre bom respondermos a perguntas tais como: Para quantas pessoas tenho testemunhado de Jesus? Quantas pessoas têm se tornado discípulos de Jesus por minha instrumentalidade? Quantas são as pessoas para as quais eu preguei e testemunhei de Jesus e que são membros de minha Igreja local?  Lembre-se que uma lâmpada não fala; ela simplesmente brilha. Sal salga, lâmpada brilha, não tem jeito.

É preciso que questionemos a nós mesmos nos seguintes termos: O que tem me levado à Igreja nos domingos e outros dias nos quais temos encontros marcados? A obrigação ou o amor pelo Deus que em Cristo me salvou na pessoa do seu filho Jesus? Tenho adorado mecanicamente ou o faço com disposição, prazer, e regozijo? O salmista pensando na liturgia escreveu: "Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico". (Salmo 100.1,2) Quando entrego o dízimo e a oferta eu o faço porque os outros fazem e se eu não fizer vai pegar mal, ou dizimo e oferto como um ato de gratidão por tudo àquilo que Deus me tem proporcionado? Faço isso com alegria ou por obrigação? 

É preciso que questionemos o quanto temos mostrado amor por Deus abrindo nossos ouvidos para ouvir o que Ele nos diz em sua Palavra. Todo avivamento esteve centrado na Palavra de Deus, O avivamento que chamamos Reforma Protestante do século XVI teve como um dos princípios resgatados, o Sola Scripiturae. Uma das primeiras providências de Lutero foi traduzir a Bíblia para o alemão e colocá-la nas mãos do povo. Não é possível amar uma pessoa e não estar disposto a ouvir o que essa pessoa tem a nos dizer. Não é possível amar a Deus e não ter prazer nenhum em ler o que Ele revela especialmente em sua Palavra. Eu me recordo com alegria sem conta dos dias em que nos reuníamos no acampamento Jovens da Verdade, ainda em condições bastante precárias, para ouvirmos por mais de duas horas, sem parar, as preleções do Presbítero Amilcar O. Borba. Hoje eu observo, com tristeza, os jovens ouvindo música, se aperfeiçoando em tocar esse ou aquele instrumento, só para se tornar um astro da música evangélica. Antes tivéssemos bons intérpretes e músicos, mas que conhecessem bem a Palavra de Deus, com certeza o repertório dessa gente seria menos repetitivo, menos coreografado e mais substancioso no ponto de vista teológico. Aliás, se conhecessem melhor as Escrituras não iriam cantar muita coisa que cantam e como cantam por aí.


A história é fictícia, como já disse. Eu a criei, mas ela ilustra importantes verdades sobre a Igreja de Éfeso e, quiça, sobre nossa vida pessoal e nossa Igreja. O melhor que podemos fazer é clamar de joelhos pedindo que Deus promova em nossa vida um avivamento que não é outra coisa a não ser um genuíno arrependimento do nosso cristianismo mecanizado para experimentarmos novamente um cristianismo poderosamente regido pelo Espírito Santo, cheio de amor e de paixão. 

Uma observação importante: só há sentido nessa história e em todo esse escrito, para aquele que um dia conheceu Jesus como salvador e senhor. Para aquele que nunca O conheceu nessa condição, e vive dentro da Igreja, não há porque falar em voltar ao primeiro amor, não há porque falar em avivamento. No caso de você ser uma dessas pessoas (há muitos filhos de crentes que pensam que Deus tem netos e vivem dentro da Igreja imaginando que já estão salvos por essa condição) eu o convido a olhar para Jesus nas Escrituras e conhecendo-O melhor, crer Nele como teu único e suficiente salvador. Tua vida será transformada, e você viverá o melhor dos seus dias......e que sejam muitos.




4 comentários:

  1. Voltar ao primeiro amor é imperioso nestes dias!

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  2. JESUS é o melhor caminho a seguir e com Ele não há obstáculo intransponível!!!

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  3. Eu ainda não estou acreditando nas baboseiras que vcs escreverão sobre Heráclitos ! Ele nunca se converteu a nada sempre acreditou na sua própria ideologia e ele nasceu bem antes do Jesus mitologico, como é que ele poderia se converter a quem iria nascer. Quem escreveu isso vive escorado nas moletas do apego, acredita em amigo imaginario. Se vc ao menos não se conhece nem tão pouco se libertou do seu ego não escreva besteira a respeito do que não sabe.

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    1. Prezado Anônimo (anônimo - interessante):
      Teófilo e Heráclito aqui são dois personagens fictícios. Eu poderia ter usados outros nomes, como Hermes, Panflito, Pármene, Epêneto, Teodinto, Trascomene.....Esse tal de Heráclito nada tem a ver com o ser que viveu antes de Cristo.
      Se ve que vc não leu o texto todo. Talvez seja o preconceito, postura que revela a tolice de um espírito pouco nobre e de um coração possuído pelo orgulho.

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