segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ESMIRNA - A IGREJA PERSEGUIDA

Esmirna é "mirra"

Mirra é um óleo extraído de uma planta. Você deve estar lembrado, se conhece bem a Bíblia e a história do nascimento de Jesus, que os magos levaram, incenso, ouro e mirra como presente à Jesus. Por serem tres presentes é que se imagina que eram três os magos, do que não podemos ter certeza. Mas com certeza, mirra, esse óleo aromático, que era usado como perfume ou para untar pessoas mortas, foi um dos presentes dados ao menino Jesus em Belém da Judéia por ocasião do seu nascimento.

Esmirna era uma cidade que, a exemplo da Fenix, o passáro da mitologia grega, havia também renascido das cinzas. Lá por volta do ano 600 A.C, os lídios atacaram e destruiram toda a cidade. Aproximadamente 400 anos depois, Lisímaco a reconstruiu e a partir de então a glória de Esmirna tornou-se maior do que outrora.

Esmirna, nos dias de João, Paulo tinha aproximadamente 250.000 habitantes. Hoje Izmir, o atual nome da cidade, tem mais de 3.000.000 de habitantes e se rivaliza com Ankara, capital da Turquia e Istambul, cidade das mais modernas da Eurásia, já que nela, Turquia, há a divisão entre Europa e Ásia.

Esmirna era uma cidade que se tornara, desde o seu renascimento, uma ardorosa e fiel simpatizante de Roma mesmo antes desta se tornar o mais duradouro império. Sua fidelidade a Roma era fato notório.  Foi a primeira cidade a construir um templo à Dea Roma e em uma licitação venceu outras 11 cidades ganhando o direito de poder construir um tempo ao Imperador romano Tibério. Nesse templo todos os moradores de Esmirna afluíam no intuito de prestar culto e adoração ao imperador romano já que este gozava o status de divindade.

Em Esmirna podia se ver os edifícios construidos ao redor do cume do monte Pagos, dando uma impressão de uma coroa. Por isso referiam-se àquela localidade como a Coroa de Esmirna. Na cidade de Esmirna acontecia alguns jogos e o vencedor ganhava uma coroa.

Banhada pelo Mar Egeu, Esmirna recebia, no verão, a brisa que amenizava o forte calor que até hoje esquenta, principalmente, a estação do verão. 

Naqueles dias em que Jesus envia, por João, o último apóstolo, uma carta à essa Igreja, os cristãos sofriam a tribulação caracterizada pela pobreza economica e financeira. Muitos cristãos tiveram seus bens confiscados por se recusarem prestar culto ao Imperador. Além da perseguição por essa causa, havia os judeus que insistiam em se declararem inimigos negando que Jesus era o Messias. 

Talvez seja difícil para nós que vivemos em um país livre, entender o que acontecia em Esmirna. Talvez a liberdade que gozamos nos impeça de entender o contexto de tribulação que a Igreja de Esmirna sofria por causa do testemunho a respeito de Jesus o que implicava em não prestar adoração ao imperador e ao mesmo tempo declarar que Jesus era o Messias, o Cristo e Senhor de suas vidas. Essa postura era "politicamente incorreta" pois desagradava tanto os gregos (maioria de seus habitantes naqueles dias) e turcos quanto desagradavam os judeus.

Jesus alerta os membros da Igreja de Esmirna mostrando-lhes que muitos deles iriam ser presos e que esse período de tribulação e perseguição iria durar dez dias. Simbolicamente isso quer dizer que o período não seria longo, mas que seu ciclo seria completo. 

Jesus exorta-os a que fossem fiéis até diante da possiblidade de perderem suas vidas. E isso certamente aconteceu com muitos. Muitos foram martirizados. 

Dentre esses encontramos Policarpo (muito fruto é o significado do seu nome), Presbítero dessa Igreja. Depois de conseguir fugir dos que queriam-no preso, por algumas vezes, acabou sendo feito prisioneiro. Foi dito que negasse Jesus, mas ele disse que servia Jesus há 86 anos e que o Salvador nunca lhe fizera mal algum, pelo contrário. Foi, então, condenado a morrer queimado. Os judeus se encarregaram de pegar madeiras para a fogueira, mesmo sendo sábado. 

Aqui transcrevemos aquela que é a oração de Policarpo proferida antes de seu martírio em 23 de Fevereiro de 155 dC. 

Oh! Deus e Senhor todo-poderoso. Pai de teu bendito e mui amado filho Jesus Cristo, através do qual temos recebido conhecimento pleno de Ti. Deus dos anjos, de todos os poderes, de toda criação e família dos justos que vivem em tua presença. Louvo-te por me haver concedido esse dia e hora para poder sofrer em teu louvor, contando-me entre o número dos mártires que compartilharam da morte do Teu Cristo. Louvo-te por me dares também a parte que me cabe na ressurreição e na vida eterna tanto da alma quanto do corpo e na imortalidade do Espírito Santo. Concede-me ser recebido hoje em tua presença como sacrifício aceitável a Ti, tal como Tu mesmo Senhor, Deus de toda verdade, no qual não há mentira alguma havia preparado de antemão e manifestado aos homens. Assim te louvo por todas as coisas. Bendigo, te louvo e te glorifico através do eterno e celestial Sumo Sacerdote Jesus Cristo, teu amado filho por quem te seja toda a Glória com Ele e com o Espírito Santo agora e pela era vindoura. Amém”.

Tribulação, sofrimento, prisão, pobreza e até a morte, . Essas são marcas distintivas dessa Igreja para a qual Jesus envia uma carta por intermédio de João, o últimos dos apóstolos. Jesus diz que a fidelidade da Igreja os faria merecedores da "coroa da vida" e que o vencedor não sofria o dano da segunda morte.

As perguntas que precisamos fazer são: Que lições podemos tirar para a Igreja de hoje? No que nos diz respeito essa carta de Jesus à Igreja de Esmirna?

1) A Igreja de Esmirna e sua pobreza é um golpe nocauteador contra aqueles que pregam a teologia (teoria) da prosperidade. Ser cristão não implica em sermos ricos. Jesus disse que a Igreja de Esmirna era pobre economica e financeiramente, mas que era rica espiritualmente. A grande e massacrante maioria das Igreja impérios hoje, são ricas economica e financeiramente, mas sua pobreza espiritual é visível e notória.

2) Se a Igreja de Cristo testemunha com vigor, a perseguição será um resultado, lógico e esperado. Por que? Ora, porque ao pregar a pessoa de Jesus como Salvador e Senhor, único e suficiente, dentre outras verdades estamos dizendo que cremos naquilo que Paulo escreveu a Timóteo, Pastor e seu filho na fé: "Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos; testemunho esse que se deve prestar em tempos oportunos". (I Timóteo 2.5,6).

3) Devemos estar dispostos a enfrentarmos as perseguições como resultado lógico de uma vida de testemunho a respeito de Jesus como Salvador e Senhor sabedores de que somente os que se mostrarem fiéis realmente irão receber a coroa da justiça, serão poupados da segunda morte, já que o cristão é aquele que nasceu duas vezes, física e espiritualmente, para morrer apenas fisicamente, enquanto os impenitentes nascem apenas uma vez e morrem duas, fisica e espiritualmente, sendo condenados a sofrer pela eternidade em um ambiente onde Deus não manifesta sua graça comum e por isso esse lugar é chamado de inferno.

4) Devemos estar atentos para o fato de que se possuímos recursos, esses recursos devem ser usados para nosso conforto, mas também devem ser dispendidos para a promoção da proclamação das boas novas. Se uma Igreja pobre financeiramente é exortada a ficar firme da pobreza, a testemunhar sob fogo cerrado, uma Igreja rica não poder ser tão omissa como muitas vezes é o caso. 

Que Deus se apiede da Igreja de hoje, seja ela pobre ou seja rica financeiramente, de tal maneira que ambas sejam instrumentos de verdadeira adoração ao Deus todo providente e também uma agência divina que sempre cumpra a Grande Comissão como uma tarefa intransferível e impostergável. 

Que a pobreza de uma Igreja local não seja a desculpa para ela se omitir, e nem que a riqueza de uma Igreja local seja razão para cruzarmos os nossos braços e declaramos teológica, mas irresponsávelmente - Maranata. 

Amém.


3 comentários:

  1. Maravilhoso seu artigo Mauro! Posso postar amanhã no meu blog?
    Paz!

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  2. Pr. Paulo Sérgio Aiello,
    Permita-me inicar citando-o:

    “Tenho amor profundo pela literatura. Ler me levou ao desafio de escrever. Escrever o que borbulha na minha alma, em meu coração. Escrever aquilo que é raciocínio e emoção. Escrever com o afã de aprender, e de ensinar, quem sabe. Ou escrever para ajudar alguém que atravessa um momento delicado, de apreensão e ansiedade. Enfim, escrever para poder revelar o que penso e o que sinto, sobre meu relacionamento com Deus, após minha conversão.”

    Anotei sua declaração acima, e por ter o mesmo amor pela leitura, bem poderia ser minha.

    Talvez, quando o irmão puder, visitará o meu blog, que segue pela tangente entre a pregação e a proclamação de Cristo via parenética e, quando me é dado o ensejo como evangelista. Aos 60 anos de idade jubilei-me evangelista pela PIB em Suzano, passando a dedicar-me integralmente a palavra escrita, como escritor e poeta, mudança que ponderou conservar público leitor heterogêneo constituído por servos de Jesus e incrédulos.
    Assim, até hoje consigo sustentar o diálogo que nos praz e conservar ambos os públicos leitores, para edificar os significativos do primeiro grupo, e conservar a oportunidade de ter entre os incrédulos quem também conheça a razão da minha fé.

    Conheci V. Sa. Nas páginas da querida amiga e irmã Mara Carvalho Ribeiro, ilustre educadora que muito admiro.
    http://www.facebook.com/mara.carvalhoribeiro


    Desejo divulgar o seu blog, e se mo permitir peço-lhe confirmá-lo:
    http://maiello.blogspot.com.br/2012/08/esmirna-igreja-perseguida.html?spref=fb

    Carlos Mendes
    http://egeneto.blogspot.com
    amigosdasletras@terra.com.br

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