sábado, 13 de abril de 2013

O RÓTULO NÃO CONTA

Isso é uma grande verdade! 

O rótulo não conta, porque quem vê cara não vê coração. 

Há um ditado popular que afirma:"As aparências enganam". Sim, enganam. Vejam por exemplo o caso do rei Saul. Os israelitas viviam sob o governo dos juízes até que resolveram ter um rei, um monarca, assim como era com os outros povos. (1 Samuel 8). Deus lhes advertiu no que redundava isso, quais os resultados desse tipo de governo, mas o povo insistiu. E não apenas isso, o povo escolheu com base nessa premissa, ou seja, olhou o exterior. E não era para menos que a escolha recaísse sobre Saul. Diz o texto sagrado: "Havia um homem de Benjamim, cujo nome era Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afias, benjamita, homem de bens. Tinha ele um filho cujo nome era Saul, moço tão belo, que entre os filhos de Israel não havia outro mais belo do que ele; desde os ombros para cima, sobressaía a todo o povo". (1 Samuel 9.1,2) O resultado não podia ter sido pior. Saul foi um péssimo rei.

O que eu e você precisamos entender é que o conta não é a capa do livro, nem o rótulo do produto, mas o seu conteúdo. O marketing trabalha a questão do rótulo porque a questão toda é vender o produto alcançando assim os objetivos mercadológicos preestabelecidos. 

Devemos, também, compreender que não somos contra o rótulo e a aparência. É bom ver bons produtos com rótulos que lhes correspondam. É bom conhecer pessoas bonitas e que têm bom caráter. Por outro lado rótulos mal elaborados sobre conteúdos ruins é o suprassumo do que devemos rejeitar.

A questão que enfocamos nesse artigo é a do rótulo porque vivemos tempos difíceis. As pessoas se deixam seduzir pelo rótulo, pela capa, pelo aspecto externo de uma instituição, de um evento e até de uma pessoa. É notável ver o que o texto profético que fala sobre Jesus em Isaías 52.1-3 afirma sobre o maior homem que já pisou esse planeta: "Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso". 

O cristianismo atual, de quase todo, se deixou seduzir pela questão do rótulo. Igreja lotada agora virou sinônimo de benção e aprovação divina. Em um sábado desses eu assistia a televisão e rodando os canais sintonizei em um programa que era a pregação de um pastor em sua Igreja, com uma grande audiência. O pastor, impecavelmente vestido, a retórica, apesar de não ser lá um primor, revelava um certo treino. As expressões corporais, a forma de se expressar com o rosto e o uso do microfone, o aparato todo de música ao fundo. Então ele começou a cantar (aliás não tão afinado assim) acompanhado por um grupo (que cantou mais afinado que ele - ainda bem) revelaram um certo teatralismo. Todavia, quando parei para analisar a questão do conteúdo de sua mensagem, a base bíblica, a revelação especial de Deus, vi puerilidade, superficialidade, infantilidade teológica, irrelevância, a não ser pelo fato do ufanismo, da marcante caraterística que enfatiza o pensamento positivo. 


Não era um sermão bíblico. Era um discurso com algumas citações da Bíblia e, quase todas,fora do seu contexto

Ao ver e ouvir aquilo eu me lembrei da daquela séria advertência que Paulo fez ao Pastor Timóteo em 2 Timóteo 4.1-5: "Conjuro-te, perante deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, s~e sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério".

As pessoas embevecidas batiam palmas. Elas se emocionavam! Fico a pensar que o sermão de Jonathan Edwards - PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO -pregado em 07 de julho de 1741 não faria o menor sucesso, não agradaria, aquela audiência. Pecado? Deus irado? Essas coisas não atraem, não agradam. Então vamos ao discurso politicamente correto. A questão toda é agradar a audiência e poder ter dela o retorno financeiro. E o que dizer dos duros e severos sermões que Pedro proferiu em Atos dos Apóstolos. Mas, mesmo não tendo os mesmos aparatos que tem esse pregador da televisão, os resultados foram totalmente diferentes simplesmente porque o primeiro faz um discurso e o segundo prega um sermão bíblico com a motivação correta e sob a égide do Espírito Santo. Foi isso que impactou o mundo do primeiro século e mudou vidas. Os missionários foram rotulados como aqueles que "transtornaram o mundo". (Atos 17.6)

Essa questão do rótulo é grave. Veja agora para onde a megalomania e os princípios faraônicos levam o cristianismo atual; temos a ideia da construção de um templo à semelhança do templo que Salomão erigiu em Jerusalém. É óbvio que em uma análise histórica mais acurada poderemos observar claramente que o contexto das motivações é totalmente dispare. Fora isso, sou tentado a pensar no discurso que Paulo fez no Areópago quando em um dado momento afirmou: "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuário feitos por mãos humanas, nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse...". (Atos 17.24,25) Não estou advogando que não devamos ter os templos onde possamos nos reunir com conforto para adorar a Deus, para ouvir sua Palavra sendo pregada com fidelidade. O que eu questiono é a luxúria usada como atrativo e como pseudo prova de que Deus está de acordo e presente. Deus não precisa de absolutamente nada disso. Paulo evangelizou Lídia à beira de um rio e testemunhou ao carcereiro dentro do cárcere, ambos na cidade de Filipos. Jesus pregou à beira-mar, em um monte assentado, na casa de um fariseu chamado Simão. 

Não devemos concentrar nossa atenção no rótulo, mas sim, e cuidadosamente, no conteúdo.

Não é a estrutura que dá credibilidade a uma instituição ou evento, mas sim o conteúdo. Você vai aos cemitérios e vê algumas obras de arte acolhendo carne em putrefação e ossos secos. 

Veja, por exemplo, as Pirâmides do Egito (e outros mausoléus espalhados por todo o mundo). Contraste essas obras faraônicas com o túmulo de um verdadeiro servo de Deus e veja quanta diferença. É o conteúdo que conta.

Vivemos um cristianismo de aparência, que se deixou seduzir pelo populismo e pelo mercantilismo. 


Lamento, mas prefiro o anonimato na terra e ser reconhecido como servo de Deus na glória, do que ter toda a fama e glória deste mundo, e padecer ignorado no inferno.

Jesus mesmo disse, no final do Sermão do Monte, que muitos alegariam terem feitos grandes coisas. Jesus não irá dizer que eles não fizeram, mas acrescentará: "Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade" (Mateus 7.23b), porque afinal das contas o que deve ser considerado é a conteúdo e não o rótulo.

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