quinta-feira, 15 de agosto de 2013

AO MESTRE COM CARINHO (IVAN G.G.ROSS)

Dizem que quem não sonha é louco. Não sei se há ciência que comprove isso, mas de uma coisa eu sei; há sonhos que sonhamos e que parecem loucura. O sonho que eu tive na madrugada de hoje (15.08.2013) foi um desse tipo. Não é preciso contar os detalhes desse sonho. Em resumo o sonho tratava de um homem que queria receber o título de mestre (Pós Graduação Estrito Senso) e eu o estava ajudando nisso. O sonho, como disse, não importa, mas sim quem era o personagem desse sonho. Eu sonhei com um senhor chamado Ivan G.G. Ross. Esse homem que marcou minha vida de forma simples, mas profunda, foi meu primeiro Diretor quando cursei o Seminário Teológico Presbiteriano Reverendo José Manoel da Conceição, no bairro do Campo Belo, São Paulo. Como já expus, os detalhes do sonho que eu sonhei com ele não importam, mas para mim, o que importa e me pareceu estranho foi vê-lo no meu sonho. Sim, afinal das contas já faz 28 anos que o episódio que passo a relatar aconteceu. O Rev. Ivan G.G. Ross deixou a Diretoria do Seminário no ano seguinte, 1986. Nunca mais o vi! 

Eu estava no primeiro ano no curso de Bacharel em Teologia. Já tinha 30 anos de idade, casado, e pai de Felipe e Juliana. A Fernanda iria nascer no ano seguinte,1986. Eu dividia minha vida em quatro: família, seminário, os cuidados com uma Congregação no bairro da Ponte Rasa, zona leste de São Paulo e meu trabalho secular como representante farmacêutico na Laborterápica Bristol/Mead Johnson, uma empresa multinacional do Grupo Bristol Myers. Era responsável pelo setor 101 em minha equipe de vendas que ira até o setor 110. Todas as sextas-feiras nos reunimos por volta das 17H00 para entregarmos nossos relatórios de visitas a médicos, das vendas e cobranças feitas naquela semana. Eu era um PVC, ou seja, um Propagandista, Vendedor e Cobrador. O curso de Teologia estava no seu início. Era ali por volta do mês de Abril. Nós, os seminaristas, estávamos nos conhecendo, assim como também tendo os primeiros contatos com nossos mestres.

Naquela sexta-feira, cheguei no horário de costume na empresa, com todos os relatórios prontos para serem entregues ao meu supervisor. Normalmente eu seria o primeiro a fazer isso, pois meu setor era, como já escrevi o de número 101 e o último era o 110. Todas as sextas-feiras, era assim. Eu era o primeiro a ser atendido e depois que meus relatórios eram entregues, eu podia sair, encerrando assim o expediente naquele dia e na semana. Nas outras tantas sextas-ferias tinha desenvolvido o hábito de passar na cooperativa da empresa e fazer algumas compras para minha casa. Esse hábito foi mudado quando comecei o Curso de Bacharel de Teologia, pois depois do expediente eu tinha aulas no Seminário, indo para casa bem tarde da noite. As aulas começavam, se não estou equivocado, às 19H30.

Naquela sexta-feira, algo aconteceu que me deixou bastante perturbado. Eu que era costumeiramente, como já escrevi, o primeiro a ser atendido, fui surpreendido pela mudança dessa regra sendo informado que seria o último. O primeiro a ser atendido seria o PVC do setor 110. Todas as vezes que meu Supervisor encerrava a análise de um setor, ele olhava para mim, sorria de forma sagaz e perguntava se eu estava com pressa. E era óbvio que eu estava. Pelos meu cálculos eu iria chegar atrasado para a aula de certa disciplina, a primeira aula das sextas-feiras. E assim, foi. Do setor 110 até o 102 eu sofri um ato de constrangimento, e gozação do meu Supervisor. Só depois é que vim saber a razão desse tipo de atitude, pela qual eu já o perdoei, algo de que ele não tem conhecimento. Nem sei se ele se importaria com isso. Fui então atendido e dispensado. Sai às pressas, voando. Peguei meu carro no estacionamento e fui para o Seminário, chegando, é óbvio com mais de quinze minutos de atraso.

Estacionei meu carro, me dirigi à sala de aula. A porta estava fechada. Bati e pedi permissão para entrar. Assim que entrei, com a permissão do meu professor, e enquanto me dirigia à minha carteira no fundo da sala de aula, o professor, se já não bastasse as gozações do meu Supervisor na empresa, me disse: - Chegou cedo para a próxima aula. Eu acharia engraçado, em outro contexto, mas não nesse, tanto pelo que sofri na empresa, quanto pelas gargalhadas dos meus companheiros de sala de aula. Sofri um tremendo choque com aquela atitude do meu professor. Tentei justificar, mas ele não permitiu que eu fizesse isso. Não esperava isso dele! Fiquei decepcionado e magoado. 

Passei por todos meus colegas de classe e me sentei no fundo da sala de aula. Não me contive e comecei a chorar. Não compulsivamente, mas chorei. Confesso que era raiva, ira, tanto do meu Supervisor quanto da atitude do meu professor. Enxugava minhas lágrimas com o lenço. Naquele dia, estava ali, sentado também no fundo da sala de aula o Diretor a quem me referi acima, o personagem do meu sonho; Rev. Ivan G.G. Ross. Ele viu tudo, ouviu o motejo e me viu sentar e chorar. Passados alguns minutos ele se levantou, se despediu e saiu da sala. Eu estava me recompondo, quando a Secretária do Seminário bateu à porta e disse ao professor: - O Diretor que conversar com o Seminarista Mauro Sergio Aiello. Ela pediu ao professor que permitisse que eu me retirasse da sala de aula. Permissão dada, lá fui eu, pensando com meus botões: "Será que ainda vou tomar uma bronca do Diretor? Só me faltava isso". Aquele dia parecia não terminar muito bem. Mas lá fui eu.

Entrei na sala do Diretor e ele me pediu que eu me sentasse. Ordenou à Secretária que me trouxesse um copo com água, olhou para mim com carinho e pediu que eu contasse a ele a razão do meu atraso. Eu então fiz o relato do que havia acontecido. Ele ouviu com atenção com um semblante solidário. Depois disso ele pediu à Secretária que chamasse o professor à sua sala. Ela foi e depois de algum tempo o professor entrou e o Diretor pediu que eu repetisse a história que era o relato do motivo do meu atraso, o que fiz. Após o relato o Diretor disse ao meu professor que ele deveria me pedir perdão. O professor com humildade me pediu perdão, e eu com sinceridade o perdoei apenas acrescentando que gostaria que ele esclarecesse à classe o que havia acontecido e a razão do meu atraso. O Diretor disse, também, que apesar do meu atraso ser maior do que quinze minutos ele iria abonar a minha falta. Ele orou comigo e com o meu professor. Depois que o professor saiu o Diretor me abraçou e disse que eu não deveria me abater e deveria continuar firme nos meus estudos. Hoje, eu e esse professor, gozamos de uma amizade abençoada e temos enorme carinho um pelo outro. O episódio foi cristãmente superado. Aleluia!

Pode parecer para você que lê esse relato, esse episódio, algo sem muita importância, para não dizer banal, mas para mim que o vivi, não é. Jamais me esquecerei da forma carinhosa, graciosa e amorosa com que o personagem do meu sonho dessa madrugada, o Rev. Ivan G.G. Ross me tratou naquele dia. Senti-me amparado, estimulado e vi naquele homem uma preocupação cristã com a justiça. Ele poderia ter simplesmente deixado para lá, mas ele demonstrou me amar sem me conhecer. Na verdade não nos conhecíamos, pois como disse, estava no começo dos meus estudos naquele Seminário, onde me formei no ano de 1988. Mas ele demonstrou se importar comigo. Ele viu as minha lágrimas. Ele viu um homem de 30 anos chorando depois de uma brincadeira infeliz de um professor. Ele não conhecia o contexto, mas se sensibilizou com meu sofrimento. E agiu de forma justa e cristã. Não posso me esquecer disso e eu escrevo porque se a mente falhar os registros desse acontecimento podem inspirar outros a demonstrar que em um mundo onde a indiferença é marca tão distintiva, alguém que se importa com a dor do outro faz uma grande diferença. 

No sonho que tive nessa madrugada, o personagem Ivan G.G. Ross corria para poder obter o seu título de mestre. No final do sonho eu e ele nos encontramos com um outro personagem que lhe disse que ele não precisava cumprir com as exigências acadêmicas porque ele já era reconhecido como Mestre e que uma Certidão de seu Título de Mestre já havia sido expedida. Foi nesse momento do sonho que eu acordei. E confesso que chorei como naquele dia no Seminário. Levantei-me, vim escrever isso aqui para dizer que de fato Ivan G.G. Ross é Mestre e com ele eu tenho uma enorme dívida de gratidão o que espero poder diminuir ao escrever isso aqui. 

"O método mais eficiente em fazer com que se importem com você é, primordialmente, demonstrar interesse verdadeiro pelas pessoas".

Querido Ivan G.G. Ross: Muito obrigado, de todo o meu coração, meu Diretor e Mestre. Muito obrigado!

4 comentários:

  1. Que lindo relato, sou muito abençoada com suas meditações e exemplos. Obrigada Pastor Mauro!!

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  2. Pastor a medida que fui lendo este relato, em alguns trecho me identifiquei com sua historia e hoje vejo ao meu redor as conguistas que Deus me proporcionou e tem proporcionado e que muitos tentaram de uma certa forma nos desanimar ou desacreditar,são situações com esta que nos faz olhar para o Alto e crer cada vez mais em nosso Senhor Jesus Cristo.

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  3. Boa noite reverendo, meu nome é Daniel e sou casado com a filha do rev. Ivan Ross. Na verdade reverendo Ivan, não mudou muito do que você descreveu. Estarei mostrando sua postagem a ele. Caso queira ter contato com ele, eu lhe passo o telefone, nós moramos em Itajubá, Minas Gerais.

    Ah, rev Ivan tem um blog (que eu cuido), chamado Vasos de Honra: http://revivanross.blogspot.com.br/


    abraço

    Daniel

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  4. Obrigada amigo querido!
    Assim como a irmãzinha do comentário anterior sou muito abençoada ao lê-lo! Lindo relato!
    Que o nosso Deus nos ensine a sermos sensíveis, amando os que nos rodeiam e demonstrando Seu maravilhoso amor com nossas ações, assim como este amado pastor o fez.
    Amamos você e a sua família, pastor querido!
    Beijos,
    Su e Mamy

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