quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O PRECIOSISMO


Certa vez fui convidado, por um Pastor para Pregar e cantar em sua Igreja. Olhei a agenda e confirmei o compromisso. No dia agendado, liguei ao Pastor dizendo que iria chegar mais cedo para poder dar uma “passadinha” nas músicas com a pessoa responsável pelo som da Igreja. E assim foi. No horário estipulado lá estávamos, eu e o técnico de som.

Passei a ele um cd contendo os play backs das músicas que eu pretendia cantar. Ele olhou e de repente arregalou os olhos e apontando para uma música disse: - O senhor vai cantar essa música aqui? Eu olhei o nome da música e respondi: - Sim vou cantar, por que? Ele fez uma pausa e respondeu, olhando bem firme nos meus olhos: - É que o pessoal aqui do louvor da Igreja foi proibido de cantar. – Mas por que? – perguntei - É que tem essa frase aqui e o Pastor disse que um crente não pode dizer a Deus que deseja ter um coração igual ao de Jesus. Surpreso disse: - Bem, então vamos tirar essa música do repertório. Por uma questão de ética não disse absolutamente nada a respeito do que pensava. Perguntei a ele se conhecia todas as demais músicas. O rapaz olhou os nomes das músicas e disse que não conhecia todas. Então eu disse: - Bem eu vou cantar essa e essa, - apontando para o número das faixas. Ele olhou e fez sinal afirmativo com a cabeça.

E assim foi. Cantei quatro músicas, preguei e fui embora. Voltei pensando naquele episódio. Comecei a pensar que se o Pastor tinha razão em não deixar cantar aquela música eu havia pecado contra Deus uma boa quantidade de vezes já que a havia cantado em várias Igrejas, Congressos, e outros eventos.

Já em casa, pensei mais detidamente a respeito do ocorrido. Estudei a letra da música. Fiquei atento a cada detalhe. Confesso que se não cantei aquela música naquela Igreja, eu a cantei e canto em todos os lugares onde não me impedem de fazer isso. Conclui, depois de pensar mais detidamente sobre o assunto, que impedir de se cantar a música “Se Tu Olhares”, se trata de um preciosismo que beira o legalismo.

Um exemplo contra esse preciosismo nós encontramos naquele episódio no qual Jesus na sinagoga cura a mão ressequida de um homem após ser desafiado a fazer isso em um sábado. Ele justifica sua atitude ao propor uma questão: (Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo esforço, tirando-a dali?) (Mateus 12.9-14).

O preciosismo, em muitos casos, descamba para o legalismo. Mas nem sempre o que é legal é justo e moral. Nem sempre o que é legal se revela adequado. Jesus cumpriu toda a lei. Foi por isso que ele se habilitou em nos representar no Calvário. Mas ele mesmo disse a respeito da guarda do sábado: “O sábado foi instituído por causa do homem e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado”. (Marcos 2.27)

Quando a lei é maior que o legislador, quando ela fere a principal de todas as leis que é o amor, então essa lei se revela despótica, opressora, desumana. Na verdade quando a lei é maior do que o legislador ela se inutiliza porque a lei foi feita para o homem e não o homem para a lei.

Queridos irmãos, não estamos advogando a anarquia nem o lassi fair. Em absoluto! Não me interpretem mal. O que eu estou afirmando aqui é que na dinâmica da vida, em muitos casos, o preciosismo e o apego a lei pode transformar a vida em uma existência sem graça, sem sal e sem açúcar. A lei sem amor é mero e desprezível legalismo.

O amor não é apenas o Dom Supremo, mas a Lei Suprema. Quando em João 3.16, Jesus fala do amor de Deus ele o faz demonstrando que esse amor revelou-se simpático, empático, misericordioso, gracioso. Se você ama mais a lei do que ama o próximo então você ainda não aprendeu sobre o amor. Foi isso que Jesus ensinou ao intérprete da lei na Parábola do Bom Samaritano.

Sejamos precisos, amemos a lei, busquemos cumpri-la, mas sempre com bom senso, misericórdia e principalmente amor sem o qual não vejo sentido em se promulgar leis, normas e regras.


Sejamos zelosos sem nunca deixamos de ser amorosos, compassivos e perdoadores.

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