sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A BELEZA ESTÁ NA GRAÇA E NÃO NO PREGADOR

Quando alguém se preocupa excessivamente com o seu exterior é porque há algo de ruim e algum desajuste em seu interior. 

Há "pastores" que se vestem como se fossem galãs de Hollywood, fazem plásticas, tingem o cabelo, usam Botox. Não me importo se você me rotular de radical quanto a isso. Eu creio que a virtude está no equilíbrio e na sobriedade como diz o ditado romano - in medio status virtus. 

Tenho saudades de Billy Graham. Conheci pessoalmente John Stott. Vi inúmeras vezes Russel Shedd. Conheço Hernandes Dias Lopes pessoalmente e tantos outros Pastores consagrados (no duplo sentido, ou seja, homens santos e que são bem sucedidos em seu ministério como pregadores da Palavra) e que atraem multidões; sempre os encontrei SÓBRIA e ELEGANTEMENTE vestidos, penteados, mas sem as frescuras de alguns tele evangelistas

Se o brilho de Cristo e a pureza e simplicidade do evangelho não estiverem na vida do pregador de nada adianta usar ternos de grife, praticar gestos treinados por marqueteiros de plantão, repetir máximas, frase de efeito, usar o recurso do microfone e da multimídia, porque certamente agradarão mentes tacanhas, mas jamais alcançarão corações desejos de ouvir um bom e bíblico sermão.

Um pregador deve chamar o pecador ao arrependimento e não atrair admiradores, pessoas que o venerem. Vejo com enorme tristeza a tendência que é prestar culto ao pregador, o pastor, bispo e agora o tal apóstolo, em vez de prestar culto e adoração a Deus.

A palavra de Jesus à Satanás na terceira tentação é propícia para o que temos dito aqui: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto". Mateus 4.10b

Penso que os pregadores e pastores jamais deveriam chamar a atenção para si mesmos, mas sim apontar a todo que o vê e ouve o caminho da cruz onde um homem que "não tinha aparência, nem formosura", alguém em quem "nenhuma beleza havia", alguém de "quem os homens escondem o seu rosto" (Isaias 53), morreu para expiar pecados e abrir um novo e vivo caminho para um relacionamento com Deus o Criador. 

DEVEMOS ESTAR PLENAMENTE CÔNCIOS DE QUE A VERDADEIRA BELEZA ESTÁ NA GRAÇA SALVADORA E NÃO NO PREGADOR QUE SOBRE ELA PREGA.

Lancemos nossos recursos de marketing para longe de nós e tragamos para o púlpito a simplicidade de quem conheceu intimamente esse homem sem formosura cujo nome é Jesus.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

QUEM SOU EU E O QUE EU SOU.

"Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus". Romanos 1.1.

Na antiguidade, nos dias apostólicos, as cartas eram escritas e os autores das mesmas, diferentemente do que acontece hoje, se identificavam logo de início. Nas outras cartas atribuídas ao apóstolo Paulo foi assim.

Na carta aos Romanos também é assim, ou seja, de imediato encontramos, não apenas o nome do seu autor, mas também, é muito importante, algumas qualificações que ele mesmo usa para si. No versículo acima, Paulo diz quem ele é e o que ele é.

QUEM É O AUTOR DA CARTA.

·       Paulo se auto apresenta como o autor da carta.
·       Esse Paulo é Saulo, natural da cidade de Tarso, região da Cilícia (Turquia hoje).
·       Ele era filho de judeus, descendentes da tribo de Benjamim.
·       Ele havia sido fariseu dentro do judaísmo.
·       Ele estudou aos pés de Gamaliel, de renome como Rabino dentro do Judaísmo.
·       Saulo, seu nome com o qual foi batizado, vem de Saul que quer dizer “aquele que foi pedido” ou “aquele por quem se orou”.
·       Paulo é seu nome gentio, romano, e significa “baixo”, “curto” ou “pequeno”.

Discute-se muito do porque Lucas passa a referir-se a Saulo como Paulo a partir do texto de Atos 13.9. É interessante notar que em sua defesa em Jerusalém, nas escadas da fortaleza onde seria preso, ao falar do seu encontro com Jesus ele usou, para si, o termo Saulo (Atos 21.35; 22:8). Em seu discurso perante o Rei Agripa, Paulo, ao fazer o relato do seu encontro com Jesus quando se dirigia à Damasco, mais uma vez usou o mesmo artifício de citar o seu nome de origem, que é Saulo (Atos 26.14). É notável, neste episódio, todavia, que ao falar da ressurreição Festo, o governador daquela província, e anfitrião do Rei Agripa, interrompeu o discuso e disse: Paulo! As muitas letras te fazem delirar! (Atos 26.24). 

Teria o governador Festo usado o nome gentio por sua preferência ou esse era o nome pelo qual o apóstolo dos gentios já se tornará conhecido? 

Particularmente acredito que Saulo preferiu seu chamado por Paulo porque indo pregar a gentios seu trabalho de inserção seria mais fácil do que se ele usasse seu nome hebraico. Percebemos que em todas as suas cartas ele usa o nome Paulo e não Saulo. 

O QUE É O AUTOR DA CARTA

Paulo é: 

1) Servo de Jesus Cristo. Aqui o termo traduzido por servo é “doulos” que significa em grego “escravo”, ou seja, aquele que não é mais senhor de sua própria vida. Sua agenda está sob as ordens de outra pessoa. Está sob o comando de outra pessoa que é seu Senhor. Jesus é “kyriós”, ou seja, Senhor de Paulo, o pequeno.

Lembremo-nos do Filho Perdido que volta à casa do Pai nutrindo em seu coração o desejo simples de ser tratado, não mais como filho, mas sim como servo. Ele voltou humilhado e acabou sendo contemplado pela graça perdoadora do Pai que não o considerou como um filho perdido que foi achado e não como um servo sob suas ordens.

2) Chamado para ser apóstolo. Se “Saulo” era aquele que havia sido pedido, solicitado, “Paulo” era aquele que havia sido chamado para ser apóstolo, ou seja, aquele que foi testemunha do Cristo ressurreto e enviado por Ele. Paulo se considera um apóstolo “nascido fora do tempo” porque ele viu o Cristo ressuscitado de uma forma diferente da que os demais apóstolos viram. Em sua auto apresentação ele defende a legitimidade de seu apóstolo.

3) Separado para o evangelho de Deus. Antes de sua conversão, Paulo era um fariseu. O termo fariseu em hebraico significa “separados”. Os fariseus se consideravam como um grupo de fiéis à lei de Deus, dentro do judaísmo. Na verdade eles e eram extremamente zelosos e radicais com respeito à Lei de Deus, a Torá. Paulo, que havia sido um fariseu, agora se identifica como alguém separado, mas para o evangelho de Deus, para as “boas novas da salvação”.

É maravilhoso notar como Paulo se apresenta nesta carta.

Quantos de nós ao escrever uma carta poderíamos nos referir a nós mesmos dessa maneira?

Quantos de nós ao escrever uma carta teríamos tanta consciência de quem e do que somos no contexto do reino de Deus?

Com o nome dizemos quem somos. Eu sou Mauro Sergio Aiello, por exemplo.  E você? Quem você é? Maria, João, Marcos, Angela, Roberto, Márcia? Quem é você? Qual o seu nome? Bem essa é a parte mais fácil. Dizer qual nosso nome, ainda não gostemos dele, como é o meu caso, confesso, é a parte mais fácil em uma auto apresentação.

O mais difícil é dizer o que somos, como cristãos, no contexto do Reino de Deus.

Com as qualificações dizemos o que somos: Sou crente em Cristo Jesus, eleito antes da fundação do mundo, salvo pela graça de Deus, feito filho de Deus por ter sido regenerado, nascido de novo, membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, onde sirvo a Deus como Presbítero que cuida do Rebanho de Deus.

Quantos de nós ao escrever uma carta poderia mostrar tanta consciência a respeito de seu papel no contexto do Reino de Deus?

Infelizmente vivemos dias muito difíceis nos quais as pessoas pensam que são salvas para serem servidas por Deus e não para serví-Lo com suas vidas. A maioria dos cristãos está tão absorvida em suas agendas profissionais e sociais que perdeu de vista a sua relevância no contexto do Reino de Deus e sua serventia. A maioria dos cristãos está tão absorvida em suas agendas profissionais e sociais que perdeu de vista que todos temos sobre nossos ombros a responsabilidade intransferível, impostergável que é pregar o evangelho, testemunhar de Jesus como Salvador e Senhor, e com isso fazer discípulos para Cristo.

Em sua auto apresentação Paulo diz quem ele é e o que ele é.

Quem é você e o que é você?

Tente colocar isso em um papel como se estivesse escrevendo uma carta no primeiro século da era cristã. Creia; esse exercício será extremamente revelador.

Deus nos abençoe.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

PORTA DA IGREJA OU PORTA DO INFERNO?

Nos últimos anos tenho ouvido muito falar em crescimento de Igreja. Inclusive há congressos que tratam desse tema. Creio, que não estou equivocado, quando afirmo que esses congressos, em minha denominação, começaram no final da década de 80 quando eu estava me formando Bacharel em Teologia e sendo Ordenado Ministro de Cristo na IPB. Não devemos deixar de lado essa preocupação com o crescimento, mas a questão é a correção na abordagem. A questão é procurar discutir, avaliar e fazer isso com as ferramentas adequadas. Com a principal dessas ferramentas - a Bíblia Sagrada.

O que tenho visto, todavia, é que esses congressos versam sobre experiências de homens que transformaram pequenos grupos em Igrejas com milhares de membros. E o que se faz é ver e estudar o que estes homens fizeram e procurar mimetizar sua estratégia visando o crescimento da Igreja local. Não há, necessária e essencialmente, nada de tão errado com essa abordagem a não ser ver que a maioria dessas propostas são marcadas pelo pragmatismo, ou seja, não importam os meios desde que os fins (objetivos) sejam alcançados. 

Com o passar do tempo, sem que se perceba, a Igreja se transformou em empresa. Assim, quanto maior for o templo (vide o templo de Salomão recém inaugurado), quanto mais diversa for a "liturgia", carregada de novidades, a grande e massacrante maioria totalmente estranha à Bíblia, melhor. O que seduz são o tamanho do templo e o número de membros da Igreja. Um Pastor bom é aquele cuja Igreja tem um grande templo e mais de 500 membros, por exemplo. Lembro-me de uma ilustração interessante sobre um velho Pastor que foi convidado para pregar em uma Igreja enorme em sua cidade. Sentados à frente do povo de Deus o Pastor da Igreja local perguntou ao velho Pastor. - Quanto membros tem sua Igreja? O velho Pastor respondeu: - Temos aproximadamente 80 membros em nossa comunidade. O Pastor daquela Igreja então, como que espantado perguntou. - E como é possível ser Pastor de uma Igreja tão pequena? - O velho Pastor percebendo a empáfia respondeu: - É que em nossa Igreja não importa quantos membros somos, mas que tipo de cristãos somos.

A questão é: Que valor há em uma Igreja cheia de gente vazia? Muitos poderão dizer: Mas como é possível crescer se não for algo de Deus? A resposta é: Isso é claramente possível. Torcidas de futebol crescem, a adesão a outras religiões cresce (veja o muçulmanismo no mundo atual), peças de teatro atraem milhares, shows de músicas emocionam milhares e milhões. Quando a Igreja se assemelha a teatros e casas de show é possível confundir o que é temporal com o que é eterno. Nos tempos do Império Romano, os imperadores eram adorados como divindades. Havia templos erigidos aos imperadores. E o Império Romano foi o maior em longevidade e territorialmente falando. Eis, todavia, que teve o seu ocaso, como todos os outros impérios. Não é a quantidade que conta nem a forma, mas a qualidade e o conteúdo do cristianismo que devemos considerar.

A Igreja de nossos dias tem se distanciado da Bíblia e perdido de vista que ela deve existir para Adorar e Agradar a Deus e não aos homens. Li no Facebook uma charge onde um jovem, no final do Culto, procurou seu Pastor e disse: - Pastor; não gostei do Culto hoje. O Pastor solertemente respondeu: - Meu filho; o Culto não foi celebrado para agradar você, mas sim para agradar a Deus.

Tenho percebido, que o mais trivial e comum a acontecer é ver que pessoas e instituições quase sempre acabam por perder a identidade, sua originalidade, assim como um trem que começa a sair dos trilhos e por fim descarrila. Foi assim com a Igreja cristã quando se deixou seduzir pelo poder nos tempos de Constantino. Quando olhamos, hoje, para a Igreja de Atos 2.42-47 e alguns depoimentos sobre a Igreja em Atos, e a comparamos com a Igreja de hoje ficamos boquiabertos ao ver como aquele identidade original foi abandonada. O mais terrível é que mudou para pior.

A Igreja de Atos 2.42-47 tinha doutrina e perseverava nela. 

Hoje se você falar em doutrina (ensino, reflexão) você será, com grande probabilidade, rechaçado e se tornará impopular. - Que "doutrina" que nada, vamos pregar a respeito de Jesus o salvador e isso basta. Foi isso que eu ouvi saído da boca de um certo ministro falando a centenas de jovens. E o pior foi que gostaram do que ouviram. 

Veja o que Charles Haddon Spurgeon um dos maiores pregadores batistas de confissão reformada no século XIX disse certa vez: "A apatia está por toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que quanto mais curto melhor". Suas palavras se encaixam perfeitamente a alguns contextos hoje, nos quais podemos até digerir heresias conquanto que ousamos rapidamente a impetração apostólica anunciando o final do culto e voltemos para nossas vidas embriagados pela futilidade, superficialidade e prolixidade. 

Estudo bíblico doutrinário? Nem pensar! Vamos pegar os instrumentos e tocar, cantar e dançar...Vamos rodear as muralhas de Jericó, atravessar o Mar Vermelho (uma piscina de água suja), e muitas outras coreografias tais como uma barba comprida, uma manto nas costas e um Kipá na cabeça em um ato judaizante que beira a idiotice teológica.  

A Igreja de Atos 2.42-47 insistia na comunhão. Hoje, para enorme tristeza minha como Ministro do Evangelho, encontro um contingente enorme de gente que vai à Igreja quando não têm coisa "melhor" (entre aspas e itálico com muita tristeza misturado a ironia) para fazer. Hoje, os cristãos se vão à Escola Dominical, não vão ao Culto Vespertino ou o contrário. Raciocinam assim: "Para que ir na Igreja duas vezes no mesmo dia? Uma vez só está muito bom. Não vamos ser fanáticos". E quando vão, com raras exceções na EBD e CV, não prestam a devida atenção, não demonstram nenhum fervor e devoção.  Estão de corpo presente na Igreja, mas seus corações estão bem distantes de Deus como disse Deus por boca do profeta Isaías (Isaías 29.13,14). 

Reuniões nos lares, ou mesmo qualquer evento oficial que a Igreja promova no meio da semana? Nem pensar. Estão muito cansados, envolvidos com questões profissionais ou sociais. O resultado não podia ser mais funesto do que tem sido, ou seja, perdem o prazer de estar na "casa de Deus", de ter comunhão com os irmãos, se tornam muito críticos da liderança, infrutíferos, inertes, inseguros (muitos deles desenvolvem algumas patologias espirituais e pensam que são problemas psicológicos). 

A Igreja de Atos 2.42-47 perseverava na comunhão, (partiam o pão de casa em casa) em meu entendimento. Isso era mais do que fazer refeições juntos. Essa expressão tem forte conotação com a celebração da Ceia do Senhor onde se mantinham vivas na memória o fato tanto de morte de Jesus quanto de sua ressurreição. Jesus mesmo disse que seus discípulos deveriam fazer isso como sacramento e memorial. Fazer isso é o mesmo que dar suporte à identidade. Por isso mesmo o Salmista se expressou nos seguintes termos: "O que ouvimos e o que aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez". (Salmos 78.3,4).

A Igreja citada, perseverava em oração. Alguém já disse com muita sobriedade: - Se você quiser testar a espiritualidade de uma Igreja, convide-a para orar. Eu particularmente creio que se há uma dos exercícios de nossa fé, esse é orar. Fechamos os olhos, falamos com alguém invisível, cuja existência é costumeiramente contestada, não ouvimos nenhum som, mas a Bíblia diz que quando fazemos isso devemos fazer com fé porque Deus é galardoador daquele que assim O buscam. (Hebreus 11.6) Hoje cantamos mais do que oramos. E que sentido há em cantar algo que não se vive, não se experimenta. Isso é só passar o tempo.

A Igreja de Atos 2.42-47 era composta de gente que tinha, verdadeiramente, o temor de Deus em seus corações. E somente aquele que teme a Deus tem condições de caminhar em santidade na Sua presença. Deus é santo e deseja que usemos dos recursos que Ele mesmo disponibiliza para que busquemos a santidade e possamos nos apresentar perante Ele como seus filhos e irmãos em Cristo Jesus.

Não se fala mais de santidade, de santificação de uma vida realmente compromissada com o Reino de Deus e todas as suas implicações que passam pela perseguição por causa da justiça, por causa de Cristo, por causa da Palavra. Quem vai expor um cristianismo no qual Jesus disse que o resultado de se tornar um cristão pode ser até o desprezo dos mais próximos? Quem vai expor um evangelho que implica em de-cisão? Quem vai expor um cristianismo que diz que cristão é Sal da Terra e não terra, é Luz do Mundo e não trevas? Quem vai expor um evangelho que é considerado loucura? Não se fala mais de Missão Evangelizadora. Muitos hoje confundem ação social com missão evangelizadora. É bom lembrar que quando Paulo teve a visão do varão Macedônio que o chamava a passar pela Macedônia e ajudá-los ele não pensou em cestas básicas, mas sim em pregar o Evangelho que redimi, que salva. Não estou dizendo que não devamos fazer ação social. Podemos e devemos fazer isso, mas só isso não é evangelizar.

Louvamos a Deus porque ainda há alguns que não se curvaram diante dos profetas de Baal e do próprio Baal. Louvamos a Deus por aqueles que, mesmo vivendo no isolacionismo, no ostracismo e excluídos, não se deixaram seduzir e iludir. Louvamos a Deus porque a verdadeira Igreja Cristã ainda permanece lutando contra as portas do inferno ainda que ela venha sutilmente travestida de porta de Igreja.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A MULHER SAMARITANA E A ADORAÇÃO


O resultado do encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó, deixa claro o sentido das palavras: “E era-lhe (Jesus) necessário passar por Samaria”. (João 4.4). Na verdade quem queria ir da Judéia para a Galiléia, ou vice-versa, em uma distância que cobria 200 Km, faria o percurso em apenas 3 dias se passasse por Samaria. Todavia, os judeus preferiam contornar Samaria aumentando em 3 dias a caminhada, além de atravessarem o sinuoso rio Jordão por duas vezes. Samaritanos e Judeus não se davam muito bem. As razões são variadas, mas a principal delas é que os judeus consideravam os samaritanos  impuros.

Assim, “...era-lhe necessário passar por Samaria”, implica em que Jesus, um judeu, tinha algo para fazer naquela cidade samaritana e isso estava dentro dos planos eternos do Pai. Na verdade assim como Jesus encontrou Zaqueu que se aninhava naquele sicômoro para vê-Lo, o mestre encontrou a mulher que ao meio dia foi buscar água naquele poço, de tanta história para Judeus e Samaritanos. E João registrou esse encontro inspiradamente.

João foi o evangelista que escreveu para a mente grega e procurou ensinar, mais do que qualquer outro que Jesus é o próprio Deus. Entretanto aqui nesse texto ele enfoca a humanidade de Jesus de uma forma extraordinária. Ele mostra um Jesus cansado, com fome. Ele fala de um Jesus que mesmo sendo judeu quebra as convenções dos seus dias ao falar com alguém de Samaria; e esse alguém era uma mulher. A situação é mais densa quando o judeu pede algo àquela mulher samaritana. Essas atitudes deixam a mulher boquiaberta.

No transcorrer daquele inusitado diálogo a mulher percebe estar diante de alguém que era mais do que um simples judeu. Ela compreendeu que se tratava de um profeta e sua alma, de mulher excluída e pecadora, revela um notável interesse de cunho teológico que tinha a ver com a adoração a Deus. Jesus, mui gentil e amorosamente, ensina àquela mulher que 

(1) Os adoradores verdadeiros são aqueles que conhecem a Deus o Pai na intimidade. Não basta saber coisas sobre Deus, é preciso conhece-Lo na intimidade. Conceitos e concepções equivocadas sobre Deus irão produzir liturgia equivocada. Parece-me que isso tem sido uma marca distinta dentro do Cristianismo. Temos muito som e pouca reflexão, muitas declarações sem consistência bíblica.

Jesus ainda ensina que (2) na adoração o “como” é mais importante do que o “onde”. Jesus ensina que se você adora em Espírito e Verdade, não importa, necessariamente, onde. Nós pecadores temos uma natural tendência que é a de desviar o foco, ou seja, tiramos nossa atenção daquilo que realmente é prioritário e necessário para convergirmos nossa atenção ao que é secundário e supérfluo. 

Mas há algo denotativo a respeito desse “como” que fica implícito, ou seja; (3) adoração é mais um estilo de vida do que um momento comunitário estanque. Pensar que adoração é só aquilo que acontece quando o povo de Deus se reúne é um equívoco. Se não houver culto na vida (adoração na vida), não haverá vida no culto (vida na adoração comunitária). 

Jesus passou por Samaria para deixar esse ponto claro e para conduzir o coração daquela mulher à verdade. Oramos para que Ele encontre teu coração igualmente apto e sensível para acolher seus incomparáveis ensinos. Amém!!!

O CÂNTARO DEIXADO PARA TRÁS....



Aquela mulher samaritana deixou seu cântaro e foi à cidade dizer àqueles homens que ela havia encontrado alguém que bem poderia ser o Messias, o Cristo tão aguardado. Ela sentia que estava agora diante do Messias. Até os samaritanos esperavam a vinda daquele profeta que seria maior do que o próprio Moisés. E parece que aquela mulher, apesar de certo desajuste moral, tinha conhecimento a respeito desse assunto e deve ter ficado atônita quando aquele judeu com quem conversava disse: “Eu, o sou. Eu o que falo contigo”. Ao que me parece ela aguardava também a chegada do Messias por nutrir no peito o anseio de que esse Messias poderia dar a ela um novo rumo, uma nova vida, perdoar seus erros e permitir que ela pudesse ser outra pessoa. E eis que ela agora está diante daquele que diz ser o Messias.


Admitamos; foi uma descoberta e tanto. Ela então deixou o seu cântaro e foi à cidade. Era o melhor que ela poderia fazer. Ela tinha que contar a outros para que os outros pudessem corroborar com ela de sua impressão. Provavelmente ela esperava que alguém confirmasse sua descoberta e lhe dissesse: “Sim, eis que ele é o Messias, o Cristo”. Parecia que ela tinha diante de si um medicamento que iria curar todas as suas feridas e ela queria ter certeza de que ele poderia fazer isso.


Aquela mulher havia ido buscar água para matar sua sede do corpo e encontrou aquele que podia matar a sede da alma, do coração. Tamanho benefício deveria ser compartilhado. Ela então foi à cidade e sem cerimônia disse: “Vinde comigo e vede um homem que disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo? Saíram, pois, da cidade e vieram ter com ele”.

Chamo a atenção de todos aqueles que já publicaram sua fé em Jesus. Quero inquiri-los nos seguintes termos: “Já disseste às outras pessoas que te encontraste com o Messias? Já disseste a elas que o Messias sabia quem você era e o que tinha feito? Já disseste a elas que Ele trouxe alívio ao teu sofrimento, esperança ao teu coração, prazer em continuar vivendo?”.

Se você tivesse uma doença mortal e alguém lhe desse um medicamento que curasse você e salvasse sua vida da morte, você se calaria a respeito desse medicamento à outras pessoas que estão com a mesma doença e prestes a morrer como você estava? Creio que isso se aplica perfeitamente aqui.


A mulher samaritana revelou profundo senso de renúncia ao deixar o cântaro e ir à cidade. Ela revelou sentir que o melhor a ser feito era contar ao outros o seu grande achado. Ela percebeu que ir à cidade era algo que não podia esperar, era algo urgente. Façamos o mesmo, prezados irmãos em Cristo, pois a omissão de socorro é pecado.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O CASO PATRÍCIA MOREIRA E A PRESIDENTE (A)

Sempre entendi que a lei deve ser cumprida. A lei é o instrumento que têm como objetivo precípuo, em meu entendimento, garantir isonomia nos deveres, direitos e nos privilégios. A lei determina os limites, as fronteiras, até onde podemos ir. Ultrapassar esses limites implica em quebra da lei e para que não ocorra o caos, a desordem, a ética determina que aquele que infringiu, aquele que agiu fora de lei, seja punido em um ato pedagógico que corrige e educa.

A lei deve ser aplicada com severidade, mas na medida justa. Leis aplicadas com severidade, mas em uma dose excessiva irá produzir revolta, inconformismo, tristeza, e insatisfação. Uma lei que não leva em consideração a misericórdia é desprezível. A Bíblia fala com sabedoria singular na Carta de Tiago, irmão de Jesus: "Porque o juízo será sem misericórdia para quem não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo". (Tiago 2.13) Quando a lei é maior do que o homem ela se desumaniza, se torna natimorta, porque a lei deve garantir a humanidade.

Não basta que existam leis, é preciso saber aplicá-la na dose correta, no momento certo e em muitos casos não visando apenas a correção do faltoso, daquele que infringiu a lei, mas que sirva de advertência a todos que do fato têm conhecimento, como exemplo, ao saberem que se agirem da mesma maneira sofrerão, justamente, a mesma penalidade.

Na aplicação da lei é preciso que analisemos os fatores atenuantes e agravantes quando a lei foi quebrada quando ilícito se tornou concreto, real e provável.

Que Patricia Moreira quebrou a lei, parece a todos nós algo indiscutível. Que existe legislação que precisa ser aplicada nesse caso e em outros similares, não só no Brasil, mas em todo mundo, não resta dúvida. Todavia, ao que me parece, há neste caso um clamor popular, uma sede de vingança, um desejo de justiça a qualquer preço que podem prejudicar a isonomia na aplicação da lei.

Em primeiro lugar sou contra usar esse caso como modelo para o que se pretende daqui para frente. Ou seja; não seria sábio crucificar a jovem. Já tivemos casos até pior do que esse e então é preciso ser prudente e coerente no julgamento dessa questão. Vamos devagar!!! Não é preciso pressa. A pressa é inimiga da perfeição e o apressado come cru, dizem os ditados populares tão conhecidos e, creio, devam ser aplicados aqui.

Em segundo lugar é preciso que saibamos que essa moça tem bons antecedentes, tem família, tem trabalho, tem amigos, inclusive muitos deles negros, tem um futuro. Destruir esse futuro por um ato impensado, isolado, acontecido e gerado em meio à multidão, (e como já escrevi multidão não tem razão e nem coração), creio que faria o remendo ficar pior do que o rasgo.

Terceiro.....É bom ir devagar com essa sede de "justiça" porque está mais me parecendo um clamor popular em prol de vingança. Não quero jogar lenha na fogueira, mas um dia andando no centro de São Paulo encontrei um amigo meu de infância que vestia uma camiseta onde se lia: 100% Negro. Então eu disse a ele: - Querido: o que você pensaria de mim se eu saísse de casa com uma camisa na qual estivesse os seguintes dizeres: 100% Branco? Bem ele olhou com os olhos arregalados para mim e não respondeu. Seguiu o seu caminho e eu o meu.

Que Patrícia Moreira errou não é preciso ser jurista renomado para deduzir. Que ela, e todos que a circundavam devem ser punidos, igualmente não há dúvida, mas vamos devagar com o andor porque o santo é de barro. 

É por fim, me parece uma grande, enorme e terrível injustiça condenar duramente essa moça, que no momento em que seu time perdia para o seu adversário, sem poder entrar em campo e fazer alguma coisa para reverter o resultado, decidiu gritar slogans racistas para tentar desestabilizar o adversário de sua agremiação de coração, quando encontramos políticos nessa nação que roubam de forma desavergonhada, presidenta que assina e diz que não sabia o que estava assinando, saírem sem nenhuma punição e ainda, no caso da presidente, candidata a reeleição. 

Condenemos a todos, mas na dose certa porque até medicamento em dose exagerada é veneno e mata. 

Interessante.....ambas são de lá do RGS. Mas cuidado para não pensar regionalisticamente porque isso pode ser um tipo de discriminação, também.

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

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O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

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