sexta-feira, 28 de novembro de 2014

THAT'S LIFE...MY LIFE...MY FAMILY (CAPÍTULO II - MAMÃE YOLANDA)

Com certeza o espaço aqui é pequeno para o tanto que poderia escrever sobre minha mãe. Se eu tivesse que definir minha mãe com uma palavra eu usaria - CORAGEM. Sim, minha mãe era uma mulher corajosa, destemida, guerreira.

Enquanto papai era homem de poucas palavras, mamãe tinha o dom da palavra. Ela falava muito bem e eu adorava ouvir mamãe recitando suas poesias longas dos seus tempos de garota. Mamãe morreu lúcida nos altos nos seus quase 81 anos de idade. Mamãe viveu lúcida, cônscia, sempre atenta a tudo que acontecia ao seu redor.

Yolanda Dalceno Aiello nasceu na cidade de Lins, mas viveu grande parte de sua vida como solteira na cidade de Marília. Ela era filha de napolitanos, José Dalceno e Emma Zanqueta. Ela tinha dez irmãos e hoje, dos dez, apenas tia Duzolina está viva. No último dia 08 de Novembro de 2014 participei da festa do 80º aniversário da tia Nega (Duzolina), como nós a conhecemos.

Mamãe foi convertida no templo da Igreja Cristã do Brasil no bairro do Brás, mas se tornou membro da Igreja Evangélica Congregacional do Belém na rua Cesário Alvim. Essa Igreja ainda está la. Eu fui apresentado quando tinha aproximadamente dois anos de idade pelas mãos dos Rev. Josué de Oliveira na Igreja Evangélica Congregacional do Moinho Velho, hoje Igreja Evangélica do Ipiranga. 

Mamãe foi também, por muitos anos, membro da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Gonzaga. Lembro-me dela ser uma competente presidente da União Auxiliadora Feminina por pelo menos quatro anos consecutivos só deixando a presidência por conta dos problemas enfrentados na família com a enfermidade de papai.

Minha mãe tornou-se Presbiteriana e foi membro da Igreja Presbiteriana de Vila Buenos Aires atuando na Congregação do Jardim Popular e seu nome está lá na lista de membros fundadores da Igreja Presbiteriana do Jardim Popular. Seu corpo foi velado naquela Igreja e dali levado para descansar no Cemitério Jardim do Carmo II no dia 01.09.2012. Mamãe descansou dos seus labores no dia 31.08,2014, na madrugada de uma quarta-feira.

Dos feitos notáveis de mamãe deixo registrado aqui a conversão dos seus dois maridos: Vicente Aiello, falecido em 14.02.1974, com quem viveu aproximadamente 21 anos e Adonai Guimarães de Souza, ainda vivo e com quem teve o privilégio de viver 36 anos. Ambos foram convertidos pela instrumentalidade de mamãe. Claro que casamento não é campo missionário, mas tanto meu pai quanto o meu padastro não tinham chance diante do espírito obstinado de mamãe. Adonai eu tive o privilégio de batizar e ordenar ao Diaconato. 

Mamãe criou sete filhos. Quatro filhos do primeiro casamento - José Luiz, Mauro, Paulo e Luci Irene. E do segundo casamento ela adotou as três filhas do Adonai: Cristina, Dulce e Rita. Mamãe foi SUPER-MÃE. Atenciosa, protetora, dedicada. Certa vez ouvi dizer que mãe é aquele figura notável que tendo três filhos à mesa e apenas três pedaços de pão logo declara que não gosta de pão. Mamãe era assim: tirava de sua própria boca para alimentar os filhos. 

Quando eu entrei no segundo ano do grupo escolar, a professora enviou a lista de material que meus pais deveriam comprar. Como disse, éramos muito pobres do ponto de vista financeiro. Então mamãe pegou a lista e foi à lojinha do Seu Toninho. Ela pediu que ele lhe vendesse fiado e que ela pagaria assim que pudesse e o mais rápido possível, Jamais me esquecerei das duras palavras daquele homem: - Perdoe-me dona Yolanda, mas aqui não é banco. Não vendo fiado para ninguém. Nunca me esquecerei das lágrimas que correram dos olhos de mamãe naquele dia. Voltamos para casa sem falarmos qualquer palavra um para o outro e durante muito tempo me culpei por ter pedido à mamãe que comprasse meu material escolar.

Yolanda era uma mulher de oração. Ceta vez levado pela curiosidade tentei entrar em seu quarto. Naqueles tempos nossa educação era severa. Não entrávamos no quarto dos meus pais a menos que eles permitissem e não nos sentávamos na cama do casal. A porta estava fechada e eu podia ouvir mamãe falando alto. A curiosidade me fez abrir a porta e descobrir mamãe de joelhos orando por seu marido e por seus filhos. Em casa de minha mãe quem orava era ela. E orava com fervor e fé. Ela falava com Deus revelando uma profunda intimidade com Ele. Conheci poucas pessoas assim na oração.

Minha mãe desenvolveu uma diabete terrível por conta de ter que tomar corticoide por muitos anos por causa da sarcoidose, enfermidade contraída da indústria de seda em Marília onde trabalhou. Essa tal diabete levou a saúde de mamãe embora, mas mesmo assim ela durou 81 anos. Sofrendo com problemas cardíacos, a visão que se apagou aos poucos e a surdez fizeram de mamãe uma mulher dependente do seu fiel escudeiro, seu Sancho Pança, Adonai, a quem deixo aqui registrado meu agradecimento e tributo. Ele foi com mamãe até o fim. Ela morreu amparada por seus braços. Obrigado meu querido Adonai. Quero dizer e deixar aqui esse depoimento de minha gratidão e carinho.

No dia 28 de Agosto de 2014 fui visitar mamãe em sua casa depois de um período de duas semanas em que ela esteve internada no Hospital Dante Pazzanese em São Paulo. Era uma segunda-feira e eu gravei (filmei) aproximadamente 50 minutos em que mamãe insistia em se manter de cabeça debruçada sobre seus braços. Eu perguntei para ela: - Que isso mamacita, porque você está assim de cabeça baixa? Você nunca foi assim. Você foi sempre de ficar firme e olhar bem dentro do olho da gente. E ela me disse algo que era como que um prenúncio de sua partida que ocorreu na madrugada da quarta-feira subsequente: - Mauro, meu pescoço já não suporta mais o peso de minha cabeça.

Mamãe era profunda conhecedora da Bíblia, pregava muito bem e era, como já disse, uma mulher de oração. Não era de ficar com fofocas na Igreja e em nossa mesa nunca nos foi permitido criticar a liderança da Igreja. Os Pastores que pastorearam minha mãe foram respeitados e queridos por ela. Nunca vi mamãe criticar um Pastor ou mesmo falar mal da Igreja, desta ou daquela pessoa. Ela sempre tinha comentários elogiosos às pessoas. Rev. Ivan, Rev. Raimundo Montenegro, Rev. Evandro, Rev. Wanderley Donizetti (este foi seu último Pastor na terra) podem atestar a veracidade de minhas palavras. Meu irmão querido, o Rev. Evandro Luis da me Silva disse certa vez: - Maurão se eu pedir para sua mãe orar antes do sermão não terei mais sermão para pregar. 

Mamãe não será canonizada, mas ela era um mulher fiel ao Senhor Jesus. Seu testemunho de vida cristã foi marcante para minha vida. Depois que meu pai morreu, mamãe saiu à luta e foi trabalhar. Trabalhou nas lojas Eron, na rua Direita, nas lojas de tecido Cid e encerrou sua carreira como vendedora de Carnês do Baú da Felicidade no Vale do Anhangabaú. Depois que mamãe foi trabalhar nossa vida financeira melhorou substancialmente. Ela sempre ajudou seus filhos, noras, genros e netos. Não nos deixou faltar absolutamente nada. Ela trabalhou quatro anos a mais para poder me ajudar em meu tempo de Seminário. Durante quatro anos, todos os meses, ela e o Adonai trouxeram as compras com as quais todos de minha casa, eu, minha esposa e meus três filhos fomos alimentados e muito bem alimentados. Depois que me formei, mamãe se aposentou. Não há como pagar algo assim. Sempre quando me vejo diante das inúmeras situações que são profundamente desmotivantes no ministério eu me lembro que Yolanda trabalhou quatro anos a mais para que eu me formasse com dignidade. Então, por causa disso também, eu continuo firme.

Quero deixar aqui registrado também, minha enorme gratidão a todos os membros da Igreja Presbiteriana do Jardim Popular por todo carinho e respeito devotados à minha mamãe. Com certeza ela amava todos vocês e orava por vocês. Sou muito grato pelos anos que ela esteve com vocês e por tudo que fizeram por ela.

Que fique registrado que Yolanda é sinônimo de Coragem. Que seja registrado que eu tive uma mãe cristã que gerou um filho duas vezes. Como é bom ter a esperança de que ainda estaremos juntos, de que nem tudo acabou, que vivemos apenas um pedaço pequeno da eternidade que Deus colocou em nossos corações! 


Nos vemos em um dias desses mamacita.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

THAT'S LIFE. MY LIFE.....MY FAMILY. (CAPÍTULO I - PAPAI VICENTE)

Nasci em 26 de Julho de 1954. Uma segunda-feira de chuva e frio. Nasci na Maternidade Leonor Mendes de Barros no bairro do Belém em São Paulo. Quando escrevo isso eu fico a pensar na alegria que deve ter tomado conta do coração dos meus pais, Yolanda e Vincenzo Aiello. Sim, porque eu vibrei com o nascimento dos meus filhos e agora com o nascimento dos meus netos. 

Papai era um calabrês vindo direto da Itália e ela minha mãe era filha de napolitanos. Se conheceram e se casaram em Marília, interior de São Paulo. 

De minha infância me recordo de ter vivido em um cortiço no bairro de Água Raza, depois em uma casa na Av. Conselheiro Justino, próximo da rua do Hipódromo, perto da Pça Keneddy no bairro da Móoca. De lá mudamos em 1959 (não sei precisar o mês) para o bairro do Jardim Popular na Zona Leste de São Paulo. No bairro do Jardim Popular as ruas tinham nomes de flores e eu morei por 21 anos na rua Amor Perfeito número 18. Uma rua de terra onde só havia umas cinco casas. Meus pais adquiriram aquela casa e a pagaram com muito sacrifício. Quando nos mudamos para lá, não havia energia elétrica, nem água encanada e nem esgoto. A luz era produzida pelos lampiões ou velas, a água era tirada de um poço içada por meio de um barril amarrado em cordas no sarilho. O esgoto era uma foça cética aberta na frente da casa, há uns oito metros de distância do poço.

Quando nasci eu já tinha um irmão mais velho do que eu um ano e sete meses. O José Luiz Aiello. Ele nasceu em 15 de Dezembro de 1952 na cidade de Marília. A família constituída por meus pais teve ainda a chegada do Paulo e da Luci, nascidos nove anos e dez anos e sete meses de mim, respectivamente. Éramos, portanto, até papai partir no dia 15 de Fevereiro de 1974, em seis pessoas morando naquela casa.

Papai era um homem cheio de virtudes e habilidades. Trabalhava bem com as mãos. Podia ser um bom carpinteiro, trabalhou como pintor hidráulico na Fontoura Weight em São Bernardo do Campo onde era o Maestro da Banda daquela Indústria Farmacêutica. A música era sua maior paixão. Ele era um excelente trombonista de vara. Tinha uma boa embocadura, bom pulmão. Papai sempre quis trabalhar só com música. Ensinou música aos seus irmãos e deu, a mim e ao meu irmão José Luiz, aulas de teoria musical. Papai tocou em algumas orquestras de boates como a 28, Som de Cristal e Avenida. Ele também trabalhou para o Juca Chaves como músico de uma bandinha.

Papai morreu vitimado por um câncer que o consumiu por completo. Eu tinha apenas 19 anos quando me despedi de papai. Éramos muito bons amigos. Ele me chamava de Maurinho e muitas vezes pediu a mim que cuidasse de meus irmãos mais novos e ajudasse minha mãe quando ele tivesse partido. Minha mãe não lhe escondeu que ele tinha câncer. Recordo-me da conversa de minha mãe na madrugada em que disse: -Vicente; os médicos disseram a você que sua doença é uma úlcera, mas o que você tem de verdade é um câncer e eles me disseram que você tem mais ou menos seis meses de vida. Silêncio!!!! Então ouvi meu pai chorar. Essas coisas marcam nossas vida e doem sempre quando nos lembramos delas. Não sei precisar quanto tempo depois papai viveu, mas ele superou em muito os seis meses que os médicos lhe deram de vida. Viveu com muitas dores. Quando o vi deitado sobre aquela pedra com seus lindos cabelos brancos, muitos esbranquiçados pela dor e o sofrimento, o abracei, acariciei seus cabelos e dei meu último beijo em meu velho amigo. Sempre senti sua falta, falta daquele som limpo que ele tirava em seu trombone, falta de vê-lo se pentear e se arrumar, falta de ver o quanto ele amava minha mãe e a nós seus filhos. 

Papai viveu exatamente 59 anos. Morreu jovem. Sei disso porque eu não me sinto velho tendo já alcançado a marca dos 60 anos de idade. Papai era um homem recatado, de poucas palavras e muito honrado em seus negócios. Não fazia dívidas e nem traia seus amigos. Era sentimental. Eu o vi chorar diversas vezes ao se lembrar de sua infância dos seus pais, irmãos e família. Eu vi o quanto ele amava meu irmão mais velho, o José Luiz Aiello. 

Lembro-me do dia em que fomos ao bairro da Penha para comprarmos uma bola de capotão. Naqueles dias eram feitas de couro e costuradas à mão. Compramos em uma loja que ainda está lá. Ao voltarmos para casa passamos em um açougue e pedimos sebo para o açougueiro para poder passar no couro da bola e assim garantir sua longevidade. Ao chegarmos em casa usamos a bola para fazer embaixadas e papai se divertiu conosco.

Lembro-me também de que papai tinha uma filosofia: - Boa ave-maria faz quem em sua casa está em paz. Por isso minha mãe dava banhos em nós antes do papai chegar. Mamãe nos trocava (roupas bem simples) e esperávamos meu pai chegar. Ao chegar ele fazia sua higiene, se assentava à mesa e comíamos juntos, momento no qual papai era inteirado dos acontecimentos daquele dia. Papai tinha o hábito, depois de terminar de comer: cruzava o garfo com a faca no meio do prato, batia as duas mãos nas bordas da mesa e dizia: - Com a graça de Deus estou satisfeito. Ficávamos mais um pouco na mesa conversando e depois ele mandava com que fossemos dormir. Até o sono pegar eu e meu irmão ficávamos ouvindo a conversa dos meus pais e as risadas que eles davam de coisas engraçadas que não entendíamos.

Eu creio que puxei muitas coisas do meu pai. Sou sentimental como ele; amo música como ele; amo família como ele amava a minha mãe, meus irmãos e a mim. Para ele éramos tudo o que ela mais queria ter por perto. 

Eu agradeço a Deus o pai que ele me deu e as impressões que ele me deixou sobre a vida. Papai conheceu Jesus como seu Senhor e Salvador pouco tempo antes de partir. Ele foi batizado em seu leito antes de morrer. Tenho orgulho do meu pai e de sua vigorosa fé em Jesus. Ele dizia diversas vezes aos médicos e enfermeiros que não via a hora de deixar aquele corpo que podia se deteriorar para poder contemplar o rosto do seu amado salvador. Mamãe me contou que no dia em que papai morreu o médico da ala onde ele ficou internado no hospital Brigadeiro reuniu os médicos e os paramédicos e disse: - Façamos um minuto de silêncio porque hoje morreu um homem neste hospital. Papai havia pedido ao enfermeiro que cuidou dele naquele dia, lá por volta das 10H00, que caprichasse no banho porque aquele seria seu último banho. E foi....Minha mãe estava ao lado dele quando papai expirou. Era por volta das 13H00; ela o abraçou e orando a Deus disse: - Senhor, em teus braços entrego o Espírito do meu querido esposo. E papai se foi....Foi tranquilo sereno. Fechou seus lindos olhos azuis da cor do céu aqui para abri-los na eternidade. 

Escrevo isso aqui....pode ser que minha mente um dia falhe e eu então possa reler e me lembrar. Escrevo isso aqui para que você valorize teu pai enquanto você o tem ao teu lado e ainda pode dizer o quanto você o ama. Escrevo isso aqui porque acredito na instituição chamada família como Deus a concebeu ainda que muitos tentem destruí-la de forma vergonhosa  e odiosa.

Louvado seja Deus por sua preciosa vida Vicente Aiello, meu pai.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AÇÃO, ASSISTÊNCIA SOCIAL E EVANGELIZAÇÃO

Se você for ler a Bíblia sem o natural preconceito, certamente você terá diante dos seus olhos e para o deleite do seu coração verdades eternas que, se por um lado apontam um melhor e seguro caminho por onde devemos ir, por outro lado, também, destroem alguns dos nossos postulados e conceitos sobre a vida.

Veja, por exemplo, o depoimento que Lucas dá a respeito da Igreja em Jerusalém no texto de Atos 2.42-47. Naquela Igreja o temor de Deus era tão grande que as pessoas se serviam umas das outras de tal maneira solícita que todos tinham tudo em comum. Veja que eu disse solícita. Poderia dizer voluntária. Ninguém fazia qualquer coisa para ajudar a Igreja e promover a comunidade, por constrangimento.

Esse ponto é tão importante, mas tão importante, que temos no capítulo cinco do livro de Atos um exemplo notável de um casal que pensou em contribuir com a Igreja, mas fazendo isso com uma motivação diferente. Parece-nos, salvo outro entendimento, que Ananias e Safira viram o que os outros faziam de forma voluntária e raciocinaram assim: "Parece que vai pegar mal não fazermos nada quando todos fazem alguma coisa. Vamos vender aquela propriedade e dar uma parte à Igreja e ficar com uma outra parte. Assim parecerá a todos que estamos agindo como eles". E foi isso que fizeram. O resultado não poderia ter sido pior. Primeiro morreu Ananias e logo em seguida morreu Safira. Perderam tudo, inclusive a própria vida.

O comunismo praticado na Igreja de Jerusalém descrito tão notavelmente por Lucas não era imposto e nem algo obrigatório, mas sim voluntário. Sim voluntário! Ninguém era obrigado por lei ou por qualquer instituição a abrir mão do que tinha a mais para favorecer os menos privilegiados. O que os constrangia a agir assim era o amor a Deus que redundava em amor ao próximo. Parece que era cumprido o mandamento sintetizado nas palavras: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo". (Lucas 10.27 - BKJA).

O amor verdadeiro (I Cor. 13) é um ato completo. Sentir pena das pessoas não quer dizer que você as ama. Somente o amor de Deus em nossos corações, nos leva a agir de forma efetiva procurando fazer algo em favor dos menos privilegiados socialmente. E esse amor só o verdadeiro cristão conhece e pratica. Eu fico imensamente triste em ver que há "cristãos" que parecem ter uma enorme preocupação com a situação social de algumas pessoas, mas que não mostram nenhum interesse em falar sobre Jesus para elas. Talvez esses "cristãos" não estejam tão convencidos da diferença que Jesus pode fazer na situação social de uma pessoa.

A Ação Social, o projeto assistencialista, pode tirar uma pessoa de dentro de um barraco em meio a uma favela, mas só Jesus pode tirar a pobreza e a favela de dentro da pessoa. A pior pobreza está na alma e não no bolso. Vou dar uma ilustração a respeito disso:

Se você estiver com febre por causa de uma infecção causada por uma bactéria, não basta tomar um antipirético (medicamento que tira a febre). O que você precisa fazer é tomar um antibiótico que elimine a bactéria. Eliminando-se a bactéria, os sintomas da infecção serão eliminados também. Aplicação: Assim, sou do entendimento que o mundo precisa de Deus, de Cristo Jesus. Se você não testemunhar de Jesus com sua vida e lábios e der arroz, feijão, roupas e moradia a pessoa não morrerá de fome, mas irá para a eternidade sem Deus e esse sangue Deus irá cobrar de suas mãos.

Entenda bem! Desarme-se! Não sou contra a ação social e a assistência social. O que estou dizendo aqui é que (1) devemos fazer isso de forma holística, ou seja, pensando na pessoa por completo, não apenas no seu estômago. Alimentar o estômago e não fazer nada para evitar que ele vá para o inferno soa mesmo um tanto hipócrita, (2) a Igreja e o Cristão têm sobre seus ombros a intransferível tarefa de testemunhar de Jesus (Mateus 28.18-20) seja em que circunstância for, tanto para ricos quanto para pobres e (3) também não me parece honesto fazer da ação e assistência social um meio de aproximação quando no final das contas a intenção é evangelizar, pregar o evangelho e; (4) Que valor haverá em ajudarmos aos estranhos e maltratarmos os da família da fé? Tenho visto na Igreja, com imensurável tristeza, muitos hasteando a bandeira da ação social aos que são de fora, mas são desleais nos seus relacionamentos dentro da Igreja, quebram a unidade, são irreverentes e não respeitam as autoridades eclesiásticas, são difamadores, altercadores, beligerantes e demonstram um total descaso com respeito à Igreja local (Provérbios 6.16-19)

Paulo teve uma visão de um varão macedônio que lhe pedia que passasse à Macedônia e os ajudasse. Isso aconteceu na segunda viagem missionária de Paulo (Atos 16.6-10). É notável observar que imediatamente Paulo se dirigiu àquela região porque havia concluído que Deus os havia chamado para pregar o evangelho ali. E então eles foram! Lídia e sua casa, o carcereiro e todos os seus, foram convertidos e batizados e é possível que muitas outras pessoas também tenham sido regeneradas naquela cidade. Por certo a Ação Social (distribuição de alimentos, roupas e outras ações) é sempre bem vinda no seio da Igreja, mas a Igreja não foi instituída por Deus para essa atividade. Fomos chamados para sermos, sob o poder do Espírito Santo, testemunhas de Jesus (Atos 1.8). Não é o alimento ou as roupas que podemos doar, ou qualquer outra ação que possamos praticar no campo da Assistência Social que irá regenerar uma pessoa, mas sim o evangelho pregado com a vida e com os lábios (Efésios 1.13). Não confundamos Assistência Social com Pregação do Evangelho. Ambas podem ser praticadas concomitantemente, mas Ação Social sem Evangelização efetivada pelo exemplo de vida e pelo uso correto e eficiente das Escrituras é o mesmo que vestir um morto com roupas de grife. Há entre nós alguns que, digo isso com tristeza, não crescem espiritualmente, não ser aprofundam no conhecimento das Escrituras e por isso se tornam presas frágeis aos “professores” de universidades cheias de filosofias alheias e estranhas ao cristianismo. A questão toda é o quadro referencial. Alguns mais sinceros vivem terríveis experiências de crises existenciais por fazerem uma leitura equivocada a respeito da função e existência da Igreja.

Talvez minhas considerações pareçam ser duras, mas lhe afianço que não é assim. Eu mesmo ascendi de uma classe social bastante humilde e da qual não me envergonho. Não é vergonhoso ser pobre socialmente. Jesus nasceu em um lar de pessoas simples e numa nação conquistada e explorada. O mundo jamais conheceu alma e coração tão ricos quanto os de Jesus. Enquanto você aponta seu dedo na direção daqueles "cristãos insensíveis" e que não fazem nada para melhorar a situação social de uma pessoa, há no ar uma pergunta muito mais cruciante e absolutamente importante: Onde estão os teus filhos espirituais? Onde estão aqueles que, por tua vida, conheceram Jesus como Senhor e Salvador?

Não se engane prezado leitor: o Diabo é pródigo em tirar nossa atenção daquilo que é realmente necessário, daquilo que é premente fazer. Nem comunismo e nem capitalismo podem tirar uma pessoa do nível de pobreza. Somente o evangelho, puro e simples das Escrituras pode e tem o poder e a capacidade de redimensionar a vida de quem quer que seja. O evangelho pode fazer o rico (Zaqueu) abrir mão de sua riqueza, voluntariamente e sem nenhum tipo de constrangimento, e pode fazer o pobre se sentir um homem abastado e satisfeito.

Cristo deve vir em primeiro lugar. O Seu reino de vir em primeiro lugar. Somente em Cristo devemos colocar nossas esperanças, pois a Bíblia nos afiança que o céu vem depois de nossa morte e o novo céu e a nova terra serão realidades inimagináveis que acontecerão após nossa plena redenção após a nossa ressurreição. Então habitaremos nessa nova terra sob a regência do próprio Cristo. Tal visão é maravilhosamente descrita no livro de Apocalipse em que esse novo céu e essa nova terra são descritos: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Apocalipse 21.3,4)

Fala-se tanto em Ação Social e Assistência Social. Nestas eleições ouvi alguns pérolas assacadas contra a Igreja e contra os cristãos. Nós cristãos não nos recusamos a estender a mão aos menos privilegiados. As portas das Igrejas evangélicas são franqueadas e nelas podem entrar pessoas abastadas e pessoas pobres. A Bíblia no exorta a que tratemos todos com isonomia e igualdade e pecam aqueles que assim não agem. Tiago, meio irmão de Jesus exortou a Igreja de seus dias que cometiam o pecado da discriminação (Tiago 2).

Todavia, a ação social e a assistência social não substituem a Evangelização, nem são, ao menos, complementares e tampouco devem servir de arcabouço para nosso testemunho cristão. O que nos leva a ação social e à assistência social é o amor de Deus derramado em nossos corações. Sem esse amor motivador, não passamos de pessoas mal intencionadas com boas ações.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O NEO PENTECOSTALISMO NÃO É IGREJA EVANGÉLICA

As igrejas que adotam como sistema teológico os princípios neo pentecostais (principalmente a teoria da prosperidade) não podem e nem devem se rotular de Igrejas Evangélicas. Definitivamente, elas não são evangélicas! 

O termo evangélica vem de "evangelho" que é quer dizer "boas novas", "boas notícias". O que é que há de novo no neo pentecostalismo? Nada, absolutamente nada. Ele é tão antigo quanto o pecado. Ele não é novo. É uma lamentável e enganosa tentativa de antecipar o céu, mas o céu não é aqui. Aqui continua sendo o campo de dores e de pecadores, de combate, de conflagração, de luta contra o pecado, um combate da luz contra as trevas, da verdade contra a mentira, da Igreja contra o Mundo, de Jesus e sua Igreja contra o Diábo (a Besta e o Dragão) e o Mundo. Não há diálogo e nem meio termo. Não há possibilidade de comunhão. O evangelho é a boa notícia de que todos os que se perfilarem ao lado de Cristo, são mais que vencedores e irão habitar o novo céu e a nova terra. O evangelho é a boa notícia de que aqueles que nasceram de novo serão bem sucedidos no Dia Glorioso da Volta de  Cristo porque eles ressuscitarão para a Glória Eterna e os que se perfilaram ao lado dos terríveis batalhões do Maligno, irão ressuscitar para o horror eterno.

Nada há de novo na "teologia" neo pentecostal. Ela é centrada no homem. Ela é idêntica àquela da Igreja que começou nos dias do Imperador Constantino e que viveu a experiência da ruptura com o nascimento das Igrejas Reformada, chamada de Igrejas Protestantes. A Igreja neo pentecostal é eivada de fetiches, superstições, egocentrismo e egoísmo, luxúria do clero, soberba. Tudo isso é antigo demais e é isso que vemos nessas igrejas neo pentecostais. Isso se parece em demasia com a Igreja da idade média da qual saíram os reformadores. Aquela era (e ainda é) uma Igreja que vivia na crença de que a Igreja é maior que a Escritura, que o homem pode ser transformado pelo Espírito Santo e habilitado à prática de uma vida piedosa e assim pode ser justificado, que a salvação é oferecida gratuitamente, mas que o homem participa dela, que Cristo precisa de alguém mais (Maria) como co-redentor. Se você pensa que isso é um absurdo eu te aconselho a ver esse depoimento de Edir Macedo. Veja a que ponto a loucura de um homem pode chegar: 



"Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito" .Os Cinco Solas da Reforma - Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria = por Declaração de Cambridge. http://www.monergismo.com/.

Sempre que eu passo pelo dia 31 de Outubro eu me lembro da Reforma Protestante do Século XVI e agradeço a Deus, do fundo do meu coração pelo que aqueles homens corajosos fizeram. A Escritura foi, então, colocada acima da Igreja e das Tradições. A Fé foi declarada como o alicerce de nossa Justificação. A Graça, e tão somente a Graça é suficiente para nossa plena salvação. Somente Cristo e ninguém mais é suficiente Senhor e Salvador. Diante dele todos, inclusive sua mãe, a notável e agraciada Maria, irão dobrar seus joelhos. A Igreja vive e existe para Proclamar as Virtudes daquele que a chamou das trevas para sua maravilhosa luz.

Uma Igreja que se divorciou dessas verdades não pode ser considerada evangélica porque nelas a fé é uma moeda de troca, a salvação é um ato de libertação da pobreza (uma teologia da libertação meio que disfarçada), Cristo é um servo domesticado e um utilitário que se presta apenas a servir os caprichos de um punhado de gente que está disposta a deixar sua "ofertinha" (um tipo de indulgência) no gazofilácio.

O neo pentecostalismo não é neo e nem pentecostal. Ele é velho como velho é o pecado. O pentecostalismo é antes de mais nada o marco na história da Igreja, o dia em que o Espírito Santo de Deus foi derramado habilitando os convertidos a serem Testemunhas de Jesus, como Senhor e Salvador, segundo disse Jesus em Atos 1.8.

Se cumpre aquilo que disse Paulo disso ao jovem Pastor Timóteo: "Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, inimigos do bem, traidores, precitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo a aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se desses também". (II Timóteo 3.1-5)

Paulo também disse a Timóteo: "Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. Você, porém, seja moderado em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista, cumpre plenamente o teu ministério". (II Timóteo 4.3-5).

Que Deus tenha misericórdia daqueles que já se permitiram enredar e que temendo mais a Deus do que o homem decidam se divorciar destes que mercadejam a Palavra de Deus e que pregam outro evangelho, não o da Bíblia, mas um outro evangelho que distancia o homem do Deus que o criou e que em Cristo o Salva.

Amém. 

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

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O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

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