segunda-feira, 10 de novembro de 2014

AÇÃO, ASSISTÊNCIA SOCIAL E EVANGELIZAÇÃO

Se você for ler a Bíblia sem o natural preconceito, certamente você terá diante dos seus olhos e para o deleite do seu coração verdades eternas que, se por um lado apontam um melhor e seguro caminho por onde devemos ir, por outro lado, também, destroem alguns dos nossos postulados e conceitos sobre a vida.

Veja, por exemplo, o depoimento que Lucas dá a respeito da Igreja em Jerusalém no texto de Atos 2.42-47. Naquela Igreja o temor de Deus era tão grande que as pessoas se serviam umas das outras de tal maneira solícita que todos tinham tudo em comum. Veja que eu disse solícita. Poderia dizer voluntária. Ninguém fazia qualquer coisa para ajudar a Igreja e promover a comunidade, por constrangimento.

Esse ponto é tão importante, mas tão importante, que temos no capítulo cinco do livro de Atos um exemplo notável de um casal que pensou em contribuir com a Igreja, mas fazendo isso com uma motivação diferente. Parece-nos, salvo outro entendimento, que Ananias e Safira viram o que os outros faziam de forma voluntária e raciocinaram assim: "Parece que vai pegar mal não fazermos nada quando todos fazem alguma coisa. Vamos vender aquela propriedade e dar uma parte à Igreja e ficar com uma outra parte. Assim parecerá a todos que estamos agindo como eles". E foi isso que fizeram. O resultado não poderia ter sido pior. Primeiro morreu Ananias e logo em seguida morreu Safira. Perderam tudo, inclusive a própria vida.

O comunismo praticado na Igreja de Jerusalém descrito tão notavelmente por Lucas não era imposto e nem algo obrigatório, mas sim voluntário. Sim voluntário! Ninguém era obrigado por lei ou por qualquer instituição a abrir mão do que tinha a mais para favorecer os menos privilegiados. O que os constrangia a agir assim era o amor a Deus que redundava em amor ao próximo. Parece que era cumprido o mandamento sintetizado nas palavras: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual’ e ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo". (Lucas 10.27 - BKJA).

O amor verdadeiro (I Cor. 13) é um ato completo. Sentir pena das pessoas não quer dizer que você as ama. Somente o amor de Deus em nossos corações, nos leva a agir de forma efetiva procurando fazer algo em favor dos menos privilegiados socialmente. E esse amor só o verdadeiro cristão conhece e pratica. Eu fico imensamente triste em ver que há "cristãos" que parecem ter uma enorme preocupação com a situação social de algumas pessoas, mas que não mostram nenhum interesse em falar sobre Jesus para elas. Talvez esses "cristãos" não estejam tão convencidos da diferença que Jesus pode fazer na situação social de uma pessoa.

A Ação Social, o projeto assistencialista, pode tirar uma pessoa de dentro de um barraco em meio a uma favela, mas só Jesus pode tirar a pobreza e a favela de dentro da pessoa. A pior pobreza está na alma e não no bolso. Vou dar uma ilustração a respeito disso:

Se você estiver com febre por causa de uma infecção causada por uma bactéria, não basta tomar um antipirético (medicamento que tira a febre). O que você precisa fazer é tomar um antibiótico que elimine a bactéria. Eliminando-se a bactéria, os sintomas da infecção serão eliminados também. Aplicação: Assim, sou do entendimento que o mundo precisa de Deus, de Cristo Jesus. Se você não testemunhar de Jesus com sua vida e lábios e der arroz, feijão, roupas e moradia a pessoa não morrerá de fome, mas irá para a eternidade sem Deus e esse sangue Deus irá cobrar de suas mãos.

Entenda bem! Desarme-se! Não sou contra a ação social e a assistência social. O que estou dizendo aqui é que (1) devemos fazer isso de forma holística, ou seja, pensando na pessoa por completo, não apenas no seu estômago. Alimentar o estômago e não fazer nada para evitar que ele vá para o inferno soa mesmo um tanto hipócrita, (2) a Igreja e o Cristão têm sobre seus ombros a intransferível tarefa de testemunhar de Jesus (Mateus 28.18-20) seja em que circunstância for, tanto para ricos quanto para pobres e (3) também não me parece honesto fazer da ação e assistência social um meio de aproximação quando no final das contas a intenção é evangelizar, pregar o evangelho e; (4) Que valor haverá em ajudarmos aos estranhos e maltratarmos os da família da fé? Tenho visto na Igreja, com imensurável tristeza, muitos hasteando a bandeira da ação social aos que são de fora, mas são desleais nos seus relacionamentos dentro da Igreja, quebram a unidade, são irreverentes e não respeitam as autoridades eclesiásticas, são difamadores, altercadores, beligerantes e demonstram um total descaso com respeito à Igreja local (Provérbios 6.16-19)

Paulo teve uma visão de um varão macedônio que lhe pedia que passasse à Macedônia e os ajudasse. Isso aconteceu na segunda viagem missionária de Paulo (Atos 16.6-10). É notável observar que imediatamente Paulo se dirigiu àquela região porque havia concluído que Deus os havia chamado para pregar o evangelho ali. E então eles foram! Lídia e sua casa, o carcereiro e todos os seus, foram convertidos e batizados e é possível que muitas outras pessoas também tenham sido regeneradas naquela cidade. Por certo a Ação Social (distribuição de alimentos, roupas e outras ações) é sempre bem vinda no seio da Igreja, mas a Igreja não foi instituída por Deus para essa atividade. Fomos chamados para sermos, sob o poder do Espírito Santo, testemunhas de Jesus (Atos 1.8). Não é o alimento ou as roupas que podemos doar, ou qualquer outra ação que possamos praticar no campo da Assistência Social que irá regenerar uma pessoa, mas sim o evangelho pregado com a vida e com os lábios (Efésios 1.13). Não confundamos Assistência Social com Pregação do Evangelho. Ambas podem ser praticadas concomitantemente, mas Ação Social sem Evangelização efetivada pelo exemplo de vida e pelo uso correto e eficiente das Escrituras é o mesmo que vestir um morto com roupas de grife. Há entre nós alguns que, digo isso com tristeza, não crescem espiritualmente, não ser aprofundam no conhecimento das Escrituras e por isso se tornam presas frágeis aos “professores” de universidades cheias de filosofias alheias e estranhas ao cristianismo. A questão toda é o quadro referencial. Alguns mais sinceros vivem terríveis experiências de crises existenciais por fazerem uma leitura equivocada a respeito da função e existência da Igreja.

Talvez minhas considerações pareçam ser duras, mas lhe afianço que não é assim. Eu mesmo ascendi de uma classe social bastante humilde e da qual não me envergonho. Não é vergonhoso ser pobre socialmente. Jesus nasceu em um lar de pessoas simples e numa nação conquistada e explorada. O mundo jamais conheceu alma e coração tão ricos quanto os de Jesus. Enquanto você aponta seu dedo na direção daqueles "cristãos insensíveis" e que não fazem nada para melhorar a situação social de uma pessoa, há no ar uma pergunta muito mais cruciante e absolutamente importante: Onde estão os teus filhos espirituais? Onde estão aqueles que, por tua vida, conheceram Jesus como Senhor e Salvador?

Não se engane prezado leitor: o Diabo é pródigo em tirar nossa atenção daquilo que é realmente necessário, daquilo que é premente fazer. Nem comunismo e nem capitalismo podem tirar uma pessoa do nível de pobreza. Somente o evangelho, puro e simples das Escrituras pode e tem o poder e a capacidade de redimensionar a vida de quem quer que seja. O evangelho pode fazer o rico (Zaqueu) abrir mão de sua riqueza, voluntariamente e sem nenhum tipo de constrangimento, e pode fazer o pobre se sentir um homem abastado e satisfeito.

Cristo deve vir em primeiro lugar. O Seu reino de vir em primeiro lugar. Somente em Cristo devemos colocar nossas esperanças, pois a Bíblia nos afiança que o céu vem depois de nossa morte e o novo céu e a nova terra serão realidades inimagináveis que acontecerão após nossa plena redenção após a nossa ressurreição. Então habitaremos nessa nova terra sob a regência do próprio Cristo. Tal visão é maravilhosamente descrita no livro de Apocalipse em que esse novo céu e essa nova terra são descritos: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”. (Apocalipse 21.3,4)

Fala-se tanto em Ação Social e Assistência Social. Nestas eleições ouvi alguns pérolas assacadas contra a Igreja e contra os cristãos. Nós cristãos não nos recusamos a estender a mão aos menos privilegiados. As portas das Igrejas evangélicas são franqueadas e nelas podem entrar pessoas abastadas e pessoas pobres. A Bíblia no exorta a que tratemos todos com isonomia e igualdade e pecam aqueles que assim não agem. Tiago, meio irmão de Jesus exortou a Igreja de seus dias que cometiam o pecado da discriminação (Tiago 2).

Todavia, a ação social e a assistência social não substituem a Evangelização, nem são, ao menos, complementares e tampouco devem servir de arcabouço para nosso testemunho cristão. O que nos leva a ação social e à assistência social é o amor de Deus derramado em nossos corações. Sem esse amor motivador, não passamos de pessoas mal intencionadas com boas ações.

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