segunda-feira, 24 de novembro de 2014

THAT'S LIFE. MY LIFE.....MY FAMILY. (CAPÍTULO I - PAPAI VICENTE)

Nasci em 26 de Julho de 1954. Uma segunda-feira de chuva e frio. Nasci na Maternidade Leonor Mendes de Barros no bairro do Belém em São Paulo. Quando escrevo isso eu fico a pensar na alegria que deve ter tomado conta do coração dos meus pais, Yolanda e Vincenzo Aiello. Sim, porque eu vibrei com o nascimento dos meus filhos e agora com o nascimento dos meus netos. 

Papai era um calabrês vindo direto da Itália e ela minha mãe era filha de napolitanos. Se conheceram e se casaram em Marília, interior de São Paulo. 

De minha infância me recordo de ter vivido em um cortiço no bairro de Água Raza, depois em uma casa na Av. Conselheiro Justino, próximo da rua do Hipódromo, perto da Pça Keneddy no bairro da Móoca. De lá mudamos em 1959 (não sei precisar o mês) para o bairro do Jardim Popular na Zona Leste de São Paulo. No bairro do Jardim Popular as ruas tinham nomes de flores e eu morei por 21 anos na rua Amor Perfeito número 18. Uma rua de terra onde só havia umas cinco casas. Meus pais adquiriram aquela casa e a pagaram com muito sacrifício. Quando nos mudamos para lá, não havia energia elétrica, nem água encanada e nem esgoto. A luz era produzida pelos lampiões ou velas, a água era tirada de um poço içada por meio de um barril amarrado em cordas no sarilho. O esgoto era uma foça cética aberta na frente da casa, há uns oito metros de distância do poço.

Quando nasci eu já tinha um irmão mais velho do que eu um ano e sete meses. O José Luiz Aiello. Ele nasceu em 15 de Dezembro de 1952 na cidade de Marília. A família constituída por meus pais teve ainda a chegada do Paulo e da Luci, nascidos nove anos e dez anos e sete meses de mim, respectivamente. Éramos, portanto, até papai partir no dia 15 de Fevereiro de 1974, em seis pessoas morando naquela casa.

Papai era um homem cheio de virtudes e habilidades. Trabalhava bem com as mãos. Podia ser um bom carpinteiro, trabalhou como pintor hidráulico na Fontoura Weight em São Bernardo do Campo onde era o Maestro da Banda daquela Indústria Farmacêutica. A música era sua maior paixão. Ele era um excelente trombonista de vara. Tinha uma boa embocadura, bom pulmão. Papai sempre quis trabalhar só com música. Ensinou música aos seus irmãos e deu, a mim e ao meu irmão José Luiz, aulas de teoria musical. Papai tocou em algumas orquestras de boates como a 28, Som de Cristal e Avenida. Ele também trabalhou para o Juca Chaves como músico de uma bandinha.

Papai morreu vitimado por um câncer que o consumiu por completo. Eu tinha apenas 19 anos quando me despedi de papai. Éramos muito bons amigos. Ele me chamava de Maurinho e muitas vezes pediu a mim que cuidasse de meus irmãos mais novos e ajudasse minha mãe quando ele tivesse partido. Minha mãe não lhe escondeu que ele tinha câncer. Recordo-me da conversa de minha mãe na madrugada em que disse: -Vicente; os médicos disseram a você que sua doença é uma úlcera, mas o que você tem de verdade é um câncer e eles me disseram que você tem mais ou menos seis meses de vida. Silêncio!!!! Então ouvi meu pai chorar. Essas coisas marcam nossas vida e doem sempre quando nos lembramos delas. Não sei precisar quanto tempo depois papai viveu, mas ele superou em muito os seis meses que os médicos lhe deram de vida. Viveu com muitas dores. Quando o vi deitado sobre aquela pedra com seus lindos cabelos brancos, muitos esbranquiçados pela dor e o sofrimento, o abracei, acariciei seus cabelos e dei meu último beijo em meu velho amigo. Sempre senti sua falta, falta daquele som limpo que ele tirava em seu trombone, falta de vê-lo se pentear e se arrumar, falta de ver o quanto ele amava minha mãe e a nós seus filhos. 

Papai viveu exatamente 59 anos. Morreu jovem. Sei disso porque eu não me sinto velho tendo já alcançado a marca dos 60 anos de idade. Papai era um homem recatado, de poucas palavras e muito honrado em seus negócios. Não fazia dívidas e nem traia seus amigos. Era sentimental. Eu o vi chorar diversas vezes ao se lembrar de sua infância dos seus pais, irmãos e família. Eu vi o quanto ele amava meu irmão mais velho, o José Luiz Aiello. 

Lembro-me do dia em que fomos ao bairro da Penha para comprarmos uma bola de capotão. Naqueles dias eram feitas de couro e costuradas à mão. Compramos em uma loja que ainda está lá. Ao voltarmos para casa passamos em um açougue e pedimos sebo para o açougueiro para poder passar no couro da bola e assim garantir sua longevidade. Ao chegarmos em casa usamos a bola para fazer embaixadas e papai se divertiu conosco.

Lembro-me também de que papai tinha uma filosofia: - Boa ave-maria faz quem em sua casa está em paz. Por isso minha mãe dava banhos em nós antes do papai chegar. Mamãe nos trocava (roupas bem simples) e esperávamos meu pai chegar. Ao chegar ele fazia sua higiene, se assentava à mesa e comíamos juntos, momento no qual papai era inteirado dos acontecimentos daquele dia. Papai tinha o hábito, depois de terminar de comer: cruzava o garfo com a faca no meio do prato, batia as duas mãos nas bordas da mesa e dizia: - Com a graça de Deus estou satisfeito. Ficávamos mais um pouco na mesa conversando e depois ele mandava com que fossemos dormir. Até o sono pegar eu e meu irmão ficávamos ouvindo a conversa dos meus pais e as risadas que eles davam de coisas engraçadas que não entendíamos.

Eu creio que puxei muitas coisas do meu pai. Sou sentimental como ele; amo música como ele; amo família como ele amava a minha mãe, meus irmãos e a mim. Para ele éramos tudo o que ela mais queria ter por perto. 

Eu agradeço a Deus o pai que ele me deu e as impressões que ele me deixou sobre a vida. Papai conheceu Jesus como seu Senhor e Salvador pouco tempo antes de partir. Ele foi batizado em seu leito antes de morrer. Tenho orgulho do meu pai e de sua vigorosa fé em Jesus. Ele dizia diversas vezes aos médicos e enfermeiros que não via a hora de deixar aquele corpo que podia se deteriorar para poder contemplar o rosto do seu amado salvador. Mamãe me contou que no dia em que papai morreu o médico da ala onde ele ficou internado no hospital Brigadeiro reuniu os médicos e os paramédicos e disse: - Façamos um minuto de silêncio porque hoje morreu um homem neste hospital. Papai havia pedido ao enfermeiro que cuidou dele naquele dia, lá por volta das 10H00, que caprichasse no banho porque aquele seria seu último banho. E foi....Minha mãe estava ao lado dele quando papai expirou. Era por volta das 13H00; ela o abraçou e orando a Deus disse: - Senhor, em teus braços entrego o Espírito do meu querido esposo. E papai se foi....Foi tranquilo sereno. Fechou seus lindos olhos azuis da cor do céu aqui para abri-los na eternidade. 

Escrevo isso aqui....pode ser que minha mente um dia falhe e eu então possa reler e me lembrar. Escrevo isso aqui para que você valorize teu pai enquanto você o tem ao teu lado e ainda pode dizer o quanto você o ama. Escrevo isso aqui porque acredito na instituição chamada família como Deus a concebeu ainda que muitos tentem destruí-la de forma vergonhosa  e odiosa.

Louvado seja Deus por sua preciosa vida Vicente Aiello, meu pai.

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