sexta-feira, 28 de novembro de 2014

THAT'S LIFE...MY LIFE...MY FAMILY (CAPÍTULO II - MAMÃE YOLANDA)

Com certeza o espaço aqui é pequeno para o tanto que poderia escrever sobre minha mãe. Se eu tivesse que definir minha mãe com uma palavra eu usaria - CORAGEM. Sim, minha mãe era uma mulher corajosa, destemida, guerreira.

Enquanto papai era homem de poucas palavras, mamãe tinha o dom da palavra. Ela falava muito bem e eu adorava ouvir mamãe recitando suas poesias longas dos seus tempos de garota. Mamãe morreu lúcida nos altos nos seus quase 81 anos de idade. Mamãe viveu lúcida, cônscia, sempre atenta a tudo que acontecia ao seu redor.

Yolanda Dalceno Aiello nasceu na cidade de Lins, mas viveu grande parte de sua vida como solteira na cidade de Marília. Ela era filha de napolitanos, José Dalceno e Emma Zanqueta. Ela tinha dez irmãos e hoje, dos dez, apenas tia Duzolina está viva. No último dia 08 de Novembro de 2014 participei da festa do 80º aniversário da tia Nega (Duzolina), como nós a conhecemos.

Mamãe foi convertida no templo da Igreja Cristã do Brasil no bairro do Brás, mas se tornou membro da Igreja Evangélica Congregacional do Belém na rua Cesário Alvim. Essa Igreja ainda está la. Eu fui apresentado quando tinha aproximadamente dois anos de idade pelas mãos dos Rev. Josué de Oliveira na Igreja Evangélica Congregacional do Moinho Velho, hoje Igreja Evangélica do Ipiranga. 

Mamãe foi também, por muitos anos, membro da Igreja Cristã Evangélica do Jardim Gonzaga. Lembro-me dela ser uma competente presidente da União Auxiliadora Feminina por pelo menos quatro anos consecutivos só deixando a presidência por conta dos problemas enfrentados na família com a enfermidade de papai.

Minha mãe tornou-se Presbiteriana e foi membro da Igreja Presbiteriana de Vila Buenos Aires atuando na Congregação do Jardim Popular e seu nome está lá na lista de membros fundadores da Igreja Presbiteriana do Jardim Popular. Seu corpo foi velado naquela Igreja e dali levado para descansar no Cemitério Jardim do Carmo II no dia 01.09.2012. Mamãe descansou dos seus labores no dia 31.08,2014, na madrugada de uma quarta-feira.

Dos feitos notáveis de mamãe deixo registrado aqui a conversão dos seus dois maridos: Vicente Aiello, falecido em 14.02.1974, com quem viveu aproximadamente 21 anos e Adonai Guimarães de Souza, ainda vivo e com quem teve o privilégio de viver 36 anos. Ambos foram convertidos pela instrumentalidade de mamãe. Claro que casamento não é campo missionário, mas tanto meu pai quanto o meu padastro não tinham chance diante do espírito obstinado de mamãe. Adonai eu tive o privilégio de batizar e ordenar ao Diaconato. 

Mamãe criou sete filhos. Quatro filhos do primeiro casamento - José Luiz, Mauro, Paulo e Luci Irene. E do segundo casamento ela adotou as três filhas do Adonai: Cristina, Dulce e Rita. Mamãe foi SUPER-MÃE. Atenciosa, protetora, dedicada. Certa vez ouvi dizer que mãe é aquele figura notável que tendo três filhos à mesa e apenas três pedaços de pão logo declara que não gosta de pão. Mamãe era assim: tirava de sua própria boca para alimentar os filhos. 

Quando eu entrei no segundo ano do grupo escolar, a professora enviou a lista de material que meus pais deveriam comprar. Como disse, éramos muito pobres do ponto de vista financeiro. Então mamãe pegou a lista e foi à lojinha do Seu Toninho. Ela pediu que ele lhe vendesse fiado e que ela pagaria assim que pudesse e o mais rápido possível, Jamais me esquecerei das duras palavras daquele homem: - Perdoe-me dona Yolanda, mas aqui não é banco. Não vendo fiado para ninguém. Nunca me esquecerei das lágrimas que correram dos olhos de mamãe naquele dia. Voltamos para casa sem falarmos qualquer palavra um para o outro e durante muito tempo me culpei por ter pedido à mamãe que comprasse meu material escolar.

Yolanda era uma mulher de oração. Ceta vez levado pela curiosidade tentei entrar em seu quarto. Naqueles tempos nossa educação era severa. Não entrávamos no quarto dos meus pais a menos que eles permitissem e não nos sentávamos na cama do casal. A porta estava fechada e eu podia ouvir mamãe falando alto. A curiosidade me fez abrir a porta e descobrir mamãe de joelhos orando por seu marido e por seus filhos. Em casa de minha mãe quem orava era ela. E orava com fervor e fé. Ela falava com Deus revelando uma profunda intimidade com Ele. Conheci poucas pessoas assim na oração.

Minha mãe desenvolveu uma diabete terrível por conta de ter que tomar corticoide por muitos anos por causa da sarcoidose, enfermidade contraída da indústria de seda em Marília onde trabalhou. Essa tal diabete levou a saúde de mamãe embora, mas mesmo assim ela durou 81 anos. Sofrendo com problemas cardíacos, a visão que se apagou aos poucos e a surdez fizeram de mamãe uma mulher dependente do seu fiel escudeiro, seu Sancho Pança, Adonai, a quem deixo aqui registrado meu agradecimento e tributo. Ele foi com mamãe até o fim. Ela morreu amparada por seus braços. Obrigado meu querido Adonai. Quero dizer e deixar aqui esse depoimento de minha gratidão e carinho.

No dia 28 de Agosto de 2014 fui visitar mamãe em sua casa depois de um período de duas semanas em que ela esteve internada no Hospital Dante Pazzanese em São Paulo. Era uma segunda-feira e eu gravei (filmei) aproximadamente 50 minutos em que mamãe insistia em se manter de cabeça debruçada sobre seus braços. Eu perguntei para ela: - Que isso mamacita, porque você está assim de cabeça baixa? Você nunca foi assim. Você foi sempre de ficar firme e olhar bem dentro do olho da gente. E ela me disse algo que era como que um prenúncio de sua partida que ocorreu na madrugada da quarta-feira subsequente: - Mauro, meu pescoço já não suporta mais o peso de minha cabeça.

Mamãe era profunda conhecedora da Bíblia, pregava muito bem e era, como já disse, uma mulher de oração. Não era de ficar com fofocas na Igreja e em nossa mesa nunca nos foi permitido criticar a liderança da Igreja. Os Pastores que pastorearam minha mãe foram respeitados e queridos por ela. Nunca vi mamãe criticar um Pastor ou mesmo falar mal da Igreja, desta ou daquela pessoa. Ela sempre tinha comentários elogiosos às pessoas. Rev. Ivan, Rev. Raimundo Montenegro, Rev. Evandro, Rev. Wanderley Donizetti (este foi seu último Pastor na terra) podem atestar a veracidade de minhas palavras. Meu irmão querido, o Rev. Evandro Luis da me Silva disse certa vez: - Maurão se eu pedir para sua mãe orar antes do sermão não terei mais sermão para pregar. 

Mamãe não será canonizada, mas ela era um mulher fiel ao Senhor Jesus. Seu testemunho de vida cristã foi marcante para minha vida. Depois que meu pai morreu, mamãe saiu à luta e foi trabalhar. Trabalhou nas lojas Eron, na rua Direita, nas lojas de tecido Cid e encerrou sua carreira como vendedora de Carnês do Baú da Felicidade no Vale do Anhangabaú. Depois que mamãe foi trabalhar nossa vida financeira melhorou substancialmente. Ela sempre ajudou seus filhos, noras, genros e netos. Não nos deixou faltar absolutamente nada. Ela trabalhou quatro anos a mais para poder me ajudar em meu tempo de Seminário. Durante quatro anos, todos os meses, ela e o Adonai trouxeram as compras com as quais todos de minha casa, eu, minha esposa e meus três filhos fomos alimentados e muito bem alimentados. Depois que me formei, mamãe se aposentou. Não há como pagar algo assim. Sempre quando me vejo diante das inúmeras situações que são profundamente desmotivantes no ministério eu me lembro que Yolanda trabalhou quatro anos a mais para que eu me formasse com dignidade. Então, por causa disso também, eu continuo firme.

Quero deixar aqui registrado também, minha enorme gratidão a todos os membros da Igreja Presbiteriana do Jardim Popular por todo carinho e respeito devotados à minha mamãe. Com certeza ela amava todos vocês e orava por vocês. Sou muito grato pelos anos que ela esteve com vocês e por tudo que fizeram por ela.

Que fique registrado que Yolanda é sinônimo de Coragem. Que seja registrado que eu tive uma mãe cristã que gerou um filho duas vezes. Como é bom ter a esperança de que ainda estaremos juntos, de que nem tudo acabou, que vivemos apenas um pedaço pequeno da eternidade que Deus colocou em nossos corações! 


Nos vemos em um dias desses mamacita.

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