terça-feira, 10 de março de 2015

CULTO A DEUS OU: CULTO? ADEUS.

Fico imensamente triste ao ver como alguns "cristãos", são levados facilmente a confundir emoção com espiritualidade genuína. Não que tenhamos de viver a experiência de extrema racionalidade no culto, ou uma adoração isenta de emoção. Mas tudo tem limite. Nem tanto ao céu e nem tanto à terra. Há um ditado romano que diz: In medio status virtus, ou seja, a virtude está no meio. Mas para você ser equilibrado você tem que se firma em algo, e em questão de teologia o fundamento é a Escritura Sagrada, Sola Scriptura.


Nesses dias minha esposa me mostrou no Facebook uma mulher de joelhos, em uma Igreja que conhecemos, para nossa tristeza. e alguém derramando, óleo, ou água, (sei lá), sobre a cabeça dela, um punhado de gente ao seu redor bambeando o corpo com as mãos levantadas na altura do peito, os "músicos" tocando uma "música" ao fundo e muita, muita, gritaria. 



Definitivamente isso não é culto cristão. Isso não é Culto a Deus!



Definitivamente isso não é obra do Espírito Santo! O Santo Espírito de Deus produz sobriedade, equilíbrio, sensatez e sabedoria (Efésios 5.15-21). Parece-me que esses tais riscaram de suas Bíblias, (na verdade eles não leem a Bíblia e por isso agem dessa maneira) o texto de I Coríntios 14.40 quando Paulo vai concluir suas considerações sobre o "culto" praticado na Igreja de Corinto. Paulo diz: "Tudo, porém, seja feito com decência e ordem". Na verdade o que eu tenho visto em alguns lugares e também naquilo que é postado na internet é indecente e desordeiro, e porque não dizer ridículo. 


O que eu tenho visto nas redes sociais não passa de desequilíbrio mental, insensatez, e loucura. Triste, mas vejo familiares a quem eu amo sendo enganados e frequentando esses eventos que ousam chamar de culto a Deus. Na verdade deveriam dizer: Culto? Adeus.


Sou Pastor na IPB, Ordenado desde 1989. São 26 anos, ininterruptos, de Ministério Sagrado. De lá para cá tenho visto, com grande decepção o quanto a "classe" chamada "Pastores" tem sido depreciada. E, lamentavelmente, com muita razão. 


Infelizmente confunde-se discurso com Sermão. Conversa com aconselhamento. Culto com terapia de grupo. Carisma com caráter. Intelectualidade com Espiritualidade. Academia com Sabedoria. Eloquência com Poder do Espírito Santo. Loucura com coragem e Prudência com covardia. 


Assim vemos uma turba de "pastores" que são tudo menos Cuidadores dos Rebanhos de Deus na perspectiva de que falou Paulo aos Presbíteros de Eféso (Atos 20.17-38) ou como exorta Pedro em I Pedro 5.1-4. Que Deus levante Pastores de Almas e que estes se apresentem dignamente quando forem chamados à presença do Supremo Pastor.


Quando o dito Pastor não se torna arrogante por conta dos títulos que acumula e age de forma petulante olhando do púlpito para as ovelhas do rebanho divino como uma pobres almas que nada sabem, outros ditos pastores não têm preparo absolutamente nenhum, não conhecem as necessárias ferramentas para uma boa hermenêutica e tampouco os recursos tão benfazejos de uma boa homilética. Exegese é uma palavra e uma ciência totalmente desconhecida. Então esses que nada sabem são cegos guiando cegos e o resultado não poderia ser outro a não ser este que vemos de sobejo, ou seja, qualquer coisa menos Culto e Liturgia bíblicos. Na verdade a questão não é tanto quanto se conhece das Escrituras, mas sim a autoridade que vidas santificadas chancelam, e me parece que falta essa autoridade que é bem substituída pelos recursos de marketing e novidades sem conta.


Quero discorrer um pouco mais sobre esse tema. E quero jungir esse tema do Culto ao que escrevi sobre Pastores, porque entendo que grande parte da responsabilidade de termos qualquer coisa menos cultos a Deus em Igrejas chamadas cristãs hoje é dele, do Pastor, (não generalizo). 


A questão toda em primeiro lugar está no abandono da Escritura como Palavra de Deus central no Culto. É muito mais fácil lotar Igrejas, mexer com as emoções fragilizando os egos, angariar recursos financeiros com programinhas que esses tais pastores chamam de culto quando na verdade o que fazem é promover um show onde a música, o "tristemunho", a ilusão psicológica, a psicologia sugestionável, a gritaria que nos faz surdos, o fogo estranho litúrgico, coisas totalmente estranhas fazendo mais parecer uma sessão de macumba do que Culto Cristão, tomam o lugar da Exposição Bíblica




Pastores sem conteúdo e santidade fazem comunidades vazias de Deus 
e de sadia espiritualidade. 


Pastores cheios de si mesmo arrebanham para si admiradores, mas Pastores cheios do Espírito Santo arrebanham discípulos para Jesus. Vejamos, por exemplo, para onde vai a Igreja Deus é Amor depois da morte do seu líder, "missionário" Davi Miranda. Observe que essas ditas igrejas são sempre originadas na personalidade deste ou daquela figura magnânima.  Não é a Igreja de Cristo, mas sim a Igreja de fulano ou beltrano. É a Igreja do apóstolo, do missionário. 


Quando abandonamos as Escrituras e produzimos cultos claramente o fazemos com base em nossos gostos pessoas, seduzidos pela cultura, em buscar agradar os "adoradores", em vez de agradar ao Deus que dizemos adorar. Quando abandonamos as Escrituras descambamos para os achismos, quer seja de linha radical de direita ou de esquerda. Eu chamo linha de direita aquela postura em que você não pode sorrir e nem se alegrar no culto e chamo de linha de esquerda aquela postura onde tudo é admissível no culto e o culto se torna uma colcha de retalhos, um momento disforme e vazio de espiritualidade, centrado no homem, em agradar o paladar humano, encharcado de emocionalidade e êxtase.


Precisamos urgentemente voltar à Bíblia e encontrarmos nela a orientação para a liturgia. É de se supor que uma boa teologia irá produzir uma saudável liturgia onde Deus real e verdadeiramente é adorado. Quando Deus é verdadeiramente e espiritualmente adorado, seus adoradores são abençoados com toda sorte de bençãos espirituais.


Precisamos centralizar o culto no Trino Deus, com ordem, equilíbrio, bom senso, razão e emoção (devemos adorar com o coração e com a mente). Não precisamos de exageros e radicalismos. Há dentre nós aqueles que pensam que só podemos cantar congregacionalmente, mas eu penso que não é necessário postura tal, desde que aquele que canta o faça para a Glória de Deus e não a sua. Há outros que pensam que só devemos cantar a Bíblia. Eu gosto muito quando encontro uma música que tem como letra as Escrituras. Entretanto desde que haja correção teológica na letra da música, não há, em meu entendimento, nenhum problema em entoar tal cancão. Na liturgia o que deve preponderar não é o que eu gosto, mas sim se está correto biblicamente. Há coisas diferentes, novas e que eu posso até não gostar, mas se elas têm respaldo bíblico, não depõem contra a ordem e a inteligibilidade do Culto, eu devo aceitar com coração humilde e na contribuição em prol da unidade.


Que Deus se apiede de nossas pobres almas e nos encontre como aqueles adoradores que Ele mesmo busca, ou seja, aqueles que o adoram em Espírito e em Verdade.

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