terça-feira, 17 de março de 2015

DEVER E PODER

Dever e poder nem sempre estão alinhados. Há determinadas atitudes, decisões, que você deve tomar, mas não pode. O poder, neste caso, não está ao teu alcance. Talvez se eu exemplificar fique mais fácil de compreender. Eu devo viver em paz com todas as pessoas, independentemente do credo que elas esboçam, do time para o qual elas torcem, do tipo de lugar que elas frequentam, da condição sócio/econômica de cada uma delas, e outras distinções, mas isso não depende apenas de mim. Paulo escrevendo aos romanos disse: "se possível, tende paz com todos os homens;"...(Romanos 12.18). Dou enfase aos termos "se possível" e "no que depender de vós". Devemos nos esforçar para vivermos em paz com todos os homens, mas isso nem sempre é possível por várias razões. 

Cito outro exemplo: Eu devo pregar o evangelho a todas as pessoas com as quais eu tenho contato e naquelas oportunidades propícias para tal, mas nem sempre posso fazer isso. Eu não posso falar do evangelho para uma pessoa se isso interferir no meu desempenho naquilo que eu profissionalmente faço. Eu devo, como recomenda Paulo, aproveitar as oportunidade que me surgem para fazer isso. Eu devo testemunhar de Cristo, mas isso não quer dizer que eu posso fazê-las discípulos de Jesus como eu tento ser todos os dias. Eu devo testemunhar de Jesus, mas a regeneração, o novo nascimento, a conversão de tais pessoas, não dependem de mim. No caso citado eu devo e posso testemunhar; eu só não posso converter o coração de quem quer que seja. Essa é uma obra do Espírito Santo de Deus. Eu e Deus trabalhamos juntos nessa obra; eu testemunho a respeito de Jesus e o Espírito Santo é quem faz a obra da regeneração.

Por outro lado há determinadas situações, atitudes e decisões que eu posso tomar, mas eu não devo. Eu posso mentir, mas eu não devo mentir. Eu posso gastar dinheiro, mas eu não devo gastar mais do que eu ganho. Eu posso comer, mas não devo ser glutão, eu posso tomar vinho, mas não devo me embriagar. Não sei se minha hermenêutica é correta, mas Paulo escreveu aos coríntios: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas". (I Coríntios 6.12)

Eu posso usar tatuagem? Eu posso usar piercings?

Sinceramente? Pode, mas não deve, se isso escandalizar pessoas. Não deve por conta do conceito em torno do uso de tais estéticas. Não vejo, em meu entendimento bíblico, nenhuma passagem bíblica que diretamente ou por inferência, declarem que tatuar o corpo ou usar piercing seja pecado. Assim, eu posso usar! Todavia, se isso escandalizar um irmão ou irmã, por amor a eles eu deixarei de usar tais coisas. Algo essencialmente pode não ser pecado, mas se isso escandalizar alguém, por amor a essa pessoa eu não devo usar ou fazer, pois se o fizer eu cometo um pecado contra aquele irmão que eu escandalizei.

A Bíblia proíbe dançar na presença de Deus? Pergunta interessante essa. E difícil de responder. Explico. 

Não há no Culto a Deus realizado no Templo, nas Sinagogas, na Igreja Primitiva e muito depois dela, a tal "dança litúrgica". O Salmo 150 fala de dança, mas não me parece ser em um contexto litúrgico no templo. O termo santuário encontra um paralelo que é o firmamento, ou seja, santuário ali não é templo. Mas eu me pergunto: o Deus que eu adoro no templo é mais exigente do que aquele que eu adoro no firmamento? Eu só posso deduzir que no Salmo 150 não se está tratando de ADORAÇÃO, DE CULTO, nos moldes como ocorria no Templo e que para o salmista essa atividade de elogio a Deus incluía dança. 

Uma outra questão surge daí: Como entender nossos irmãos africanos. Na África os cristãos dançam enquanto cantam louvores, seja a céu aberto ou dentro de um templo. Pelo menos é isso que vejo e encontrei em minhas pesquisas na internet. Lá ninguém se escandaliza. A maioria se apoia na questão da cultura, mas nós sabemos que a cultura também foi afetada pelo pecado. Como eu devo entender isso?

Bem, eu entendo que os africanos não devem dançar enquanto cantam porque, pelo que sei, a origem de tais danças, ou movimentos coreográficos é o culto que era oferecido às divindades pagãs e demônios. Estou equivocado? Entretanto, se eu for à África, eu não vou tratar meus irmãos em Cristo que agem assim com descaso e nem com desprezo. Eu não vou me escandalizar com eles. 

Veja que não estou falando de pecados comprovados pela Bíblia. A Bíblia condena o adultério e isso em qualquer cultura. A Bíblia condena a mentira em qualquer cultura. A Bíblia condena a negligência na guarda do Dia do Senhor em qualquer cultura. A Bíblia exige que os filhos honrem seu pais em qualquer cultura. A Bíblia proíbe o falso testemunho, em qualquer cultura. A Bíblia condena o roubo ou o furto e isso em qualquer cultura. Aquilo que explicitamente ou por inferência a Bíblia rotula e cataloga como pecado, transgressão, errar o alvo, deve ser evitado, mas aquilo que não é tão explícito temos que trabalhar com as ferramentas do amor ao próximo e da tolerância.

Lembro-me do tempo em que não era possível que usássemos violão na Igreja. Era um escândalo, mas hoje esse é um instrumento aceito quase que por unanimidade nos cultos e liturgias em quase todas as denominações. A questão toda não é, fundamentalmente, o instrumento, mas o instrumentista. Sou testemunha de ver pessoas fazerem mais estragos na Igreja com a Bíblia nas mãos do que com um instrumento musical.

Finalizo com a seguinte consideração. Quando a questão é comprovadamente pecado, eu nem devo e nem posso. Quando algo não é comprovado pecado, mas escandaliza, eu posso, mas não devo. 

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