sábado, 30 de maio de 2015

O MEU PRÓXIMO

As parábolas que Jesus contou são ricas em lições. Uma ajuda que podemos ter para entendermos essas lições é observar para quem Ele as contou. Na famosa Parábola do Bom Samaritano sabemos que ele conta essa história para responder ao questionamento de um intérprete da lei (Fariseu ou Escriba). O questionamento era: "Quem é o meu próximo?". (Lucas 10.25-37)

Na cabeça de um judeu, principalmente um fariseu, o seu próximo era um outro judeu e de preferência que fosse fariseu como ele. Um judeu considerava o gentio como combustível para aquecer as chamas do inferno, apenas peças descartáveis no tabuleiro da vida. Provavelmente ele esperava que Jesus lhe dissesse que o seu próximo era um outro judeu/fariseu. 

E tudo começou com uma outra pergunta: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?". Jesus respondeu a esse questionamento com uma outra pergunta: "O que está escrito na Lei? Como interpretas?". Veja você as palavras sublinhadas: Como interpretas? 

Ler e decorar não é o mesmo que entender. Parece-me que Jesus está levando o seu interlocutor para um caminho interessante. Como interpretas? 

O intérprete da lei fez parte da lição de casa. Ele citou a síntese da lei, do decálogo em essência, ou seja: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo". Jesus então elogiou o exercício teórico daquele homem. "Respondeste corretamente; faze isto e viverás". Não basta saber, é preciso fazer. Ele querendo se justificar, ousou perguntar a Jesus: "Quem é o meu próximo?"

Tenho uma ligeira impressão que ao chamar Jesus de mestre ele não sabia que estava conversando com o Mestre dos mestres. 

Para responder a essa questão Jesus conta a história conhecida como Parábola do Bom Samaritano. Você que me lê com grande probabilidade conhece essa história, não é verdade? Mas nós podemos revê-la mais uma vez. Jesus contou que certo homem (com certeza um Judeu) descia de Jerusalém para Jericó. Nesse seu percurso ele foi assaltado, surrado e deixado moribundo na estrada. Passaram por ali, em seguida, um Sacerdote e um Levita, líderes religiosos dentro do Judaísmo e ao observarem aquele homem aparentemente sem vida, passaram de largo. Fizeram isso porque se tocassem em uma pessoa morta eles teriam que se submeter a um processo de purificação que levaria alguns dias nos quais eles iriam perder suas regalias. Seguiram seu caminho como se nada tivesse acontecido. Em seguida passou por ali um samaritano e este se aproximou, se deixou possuir por compaixão, prestou os primeiros socorros e levou o moribundo para uma hospedaria. O samaritano, ao sair pela manhã, deu ordem ao dono da hospedaria para que cuidasse daquele homem mesmo que os cuidados fossem além dos dois denário que ele adiantou como pagamento. 

Então Jesus faz uma desconcertante pergunta ao intérprete da lei: "Qual dos três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?". O interlocutor ficou em uma situação difícil e não ousou dizer: "O samaritano". Como judeu ele não iria pronunciar esse nome, em absoluto. Ele usou um artifício linguístico e respondeu: "O que usou de misericórdia para com ele".

Queremos aplicar aqui essa parábola:

1) Não importa o quanto você conhece da Bíblia e o quanto você sabe do ser de Deus. Se esse conhecimento não for traduzido em atitudes de inconteste amor, você se assemelha ao preconceituoso intérprete da lei para quem Jesus contou essa parábola.

2) Você e eu (e o intérprete da lei) somos suficientemente arrogantes em nossas pretensões ao imaginar que somos mais santos do que este ou aquele a ponto de perguntar: "Quem é meu próximo?". Mas a pergunta a ser feita é: "De quem eu estou disposto a ser próximo? A resposta é: De qualquer pessoa, ainda que seja teu inimigo.

3) A maneira como você vemos as pessoas ao nosso redor é fator importante que irá nos conduzir a fazer alguma coisa por elas.  O olhar altivo, preconceituoso, descriminatório, será um entrave para que nos disponhamos a servir, mormente aqueles que são de confissão religiosa diferente da nossa. Não há caminho mais aplanado do que o da amizade para que possamos compartilhar aos outros a respeito da nossa fé em Cristo como Senhor e Salvador.

4) Há cristãos que se mantém distantes de pessoas de outras confissões religiosas assim como aquele intérprete da lei imaginava qualquer um que não fosse judeu e fariseu como ele. A questão não é se eu estou certo e o outro está errado em sua forma de expressão de fé e religião, mas sim o que eu, como fez Cristo comigo quando ainda era pecador, estou disposto a fazer pelo outro que ainda não o conhece como Senhor e Salvador.

5) A nossa ética não pode ser maior do que o amor que se concretiza em atitudes de verdadeira misericórdia e compaixão. Paulo escrevendo sua carta aos Efésios disse: "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amor e estando nós mortos em nossos delitos e pecados, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos". Ef. 2.4,5 A expressão do grande amor de Deus foi a sua misericórdia. Por que será que muitos daqueles que professam crer nisso julgam com tanta dureza e com tanto rigor?


Nenhum comentário:

Postar um comentário

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

FAMÍLIA.....
O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

FILHOS

FILHOS
QUERIDOS