sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A IGREJA (10) – SUA UNIVERSALIDADE


A Igreja Cristã não é necessariamente denominacional. Ela é uma instituição una e universal. Para dizer isso mais tecnicamente; ela é católica, porque é exatamente isso que o termo “católica” significa, ou seja, “geral” ou “universal”. Veja bem; eu não estou afirmando que a Igreja Cristã é a católica apostólica romana, porque essa denominação é uma contradição de termos. Se for católica não pode ser romana ou qualquer outra coisa.

As denominações são decisões humanas que resultaram, em algum aspecto, de interpretações variadas da Escritura Sagrada. Batistas, Luteranos, Congregacionais, Presbiterianos, Anglicanos, Assembleianos, e outras denominações não são outra coisa senão posicionamentos humanos particularizados em algum ou alguns pontos que distinguem uns dos outros.

Isso não quer dizer que as denominações deixam, por isso, de serem Igrejas Cristãs. São Igrejas Cristãs aquelas que basicamente possuem as marcas que distinguem a verdadeira Igreja daquelas que, a despeito de serem rotuladas de Cristãs, não o são realmente. As marcas, segundo a maioria dos reformadores, são pelo menos três:

(1) A pregação Fiel das e nas Escrituras Sagradas que é a base onde o edifício da Igreja é erigido. A Escritura Sagrada é o alicerce da Igreja e a Sagrada Escritura tem autoridade intrínseca, ou seja, ela é a Palavra de Deus porque diz isso a respeito de si mesma. A Igreja apenas reconhece essa autoridade e se submete a ela. Qualquer outra postura define um grupo como uma comunidade qualquer, mas não como Igreja. Esse grupo pode ter um excelente aporte moral e ético, mas sem a Palavra de Deus como base e alicerce, ela não é Igreja de Cristo.

(2) A prática da disciplina eclesiástica. A Igreja jamais deve se conformar com este mundo. A Igreja e o Mundo não são apenas diferentes, mas antagônicos e opositores. O mundo não aceita a Igreja e a Igreja não aceita o mundo. Vivem em santa porfia. E nessa guerra as portas do inferno não podem prevalecer contra a Igreja (Mateus 16.18). Qualquer costume ou hábito que seja uma nítida quebra da Lei Santa de Deus deve receber tratamento bíblico e quando o Evangelho se tornar motivo de escárnio por conta do mau testemunho de alguns que se intitulam discípulos de Jesus, mas que deixam muito a desejar, os responsáveis devem receber misericordiosa, mas justa punição. Muitas vezes os mesmos, por sua contumácia e gravidade dos seus pecados, podem ser excluídos da membresia de uma Igreja local. A Igreja como comunidade deve zelar pela vida piedosa daqueles que dela fazem parte.  Dizer-se cristão e viver de forma ímpia é um lamentável equívoco.

(3) A celebração sistemática e bíblica dos Sacramentos que são Santas Ordenanças. Basicamente a Igreja Reformada, independentemente, da denominação adota dois sacramentos ou memoriais, como alguns gostam de chamar, em meu entendimento de forma equivocada. Não vou brigar por conta disso desde que o Batismo e a Ceia sejam praticados da forma e com o conteúdo corretos. Sacramento é um termo que não encontramos na Bíblia é verdade.

A palavra sacramento foi utilizada, pela primeira vez, em relação ao Batismo e à Ceia do Senhor, por Tertuliano, um teólogo que viveu muitos anos após a morte de Cristo e dos apóstolos. Mas isso não significa que ela seja imprópria para designar as duas ordenanças deixadas por Jesus para serem observadas por seus servos. Sacramento era o nome dado ao juramento que o soldado fazia ao imperador, até à morte.  E é nesse sentido que alguns fazem uso desse termo. No batismo o crente faz um juramento de fidelidade a Cristo até a sua morte e quando participa da Ceia, o crente reafirma esse juramento. (O QUE TODO PRESBITERIANO INTELEGENTE DEVE SABER, Autoria de Adão Carlos do Nascimento e Alderi Souza de Matos, Grupo Z3, pgs. 153,154).

Há dentre as Igrejas históricas aquelas que batizam as crianças, mas é preciso que entendamos que as que praticam o que é chamado de Pedo-Batismo, não praticam tal ato na mesma perspectiva que a Igreja Católica Apostólica Romana o faz. Esta batiza os infantes para tirá-las da condição de pagãs e coloca-las na condição de cristãs. Já a Igreja Reformada que batiza seus infantes faz assim porque crê que os filhos são filhos da promessa. Os filhos de pais crentes em Cristo são batizados por serem membros da Igreja desde o nascimento. Elas não se tornam membros por serem batizadas, pelo contrário, são batizadas porque já são membros desde o nascimento.

Nossa intensão aqui não é defender o batismo infantil e nem tampouco refutá-lo. Confesso que na condição de Presbiteriano, me sinto a vontade para praticar tal ato, mas não considero, aqueles que não o fazem como hereges. Gostaria tanto que houvesse reciprocidade e respeito desse assunto, assim como respeito os que adotam dogmaticamente a imersão como única forma de Batismo cristão, mesmo havendo razões de sobra para não se posicionar dessa forma. Não quero discutir a esse respeito também.

Com todo meu coração não creio que isso deva nos dividir. Creio que devemos ser profundamente éticos e amorosos nessa questão como em outras. Mas se você é batista, seja batista. Respeite sua forma de ser. Se você é presbiteriano que o seja respeitando profundamente sua denominação. O que precisamos é mais de amor e menos de discussão, mais consideração e menos rótulos. Confesso que me entristeço quando ouço alguns pentecostais chamarem os presbiterianos de sorveterianos, assim como alguns presbiterianos de nariz em pé discriminam pentecostais. Já tendo mais que meio século de vida, me lembro com tristeza de ser chamado de “primo” pelos batistas que não me consideravam irmão em Cristo simplesmente porque eu sou Presbiteriano e, na concepção deles, a única forma de inserção à verdadeira Igreja é o Batismo por imersão, o que revela uma boa dose de exagero quando se imagina que o Batismo é necessário para a salvação. O que era mesmo de doer é que eu, por uma contingência histórica, fui batizado por imersão quando tinha apenas 14 anos e minha família frequentava a Igreja Cristã Evangélica. Na verdade me tornei Presbiteriano no ano de 1982 com já 28 anos de idade.

Uma boa teologia é aquela que entende que uma pessoa realmente convertida sente o impulso e a necessidade de se submeter a esse rito. O exemplo do eunuco relatado por Lucas em Atos 8 é uma clara demonstração disso, mas se o convertido, por uma contingência ou não, morrer sem esse sinal, ele não está fora da Igreja Invisível em absoluto.

Não sou a favor do ecumenismo protestante. Bem, se não sou a favor do ecumenismo protestante, imagine você o que penso eu de qualquer outro tipo de ecumenismo. Todavia, eu penso que há projetos em que, principalmente as Igrejas Históricas, (Batistas da Convenção, Presbiterianos (IPB, IPI, IPC), Congregacionais Calvinistas, Igreja Cristã Evangélica, e outras) poderiam se unir. Sim, porque apesar de nossas diferenças, se estas Igrejas possuem no mínimo as três marcas características da verdadeira Igreja Cristã, elas são uma só. O que é preciso mesmo é respeito e consideração, longanimidade e parcimônia. Precisamos acabar com os rótulos. Precisamos olhar um para o outro com o filtro que encontramos em I Coríntios 13. É preciso que entendamos que o amor é o dom supremo e não apenas superior ao falar em línguas. Se ele é o dom supremo, não há outro dom que o sobrepuja. Precisamos de mais amor e de mais respeito. Precisamos pensar em Colossenses 3.12-17 não apenas para os outros, mas para nós mesmos.

O preconceito é algo odioso e o preconceito denominacional é a forma mais cruel e anti-bíblica de preconceito. Recordo-me de ter ido à uma reunião do Conselho de Pastores de São Paulo na Igreja Assembleia de Deus do Bom Retiro quando o seu Pastor ainda era o Jabes Alencar. O pregador seria o Rev. Hernandes Dias Lopes. Lembro-me que ele pregou sobre o profeta tesbita, Elias. A audiência era composta em sua grande e massacrante maioria de pentecostais. O Sermão, como sempre, bíblico e cheio de fervor. Aliás, ele pregou algumas verdades sobre as quais muitos que estavam ali, do meu lado, atrás e na frente, poderiam usar como carapuça. Em um dado momento, em meio a muitas aleluias e palmas, uma senhora bateu em meu ombro sem saber o que e quem eu era, e me disse: - Ué; dizem que os presbiterianos não pregam com fervor. Eu não respondi, apenas sorri, mas ficou na ponta de minha língua uma verdade que não pronunciei por conta da motivação errada. Eu diria a ela: - Minha irmã querida; um sermão bíblico é fogo que desce do céu para aquecer o coração do pecador como eu e a senhora. Reafirmo: apenas sorri.

Precisamos de mais juízo. Precisamos pensar naquilo que escreveu Paulo em Efésios 4.1-6. Precisamos de mais pontes e menos paredes. Precisamos entender que na unidade da Trindade temos o exemplo do quanto devemos nos unir em torno da verdade que afirma que Deus veio a esse mundo, se vestiu da pele humana, se identificou com nossas necessidades e carências, e sem pecar se apresentou no calvário sendo o único capaz de se tornar o capitão de nossa salvação.

Não adianta nos discriminarmos, porque isso é, em si, um pecado. O que precisamos é de respeito em amor. O que precisamos e saber tolerar e caminhar de mãos dadas pregando o evangelho que salva com o batismo ou sem ele. O que precisamos saber mesmo é que só Jesus é perfeito e santo de verdade. Eu e você não passamos de pessoas miseráveis, aquelas pelas quais Deus dispõe suas misericórdias a cada manhã sem a qual já teríamos sido extintos (Lamentações de Jeremias 3.22,23).

A Igreja Cristã verdadeira, é uma só, ainda que alguns não gostem disso.


(Observação sobre as Marcas de Uma Verdadeira Igreja Cristã. Eu, particularmente, creio que a Igreja Cristã verdadeira possui mais do que três marcas distintivas. Comprometo-me com meus interessados leitores a escrever um outro artigo abordando apenas esse tópico de forma mais substancial).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A IGREJA (09) – DOUTRINAÇÃO


“E perseveravam na doutrina dos apóstolos.....” (Atos 2.42).

A Igreja nascida no seio do judaísmo, em Jerusalém, era composta, em sua grande maioria de judeus que foram convertidos ao cristianismo. No relato de Atos 2 somos informados que Pedro pregou aos judeus de várias partes do mundo que estavam em Jerusalém por ocasião da Festa do Pentecoste, e que ficaram atônitos em ver que os crentes falavam as grandezas de Deus em suas próprias línguas.

É interessante contrastar esse episódio com o da Torre de Babel (Gênesis 11). Lá, nos primórdios da humanidade, naquela comunidade pós-diluviana, Deus distribuiu línguas para confundir e fazer o monumento do orgulho humano ser interrompido. Aquela gente teve que se espalhar por toda a terra abandonando qualquer pretensão de ficar ali naquele lugar como se pudessem desafiar a Deus deixando de cumprir o imperativo de se multiplicar e encher a terra. Aqui na festa de Pentecoste, Deus derrama seu Espírito cumprindo o que se vê em Joel 2.28-32 e também o que disse o próprio Jesus (Atos 1.4-8), mas nesse caso o falar em línguas foi um ato no qual o povo se aglutinou atônito e ouviu Pedro justificar biblicamente o fenômeno e muitos convertidos voltaram para suas terras levando as boas novas de salvação. E o evangelho multiplicou cristãos.  Muitos que eram da Judéia, especialmente de Jerusalém, formaram a primeira leva de cristãos e a primeira Igreja Neo-Testamentária na cidade do rei Davi.

Essa comunidade de cristãos, como já dissemos, era composta em sua maioria, se não, a sua totalidade, de judeus que deixaram o judaísmo crendo em Jesus como o Messias de quem tanto os profetas falaram. Essa era a composição daquela comunidade de Jerusalém retratada por Lucas. E esse relato de Lucas, o escritor do Livro de Atos é exuberante. Diz Lucas que aqueles irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos.

Toda e qualquer dúvida era sanada pelos apóstolos que estavam ali em Jerusalém: Os irmãos, Pedro, André, e também Tiago e João e os demais contando com o mais novo, Matias, que foi escolhido para ocupar o lugar de Judas Iscariotes. Não se sabe ao certo exatamente quando os apóstolos deixaram definitivamente Jerusalém, mas com boa dose de acerto eles ainda estavam por lá servindo de mestres para essa Igreja nascente retratada por Lucas. E esses apóstolos ensinavam a Igreja.

Fico a imaginar os irmãos daquela comunidade enfrentando seus desafios. Viviam sob o domínio de uma nação estrangeira – Roma. Haviam acabado de deixar o judaísmo que tinha como premissa a fé no Messias que viria, mas que agora, estão convencidos de que esse Messias era Jesus que veio, foi morto, sepultado e ressuscitou. Como viver essa nova religiosidade? O que fazer com as festas judaicas? O que fazer com o templo? Seria necessário continuar com os sacrifícios? Qual seria a estrutura dessa nova religião? O que fazer com o judaísmo de seus antepassados e de tantas tradições? Essas e tantas outras questões devem ter sido levantadas e discutidas. E os apóstolos eram os mestres, aqueles que orientavam afim de que os judeus cristãos entendessem como era essa nova religião essa nova forma de ver e servir a Jeová o Deus do Pacto.

Um caso clássico é visto, por exemplo, na questão da distribuição diária às viúvas dos helenistas (Atos 6.1-7). Os apóstolos foram consultados e deram sua opinião que foi acatada nascendo aquilo que é considerado a Diaconia, um dos Oficialatos da Igreja Cristã. Os apóstolos instruíram a Igreja sobre as qualificações daqueles que podiam concorrer à eleição para essa atividade que deveria garantir a igualdade no que consistia a assistência social.

Ainda que aquela comunidade cristã não contasse com a mesma estrutura que encontraremos mais à frente, por exemplo, na atividade missionária e implantação de Igrejas pelo apóstolo Paulo quando este instalava Presbíteros nas Igrejas nascentes, a Igreja de Jerusalém retrata por Lucas em Atos 2.41-47, tinha instrução. Os apóstolos eram os doutrinadores. Eles ensinavam aquilo que haviam aprendido de Jesus. E o faziam sob inspiração divina. Essa é uma das qualificações do verdadeiro apóstolo. Eles eram profetas no sentido em que profeta é aquele por meio de quem Deus fala. Eram inspirados. Hoje já não há mais apóstolos. O que há por aí é uma total falta de conhecimento bíblico e muitos se aproveitam dessa ignorância.

Nas cartas gerais, ou pastorais, do Apóstolo Paulo, vemos que ele revela a sadia preocupação de que na Igreja haja instrução e esta com base na Escritura Sagrada. O texto clássico de II Timóteo 3.14-17 deixa essa questão sem nenhuma condição de ser refutada. Timóteo era Pastor e seu discípulo.

Portanto, desde os primórdios do cristianismo a Igreja tem recebido doutrina e ensino Bíblico. Assim como havia sido no Antigo Testamento, na tradição judaica, o mesmo deve ocorrer agora com o Israel a Igreja Neo-Testamentária, ou seja, deve haver leitura, meditação e, como diz Tiago em sua carta no capítulo 1.19-27, a prática da Palavra de Deus. E essa leitura, reflexão, meditação e prática das Escrituras devem levar em consideração tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

Como já vimos em A IGREJA (4) – BÍBLIA - A VERDADE, a Palavra de Deus é meio de graça e instrução que propiciam ao fiel conhecer mais substancialmente a Deus, possibilita que esse cristão viva com mais sabedoria, santidade e serviço que realmente seja do agrado de Deus que em Cristo o redimiu.

Uma Igreja que abandona o sério e profundo exame das Escrituras se transforma em um clube religioso, uma sociedade de amigos, um grupo de terapia psicológica, uma agência de bem estar social, um teatro para entretenimento, um restaurante que satisfaz o paladar religioso e filosófico. O que faz a Igreja Cristã ser Igreja de verdade é o fato de que ela se apoia, se baseia na verdade especial de Deus, na Palavra de Deus. A Palavra de Deus, a Revelação Especial de Deus, é que revela Jesus como único e suficiente Salvador, como o segundo Adão que venceu o tentador, e a própria morte (Romanos 5.12-21 – I Coríntios 15), como o único mediador entre Deus e os homens (! Timóteo 2.5), o homem que viveu entre nós sem pecar, o único sem pecado, o Deus vestido de pele humana (Filipenses 2.1-11).

Todas as vezes na história da humanidade em que a Igreja se divorcia da Bíblia ela se descaracteriza, se deforma e deixa de ser a noiva de Cristo. Quando isso acontece ela deixa de ser benção para o mundo cometendo o mesmo pecado e erro dos israelitas, a igreja do Antigo Testamento.

Foi nesta situação de penúria que a Igreja chegou até o dia glorioso em que Lutero afixou suas noventa e cinco teses nas portas da Catedral de Wittemberg procurando provocar o diálogo e reformar a Igreja. Era o dia 31 de Outubro de 1517. Sua intensão não era romper com a igreja dos seus dias e à qual ele servia como frade agostiniano. Mas ele foi perseguido e excomungado. Nasceu o movimento que hoje é conhecido como Reforma Protestante do Século XVI e que fez vir à lume os princípios do Solo Christus, Solo Deo Glória, Sola Fidei, Sola Gracia, o Sacerdócio Universal dos Fiéis e o Sola Scripturae (Somente a Escritura).

Alguém escreveu recentemente: “Não frequente uma Igreja porque ela é próxima de sua casa, pura e simplesmente. Frequente uma Igreja que ame a Escritura e reconheça nela a sua autoridade sobre a Igreja e não o contrário”.

Todo o problema litúrgico é antes de mais nada, um problema teológico e todo problema teológico nasce em uma atitude de distanciamento das Escrituras. Jesus já havia dito aos saduceus lideres na religião de Israel quando foi interpelado sobre a ressurreição: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22.29). "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5.39).

Igreja Cristã sem Bíblia é outra coisa menos uma Igreja Cristã simplesmente porque Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo de Deus. Cristo é a essência das Escrituras Sagradas.

Precisamos resgatar o hábito mais que saudável estudo individual e comunitário das Escrituras. O Salmo 1 diz que o homem que ama e medita na Lei de Deus é uma pessoa bem sucedida. Ele é árvore plantada junto a um ribeiro de águas que no devido tempo frutifica e suas folhas não murcham. O ímpio é aquele que se assemelha a palha que o vento dispersa.

Falando mais domesticamente aos meus irmãos presbiterianos eu diria que precisamos reaprender a ler nossa Confissão de Fé, voltar ao hábito escolástico de decorar o Breve Catecismo e o Catecismo Maior. Fazer isso é o mesmo que acender uma luz que ilumina o caminho por onde devemos ir. Não nos esqueçamos do que disse o Salmista (Salmo 119.105): “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para os meus caminhos”.

Ouvi recentemente uma história de um menino que encontrou uma Bíblia sobre um móvel de sua casa e perguntou à sua mãe que livro era aquele. A mãe lhe respondeu: - É a Bíblia meu filho. Então o menino perguntou: - Mas o que é a Bíblia, mamãe. Bem filho – disse a mãe é o livro de Deus. – Então, mamãe - disse o menino - vamos devolver para Ele tendo em vista que nós nunca o lemos.

Vamos lá querido leitor: pegue sua Bíblia. Abra o Santo Livro. Leia-o, medite nele, frequente a Escola Bíblica Dominical, fique atento ao Sermão do Pastor.....esse é um hábito saudável que enriquece a alma, enobrece o coração e te faz crescer espiritualmente.

Amém

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A IGREJA (8) - A EVANGELIZAÇÃO - O DISCIPULADO


Não quero iniciar essas minhas considerações, na verdade o oitavo artigo sobre a Igreja, de uma forma condenatória e nem ajuizadora, mas sinceramente a Igreja precisa mais de pessoas que realmente testemunhem de Jesus como Senhor e Salvador do que como críticos de plantão.

A vida eterna não começa depois de nossa morte. A vida eterna começa no exato momento em que Deus, por meio do Espírito Santo, nos regenera. A vida eterna começa quando nascemos de novo, espiritualmente falando, é óbvio. É um equivoco considerar apenas o aspecto quantitativo da vida eterna. Precisamos pensar na vida eterna como uma vida realmente de qualidade. Jesus disse que o ladrão vem só para matar, roubar e destruir, mas, disse Jesus, eu vim para dar vida e vida em abundância (João 10.10).

Essa vida abundante é tão extraordinária que qualquer pessoa a percebe quando se depara com um crente genuíno, com um cristão de verdade, com um discípulo de Jesus. O discípulo de Jesus, o cristão de verdade é antes de qualquer coisa alguém que procura imitar seu Mestre é alguém que ama a Igreja assim como seu Mestre a ama a ponto de ter dado sua própria vida por ela. Jesus mesmo disse que o seu discípulo deve negar-se a si mesmo e, a cada dia, tomar a cruz (a mesma que Jesus assumiu), e segui-lo (Mateus 16.24-26; Lucas 9.23-27). O cristão verdadeiro é sal da terra, é luz do mundo (Mateus 5.13-16).

O discípulo de Cristo cumpre as ordens do seu Mestre. Jesus disse que aquele que tem os seus mandamentos e os guarda esse é o que O ama (João 14.21). Assim, esse obediente discípulo cumpre cabalmente a Grande Comissão que encontramos na consagrada passagem de Mateus 28.18-20. Ali Jesus diz aos seus discípulos (e isso tem a ver com os discípulos de Jesus de todos os tempos até a sua volta), que indo devem fazer discípulos para Ele. Jesus disse, também, que os novos discípulos deveriam se batizados e ensinados a guardar os seus mandamentos (todas as cousas que vos tenho ordenado).

Se vamos falar sobre Igreja, antes de qualquer coisa é preciso que você me aponte quantos e quais são aqueles que estão nela por teu testemunho cristão, por teu trabalho como discipulador. Evangelizar é discipular. Evangelizar é fazer discípulos de Cristo.

No livro de Atos dos Apóstolos encontramos a narrativa dos primórdios do Cristianismo. E nele vemos que Jesus disse que essa missão de fazer discípulos não é um ato intelectual, horizontal, uma ação meramente natural e humana. Jesus disse que seus discípulos receberiam, ao serem batizados com o Espírito Santo, essa capacitação, esse poder sobrenatural para testemunhar a Seu respeito (Atos 1.8).

Quando adentramos no estudo de Atos encontramos vários relatórios mostrando o crescimento e o desenvolvimento da Igreja Cristã como resultado dessa obra de evangelização, de proclamação e pregação das boas-novas, do evangelho. E vemos que o evangelho começou fazendo discípulos entre os próprios judeus em Jerusalém e toda Judeia, depois foi para Samaria (Atos 8) e daí para os confins da terra (Atos 13).  

Alguém já disse com sabedoria que uma Igreja que não evangeliza, precisa ser evangelizada. Outra, pensando em missões, disse que uma Igreja que não é missionária, é campo missionário. Li, a sugestão de que se a Igreja está com problemas de relacionamentos entre os irmãos, a melhor terapia a que se deve submeter essa Igreja é colocar os crentes no front da obra de evangelização. Claro, essas pessoas irão se deparar com o mundo fora dos portões da Igreja e terão tarefas imensas que ocuparão suas mentes e corações não permitindo que consumam seu tempo com fábulas e amenidades, gostos pessoais e sandices.

A Igreja que não evangeliza não terá a quem doutrinar. A questão é simples de ser compreendida: se não houver convertidos a quem iremos doutrinar? A Igreja não é uma sala de espera onde ficamos inertes simplesmente repetindo a expressão - MARANTA - VEM SENHOR JESUS. A igreja que sai em busca dos inconversos e proclama as boas novas terá a quem doutrinar. 

Por outro lado, a melhor forma de doutrinamento é a obra evangelizadora. O discipulador se vê diante de questionamentos variados e descobre de per si que o melhor que ele pode fazer é estudar as Escrituras para poder ser um bom evangelizador, uma boa testemunha de Jesus como Senhor e Salvador. Ora, não foi isso que disse Paulo ao Pastor Timóteo seu filho na fé? “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Timóteo 2.15).

Não podemos nos esquecer de que a Igreja de Éfeso (Apocalipse 2.1-7) era bem organizada, ativada, operosa, disciplinadora, perseverante e suportava provas por causa do nome de Jesus, mas havia abandonado o primeiro amor, algo que Jesus chama de a prática das primeiras obras”. Não tenho a menor sombra de dúvida que Jesus está se referindo à pregação do evangelho, o testemunho aos que são de fora. Você pode constatar isso na leitura do texto de Atos 19. Veja o que aconteceu com o comércio de utensílios pagãos de Éfeso, com a venda das estatuetas da deusa Ártemis, que era considerada a deusa da Ásia Menor,  com a proclamação do Evangelho, mormente no período em que Paulo esteve por lá.

É de crucial importância que entendamos que a evangelização é uma questão de compromisso individual do cristão. Estratégias de evangelização através de “cultos evangelísticos, distribuição de folhetos, cultos ao ar livre, cultos nos lares dos cristãos e outros”, são atividades muito bem vindas, mas é o testemunho pessoal, individual, a respeito de Jesus que tende a produzir os melhores resultados. É sobre isso que Jesus diz na Grande Comissão, ou seja, indo por onde quer que vocês vão, façam discípulos.

Pare e pense nisso. Pergunte a si mesmo: quantas pessoas são discípulos de Jesus, cristãos verdadeiros simplesmente porque eu mostrei a eles o caminho, como isso é possível? Olhe para a Igreja da qual você é membro e mostre apontando para os bancos quantos e quais são aqueles que conheceram Jesus como Senhor e Salvador através de tua vida como evangelizador, discipulador.

Se não houver a quem apontar, pare, coloque-se de joelhos e ore pedindo que Deus renove tua vida cristã e te faça testemunhar com o poder do Santo Espírito. Eu quero fazer assim e convido você a se juntar a mim. Precisamos ser multiplicadores de discípulos de Jesus.

Você quer isso? Espero que sim.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A IGREJA (7) - A ADORAÇÃO.


Qual é a precípua missão da Igreja? Por que e para que ela existe? Há alguma controvérsia a esse respeito. Tenho minha própria opinião sobre esse assunto. Alguns dizem que a Igreja existe para adoração ao Deus Trino e outros que ela existe para a pregação e o testemunho de Jesus como salvador e senhor. Há outros que entendem que a Igreja existe para acolhimento ao eleito de Deus e seu amadurecimento espiritual. Qual é a sua opinião sobre esse assunto? O que você pensa a esse respeito?

Gostaria de citar a passagem de Romanos 11.33-36 que funciona como dobradiça ligando aquilo que Paulo vem dizendo sobre os atos de misericórdia de Deus na história da humanidade (Romanos 1.16 - 11.32) e a resposta que a Igreja deve dar quanto ao aspecto prático da vida Cristã (Romanos 12 a 15.1-29). Nos primeiros onze capítulos da carta de Paulo aos Romanos, Paulo expõe os grandes feitos de Deus em favor de sua Igreja e a partir do capítulo 12, Paulo vai expor como os cristãos devem agir, como os cristãos devem viver a vida cristã em resposta a esses atos de misericórdia e graça de Deus. Na passagem de Romanos 15.30 a 16, Paulo pede orações, saúda e se despede dos irmãos da Igreja de Roma.

Veja o que ele escreve nessa dobradiça: Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a Ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!”. (Romanos 11.22-26)

A Igreja, assim como a Família, existem para manifestarem na terra, em meio ao conflito que assola a sociedade humana, a escuridão em que o mundo se encontra, a Glória de Deus. A Família e a Igreja existem para prestarem, no mundo conturbado e caótico, a adoração ao Deus Trino (Triuno). O mundo não é só diferente da Igreja; ele se opõe a Igreja. Existe uma porfia santa entre o Mundo e a Igreja. Igreja e mundo são adversários irreconciliáveis. Não há meio termo. O deus desse mundo é Satanás e Jesus é Senhor da Igreja. Ou você pertence a Igreja como um redimido, ou pertence ao mundo e está perdido. Ou você, como parte da Igreja, adora a Deus ou como membro ativo do mundo, adora ao Diabo.

Quando uma pessoa é regenerada ela se torna luz do mundo. Nos dizeres de Jesus, o genuíno cristão é sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-16). Uma pessoa regenerada tem um novo coração onde Cristo é Senhor, onde Deus habita e onde o Espírito Santo instruí. Um cristão genuíno se prostra em adoração ao Trino Deus. Seu prazer é Deus. Sua alegria é Deus. Sua esperança é Deus. Seu objetivo é viver para glória de Deus. Seu regozijo é servir a Deus na perspectiva, por exemplo, do que diz o Salmista no Salmo 100: “Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras. Servi ao Senhor com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico. Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele quem nós fez e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio”. (Salmo 100.1-3) Para o cristão genuíno a adoração a Deus é seu próprio estilo de vida. Ele é uma liturgia que anda, pensa, fala, atua, se relaciona. Ele é um culto ambulante. Alguém se expressou com sabedoria ao dizer: “Não haverá vida no culto (público e comunitário) se não houver culto na vida (pessoal)”.

Para o cristão genuíno não existe a dicotomia espiritual/secular. Para o cristão tudo deve ser espiritual: seu relacionamento conjugal, seu relacionamento familiar em qualquer nível, seu relacionamento profissional, tudo o que compõe suas obrigações na área de atuação por meio da qual o cristão produz os recursos para sua subsistência. Não deve existir médico cristão, mas sim cristão médico. Não deve existir engenheiro cristão, mas sim um cristão engenheiro. Não deve existir educador cristão, mas sim cristão educador, político cristão, mas sim cristão político. Ser cristão vem antes de ser qualquer outra coisa porque o Cristão tem o compromisso de viver para a Glória de Deus e a Igreja é a comunidade, o ajuntamento de pessoas que são assim. Quando elas se reúnem, trazem o céu para a terra (Salmo 133).

Tudo para o cristão desde o dever até o lazer deve ser um ato espiritual. Paulo escreveu aos coríntios: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Cor. 10.31).

Lembro-me de uma história interessante sobre um Pastor que soube que parte dos jovens de sua Igreja tinha o hábito de frequentar bares após o Culto Vespertino. Em um domingo o Pastor resolveu conferir por si mesmo a história. Após o culto, voltou para casa trocou sua roupa e foi para o local onde os jovens estavam reunidos. Ao chegar presenciou a mesa cheia de garrafas de cerveja. Ele então cumprimentou os jovens que, surpreendidos, ficaram sem saber como agir. Então um dos rapazes pediu que o Pastor se sentasse. Em seguida passou-lhe um copo e insinuou colocar nele um pouco de cerveja. O Pastor anuiu com a cabeça, mas colocando sua mão sobre o copo disse aos jovens. - Bem; vamos orar e agradecer o que vamos beber. Então um dos jovens disse: - Mas Pastor; agradecer pela cerveja? O Pastor então afastando a garrafa do seu copo disse: - Bem se não podemos agradecer a Deus não devemos beber.

Assim é que se algo que eu faço não pode ser oferecido como ato de adoração, eu não devo fazer, eu não devo pensar, falar, praticar e assim por diante.

Parece que a Igreja flerta com o mundo e quando ela faz isso seu brilho fica ofuscado. Quando a Igreja namora com o mundo ela perde o seu fulgor, sua chama se apequena, ela se inutiliza e serve de motivo de escárnio e zombaria. Você deve estar lembrado da história de Sansão, israelita e Dalila filisteia. Você deve se lembrar no que resultou essa parceria. A Igreja não pode ser influenciada pelo mundo.

A Igreja existe para prestar adoração ao Trino Deus e isso somente é possível se ela se santificar. A Igreja de Cristo é uma comunidade adoradora. Jesus no diálogo com a mulher samaritana afirma peremptoriamente ao responder as indagações daquela mulher sobre o lugar correto da adoração: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em Espírito e verdade” (João 4.23,24). Somente um povo que se santifica se qualifica para se apresentar a Deus em adoração e ser aceito por ele (Isaías 1.1-20).

Existimos para adorar a Deus nesse mundo que O rejeita. Existimos para manifestar a Glória de Deus em um mundo onde a incredulidade cega as pessoas levando-as a viver na escuridão espiritual. A Igreja existe para brilhar tão fortemente que suas obras são vistas e se tornam motivação para que todo homem glorifique a Deus Pai que está nos céus (Mateus 5.16).

Olhe para você e responda: Seu engajamento e envolvimento com a Igreja tem feito a luz de Cristo brilhar mais forte? Seu engajamento e envolvimento com a Igreja de Cristo têm contribuído para o seu crescimento em santidade e no crescimento em santidade de seus irmãos, de tal maneira que a liturgia comunitária tem feito diferença em sua vida e na de sua família? Você pode dizer que em tudo que você está engajado pode ser oferecido como ato de culto e adoração dos quais Deus tem prazer?

Oremos e respondamos a essas perguntas. Respondamos a essas perguntas e oremos. Se você está fora da Igreja, lembre-se de que ela ainda não é o céu, mas foi por Ela que Cristo deu sua vida e derramou seu precioso sangue e Ele quer que no dia de sua volta, sua Igreja, a noiva de Cristo, esteja preparada e pronta para recebê-lo. O que temos feito a esse respeito?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A IGREJA (6) – SEU PODER



Jesus disse que as portas do inferno não podem prevalecer sobre a Igreja (Mateus 16.18).

A Igreja de Cristo tem suas marcas distintivas. Os reformadores não são unânimes quanto a isso havendo algumas variações quando trataram desse assunto. Basicamente são três as características e marcas distintivas da Igreja de Cristo: A pregação fiel das Santas Escrituras, a prática correta dos Sacramentos (Ceia e Batismo) e a aplicação bíblica da disciplina eclesiástica. A Bíblia é a única regra de fé, vida e prática, como já tivemos a oportunidade de expor no artigo A IGREJA – BÍBLIA: A VERDADE.

Todavia, é importante que frisemos que todas essas características distintivas quando a Igreja realmente é habitação do Santo Espírito de Deus (Atos 1.8). O mesmo Espírito Santo de Deus que inspirou as Escrituras, é aquele que ilumina nossas mentes para poder lê-la e compreendê-la.

Um crente cheio do Espírito Santo e vazio da Palavra de Deus é um contrassenso, um paradoxo. Tanto mais cheio do Espírito, mais amante, estudioso e cheio da Palavra de Deus.

O texto de Atos 1.8, que aliás é o versículo chave do livro de Atos dos Apóstolos, mostra que uma pessoa cheia do Espírito Santo tem coragem para testemunhar de Jesus, revela conhecimento da Palavra para testemunhar de sua fé e que muitos são alcançados e convertidos por Cristo por meio desse testemunho poderoso e eficaz.

Veja, por exemplo, o caso de Pedro em Atos 2.14-41. Pedro se levanta para defender seus irmãos em Cristo já que a acusação, meio zombeteira, era que eles estavam bêbados. Na verdade eles estavam cheios, mas não de vinho e sim do Espírito Santo que havia sido derramado como cumprimento da promessa de Deus (Joel 2.28-32). Eles haviam acabado se receber o Espírito Santo e falavam das grandezas de Deus nas línguas que todos aqueles judeus de várias partes do mundo podiam entender e que estavam em Jerusalém para a festa de Pentecoste.

Esse Pedro agora é bem diferente daquele que negara Jesus por três vezes. A questão toda é que, cheio do Espírito Santo, ele teve coragem, intrepidez, ousadia para testemunhar do mesmo Jesus que ele havia negado covardemente. O Poder da Igreja reside no fato de que o Espírito Santo nela habita.

Mas Pedro na defesa de seus irmãos em Cristo, expõe a Palavra. Apesar de eu pensar, bem humoradamente, que se Pedro pregasse esse seu sermão em algum seminário ele certamente seria reprovado, não podemos nos esquecer de que ele citou as Escrituras e do resultado de tal prédica. Para justificar o fenômeno da glossolalia (falar em línguas), Pedro disse que aquilo se tratava do cumprimento de uma profecia bíblica proferida pelo profeta Joel (2.28-32). Então vemos que se cumpre o que Jesus disse em João 14.16-31, com especial atenção aos versículos 25 e 26 onde lemos: “Isso vos tenho dito, estando ainda convosco; mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito”.

Portanto, o poder da Igreja reside na presença do Espírito Santo que nos faz lembrar as Escrituras que Ele mesmo inspirou, exatamente no momento em que testemunhamos de Jesus. Nós não dizemos: “Eu acho”, mas sim, “Está escrito”. E nos tornamos fontes a jorrar para a vida eterna ao abrir dos nossos lábios citando a poderosa Palavra de Deus, escrita por homens, mas INSPIRADA por Deus.

Quanto mais cheios da Palavra de Deus, mais eficiente é o nosso testemunho a respeito de Jesus. A Bíblia tem que estar na ponta da língua quando formos falar sobre a Salvação de Deus. Jesus afugentou o Diabo (Mateus 4.1.11) usando a Palavra escrita de Deus. Derrubamos as portas do Inferno com a Palavra de Deus em nossos corações, mentes e lábios. É a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo, que alcança os corações.

Por isso o Sermão simples de Pedro converteu tantos. Por isso Agripa disse a Paulo: “Por pouco me persuades a me fazer cristão”. (Atos 24.28) Então Paulo respondeu ao rei Agripa: “Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito, não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias”. (Atos 24.29).

O poder da Igreja – Coragem, Capacidade Para Expor as Escrituras e Capacidade de Produzir Resultados (conversões), não emana de sua carta de intenções teológicas, ou seja de sua confessionalidade, nem tampouco de sua boa forma de governo ou mesmo de estratégias humanas ou ainda da realização de muitos e muitos congressos e concílios, mas sim de ser ela, a Igreja, a habitação do Santo Espírito. Todas essas qualidades descritas nesse parágrafo são úteis, mas o poder para testemunhar com eficiência e eficácia sobre a pessoa de Jesus como Salvador e Senhor, emana do Espírito Santo de Deus.

Quanto mais cheios do Espírito Santo, mais santo é o cristão, mais poder em sua vida e em suas Palavras.

(Prezado leitor: ofereço nesse Blog um texto semelhante a esse intitulado - O PODER DA IGREJA (Atos 1.8). Seria útil lê-lo também). Obrigado! 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A IGREJA (5) – O CORPO DE CRISTO


Já discorremos sobre a origem da Igreja (Efésios 1.3-14). A Igreja, assim como a família, são instituições de origem divina, ou seja, foi Deus quem as idealizou e as concretizou. A tragédia da humanidade reside exatamente no fato de que o mundo se opõe a estas duas instituições.

Neste artigo eu quero chamar a sua atenção para a Igreja como o corpo de Cristo na terra, cuja cabeça é o próprio Cristo. Na analogia que Paulo faz do corpo humano com a Igreja, quando trata da questão dos dons espirituais, ele deixa isso claro (I Coríntios 12). No texto em que Paulo vai discorrer sobre os resultados de uma vida plena do Espírito Santo ele mostra, ao falar do relacionamento conjugal, que assim como o homem é a cabeça da mulher, assim também Cristo é a cabeça da Igreja - que é o seu corpo - (Efésios 5.15-28)

Podemos admitir que a Igreja é o próprio Cristo no mundo. A Igreja Cristã, quando fincada na Palavra e quanto mais pura for, apresenta ao mundo a pessoa de Cristo Jesus.

Eu gosto muito de pensar que quando Paulo ia para Damasco com o objetivo de aprisionar cristãos, e se fosse necessário até mata-los, Jesus veio a ele e disse: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9.4), ou seja, quem persegue a Igreja Cristã, persegue o próprio Cristo que nela habita.

Assim quando alguém fala contra a Igreja, quando alguém despreza a Igreja está falando e perseguindo o próprio Cristo. E como disse Jesus a Paulo: “Duro é para ti recalcitrares contra os aguilhões”. (Atos 26.14)

Na Igreja Cristã, que é o Corpo de Cristo, assim como no corpo humano, todos tem sua importância. O que é um corpo sem braços? Ou sem orelhas? Ou sem pernas? Ou sem nariz? Ou sem mãos? Um corpo sem um dos braços é um corpo defeituoso. Deus ao criar o homem o fez de forma perfeita. Cada órgão, cada sistema, deve cumprir seu propósito e deve fazer isso em benefício de TODO o corpo. Quando a boca inicia o processo de digestão ela está fazendo isso em benefício do corpo. O paladar não existe como um fim em si mesmo. O paladar existe para tornar o alimento digerido algo agradável. Assim, todos os membros trabalham em favor do corpo. Por outro lado, quando um membro do corpo sofre uma agressão, todo o organismo, em perfeito funcionamento, sente e reage.

O mesmo deve ocorrer com a Igreja. O que deve preponderar no relacionamento dos irmãos é o sentido de que somos todos igualmente importantes e até sermos humildes o suficiente para considerar o outro superior a nós mesmos (Filipenses 2.1-4). O que deve existir é o desejo sincero de submissão e sujeição no temor de Cristo (Efésios 5.21). O episódio no qual a mãe de João e Tiago pediu a Jesus que colocasse cada um dos seus filhos ao Seu lado ilustra o que NÃO deve ocorrer na Igreja, o Corpo de Cristo.

Você já parou para se perguntar quem é você no Corpo de Cristo que é a Igreja? Saiba que um membro inútil atrofia. Tenho visto muitas pessoas que estão na Igreja, mas parece que a Igreja não está nelas o que fica evidenciado por sua inércia e sua total inoperância.

Ninguém no Corpo de Cristo, que é a Igreja, está dispensado ou é inútil. Todos são, tendo os dons que o Espírito Santo lhes concede, importantes. Somos diferentes para nos completarmos. Quantas vezes vocês já parou para se questionar sobre qual é o seu papel, sua função no Corpo de Cristo? Lembre-se que “crente que não trabalha, dá trabalho”. Em minha experiência pastoral tenho constatado que os crentes mais críticos normalmente são aqueles que menos operam, trabalham, produzem. Parece-me que eles têm todo o tempo do mundo para observar assim como os fariseus observaram Jesus na sinagoga no exato momento em que Jesus, em um sábado, curou a mão ressequida de um homem. (Lucas 6.6-11)

Há trabalho para ti, irmão e irmã! Há ministérios, ou seja, há segmentos dentro da Igreja nos quais você pode servir. Não cruze seus braços. Eles podem atrofiar. Vi em um documentário sobre a religiosidade na Índia, que um homem, decidiu ficar com a mão direita fechada e com o braço direito estendido para o alto. Ele permaneceu assim por anos, e nunca mais pode abaixar o braço e abrir a mão. Eles perderam a funcionalidade, atrofiaram. 

Você canta? Então na Igreja há trabalho para você. Você tem o dom de ensinar? Então na Igreja há trabalho para você. Você gosta de ajudar as pessoas carentes materialmente falando? Então você pode ser um Diácono. E assim por diante.

Já estou no meu 27º ano de Pastorado nos limites da IPB. Tenho visto e ouvido tanta coisa nessa condição, que daria para escrever uma obra volumosa. Muitas dessas coisas me entristecem profundamente o coração. Uma das que mais me fazem entristecer é ver como algumas pessoas entendem equivocadamente a Igreja. É perguntado a elas no exame para sua admissão no momento da Pública Profissão de Fé: "Você tem certeza de sua salvação?". Se a pessoa responde que sim, então perguntamos: "Em quem base você se apoia para ter essa certeza?". Então descobrimos qual é a convicção soteriologica do examinado. Mas ao pensar em algumas pessoas que respondem com boa desenvoltura essas perguntas e que, sem demora abandonam a comunhão, eu decidi adicionar outra pergunta que, sinceramente e muito importante e sua resposta é reveladora: "Por que você quer membro dessa Igreja?". Creio sinceramente que nem os que já são membros há um bom tempo sabem responder com eficiência essa pergunta. Vivemos dias terríveis em que a maioria se filia a uma Igreja esperando o que ela pode fazer por eles e não o contrário. Lamentável e triste constatação.

Faça uma séria reflexão. Igreja não é uma casa de shows, onde você entra para encontrar entretenimento. A Igreja é a casa de Deus, o ajuntamento solene, onde os fiéis entram para encontrar, na comunhão com Deus e uns com os outros, entendimento.

A Igreja não é um restaurante a la carte onde você entra pede seu prato predileto e se satisfaz. A Igreja é o ajuntamento solene onde Deus é servido (Salmo 100) com alegria e júbilo apesar dos embates dessa vida aqui.

Quem é você na sua Igreja? Você serve ou só pensa em ser servido?

Finalizo contanto uma ilustração que li na internet em um dia desses. Não me recordo exatamente dos detalhes e uso aqui um pouco da minha criatividade. O que importa, mesmo, é a moral da “história”: Conta-se que certo homem visitou uma tribo indígena onde todos eram muito magros e fracos. A questão toda é que as colheres de sopa de que deveriam se servir no enorme caldeirão no meio da tribo, eram de cabos muito longos e os silvícolas não conseguiam levar, com essas colheres, o alimento à boca. Foi então que ele visitou outra aldeia e conheceu outra tribo e viu que todos eram gordinhos, saudáveis e felizes. Ele percebeu que as colheres nessa tribo também tinham cabo longo, mas logo percebeu que cada silvícola servia o outro no momento da refeição. Claro que essa história não é um fato, mas ela ilustra o que acontece em algumas Igrejas.

Nunca se esqueça, prezado irmão e prezada irmã: Se Cristo deu sua própria vida pela Igreja, se Ele derramou seu precioso sangue por ela, se Ele enviou seu Espírito Santo para ajuda-la em sua jornada, nenhum de nós tem o direito de trata-la com descaso e desprezo. Fazer isso é o mesmo que dar as costas ao próprio Cristo.



Que Deus nos abençoe.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A IGREJA (4) - BÍBLIA, A VERDADE.


“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. João 17.17

A Igreja Cristã tem um livro, um “manual”. Esse livro é a Bíblia Sagrada. É a Bíblia que tem autoridade sobre a Igreja e não o contrário. A Igreja nasce da revelação e não o contrário. A autoridade desse livro que chamamos Bíblia, Escritura Sagrada, Livro Santo, reside no fato de que ela é uma coleção de livros (Bíblia = Biblioteca) escritos por homens, mas homens inspirados por Deus para que registrassem em suas várias modalidades, a sua vontade, sua lei, seus desígnios. O texto de 2 Pedro 1.20,21 é notável: Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, porquanto, jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, orientados pelo Espírito Santo”.

Ao lermos a Bíblia, Deus abre sua boca e fala aos nossos corações. Por se tratar da Palavra de Deus, a Igreja Cristã a tem como única regra de vida, fé e prática (II Timóteo 3.16,17). Quero dizer a quem lê esses meus artigos que se você não crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, então tudo o mais que vou dizer não fará sentido para você.

A Bíblia é o livro que revela o ser de Deus como em nenhum outro lugar. A natureza pode revelar a existência de um criador, mas a Bíblia nos revela quem é esse criador. Somente a Bíblia revela o que de Deus podemos e devemos saber. Ler a Bíblia é importante porque é nela que você encontra a notícia mais maravilhosa que nossos corações anseiam ouvir, ou seja, que Deus em Cristo pagou o preço dos nossos pecados, morrendo a nossa morte para nos dar a vida eterna (João 10.10). Essa mesma Bíblia é que nos ensina como andar nessa vida aqui de tal maneira que Deus se agrade de cada um de nós.

Hoje temos visto muitas Igrejas que se auto intitulam “igrejas evangélicas”, mas que não praticam os ensinamentos bíblicos e têm cometido os mesmos erros da Igreja a qual os Reformadores do Século XVI confrontaram. Uma Igreja Cristã que não é Bíblica é uma contradição, um paradoxo.

John Wesley que findou a Igreja Metodista na Inglaterra no século XVII apresenta a seguinte equação: “A Bíblia deve ser fruto de homens bons ou anjos, de homens maus ou demônios, ou de Deus. Não é possível, no entanto, que homens bons ou anjos desejassem ter escrito um livro e incluir nele mentiras enquanto escreviam: “Assim disse Deus”, quando na verdade era uma invenção deles. Não pode ter sido escrita por homens maus ou demônios, porque estes não iriam escrever um livro que manda fazer o bem, proíbe todo pecado e condena suas almas ao inferno pela eternidade. Portanto, a Bíblia deve ser fruto da inspiração Divina”.

A Igreja usa a Bíblia para orientar na forma mais adequada de adoração, para educar o cristão para o pleno desempenho de sua cidadania celestial mesmo vivendo na terra e para testemunhar a respeito de Jesus como único e suficiente salvador. A Igreja se apoia na Bíblia ao dizer que só há um mediador entre Deus e os homens – Cristo Jesus (I Timóteo 1.5). A Igreja se apoia na Bíblia quando ensina que todos os homens são pecadores e por isso pecam. É assim que todos os homens nascem – como pecadores (Romanos 3.23). A Igreja enfatiza que Deus se apresenta como Trino, ou seja, são três pessoas da mesma essência e o mesmo Deus – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A Igreja crê e ensina que Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou. A Igreja crê e prega a Ressurreição de Jesus e ensina, com base na Bíblia que assim como Jesus ressuscitou todos os que creem Nele como Salvador e Senhor haverão de ressuscitar no dia glorioso da Volta de Jesus. Todas essas verdades e outras tantas são emanadas da Bíblia Sagrada e são o alicerce da fé do Cristão. Aquilo que a Bíblia ensina deve ser praticado.

A Igreja Cristã verdadeira anda nos trilhos da Palavra de Deus. A Bíblia é a verdade que sustenta a alma e o coração humanos. A Bíblia não é um livro de ciência, mas ela tem suficiente informação para todo coração aflito e perdido que busca o salvador. A Bíblia fala de Jesus como sendo a semente da mulher que é ferida no calcanhar pela serpente, mas essa mesma Bíblia diz que a semente da mulher, mesmo ferida, pisou a cabeça da serpente. Quando Jesus morreu na cruz do Calvário a serpente, Satanás feriu a semente da mulher (Jesus). Porém, a semente da mulher, mesmo ferida, tendo recebido a aprovação e o poder do Pai, deu seu golpe definitivo ao sair do túmulo ressurreto.

Como disse D.L. Moody o renomado evangelista do século XIX a respeito da Bíblia: “Ou este livro me afasta do pecado ou o pecado me afasta deste livro”.

Se você conhece uma igreja que não prega essas verdades, que negligencia a Bíblia, então ela não é um a Igreja Cristã de verdade.

Amém.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A IGREJA (3) – NECESSIDADE DA UNIDADE.




"JESUS MORREU POR MIM E POR VOCÊ PARA FAZER COM QUE SEJAMOS NÓS - A SUA IGREJA! NINGUÉM É, INDIVIDUALMENTE, IGREJA PORQUE IGREJA É AJUNTAMENTO SOLENE E NÃO É CONCEBÍVEL AJUNTAMENTO DE UM SÓ".

A Igreja Cristã tem sua origem no Trino Deus. Em Efésios 1.3-14 aprendemos que Deus o Pai escolheu aqueles que iriam compor essa sociedade chamada Igreja de Cristo antes da fundação do mundo. O comentarista bíblico, William Barclay disse o seguinte sobre essa escolha: “Não há nada de espetacular em que você escolha Deus em sua vida. O espetacular está no fato de Deus ter escolhido você”.  Você deve levar em conta que Paulo ao escrever tem em mente a Igreja como comunidade.

O texto diz que Jesus o Filho veio a esse mundo em uma missão de resgate e redenção daqueles que o Pai escolheu antes que houvesse mundo. Para isso Ele deu sua própria e preciosa vida. O texto conclui que o Santo Espírito nos sela depois de termos ouvido o evangelho e crido nas boas novas de salvação. Assim selados, a salvação é algo que não se perde em absoluto.

A Igreja Cristã não é invenção humana. Ela nasceu no coração de Deus o Pai e ao longo da história da humanidade, tanto no VT quanto no NT ela tem sido sustentada por Deus que fez com ela uma Aliança. Deus tem cumprido sua parte nesse Pacto cheio de Graça e Misericórdia.

Por isso quando formos opinar sobre a Igreja devemos colocar guardas em nossos lábios e economizar nossas palavras para não proferir contra ela um julgamento precipitado e pecar contra Deus. Falar da Igreja de Cristo, irresponsavelmente, é cometer o pecado de tomar seu nome em vão. Produzir cisão, divisão, quebra da unidade da e na Igreja, é pecar contra o próprio Deus, seja por palavras ou atitudes.

Ao lermos textos como Salmo 133, I Coríntios 12, Efésios 4.1-16, João 17, somos instruídos quanto ao zelo que devemos ter em manter a unidade Igrejas Locais que são parte e compõem a Igreja Universal.

No Salmo 133, por exemplo, aprendemos que é por meio do exercício da verdadeira comunhão e unidade que Deus propicia sua benção e a vida para sempre. Em I Coríntios 12 o apóstolo Paulo mostra que todos são importantes para o corpo (a Igreja) quando cada um cumpre a parte que lhe cabe na comunidade.

Essa unidade é essencial para o nosso aperfeiçoamento. Paulo fala a esse respeito em Efésios 4.1-16.

Há outros textos bíblicos que mostram direta, ou indiretamente, a necessidade da unidade da Igreja de Cristo para manifestar a Glória do Trino de Deus, para que a Igreja ofereça adoração sem ser rejeitada, e para que o testemunho a respeito de Cristo seja proclamado (João 17.20,21).

O primeiro relato de Lucas a respeito da Igreja Cristã na dispensação do Novo Testamento (Atos 2.41-47) nos ensina que aquela comunidade, ainda sem uma estrutura como a que temos hoje, sem os Ofícios (Diaconia e Presbiterato) ainda não definidos, era uma comunidade que zelava pela instrução dos apóstolos, buscava a santidade, praticava a comunhão com intensidade e era solidária. Por isso Lucas diz que aquela Igreja não apenas crescia, mas era simpática aos que a circundavam (Atos 2.47).

O que você tem feito pela unidade de sua Igreja? Quais têm sido suas ações em busca de uma comunidade onde verdadeiramente Deus é servido com alegria e não dissenções e divisões? Muitas vezes a unidade depende do nosso silêncio. Outras tantas vezes é preciso que aprendamos com o próprio Cristo a prática do amor que desemboca em atitudes legítimas de perdão. Outras vezes é preciso que nos sacrifiquemos e abramos mão dos nossos próprios direitos em detrimento de outros irmãos. É preciso o exercício da verdadeira humildade (Filipenses 2.1-11) seguindo o exemplo do mestre Jesus. É preciso que sejamos suportes para outros irmãos (Colossenses 3.14-17) e que eles estejam dispostos a serem suportes para nós também. É preciso que julguemos com amor e prudência sempre buscando o crescimento e a maturidade cristãs (Gálatas 6.1-5). É preciso que façamos o que temos talento e dom para fazer. Deus nos dota e nos capacita. Em sua Igreja todos são úteis. É preciso que nos enchamos no Santo Espírito de Deus (Efésios 5.15-21) para podermos servir e sermos servidos.

A unidade da Igreja é necessária para expressar a perfeita unidade das três pessoas da Trindade Excelsa – Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

O poder da Igreja se manifesta por ser ela a habitação do Espírito Santo de Deus e esse Santo Espírito nos convida hoje a refletirmos profundamente sobre a unidade por meio da qual a Igreja irá prevalecer até contra as próprias portas do inferno (Mateus 16.18).

Amém.

sábado, 10 de dezembro de 2016

A IGREJA (2) ORIGEM!


Quando refletimos sobre a Igreja de Cristo precisamos, antes de pensar em sua missão e razão de ser e existir, analisar sua origem. A Igreja Cristã é de origem sobrenatural. Há duas instituições que Deus trouxe à lume – a Família que começa com o casamento de uma mulher com um homem e a Igreja que vive duas fases distintas, a saber, aquela que começa com um povo – o povo de Israel – na dispensação Vétero-Testamentária é tem sua origem em Abraão e aquela que nasce em Cristo Jesus na dispensação Neo-Testamentária.

Deus fez uma aliança com Israel e dispôs toda uma ordem de procedimentos que seu povo, a Igreja do Antigo Testamento, deveria praticar para que se constituíssem em luz para as nações pagãs, uma benção para o mundo (Gênesis 12.1-3). Tudo o que regulava o relacionamento de Deus com seu povo (Israel) estava lá naquela aliança em forma de tipos variados. Para exemplificar isso podemos citar os dois sacramentos do Antigo Testamento – Circuncisão e Páscoa. Esses sacramentos são, além de ordenanças divinas, marcos no relacionamento de Deus com o povo da aliança, Israel a Igreja do Antigo Testamento. Abraão foi chamado por Deus quando vivia em um contexto de idolatria e politeísmo. É Deus quem chama para a aliança. É Deus quem instrumentaliza seus servos na jornada a que devem empreender.

A Igreja do Novo Testamento (Nova Aliança) nasce com o sacrifício vicário e expiatório de Jesus, o Messias (Jesus Cristo – porque Cristo e Messias são dois termos em línguas diferentes – grego e hebraico, que significam Ungido). Batismo e Ceia são dois marcos da Igreja Neo-Testamentária que substituem a Circuncisão e a Páscoa do AT. Aquilo que era tipo e simbolizava, agora se torna concreto em Cristo. Ele foi batizado e tomou a Ceia com seus discípulos. Jesus foi a promessa, o tipo, encarnados.

Minha intensão não é que nos aprofundemos nessa questão. Há muitos itens a serem considerados e isso fugiria aos nossos propósitos. Queremos, falando de Igreja, nesse segundo artigo, considerar o fato de que essa instituição não é resultado de um ajuste sociológico, não é invenção humana, em absoluto. A Igreja Cristã é, tanto no AT quanto no NT uma instituição nascida de forma sobrenatural, nascida em Deus.

Pense nisso quando você for opinar sobre ela! Pense nisso quando você for se relacionar com ela. Você pode desprezar um emprego em uma instituição secular, mas jamais pode dar as costas à Igreja de Cristo. Você pode encontrar defeitos na Igreja Cristã, mas jamais usar isso como desculpa para maltratá-la. Ela continua sendo a Noiva do Cordeiro, ainda que defeituosa e limitada – afinal das contas essa Noiva ainda não foi resgatada, ela aguarda o Noivo para as Bodas. A Igreja Cristã ainda não é o Céu e nem a Nova Terra e o Novo Céu.

A Igreja Cristã é Israel no deserto. Vê milagres, é sustentada e mantida por Deus, mas ainda assim é rebelde, ainda assim murmura e revela saudades do “Egito”. A Igreja Cristã é a nova sociedade nascida em Cristo (Efésios 1.3-14). Ela é composta de homens e mulheres, jovens e crianças que foram eleitos antes da fundação do mundo. Essa nova sociedade é composta de gente que foi selada pelo Santo Espírito de Deus que regenerou cada um dos eleitos dando-lhes toda suficiência para compreender o seu estado e crer em Cristo como Salvador e Senhor. Se apenas a geração que nasceu no deserto e que tinha menos de vinte anos, juntamente com Josué e Calebe entraram na Terra Prometida, na Igreja do Novo Testamento, nenhum dos que nasceram de novo, foram regenerados, se perderá.

Quando você for opinar sobre a Igreja, lembre-se de sua origem divina e sobrenatural. Quando você for se envolver com ela lembre-se de que o amor sacrificial de Cristo precisa ser visto em seus seguidores, em seus discípulos. Quando você for opinar sobre a Igreja de Cristo, lembre-se de que Ele deu sua própria vida por ela e que você não tem o direito de fazer menos do que isso se quiser ser reconhecido como discípulo de Jesus. 

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


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