quinta-feira, 5 de maio de 2016

A "IGREJA" DE HOJE...........

Tenho observado atentamente o movimento evangélico no Brasil. Claro que faço isso estando envolvido diretamente nessa questão já que sou evangélico, protestante reformado, pertencente aos quadros dos Pastores da Igreja Presbiteriana do Brasil. Tenho 61 anos (2016) vividos na Igreja e desses 61 anos, 27 como Pastor em tempo exclusivo, ininterrupto e integral. Vejo o que está acontecendo de dentro para fora. Não sou um observador que não conhece o assunto, muito pelo contrário. Não sou alguém que analisa, olhando do lado de fora. Eu estou dentro da Igreja na condição de Pastor.

Concluo que os membros das Igrejas que aderiram ao protestantismo de pelo menos 25 anos para cá, necessitam urgentemente analisar se são mesmo crentes protestantes, discípulos de Jesus, ou o que? O evangelho que essa gente ouviu, sinceramente, não é o evangelho da graça, não é o evangelho da Bíblia. Ouso, com tristeza afirmar, que é um outro evangelho. Um outro evangelho produz um outro evangélico. Outro evangelho produz um outro cristão e não o da Bíblia. Esse evangelho produziu um outro tipo de Igreja que perdeu de vista alguns fundamentos básicos da verdadeira Igreja que são:

1. CONHECIMENTO DA BÍBLIA. Pelo amor de Deus! Hoje temos "igrejas" que cantam com qualidade profissional, que desenvolvem métodos de marketing de primeira linha, que são tecnologicamente modernas, mas cujo conhecimento da Bíblia é medíocre. A maioria dos frequentadores portam suas Bíblias (quando portam), mas não leem e nem meditam nelas. Por isso o que as faz sobreviver, como sociedade, são os métodos de marketing e os recursos tecnológicos, além da agenda light. Por isso o que leva as pessoas a frequentar tais "igrejas" são os recursos aludidos acima e não a busca por conhecer Deus na intimidade de forma que isso resulte em santidade. O conhecimento bíblico hoje no meio chamado evangélico é medíocre. Temos uma Igreja que não sabe orar simplesmente porque não tem intimidade com a Palavra de Deus e consequentemente com o Deus da Palavra. Assim sendo, graça a infantilidade do "determino isso, declaro aquilo" como se o Deus Soberano revelado na Bíblia pudesse ser manipulado, colocado contra a parede e obrigado a fazer o que o "bispo", o "apóstolo" mandarem. Essas "igrejas"precisam conhecer a Palavra de Deus, se aprofundar no conhecimento do Deus da Palavra e temer a esse Deus. Você pode chamar qualquer coisa assim de comunidade, mas não de Igreja Cristã. A Igreja Cristã verdadeira é aquela que ama a Palavra de Deus e a tem como livro de regra, fé, vida e prática.

Outro fundamento abandonado por essas comunidades que se auto-intitulam Igreja de Cristo, mas não são é que......

2. A HERMENÊUTICA DOS SEUS PREGADORES É SOFRÍVEL. O fato do frequentador não conhecer a Bíblia, facilita o trabalho do "pregador" nessas "igrejas". Não importa se ele diz asneiras teológicas desde que os recursos de retórica façam do discurso algo agradável. Nos dias de hoje ná notáveis com respeito a essa prática. Veja você um exemplo do que estou falando neste vídeo:



Essas "igrejas" então se tornaram um ambiente onde as pessoas vão para ouvir boa música, um bom discurso que lhes faça bem aos ouvidos. Os frequentadores dessas comunidades deveriam fazer com os bereanos que conferiam o que Paulo lhes dizia, com aquilo que estava na Escritura (Atos 17.11,12).  Lembro-me enquanto penso a esse respeito, nas palavras de Paulo quando disse ao Pastor Timóteo: "Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-s-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas". I Timóteo 4.3,4  Portanto, esses frequentadores acreditam em tudo que os tais "pregadores" nessas comunidades pregam, simplesmente porque lhes falta o conhecimento da e na Palavra de Deus. Jesus advertiu os saduceus quando estes o colocaram à prova: "Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus". (Mateus 22.29) A hermenêutica bíblica (interpretação da bíblia) é totalmente anômala e serve aos propósitos daqueles que desejam admiradores de si mesmos em vez de fazer discípulos de Cristo, o Mestre dos Mestres.

A falta de leitura e meditação na Bíblia, a hermenêutica distorcida para servir aos propósitos dos pregoeiros de um outro evangelho não são as únicas características dessas comunidades chamadas igrejas cristã, mas que estão em longe de realmente serem a Igreja pela qual Cristo morreu e ressuscitou. Esse tipo de comunidade também perdeu.....

3. O CONCEITO DE QUE A IGREJA É O CORPO DE CRISTO. Há alguns anos quando dizia-se que a Igreja era o corpo de Cristo, um organismo vivo e atuante, fazia sentido. Hoje não faz sentido nenhum porque se perdeu de vista completamente a ideia de comunhão e unidade de uma Igreja local. Como a Igreja se tornou mais um teatro do que o "ajuntamento solene dos santos em adoração ao trino Deus" cada um vem, paga sua entrada (com ofertas e dízimos) se descontrai e volta para a sua vida sem se envolver com outras vidas. A impessoalidade nessas comunidades (com raríssimas exceções) é de estarrecer. A ideia de uma Igreja à semelhança daquela descrita por Paulo em I Cor. 12.12-31 é totalmente estranha hoje e a maioria não se dá conta disso simplesmente porque não lê as Escrituras. Lá Paulo faz uma analogia da Igreja de Cristo com o corpo humano. Nisso ele enfatiza que todos os seus membros são igualmente importantes e que aquilo que fere e machuca um dos membros, é sentido por todo corpo. Mas não é isso que se vê nas comunidades e "igrejas", principalmente naquelas mega-igrejas, com milhares de membros. Sou um ardoroso defensor de que devemos ter um maior número de Igrejas com um menor número de membros. Igrejas numerosas tendem a se tornar impessoais. Não há condições de um real pastoreio. Se o Pastor é aquele que deve ter o cheiro da ovelha, ele deve viver entre elas, mas como isso é possível se ele apenas é visto no púlpito como um "semi-deus"? Os frequentadores das chamadas "igrejas" de uns vinte e cinco anos para cá não aprenderam que a Igreja de Cristo é o Corpo de Cristo do qual Jesus é a Cabeça. Esse jeito de fazer igreja produz fanatismo pelo líder, culto à personalidade. Ora, se os reformados criticam o Culto à Maria, porque então iríamos nos calar ao ver o culto ao Edir Macedo. Porque iríamos nos calar aos ver o culto prestados aos tais "apóstolos". Igreja Cristo é corpo, organismo vivo onde todas as partes interagem, se tocam, se relacionam e laboram em prol do progresso do Evangelho.

Mas há um outro fundamento que, tem tudo a ver com  a perda do conceito bíblico de que a Igreja é o Corpo de Cristo. Infelizmente, na busca de se ter templos lotados, membresia numerosa, a....

4. A VERDADE QUE LIBERTA FOI TROCADA PELO PRAGMATISMO QUE AGREGA. Quando viajo para pregar e cantar, uma das perguntas que mui comumente me fazem é: - Quantos membros têm sua Igreja? Essa pergunta tem uma razão simples. Ela se baseia na infeliz ideia de que uma Igreja numerosa é sinal de sucesso na carreira ministerial. E muitos que se deixam seduzir por essa ideia são facilmente enredados na teia do pragmatismo que é a filosofia que defende que os fins justificam os meios. No caso dessas "igrejas" a ideia é: não importa doutrina, não importa pureza, não importa a Bíblia; o que importa é Igreja cheia e numerosa. Então começamos ver Igrejas enormes, com dois "cultos", com equipe "pastoral", mas que não desenvolve comunhão, interação entre os membros. Uma Igreja cheia de gente vazia. Não se pode dizer que essas Igrejas têm membros; elas têm frequentadores. Já entrevistei muitos membros de Igrejas como essas e ao fazer as perguntas mais básicas sobre a Bíblia fiquei horrorizado em ver o quanto são ignorantes. Ignorantes são facilmente enganados. 

Infelizmente hoje, o evangelho não é mais a verdade que liberta, mas a filosofia que agrega. Infelizmente hoje, o evangelho não é mais as boa nova de salvação da perdição eterna, mas sim a notícia de que você pode se tornar próspero e bem sucedido. Infelizmente o evangelho não é mais aquele que promete luta, dor e aflições aqui e glória no futuro, no novo céu e nova terra mas sim a enganosa utopia de que o céu é aqui mesmo. Infelizmente o evangelho não é mais a boa notícia de que podemos ter comunhão com o Deus Soberano e Santo, mas sim ter um Deus domesticado, um utilitário, um ente humanizado, feito à semelhança do homem e não o contrário. 

Mas felizmente eu creio que as portas do inferno não hão de prevalecer contra a verdadeira Igreja, contra os eleitos de Deus que não se curvam diante de Baal e das teologias de humana libertação. Felizmente eu creio que sempre haverá um remanescente fiel proclamando as virtudes Daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Felizmente eu creio que a tristeza e dor do tempo presente não podem ser comparados com a glória por vir que está reservada àqueles que são predestinados, chamados justificados (Romanos 8.29,30) por Deus. 

Um comentário:

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