quinta-feira, 12 de maio de 2016

NÃO SE CALE QUANDO VOCÊ DEVE FALAR.

Findo esse primeiro, longo e doloroso round na política nacional que resultou em um nocaute da Presidente com sua suspensão por 180 dias (que mais parecem férias remuneradas do que qualquer outra coisa), vou, mais uma vez, me expor para dizer o quanto eu fiquei triste em ver quantos se omitiram e se esconderam.

Eu tenho consciência de que falar é se expor. Eu sei que muitos nutrem uma certa antipatia por minha pessoa. Alguns, até por me considerarem, ficam silenciosos em emitir uma opinião a meu respeito, a mim, mas certamente não o deixam de fazer a outros. Na boca de alguns eu até sou motivo de chacota e motejo. Mas eu não vou entrar para a história como alguém que se omitiu. Sou Pastor, mas sou cidadão. E como disse Alexander Pope: "Um ministro, mas ainda um homem". 

Tenho consciência ainda, de que falar muito pode fazer com que erremos mais do que o comum. O sábio registrou: "Quando se fala demais é certo que o pecado está presente, mas quem sabe controlar a língua é prudente" (Provérbios 10.19). Há um ditado popular que diz: "Quem fala demais dá bom dia para cavalo". 

Mas, (e louvado seja Deus por essa cláusula adversativa) calar também pode implicar em pecado, erro, equívoco, assim como falar demais. Há alguns que se escondem por detrás do silêncio. A motivação talvez seja passar uma impressão de piedade e sabedoria. 

Nesse processo todo eu fiquei esperando, aguardando, algumas pessoas se pronunciarem a respeito do processo que culminou hoje, às 06h32 com o impeachment da Presidente Dilma Roussef que estará suspensa por 180 dias nos quais ela será devidamente processada na acusação que lhe pesa sobre os ombros de ter cometido crime de responsabilidade. Foram 55 Senadores que assim votaram, contra 22 outros que votaram contra a admissibilidade do processo.

Fiquei triste! Não pelo afastamento de Dilma. Não votei nela e jamais votaria em candidato do PT e também do PC do B, PCB e outros partidos cuja ideologia é comunista, de esquerda. Eu me entristeci em ver a que ponto chegamos em termos de política nesse país. Fico a me perguntar se Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro Presidente do Brasil no período do Regime Militar no Brasil, não teria boa dose de razão ao sentir repulsa sobre a classe política. Fiquei estarrecido quando vi a debandada do PMDB, que até o dia 15.04.2016 apoiava a Presidente, mas que, a exemplo dos ratos, bateram em retirada ao primeiro sinal de perigo. 

Outra situação que me deixou estupefato foi a jurídica. Teria Dilma cometido os crimes de que a acusam Janaina, Realle e Bicudo? Depois de ouvir muitas opiniões de defensores e acusadores, ter lido a Constituição, o Código Penal Brasileiro cheguei à conclusão que sim. Conclui que ela cometeu o pecado de que lhe acusam. Mas será que não poderia haver um acordo político na busca de se evitar esse processo tão doloroso e desgastante. Creio que sim, mas Dilma e o PT jamais se fragilizariam. É como diz as Escrituras: "O orgulho precede a queda" (Provérbios 16.18) 

Há dois fatores aqui que devem ser considerados: 1) A forma como o PT chegou ao poder. O PT chegou ao poder adquirindo visibilidade fazendo oposição dura, implacável. O PT era o partido que vivia à caça de assinaturas para instalação de CPIs. Foi o PT o implacável algoz de Collor (PT + Globo) para o impeachment deste em 1992. Collor, até então "caçador de marajás" ganhou a antipatia, a aversão de muitos. Assim como o PT que prometeu fazer uma política de ganho social e limpar a corrupção do chão da política brasileira, mas infelizmente, seduzido pelo poder e pela imunidade que aparente o poder garante, corrompeu e se corrompeu. 2) O PT amou estar no poder. "Muito poder, muita corrupção", dizem alguns. Para se manter no poder, o PT fez das suas. Eis a grande tragédia. Collor em seu discurso falando sobre ritmo e rito dos processos de impeachment, dele e o atual, se esqueceu de dizer que ambos, ele o PT, chegaram ao poder falando contra a corrupção. Mas, e principalmente no caso do PT, podemos dizer que não foi um rio e sim um mar de corrupção e má gestão econômica / administrativa o que se viu.

O resultado não poderia ser outro. Hoje, com tristeza e vergonha, a Senhora Dilma deixara o Planalto e outro irá assumir a Presidência do Brasil. E o Brasil lavou sua roupa suja em um tempo no qual os meios de comunicação são avançadíssimos e não se perde uma gota sequer do que é notícia. O mundo todo deu tanta atenção ao Brasil nos últimos dias quanto havia sido dado em 11 de Setembro de 2001 no atentado ás Torres Gêmeas nos USA.

Mas, nesse processo todo, muitos dos quais eu esperava pronunciamentos, só tive o silêncio. E isso me entristeceu tanto quanto os motivos aludidos acima. Por que silenciaram? Por que se calaram? Por que não opinaram? Será que ainda vamos viver a filosofia tola de que "política não é coisa de crente"?

Afirmo que me expus. Acertei e errei. Sempre será assim com quem se expõe. Melhor errar tentando do que cometer o erro de nunca tentar. Falei como cidadão. Falei com a mente e com o coração. Mas eu falei. Não me escondi porque eu acredito que o silêncio nem sempre é sinal de sabedoria e piedade, mas muitas vezes denota covardia. Na mesma Bíblia que eu leio encontro o alerta de que falar demais pode te levar a pecar eu também leio: "Maças de ouro com enfeites de prata é a palavra falada em tempo oportuno" (Provérbios 25.22)

Concluo: A sabedoria não está no silêncio e nem no falar demais. A sabedoria está na palavra dita no tempo certo. Simplesmente dizer: "Vamos orar pelo Brasil", é fora de propósito. Orar é algo que devemos fazer sempre, sem cessar (I Tes 5.17). Paulo exorta a Timóteo a orar sempre por todos os homens, e inclui as autoridades. Mas muitos se escondem por detrás desse discurso aparentemente piedoso.

Há momentos nos quais é necessário que emitamos nossa opinião. Não podemos nos esconder. Gsto muito do trecho da música cantada por Beto Guedes - CANÇÃO DO NOVO MUNDO - em que el diz: "Quem perdeu o trem da história por querer/saiu do juízo sem saber/foi mais um covarde a se esconder/diante de um novo mundo.

Confesso que eu esperei ter amigos e companheiros nessa hora, mas eles foram em número muito pequeno. 

Um comentário:

  1. Caro Rev. Mauro...
    Compartilhamos muito desta caminhada, meu blog testemunha isso [http://marthonmendes.blogspot.com] e nossas conversas pessoais, interações via orkut e facebook... também ouvi muitos me mandarem calar... amigos e não tão amigos assim.. tente que queria o meu bem e gente que não me queria bem... faz parte... não acredito que tenhamos chegado ao céu - mas pelo menos tiramos a pedra que impedia a saída do inferno. Abraços.

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