sexta-feira, 30 de setembro de 2016

OLHA COMO TU VÊS! - LOOK LIKE YOU SEE!

OLHA COMO TU VÊS!
(Provérbios 24.23)

“Quando somos muito moços não julgamos bem;
quando somos muito velhos, também não”. Pascal


Um dia desses fomos, eu e Ângela minha esposa, ao Shopping ABC Plaza buscar uma roupa que havia mandado ajustar. Cheguei por volta daS 16hs10 e me dirigi à loja correspondente. Tive que aguardar até as 17h10. Depois disto, paguei o cartão do estacionamento e me dirigi ao local onde meu carro estava estacionado. Ao olhar de dentro para fora do Shopping, comentei com a Ângela:

          - Puxa vida! Olha lá fora e veja como o tempo mudou de uma hora para a outra.

       Ela também ficou admirada. Raciocinamos juntos, que quando saímos do carro o tempo estava ensolarado (dias de outono) e agora já não era mais o mesmo; estava acinzentado. Foi então que saímos do Shopping e percebemos que o tempo era o mesmo, ou seja, estava tão claro como quando chegamos. O que estava acontecendo é que os vidros das portas de entrada e saída do Shopping são mais escuros e passa-nos a impressão, equivocada, de que o tempo esta mais escuro.

       Isso acontece muitas vezes em nossas vidas. Para que tenhamos uma compreensão correta de tudo à nossa frente, é preciso que nos dispamos de nossos pressupostos, de nossos preconceitos. Se não agirmos assim, então teremos uma visão equivocada de tudo ao nosso redor.

       Conta-se que uma certa senhora, ao servir a mesa no café da manhã, chamou com insistência seu marido para que observasse, de sua janela, a vizinha pendurando roupas e lençóis “sujos” no varal. Este fato se repetiu por alguns dias. Foi então que seu marido, em um dado momento, ao ser chamado novamente para ver as “roupas sujas sendo penduradas no varal” pediu a sua esposa um pano e com ele limpou os vidros da janela mostrando à sua esposa que não eram as roupas da vizinha que estavam sujas, mas sim sua vidraça.

       Pequeno é o mundo de fora à proporção em que pequeno é o mundo de dentro da gente. Muitas vezes produzimos conflitos e mais conflitos em nossos relacionamentos, demonstramos dificuldades para conviver com pessoas, fazer novas amizades, manter as amizades antigas, justamente porque passamos a olhar para as pessoas através dos óculos embaçados pela inveja, pelo preconceito, pela soberba e orgulho.

       Na verdade tudo depende de como olhamos para o outro. Se o fazemos com amor e compreensão o resultado é sempre positivo. Se olharmos para o outro, vendo nele, não um competidor, mas um companheiro e irmão; se olharmos para o outro com simpatia, como diz um dos hinos do nosso hinário, certamente teremos relacionamentos mais estáveis e duráveis.

       Mas há algo que não podemos nos esquecer. Nosso jeito egoísta de ser, faz com que olhemos e ajuizemos o outro. Mas, como será que os outros nos vêem? Além de tudo, não podemos nos esquecer de que um vidro, por mais escuro que seja, por mais sujo que esteja, permite que vejamos os outros e que os outros nos vejam também. Então muito cuidado, pois, ao olhar os outros, você também está sendo visto e notado.

A BORBOLETA - BUTTERFLY - БАБОЧКА - MARIPOSA

A BORBOLETA
(II Cor. 5.17)



“Deus deve fazer primeiramente algo por nós e em nós,
antes que venha a fazer alguma coisa por nosso intermédio”. Eleanor L. Doan




Eu conheço muitos tipos de colecionadores. Há aqueles que colecionam selos, outros colecionam canetas, latas de refrigerantes, e colecionadores de borboletas. Há algumas borboletas que são raríssimas, você sabia? E elas custam uma verdadeira fortuna. Algumas borboletas são lindíssimas, com suas asas multicoloridas voando sempre em turma, colorindo o verde da mata.

Mas você sabe o que a borboleta é antes de se tornar uma borboleta? Muito bem! A borboleta é uma lagarta, coisa que ninguém coleciona. Eu não conheço nenhum colecionador de lagartas, você conhece? Quando eu era criança, gostava de pegar algumas borboletas nas mãos e apreciar o desenho e o colorido de suas asas. Mas nunca ousei pegar uma lagarta em minhas mãos. Na verdade a lagarta é mesmo um bicho asqueroso.

Por incrível que possa parecer é com a lagarta, que depois se transforma em borboleta, que podemos ilustrar a regeneração, o novo nascimento, fato que acontece na vida daqueles que foram eleitos por Deus antes da fundação do mundo (Efésios 2.4). Antes do novo nascimento, todos são iguais às lagartas; horripilantes, asquerosos. Depois do novo nascimento, borboletas, vidas encantadoras, multicoloridas, embelezadoras, cheios de graça.

Se você me perguntar qual o versículo mais importante para mim na Bíblia, aquele que me fala mais fundo ao coração eu direi que é II Cor. 5.17: “E assim se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. Este versículo tem muito a ver com a lagarta e a borboleta. Antes de estarmos em Cristo somos como as lagartas. Em Cristo, somos feitos novas criaturas, “borboletas” por assim dizer. Fora de Cristo somos lagartas. Em Cristo, borboletas!

É importante que Paulo, no versículo citado, fala de coisas antigas. Mas que coisas antigas são essas? Bem creio que há uma lista delas no texto de Efésios 4.17 – 5.1-14. Claro que esta não é uma lista fechada definitiva, mas devemos considerar que é uma lista das coisas que faziam parte do modo de vida antigo. Veja só que coisas antigas são essas: mentira, ira pecaminosa, furto, palavra torpe, amargura e cólera, gritaria e blasfêmias, impudicícia, impurezas, cobiça, palavras vãs ou chocarrices (gozações depreciadoras), incontinência (sem domínio de si), avareza. Quem pratica estas coisas assemelha-se a uma horripilante e asquerosa lagarta.

Jesus morreu na Cruz do Calvário para nos redimir e fazer com que cada eleito de Deus seja feito uma nova criatura. É na cruz de Cristo que cada um de nós é transformado de lagarta em borboleta, pois como disse Paulo: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”. (Gálatas 6.14) Naquela cruenta cruz, você e eu, deixamos a velha natureza e fomos feitos novas criaturas.

Este mundo só tem beleza por causa dos Cristãos verdadeiros que nele habitam. Eles fazem parte da graça comum que alcança a todos, justos e injustos. Os crentes são aquelas criaturas que trazem encanto com seu jeito peculiar de viver, assim como a borboleta encanta o campo, o jardim, as flores. Resta, a você querido leitor, fazer um auto-exame e responder: você é uma borboleta ou uma lagarta? Encanta todos ao teu redor ou não? Embeleza o ambiente com teu sorriso e carisma ou não? Exerce atração ou repeles as pessoas como fazem as lagartas horripilantes? Sejamos como as lindas borboletas do campo. Elas são cada vez mais raras, é verdade, assim como a cada dia são mais raros os verdadeiros cristãos.

AMOR! O DOM SUPREMO

AMOR: O DOM SUPREMO!

(I Coríntios 13)


“O Amor Eterno não tira para dar, mas
para dar muito mais do que tirou”.
Amélia Sievekinmg

       

      Será que há algo mais maravilhoso do que o amor com que amamos ao nosso próximo? Eu particularmente creio que não há nada mais maravilhoso do que este amor que Deus tem derramado em nossos corações. É este amor que une o esposo à esposa e vice-versa. É o amor que une os filhos aos pais e os pais aos filhos. O amor faz com que exercitemos a fraternidade inaugurada com o sacrifício vicário de Cristo na Cruz do Calvário.
                            
      O amor gerencia tudo o mais na vida da gente. Quando fazemos algo e o fazemos por amor, não há dúvida de que nos aplicamos ao máximo para levarmos a bom termo nosso projeto, seja ele qual for. É este amor que surge nas horas de maior dificuldade dando demonstração de bravura e indômita coragem.

   “Conta-se que, durante a Segunda Grande Guerra, um jovem oficial do exército seguiu com seu regimento a fim de lutar ultramar. Dias antes de sua partida, ficou noivo de uma moça encantadora, crente sincera e pertencente à alta sociedade.

      Numa das cruentas batalhas em que tomou parte, o bravo militar foi gravemente ferido e teve sua perna amputada. Durante a sua convalescença, com inusitada dignidade e invulgar desprendimento, escreveu uma carta à noiva, descrevendo o pungente infortúnio que o atingira. Era agora – dizia na missiva – um homem combalido, desfigurado e mutilado, bem diferente, pois, do moço garboso que ela conhecera. Portanto, com imenso pesar, ele a liberava de quaisquer compromissos matrimoniais assumidos.

       Sem tardança a graciosa jovem, em resposta, escreveu-lhe uma carta, não menos nobre e comovente que aquela que recebera do noivo desditoso. Nessa carta, ela descartou qualquer possibilidade de romper a sua promessa de casamento em virtude do que acontecera com o noivo nos campos de combate, acrescentando ainda o seu veemente propósito de convolar as núpcias com seu amado, “desde que tenha sobrado uma pequena parte do corpo, que possa conter a sua alma sublime”. Clarence E. Macartney  - Ilustrações para todas as horas . Juerp.

       Resta a cada um saber, com a maior intensidade possível, o quanto temos exercitado este amor que vai além de qualquer arrazoado, que vai além de qualquer poesia e ultrapassa em muito o poeta. O verdadeiro amor não discrimina, não preconceitua, é incondicional, é longânimo, compassivo, paciente, humilde.

       Meu prezado leitor...

Se não amas como deverias amar,
então não vives como deverias viver.
Se não amas como deverias amar então não é sincero o teu olhar.
Vazio estás se não amas como deverias amar,
sem coragem no peito, sem música no ar.
Se não amas como deverias amar, não sabes perdoar.
Caminhas errante, sem horizonte, se não amas como deverias amar.

O DOMINGO, MEUS PAIS E EU!


O DOMINGO, 

MEUS PAIS E 

EU.
(Atos 19.9)



“O orgulho é a porta que se fecha e por onde
o conhecimento e a sabedoria não podem passar”.
Rev. Mauro Sergio Aiello




Eu tenho mesmo saudades dos meus dias da infância. Talvez você me acuse de nostalgismo, se me permite o neologismo. Ou talvez você diga que se trata de um choque de gerações e que eu não aprendi a viver no tempo presente. Não sei do que mais você me rotularia, mas de uma coisa tenho certeza; nos meus dias de criança as coisas eram melhores do que hoje.

Eu me recordo que naqueles dias, todos aguardávamos o domingo, não por causa da macarronada da mama, da “brajola” e do guaraná caçulinha. O domingo era gostoso por causa disso também, mas o mais importante era que respirávamos um clima religioso mais acentuado. O domingo era o Dia do Senhor, mesmo! Tudo girava em torno da Igreja e de suas atividades.

Minha memória me traz a lembrança de que morávamos bastante longe da Igreja. Era uma caminhada de trinta minutos em ruas de terra, esburacadas, e barrentas quando chovia.  Não tínhamos carro. Por isso íamos a pé. Voltar pra casa ao meio-dia, o sol a pino era duro.

Meu pai não era convertido e por isso íamos somente eu, mamãe e meu irmão mais velho, o José Luiz. Quando nasceram o Paulo e a Luci, eu e o “Zé Luiz” tínhamos que levá-los nos braços, nos ombros. Não era fácil. A Igreja era bem simples. Não tínhamos piano, órgão, violão, som, play-back, etc. Era tudo no “gogó” e a “seco”. Na Igreja nos assentávamos ao lado da mamãe e tínhamos que prestar atenção a cada detalhe da Escola Dominical ou do Culto. Se nos comportássemos mal, mamãe chegava em casa e chamava o velho Vincenzo. Então papai e mamãe nos disciplinavam. Às vezes apanhávamos, outras, éramos proibidos de bater a tão gostosa bolinha, ou a privação de algum privilégio.

O domingo era sagrado para minha mãe que era e é crente, e para meu pai que, naquela época, era um italiano católico carola. Minha mãe era um exemplo de pontualidade e assiduidade com as atividades da Igreja. Sob sol, chuva, calor ou frio, lá estava a família em sua marcha para a Igreja, domingo após domingo, gostássemos ou não. Cansaço não era desculpa para faltar. Eu estudava e, já com doze anos trabalhava. Na verdade eu era um “segurança” (olhava a porta de uma loja na esquina da rua Maria Marcolina com a rua Chavantes). Meu irmão era balconista nessa mesma loja do “seu Salomão”. Ao chegar em casa pegávamos os livros e corríamos para a escola. Não tinha moleza: só íamos mesmo comer uma comida quentinha em casa, bem tarde da noite, pois o almoço era na base do marmitão. Mas...domingo após domingo, lá estávamos nós, animados, alegres e felizes naquela “Igrejinha” na rua Gentil de Moura no bairro de Vila Buenos Aires, bem na beira de um córrego que cheirava mal.

Também trago à memória o cuidado de minha mãe em que cada um de nós tivesse nossa Bíblia e o hinário Salmos e Hinos. E tínhamos que levar, pois, tínhamos que abrir a Bíblia e acompanhar a leitura feita pelo Pastor, abrir o hinário e cantar com os demais irmãos.

Hoje me alegro em ver que aquela vida cheia de desafios, fez-me uma pessoa forte e que não se dobra diante das dificuldades. Aqueles dias são doces lembranças que espero imprimir na memória e coração dos meus filhos. Que eles também tenham suas lembranças e se orgulhem de falar e escrever, sobre elas, quando chegarem à idade adulta.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ESTERILIDADE



ESTERILIDADE
(Mateus 21.18-22)




“Uma árvore sem fruto é como um prato vazio.
Uma religião sem Deus é mera abstração”.
Rev. Mauro Sergio Aiello







Jesus estava com fome e viu, ao longe, uma figueira carregada de folhas. Aproximou-se dela e não encontrou, nela, sequer um figo com o qual pudesse mitigar a fome. De pronto, diante do olhar surpreso de seus discípulos, o Mestre amaldiçoa a figueira e a mesma em instantes, perde seu verdor e seca. Definitivamente tornou-se estéril.

Poderíamos supor uma falha na onisciência de Jesus e perguntar: Ora, será que não sabia o mestre, que naquela figueira não havia figos? A resposta que preciso dar a esta pergunta é: Sim; ele sabia que aquela figueira estava sem nenhum figo, apesar das folhagens indicarem exatamente o contrário, já que a presença de folhas em uma figueira é sinal de que ela tem fruto. Jesus agiu assim para mostrar, em uma ilustração e em uma encenação, o quão infrutífera era a religiosidade de Israel, principalmente em seus dias. No judaísmo de seus dias havia muitos aparatos, uma liturgia cheia de detalhes, uma riqueza impressionante de símbolos e tipos, uma observância criteriosa quanto às datas e ocasiões, um zelo extremado em cada detalhe, mas tudo isso não passava de folhas, não havia frutos.

Assim é, infelizmente, o cristianismo de muita gente, hoje em dia. Cheio de eventos e disciplina, de moralidade e melindres, carregado de “ética”, exagerado no cuidado com os usos e costumes, fiscalizador e mutilante, concentrado no passado como um museu, mas sem vida, sem alegria, sem brilho, sem pulsação, sem frutos. Uma religião para poucos, como pensavam os fariseus nos dias de Jesus.

Que cristianismo é o seu? Não me venha com aquelas respostas cheias de chavões e frases de efeitos. Responda pura e simplesmente com os frutos. Não fale; simplesmente mostre os frutos. E na vida cristã, o que faz a diferença são os frutos que produzimos. Por isso Jesus disse, ao falar de gente que fazia “maravilhas no nome dele” (Mateus 7.21-23) que era pelos frutos que seriam conhecidos. As aparências enganam, prezado leitor. Muitas vezes a expressão “por fora bela viola, por dentro pão bolorento” é aplicável. Não julgue a árvore pelas folhas, pois você não come as folhas do abacateiro e sim o abacate. Julgue a árvore pelos frutos.

A Igreja de Éfeso recebeu dura repreensão do Senhor Jesus porque havia se tornado uma Igreja onde o ativismo se constituía em folhas, mas nela não se via mais os frutos (Apocalipse 2.1-7). A Igreja de Éfeso havia se tornado estéril, fria, sem alegria, ensimesmada, exclusivista, para dentro de si. Não havia mais o “primeiro amor”, aquela experiência na qual se descobriu a vida em meio à morte, a alegria em meio à tristeza, a luz em meio às trevas, o sentido para vida em meio às crises de uma existência sem sentido. Eu tremo ao imaginar que possa vir a ser assim, cerimonialista, frio, calculista, religioso, infrutífero, estéril.

Tremo em imaginar que possamos nos tornar assim; uma Igreja que fala da vida, mas que corre o risco de perder a vida abundante que Cristo veio nos trazer. Tremo em pensar que nosso jeito mecânico de ser nos faça viver para nós mesmos sem se importar com o outro. Tremo em imaginar que possamos ser como aqueles cujo “amor se esfriará” a ponto dos tempos serem abreviados (Mateus 24.22), pois, essa frieza será tão forte que poderá congelar os próprios escolhidos. Eu tremo em imaginar que nossa “religiosidade” nos faça abrir as portas do templo apenas para os “crentes”, para os “justos”, para os “sãos”, discriminando o “incrédulo, “o”injusto”, o “doente”. Eu tremo em imaginar que podemos cantar com qualidade, mas sem vida, sem pulsação, sem sentido, sem encantar o coração do perdido. Temos que frutificar; temos que ser curados dessa esterilidade espiritual; desse jeitão de igrejeiros e não de crentes verdadeiros.

Não espere que lhe perguntem qual é a sua religião, como ou em que você crê. Mostre com os frutos que é um cristão.  Nunca se esqueça: “Uma lâmpada não fala, simplesmente, brilha”.

Senhor: quero ser como aquela árvore boa
Não como a arvore má
Que frondosa a todos abençoa
E que bom fruto, sempre dá.

ACHADOS NA MULTIDÃO

ACHADOS NA MULTIDÃO.(Salmo 37.23-24)

“Se Cristo é o caminho, por que perder tempo em outra estrada?”.
Verne Arends






Há alguns anos, aluguei um filme (Império do Sol) em uma locadora que contava a história de um menino inglês, aficionado por aviões de combate, que residia com seus pais na China em 1939. Seu pai era um empresário e membro da alta sociedade inglesa naquele país asiático. Aconteceu que, indo a Xangai com seus pais, os japoneses invadiram a China. Era o início da Segunda Grande Guerra Mundial. Em meio ao tumulto do bombardeio japonês o garoto andava de mão dada com sua mãe em busca de embarcar em um navio que os levaria de volta à Inglaterra. Acontece que em sua outra mão ele carregava uma miniatura de um avião caça que, de repente, caiu ao chão. O garoto então largou a mão da mãe e, ajoelhado em meio à multidão, começou a procurar desesperadamente o aviãozinho. Ao achá-lo, havia perdido de vista seus pais, que, carregados pela multidão embarcaram e partiram para a Inglaterra. Ficou só...com seu aviãozinho. Só reencontrou seus pais, no final da guerra.

          Conosco acontece muitas vezes a mesma coisa. Deus nos segura pela mão em meio aos tumultos e conflitos dessa vida. Ele quer que andemos com segurança ao seu lado e não nos larga de forma alguma. É como disse o Salmista: “O Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz; se cair, não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão”.  (Salmo 37.23-24) Entretanto, muitas vezes agimos como aquele garoto inglês, cheio de mimo; damos mais importância às coisas sem valor e deixamos o Senhor de lado. Por isso passamos por momentos de dificuldades, de conflitos e tragédias pessoais.

          Vez por outra encontramos pessoas que tem uma agenda super ativada, na qual não há sequer um momento para Deus. Na verdade o secularismo, o materialismo, o consumismo e também, infelizmente, o mundanismo, os têm esvaziado de Deus. Para estes, Deus transformou-se em uma idéia abstrata com a qual o relacionamento acontece apenas nas ocasiões de dificuldades, necessidades, tragédias pessoais e infortúnios, uma idéia que ficou lá pra trás em meio à multidão de coisas e eventos. Outras não percebem a letalidade de determinados ambientes, “amizades”, etc. Apegam-se a determinadas coisas e se afastam aos poucos de Deus, perdendo o prazer em servi-lo.  Aquele garoto inglês largou da mão de sua mãe por alguma coisa que não tinha em si valor algum, mas ao que parece ele não se apercebeu disso. Perdeu-se no meio da multidão ao dar mais valor ao aviãozinho do que a segurança da mão da mãe. Ficou anos sem o carinho e o regaço materno. 

Contrapondo-se a tudo isso, fico pensando nas palavras do escritor da carta aos Hebreus no capítulo 12.1-2, nas quais ele diz: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta...”.

Max Lucado conta em seu livro – Quando Os Anjos Silenciaram – a história do garoto Mattew Huffmam, filho de um casal de missionários em Salvador que se queixou de febre. Logo perdeu a visão. Seus pais o levaram para o hospital. No caminho, enquanto estava deitado no colo da mãe, o garoto fez algo que seus pais jamais esquecerão. Estendeu a mão em direção ao ar. A mãe segurou-a, mas ele a estendeu novamente. Outra vez ela segurou a mão do filho, mas ele continuou a estendê-la. Confusa ela perguntou-lhe. – O que você está tentando alcançar Mattew? O menino respondeu: - Estou tentando alcançar as mãos de Jesus. Após estas palavras o menino fechou os olhos entrou em coma, morrendo dois dias depois.

Deixar as coisas fúteis, os “pecados relativizados”, coisinhas sem “importância”, palavras, gestos, atitudes, movimentos, prazeres e ambientes “aparentemente” inocentes se tornarem importantes como o aviãozinho daquele garoto inglês, faz com que percamos Deus de vista e o fogo e fervor da vida cristã sejam diminuídos e até completamente aniquilados.

Gosto muito do que disse Sto Agostinho em suas Confissões: “E onde estavas quando te buscava? Certamente, estavas diante de mim, mas eu me havia afastado de ti mesmo e não te encontrava, e muito menos a ti!”.  Em meio à multidão, há uma mão estendida que nos ergue e nos sustém. A mão não só ergue, mas aponta o caminho por onde devemos ir. Ele nos achou quando estávamos perdidos em meio à multidão.

A MÃE NA PAREDE E NO CORAÇÃO.

A MÃE NA PAREDE E NO CORAÇÃO.
(Eclesiastes 9.13)

“Abençoa, Senhor, aquelas almas humildes, que,
 nestes dias de tensões e angústias,
pregam sermões sem palavras”.
Peter Marshall





O valor de uma mãe é incalculável. George Herbert afirma: “Uma boa mãe vale mais que cem professores: é um imã para todos os corações, uma estrela para todos os olhos”. Mãe é sempre incomparável. Cada um acha que sua mãe é melhor do que as outras mães. Joseph de Maistre disse: Sublime mãe – anjo a quem Deus emprestou um corpo! 

Como é triste o segundo domingo do mês de Maio para aqueles que não têm mãe, para aqueles que viram sua mãe partir, para aqueles que não tiveram o privilégio e a honra de conhecer sua mãe e conviver com ela. “A mãe é para os filhos o que a luz é para todos nós: só lhe sentimos a falta quando se apaga” asseverou M. Eny. Abraham Lincoln afirmou o seguinte a respeito de sua mãe: Tudo quanto sou ou espero ser, devo a minha mãe”.

Em quase todas as sociedades, oriental, ocidental, em quase todas as raças, tribos e nações, a mãe tem um papel de fundamental importância na formação e no caráter de seus filhos. No texto de Provérbios 31.1., lemos: Palavras do Rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe”. Quando uma boa mãe educa seus filhos com zelo e carinho, seus filhos se tornam, via de regra, bons cidadãos, bons maridos, boas esposas e bons pais. Quando uma mãe se oferece como exemplo de vida piedosa, esse seu exemplo de vida se tornará na mais instrutora escola de boas maneiras, honradez e dignidade. O exemplo fala mais do que palavras. Sobre isso quero contar-lhes duas ilustrações, uma negativa e outra positiva, e com elas mostrar quão importante é a mãe no lar.

Uma certa mãe descobriu que sua filha era mentirosa contumaz. Ela vivia pegando sua filha em mentiras. Então questionou sua filha dizendo: Quem te ensinou a mentir assim, menina? Certo dia, essa sua filha ligou para sua mãe dizendo que uma certa senhora da Igreja viria à tarde para visitá-la e tomar um chá com ela. Irritada, pois, não se dava muito bem com aquela senhora, voltou a mãe correndo para casa, empenhando-se em arrumar tudo, colocar flores novas nos vasos e a preparar um saboroso chá da tarde. Isso tudo fez irritada por não nutrir muita simpatia por aquela irmã que viria lhe visitar. Na hora marcada, eis que toca a campainha e a mãe, diante do olhar da filha corre para a porta e recepciona a visitante dizendo: - Olá! Que grata surpresa, que prazer receber minha irmã à quem tanto prezo. Sabemos, assim quem ensinou a filha a arte tão desprezível da mentira.

Uma outra mãe visitou seu filho na república da faculdade onde ele morava. Chegou meio de surpresa e foi recebida com alegria. Convidada a entrar, sentou-se na sala enquanto seu filho foi preparar um chá. Enquanto isso, os olhos da mãe se esbugalhavam diante dos quadros que seu filho fixara na parede: mulheres seminuas e em poses lascivas, pôsteres de mulheres seminuas em poses eróticas. Seu coração entristeceu-se. Não quis constranger o filho naquela hora.  Raciocinou que deveria agir com prudência, pensando naquilo que disse Andrés Maurois: “Muitos homens são mais facilmente conduzidos por uma linha de seda, do que por uma corda”.

Assim, depois de um tempo de reflexão em como agir decidiu ir a um atelier e pediu a um artista que fizesse seu retrato e o colocasse em uma moldura. Enviou tal obra de arte ao seu filho pedindo-lhe que o colocasse na parede para que ele nunca se esquecesse da fisionomia de sua mãe. Poucos meses depois, a mãe foi visitar seu filho e, para sua surpresa, aqueles outros quadros e pôsteres haviam sido jogados fora e só havia na parede, o retrato dela. Sem dúvida o retrato de sua virtuosa mãe não poderia dividir o mesmo espaço com aqueles quadros dantes na parede.

Por que não nos lembrarmos de Joquebede, mãe de Moisés? Não há dúvida alguma de que a educação que Joquebede deu ao filho foi o fator fundamental na hora dele decidir entre o Palácio ou a favela dos cativos hebreus. O grande libertador dos israelitas decidiu ficar ao lado do seu povo oprimido e humilhado, tornando-se, logo, o libertador deles.

O valor de uma boa mãe é mesmo incalculável.  Lao Tsé disse: ”O pai e o filho, são dois. A mãe e o filho são um”.  O homem pode esquecer da mulher e a mulher esquecer do homem, mas um filho sempre se lembra de sua mãe.

O PÃO! SIMPLESMENTE, O PÃO!

O PÃO! SIMPLESMENTE, O PÃO!
(Gênesis 3.19)

“Se você quer pão amanhã, trabalhe hoje”
Rev. Mauro Sergio Aiello




Quando eu era adolescente costumava visitar meu tio Alfredo Domingues, um português de Trás Os Montes que gostava de fazer suculentas sopas. Nos assentávamos em torno de sua mesa, lá no bairro de Vila Industrial e ouvíamos longas histórias sobre ele e sua infância, acompanhados de um prato de sopa bem quente. Havia algo que todos nós gostávamos de fazer nessa hora; molhar o pão na sopa e comê-lo. Por isso, sempre, invariavelmente nessa hora, o pão fazia parte da refeição com história.
                 
Sobre pão eu me recordo, ainda, de um curioso e bem humorado episódio ocorrido comigo em Julho de 1999 na cidade de Recife. Estávamos lá para participar da Reunião Extraordinária do Supremo Concílio da IPB. Chegamos no sábado e, como estava previsto no pacote da empresa de turismo, que cuidou de nossa viagem e estadia fomos conhecer Olinda. Andando pelas ruas daquela linda localidade, encontrei no chão uma fruta bonita. Segurando-a nas mãos, perguntei ao cicerone o que era aquilo. Ele me informou que se tratava da Fruta Pão, muito consumida na dieta dos nordestinos. Cozida, com uma fina camada de manteiga é uma delícia, o que comprovei no desjejum do dia seguinte. Fiquei com a tal da Fruta Pão em minhas mãos e continuamos nossa jornada. De repente estávamos debaixo de uma enorme árvore e o cicerone virou-se para mim e disse:

- Essa é a árvore da Fruta Pão.

Foi então que alguém do grupo nos disse, rindo pra valer.

– E o nome dessa árvore é Padaria.

O pão faz parte da dieta alimentar de quase todos os povos. Nós italianos não dispensamos de forma nenhuma o pão. Pão com queijo e vinho, é refeição básica na dieta alimentar do europeu. Vamos encontrar o pão em quase todas as mesas e culturas. A Bíblia se refere de uma forma notável ao pão. A palavra pão aparece na Bíblia aproximadamente 341 vezes.  Destacamos nessa questão que, na cultura judaica havia o Pão da Proposição, que quer dizer: “pão da presença”. Tratava-se de uma massa sem fermento colocada sobre a mesa de acácia (Êxodo 25.23-30), coberta de ouro puro. A Mesa da Proposição era colocada diante de Deus no santuário do Tabernáculo, juntamente com o Candelabro de Ouro e o Altar do Incenso. No sábado, doze pães, que, possivelmente, representavam as doze tribos de Israel, eram colocados sobre a mesa em dois grupos de seis. O Pão da Proposição era o símbolo da rica abundância da graça de Deus e sua providência no sustento da nação durante a jornada do Egito à Terra Prometida.

Não é maravilhoso saber que Jesus nasceu na cidade de Belém? Sim, Belém! Belém quer dizer A Casa do Pão, pois o nome dessa cidade da Judéia é a junção de dois termos hebraicos, a saber: Bete (Casa) e Lehem (Pão). Jesus nasceu na Casa do Pão e ele mesmo disse de si:

“Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu. Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu; o verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá. Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo.” (João 6:31-33)

“Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.” (João 6:41)

“Este é o pão que desce do céu, para que todo o que dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.” (João 6:50-51)

“Este é o pão que desceu do céu, em nada semelhante àquele que os vossos pais comeram e, contudo, morreram; quem comer este pão viverá eternamente.” (João 6:58)

Na Oração do Pai Nosso, Jesus instrui que, nessa relação Tu-Nós, devemos ser humildes para reconhecer que o Pão que temos sobre a mesa, é fruto da providência e graça de Deus. Jesus disse que deveríamos nos lembrar de pedir o pão de cada dia. Com isso estamos reconhecendo que é Ele quem supre nossas mesas, quem abastece nossos celeiros, que é Senhor do campo onde nasce o trigo, do tempo que faz a chuva cair e o sol brilhar, que dá força para o trabalho e que transforma suor em pão. É extraordinário notar aquilo que disse o salmista ao declarar: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Salmo 37.25).

Recordo-me, agora, a experiência ocorrida em um dos orfanatos do Pastor George Miller. Conta-se que certo dia as crianças estavam todas sentadas à mesa, prontas para o café da manhã. Entretanto, não havia nem leite e nem pão. O silencio foi interrompido pela oração de súplica pedindo que o Deus misericordioso os socorresse. Após um breve momento a campainha tocou e ao abrirem a porta encontraram um homem que disse: - Sou entregador de leite e pão de uma padaria. Estava a caminho de um cliente e o carro quebrou. Resolvi então doá-los a este orfanato para que os mesmos não estraguem.

Pode ser que sua mesa não seja a mesa daquela mansão, cujo desjejum é riquíssimo, mas é o pão suficiente e necessário para matar sua fome, alimentá-lo e fortalecê-lo para mais uma jornada de trabalho. Assim, pedimos o pão e nunca devemos nos esquecer de agradecer, reconhecendo que o mesmo vem do Pai. Nada mais alimenta, nada mais fortalece, do que o Pão, Simplesmente o Pão, que Deus nos dá.

ALÉM DO NEVOEIRO

ALÉM DO NEVOEIRO  
(João 16.33)

“Eu me queixava, freqüentemente, porque não tinha sapatos, até que encontrei um homem que não tinha pés”. Provérbio Árabe

Não tenho dúvida de que há muitas perguntas para as quais não temos respostas exatas. Há muita coisa nesta vida aqui que carece de explicação, e nós não a encontramos em lugar nenhum. Certa vez uma jovem amiga minha (pena não poder chamá-la de irmã), perguntou ao meu Pastor, porque a Bíblia não respondia a ela sobre uma determinada questão. Ele então respondeu com segurança, que a Bíblia não fala sobre tudo que o homem quer saber, mas afirma verdades que o homem precisa conhecer.

Olhamos para as pessoas e os eventos ao nosso redor e perguntamos por que acontecem tantas coisas que nos entristecem, abatem o espírito, enfraquecem o coração, debilitam a alma. A história extraordinária de José ensina-nos ricas e importantes lições sobre esse tema. Com toda certeza José não ficara satisfeito com as atitudes de seus irmãos. Vendido a uma caravana de midianitas acabou no Egito. Lá injustamente, foi parar na prisão e na prisão foi esquecido pelo copeiro-mor, para quem interpretou um sonho. Quanto sofrimento. Provavelmente ele mesmo deve ter-se perguntado o por quê de tanta injustiça, sofrimento e infortúnios.

Não há dúvida prezado irmão e irmã, todos nós passamos por momentos idênticos em nossa jornada aqui. Estamos sempre diante desta questão: por que Deus permitiu que isso acontecesse? A esse respeito é preciso que ouçamos, por exemplo, o que disse James Allen: “A semente morre para que a flor apareça; a crisálida, para que apareça a borboleta. Na verdade, a transformação não é instantânea, nem a transição um processo agradável e sem sofrimento. A natureza exige esforço e paciência como preço do desenvolvimento”.

Talvez neste exato momento você, esteja passando por um drama, atravessando o mar tumultuado dos conflitos, sendo acometido de temores que lhe causam tremores, diante de inusitados problemas que esta vida nos impõe. E então mais uma vez você pergunta: Por que Deus? Por que? Jó se viu diante desta questão e seus amigos se propuseram a ajudá-lo, mas, só fizeram aumentar o sofrimento de um homem provado por Deus.

Eu não sei por que você está sofrendo. Não sei qual é sua responsabilidade em todo esse processo tão doloroso que o faz perder o sono, que faz com que suas lágrimas sejam o seu alimento, que o faz andar de olhos baixos. Eu não sei. Mas há um Deus que sabe! E certamente devemos repousar na verdade e na promessa que diz: “(...). Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã”. Salmo 30.5. Podemos crer naquilo que a Escritura afirma quando explicita: “(...); mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças(..)” . I Cor. 10.13b.

Conta-se que certo alpinista ouvira falar de uma montanha em cujo cume havia uma vista de indescritível beleza. Propôs, então, em seu coração, escalar a referida montanha com o objetivo de contemplar tal belvedere (bela vista). Em um determinado trecho da subida, de repente, foi envolto por uma nuvem tão espessa que o impedia de ver o que estava acima dele. Parou e pensou em desistir. Todavia, por seus cálculos mais um pouco de esforço seria suficiente para levá-lo ao cume. Decidiu enfrentar aquela nuvem espessa e, seguindo os princípios que regem a prática do alpinismo, continuou. Num piscar de olhos chegara ao topo da montanha, e, superando a cortina de nuvens pode ver um sol brilhando no céu e uma paisagem que jamais esquecera.

Essa é a nossa vida quando pensamos nos sofrimentos daqui. Os sofrimentos são como a nuvem espessa que muitas vezes podem nos fazer pensar em desistir. Se o fizermos, perdemos a visão da glória de Deus e de tudo o mais que daí advém. Mas se, por outro lado, cremos e confiamos nas promessas de Deus e envidamos esforços, motivados pela graça, certamente haveremos de  contemplar tudo aquilo que é belo e que Deus tem para nós.

Não sei porque você está sofrendo. Mas, por mais intenso que seja o sofrimento e por mais duro que seja o combate, maior é o livramento, mais doce é o sabor da vitória. Caminhe com fé e esperança, pois, só quem espera em Deus, pode encontrar nEle refúgio e segurança. Quem não espera, não alcança”. Sl 131.

VOCÊ SABE, OU VOCÊ CONHECE?

VOCÊ SABE, OU VOCÊ CONHECE?

Há uma sútil diferença entre saber e conhecer. Você pode saber quem é John Travolta, e mesmo muitas coisas a respeito dele, mas será que você o conhece na intimidade? Saber coisas sobre determinadas pessoas não é o mesmo que conhecer tal pessoa. Você pode saber muita coisa sobre a Itália, sua cultura, geografia, falar sua língua, mas isso não implica em que você tenha conhecido a Itália. Você pode saber muita coisa sobre ela sem ter ido lá, mas quem já foi, conhece mais.

É possível que o mesmo ocorra em relação a Deus. J. I. Packer, um dos meus escritores prediletos, escreveu em sua obra – O Conhecimento De Deus: “Entretanto, interesse em teologia, conhecimento sobre Deus e capacidade de pensar com clareza e falar bem sobre temas cristãos não são a mesma coisa que conhecer a Deus”. (Pg. 19).

Olhamos ao nosso redor, no meio em que vivemos, e encontramos um grande número de pessoas que falam sobre Deus, discursam sobre a vida piedosa, mas não demonstram realmente conhecer Deus na intimidade. Precisamos examinar a nós mesmos para ver se não cometemos o pecado de julgar os outros e nos encontrarmos na mesma ou em pior condição. A questão não é “o quanto somos bons em soteriologia (doutrina da salvação), ou o quanto dominamos a escatologia (doutrina das últimas coisas), ou ainda o quanto sabemos sobre Pneumatologia (doutrina do Espírito Santo) e assim por diante. O que está em jogo mesmo é o quanto somos íntimos do Deus Tri-Uno.

Quero perguntar a você: O quanto José do Egito sabia sobre Deus? Bem pode ser que você saiba muito mais do que ele. E Daniel? Quanto será que ele sabia a respeito de Deus? Bem deveria saber o suficiente. Mas se olharmos para a revelação veremos que temos muito mais informações sobre Deus do que ele. E porque será que não somos como eles foram? Talvez a razão esteja em que eles sabiam menos sobre Deus, mas O conheciam na intimidade muito mais do que nós. “Um pequeno conhecimento de Deus vale bem mais do que um grande conhecimento a respeito dEle”, escreveu Packer na mesma obra citada.

Outra questão é: Ler a Bíblia pode nos fazer conhecer Deus? Sim pode, mas é possível que nos iludamos com essa questão entre saber e conhecer. É óbvio que a Bíblia é a Palavra inspirada, infalível e inerrante de Deus e por meio dela recebemos uma revelação especial sobre o Ser de Deus. Mas se essas informações não forem processadas, o nosso conhecimento será mais intelectual do que uma experiência verdadeiramente espiritual. Para que transformemos nosso saber sobre Deus em conhecimento de Deus por meio de sua Palavra é mister que reflitamos, meditemos e a coloquemos pratiquemos as verdades nela encontradas. A vida piedosa é o resultado mais visível do conhecimento (intimidade) que temos com Ele. De que adianta saber os mandamentos de Deus se não houver amor por eles e disposição em cumpri-los? No Salmo 1 somos informados de que o homem bem-aventurado é aquele que ama a Lei de Deus e nela ele medita ininterruptamente.

Então; você sabe coisas sobre Deus, ou O conhece na intimidade? A resposta a essa pergunta é de crucial importância já que Jesus afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste”. João 17.3.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

KOINONIA

                   
Toda e qualquer instituição que almeje longevidade, produtividade, relevância, deve ter sua carta de intenções, sua base enunciada de ideais e princípios, normas e regras. A Igreja de Cristo tem a Bíblia, a Palavra de Deus contendo o Antigo e o Novo Testamento. Para os cristãos essa questão deve ser inegociável. A Bíblia é nossa única regra de vida, fé e prática. Nela Deus revela o Salvador e nos orienta como vivermos de forma cristã e digna aos olhos. O que Ele revelou na Bíblia deve ser conhecido e praticado. É uma tarefa difícil mas altamente recompensável.

        Queremos escrever um pouco sobre Comunhão.

Essa, também, era uma marca distinta da Igreja Primitiva em Jerusalém.

No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra os primórdios da Igreja Cristã na dispensação Neo-Testamentária e começa pela Igreja de Jerusalém. E naquela Igreja, em seus inícios, os irmãos viviam uma comunhão (koinonia) que se aproximava da perfeição. Essa comunhão não era imposta pela agenda, pelo hiper-ativismo, pela consciência de sua relevância, mas era uma ação automática que tinha a ver com o novo estado daqueles judeus convertidos do judaísmo para o cristianismo.

As boas-novas de salvação e o próprio Salvador era o que os unia de tal maneira que essa comunhão era vista pelos de fora como algo realmente incomum.

        A comunhão dos irmãos na Igreja Primitiva de Jerusalém deve ser o alvo de toda Igreja Cristã. Deus quis que Lucas registrasse a esse respeito para servir de aio, de exemplo, de tipo para a Igreja de Cristo em e de todos os tempos. Essa comunhão era sustentada pelos seguintes fatores:

1. Havia o temor de Deus nos corações daqueles irmãos. Eles sabiam que há um Deus que tudo vê e assiste. (Cf. Provérbios 15.3). Eles sabiam que mais importante do que temer a justiça dos homens, é temer a justiça de um Deus justo. Ora, esse Deus havia lançado os nossos pecados sobre Seu próprio filho, Ele não irá permitir que ninguém passe sem ter que Lhe prestar contas dos seus atos.

2. Partia deles mesmo o interesse em serem iguais. No contexto da sociologia de Jerusalém eles podiam ser diferentes, mas dentro da Igreja de Cristo, todos eram iguais. Tudo lhes era comum. Suas dores, seus dons e temores, suas alegrias e tristezas. A diferença de classe e a diferença social eram anuladas no seio da Igreja. Todos eram pobres diante de um Deus cheio de riquezas espirituais.

3. Eles eram solidários. Quando alguém era carente, os mais abastados supriam essas necessidades. Podemos dizer que na Igreja Primitiva de Jerusalém todos tinham o suficiente para a sua subsistência.

4. Eles faziam questão de estarem juntos. A igreja passou a ser o “point” do cristão. Não deixaram seus compromissos sociais, mas estes é que eram reguladas pela agenda da Igreja e não o contrário. Para que gozemos de real e verdadeira comunhão é preciso que estejamos sempre juntos, nos conheçamos, nos aproximemos uns dos outros, nos sirvamos uns dos outros.

O quanto você teme a Deus? Como é que você olha para as pessoas que vivem sob o mesmo teto eclesiástico? O que você faz pelos menos privilegiados? Você gosta do convívio com seus irmãos em Cristo ou prefere a companhia de pessoas que não comungam da mesma fé? Essas questões são importantes e suas respostas relevantes.

A comunidade é Igreja quando cumpre o propósito santo de adoração sincera e verdadeira, santa e singular (Isaías 1), sob a condução do Espírito Santo.

A comunidade é proclamadora quando vive a mesma comunhão que Deus o Pai e Deus o Filho experimentaram, mesmo o filho vivendo a nossa humanidade. A Igreja é comunidade quando tudo é mesmo comum na unidade. Pense a respeito disso e tome posição.

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


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