quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ESTERILIDADE



ESTERILIDADE
(Mateus 21.18-22)




“Uma árvore sem fruto é como um prato vazio.
Uma religião sem Deus é mera abstração”.
Rev. Mauro Sergio Aiello







Jesus estava com fome e viu, ao longe, uma figueira carregada de folhas. Aproximou-se dela e não encontrou, nela, sequer um figo com o qual pudesse mitigar a fome. De pronto, diante do olhar surpreso de seus discípulos, o Mestre amaldiçoa a figueira e a mesma em instantes, perde seu verdor e seca. Definitivamente tornou-se estéril.

Poderíamos supor uma falha na onisciência de Jesus e perguntar: Ora, será que não sabia o mestre, que naquela figueira não havia figos? A resposta que preciso dar a esta pergunta é: Sim; ele sabia que aquela figueira estava sem nenhum figo, apesar das folhagens indicarem exatamente o contrário, já que a presença de folhas em uma figueira é sinal de que ela tem fruto. Jesus agiu assim para mostrar, em uma ilustração e em uma encenação, o quão infrutífera era a religiosidade de Israel, principalmente em seus dias. No judaísmo de seus dias havia muitos aparatos, uma liturgia cheia de detalhes, uma riqueza impressionante de símbolos e tipos, uma observância criteriosa quanto às datas e ocasiões, um zelo extremado em cada detalhe, mas tudo isso não passava de folhas, não havia frutos.

Assim é, infelizmente, o cristianismo de muita gente, hoje em dia. Cheio de eventos e disciplina, de moralidade e melindres, carregado de “ética”, exagerado no cuidado com os usos e costumes, fiscalizador e mutilante, concentrado no passado como um museu, mas sem vida, sem alegria, sem brilho, sem pulsação, sem frutos. Uma religião para poucos, como pensavam os fariseus nos dias de Jesus.

Que cristianismo é o seu? Não me venha com aquelas respostas cheias de chavões e frases de efeitos. Responda pura e simplesmente com os frutos. Não fale; simplesmente mostre os frutos. E na vida cristã, o que faz a diferença são os frutos que produzimos. Por isso Jesus disse, ao falar de gente que fazia “maravilhas no nome dele” (Mateus 7.21-23) que era pelos frutos que seriam conhecidos. As aparências enganam, prezado leitor. Muitas vezes a expressão “por fora bela viola, por dentro pão bolorento” é aplicável. Não julgue a árvore pelas folhas, pois você não come as folhas do abacateiro e sim o abacate. Julgue a árvore pelos frutos.

A Igreja de Éfeso recebeu dura repreensão do Senhor Jesus porque havia se tornado uma Igreja onde o ativismo se constituía em folhas, mas nela não se via mais os frutos (Apocalipse 2.1-7). A Igreja de Éfeso havia se tornado estéril, fria, sem alegria, ensimesmada, exclusivista, para dentro de si. Não havia mais o “primeiro amor”, aquela experiência na qual se descobriu a vida em meio à morte, a alegria em meio à tristeza, a luz em meio às trevas, o sentido para vida em meio às crises de uma existência sem sentido. Eu tremo ao imaginar que possa vir a ser assim, cerimonialista, frio, calculista, religioso, infrutífero, estéril.

Tremo em imaginar que possamos nos tornar assim; uma Igreja que fala da vida, mas que corre o risco de perder a vida abundante que Cristo veio nos trazer. Tremo em pensar que nosso jeito mecânico de ser nos faça viver para nós mesmos sem se importar com o outro. Tremo em imaginar que possamos ser como aqueles cujo “amor se esfriará” a ponto dos tempos serem abreviados (Mateus 24.22), pois, essa frieza será tão forte que poderá congelar os próprios escolhidos. Eu tremo em imaginar que nossa “religiosidade” nos faça abrir as portas do templo apenas para os “crentes”, para os “justos”, para os “sãos”, discriminando o “incrédulo, “o”injusto”, o “doente”. Eu tremo em imaginar que podemos cantar com qualidade, mas sem vida, sem pulsação, sem sentido, sem encantar o coração do perdido. Temos que frutificar; temos que ser curados dessa esterilidade espiritual; desse jeitão de igrejeiros e não de crentes verdadeiros.

Não espere que lhe perguntem qual é a sua religião, como ou em que você crê. Mostre com os frutos que é um cristão.  Nunca se esqueça: “Uma lâmpada não fala, simplesmente, brilha”.

Senhor: quero ser como aquela árvore boa
Não como a arvore má
Que frondosa a todos abençoa
E que bom fruto, sempre dá.

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