terça-feira, 13 de setembro de 2016

IRMÃOS NA GUERRA


Meu prezado irmão, o saudoso Rev. Manuel da Silveira Porto Filho, Pastor da Igreja Evangélica Campograndense, RJ, conta uma história real muito comovente que gostaria de compartilhar com vocês.

Diz ele que numa noite de domingo durante o segundo verão da Guerra Civil na América do Norte, um jovem soldado Confederado, John Roberts, foi designado para ficar de sentinela num bosque à margem de uma estrada, no estado da Virgínia. A noite estava quente, opressiva. John Roberts, cansado, sonolento. Tudo, ao redor, era silêncio. De quando em vez, apenas o rumor de um esquilo saltando entre os ramos ou os característicos ruídos noturnos da floresta. Subitamente, o coração do soldado bateu mais apressado e insuportável sensação de perigo pôs-lhe um calafrio pelo corpo. A treva o cercava, cheia de mistérios, e, por entre ela, nada senão o vulto das árvores e o balançar das ramadas, que tornavam a noite mais negra e temerosa naquele esconderijo. Roberts arriscou, arrastando-se com cuidado, um olhar pela estrada, que se desenrolava numa faixa esbranquiçada entre os matagais de um a outro lado. Nada viu de ameaçador ou suspeito. Volvendo ao abrigo primitivo, o soldado deixou-se arrebatar pela imaginação agora aguçada. A imagem da mãe e da velha Igreja, em cujo coro cantara em criança, amenizou-lhe um pouco aquela sensação de solidão e perigo. E dos lábios, quase inconscientemente, nessa lembrança doce, brotaram-lhe, a princípio em murmúrio, depois em palavras nítidas que não conseguiu reprimir, as palavras de um hino muito amado.

Outro amparo não achei; sem alento, venho a T.
Se me negas, morrerei: - voz da morte eu já ouvi.
Eu confio em Teu amor e na Tua compaixão.
És meu forte defensor: não me largue Tua mão.

            Enquanto isso cantava, a lua emergiu de entre as nuvens e toda a estrada se clareou num banho de prata. John Roberts sentiu como se aquela luz lhe viesse varrer as sombras do perigo que antes o oprimiam.

            Alguns anos depois, terminada a guerra, estava ele cruzando o Atlântico rumo à Inglaterra. Num domingo pela manhã reuniu-se com vários companheiros de viagem num camarote, para lerem a Bíblia e cantarem alguns hinos. O capitão que dirigia o serviço religioso, pediu a Roberts que fizesse um solo. Alegremente, o moço atendeu-o e cantou o seu hino, o mesmo que entoara naquela noite no bosque da Virgína. Enquanto cantava, notou que um dos passageiros, lavantando a cabeça, olhava-o surpreso, com um interesse estranho, numa atitude a um tempo admirada e comovida. Terminado o culto o homem veio procurá-lo.

            - Sou Harvay Brandon, de Nova Iorque, apresentou-se. Apreciei muito o hino que o senhor cantou. E creio – disse depois de uma pequena pausa – que é a segunda vez que o ouço. E como John Roberts fizesse menção de achar isso impossível, pois era a primeira vez que o via, o outro perguntou.

            - O amigo não pertenceu ao exército confederado? E não esteve, em tal noite, de sentinela num bosque de tal estrada na Virgínia.

            - Sim é verdade, respondeu Roberts, já agora mais do que admirado pela pergunta.

            - Mas....como o senhor pode saber isso?

            - Porque eu também estava lá. Era um soldado da União, do exército contrário ao seu. Tirava serviço naquela noite. Com um grupo de patrulheiros nos aproximamos daquele bosque e o descobrimos. O senhor era um alvo perfeito para nós. Apontei-lhe minha arma direto em seu coração e meus soldados levantaram suas carabinas para fuzilá-lo. Nesse momento, porém, o senhor começou a cantar: Outro amparo não achei; sem alento venho a ti. Baixei a arma e disse aos meus companheiros: Rapazes é nosso irmão. Vamo-nos daqui.

            Amados irmãos: Essa história é inspiradora e nos ensina que nossa relação fraternal vai além de qualquer fronteira. Ela nos ensina que qualquer um pode tirar a vida, mas somente aquele em cujo coração habita o Rei dos Reis é forte o suficiente para permitir que o outro viva. 

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