terça-feira, 20 de setembro de 2016

OS PASTORES E A DEPRESSÃO


Quando recebemos a notícia de que um irmão em Cristo e Pastor Presbiteriano, tirou sua própria vida (suicidou) com um tiro de espingarda na cabeça, sem dúvida nenhuma, muitas perguntas permeiam nossa mente em um momento como esse: Um Pastor? Um homem de fé? Como é possível? Será mesmo que foi suicídio? Quais as circunstâncias que o levaram a tomar uma atitude como essa? Por que ele fez isso?

É importante que saibamos que o suicídio de Pastores não é algo comum. Pelo menos não há nenhuma estatística que prove que pastores se suicidam com a mesma contumácia que outros cidadãos. Veja o que extrai da internet:

“Novo relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde, a OMS, chama a atenção de governos para o suicídio, considerada “um grande problema de saúde pública” que não é tratado e prevenido de maneira eficaz.

Segundo o estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos – taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com a agência das Nações Unidas, 75% dos casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada baixa ou média.

O Brasil é o oitavo país em número de suicídios. Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8%  entre mulheres e 8,2% entre os homens. O país com mais mortes é a Índia (258 mil óbitos),  seguido de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil).

O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos de prevenção. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa”.
https://noticias.gospelmais.com.br/serie-suicidios-pastores-acende-alerta-depressao-63378.html

Se procurarmos na internet iremos encontrar alguns outros dados sobre o suicídio, mas não há estatísticas apuradas e acuradas sobre suicídios de Pastores. Eu sou Pastor já há 27 anos e conheci muito poucos casos de Pastores que suicidaram. Por isso mesmo, quando um caso ocorre somos todos levados a questionar as razões de tal ato contra a vida. Por quê? Quais as razões de tão absurda atitude?

Nossa preocupação sobre esse assunto se tornou maior quando em 2013, num período de apenas 30 dias três Pastores se suicidaram: O primeiro deles foi Teddy Parker Jr., de 42 anos, pastor da Igreja Batista Bibb Mount Zion, na Geórgia, que se matou com um tiro na cabeça, após ter ministrado no culto matinal de sua igreja. 

O segundo foi o suicídio do pastor Ed Montgomery, líder da Assembleia Internacional do Evangelho Pleno, em Illinois, que ainda estava de luto pela morte da esposa. Ele atirou em si mesmo na frente de sua mãe e filho.  

No dia 10 de dezembro, foi a vez do Pr. Isaac Hunter, fundador da Igreja Summit em Orlando, Flórida.

Hoje (09.09.2016) estamos abalados com o suicídio de um irmão em Cristo, Ministro, Músico e Cantor; Aroldo Teles. Eu não tenho maiores informações de como foi possível que meu irmão chegasse a esse ponto. Ouvi dizer que ele vivia um momento de profunda depressão. Éramos bons amigos e tínhamos em comum o amor profundo pela música.

Em 2014, no Brasil, um Pastor Batista também tirou sua própria vida se enforcando. Ele acabara de chagar do culto em sua Igreja e depois de ter entrado em sua casa, passados alguns minutos, sua esposa começou a gritar por socorro. Um vizinho pulou o muro e se deparou com a estarrecedora cena do Pastor da 1ª Igreja Batista de Serrinha, Agnaldo Alonso Ferreira Freitas Junior, enforcado. Era o dia 09 de Setembro de 2014. Por incrível que possa parecer, exatamente dois anos depois, no dia 09.09.2016, quando o Pastor Aroldo Teles suicida. 

No caso do Pastor Agnaldo, há também informações de que vivia um período de grave depressão.

Portanto, a questão é que os episódios, dessas mortes, acenderam uma luz não necessariamente para a questão do suicídio, mas sim para a questão da depressão como uma doença que precisa ser tratada, antes que outros casos de suicídio se sucedam a estes.

Foram esses lamentáveis e tristes episódios que chamaram mais a atenção para a (1) questão das situações que levam um Pastor a desenvolver um processo de depressão, (2) a falta de percepção daqueles que vivem ao redor do Pastor do seu estado que pode desembocar em sua morte com o concurso do próprio deprimido, e a (3) falta de mecanismos profiláticos e terapêuticos para esse estado da alma e do coração humanos.

Por conta desse episódio, circulou nas redes sociais o quadro estatístico abaixo, sobre como o Pastor tem sido considerado e tratado.


Não sei onde foram buscar esses percentuais, mas eles são terrivelmente preocupantes se representam a realidade.

Assim sendo, a questão primordial não é a do suicídio de Pastores porque não temos dados suficientes e pelo que sabemos o número de Pastores suicidas não é tão elevado assim, mas o número de Pastores deprimidos é muito grande. Precisamos, na realidade, saber quais são as causas dessa depressão? Se o quadro acima é real, temos que nos preocupar e fazer alguma coisa a esse respeito.

Não podemos julgar aqueles irmãos que, levados pela depressão, tiraram suas preciosas vidas. Precisamos entender que a Igreja tem o péssimo hábito de olhar com severidade e não com solidariedade, para os seus Pastores. 

Mas eu quero falar a respeito do relacionamento entre os Pastores. 

É urgente que Pastores sejam mais amigos do que adversários. Infelizmente os maiores críticos de Pastores são seus colegas de ministério. Sim, colegas, porque sinceramente não são amigos. Não são poucos aqueles que enquanto estudavam no Seminário, eram amigos, mas quando se tornaram Pastores, viraram adversários. 

Os Pastores antes de cobrar da própria Igreja uma postura mais condescendente e amorosa em relação a eles, deveriam dar exemplo em não denegrir a imagem de outros Pastores. Os Pastores precisam pastorear outros Pastores. Ninguém melhor para compreender as dores do Pastorado do que o Pastor. 

Tenho visto, com imensurável tristeza, que quando um Ministro se destaca na condição de pregador e expositor das Escrituras ele se torna alvo, principalmente de outros Pastores, de críticas absurdas e de rótulos injustificáveis. 

Somos nós os Pastores que temos que estar atentos aos outros Pastores, não para julgar e condenar, mas para ajudar naquilo que estiver ao alcance fazer. Desde Moisés até aqui a Igreja trata com dureza seus Pastores. Moisés teve, pelo menos, a companhia de Josué, mas quem você, que me lê, tem como primeiro imediato em quem você possa realmente confiar? Timóteo teve a Paulo como orientador, mestre e companheiro e vice-versa. 

Pastor com quem podemos abrir nossos corações e chorar nossas desventuras? A quem podemos, se não a Deus, nesse mundo, confessar nossas limitações tendo a certeza absoluta que não seremos duramente julgados e que não usarão isso contra nós um dia? 

Como é possível um Pastor não amar outro Pastor? Como é possível um Pastor não perdoar outro Pastor ou qualquer que lhe ofenda? Como é possível Pastores que simplesmente nem olham no rosto de outros Pastores, e até disfarçam para não cumprimentar? Como é possível Pastores subirem ao púlpito e pregar sobre amor, e não amar, falar de perdão e não perdoar? Não perdoar é atrair para si uma enfermidade terrível. Enquanto você não perdoa, você ressente, se magoa sempre que lembra da ofensa e do ofensor e pior, se deixa possuir por um sentimento de retaliação e vingança. Esse quadro pode desembocar em depressão com a mais absoluta certeza!!!!

Precisamos entender que cada um de nós tem sua própria formação, seu próprio estilo. Precisamos entender, por exemplo, que podemos ser edificados quando ouvirmos o Rev. Jeremias Pereira da mesma forma que somos edificados ao ouvirmos o Rev. Hernandes Dias Lopes, mesmo ambos tendo estilos e posturas diferentes no Púlpito. Que maravilha é essa diversidade! Se há fidelidade na exposição da Escritura, se vidas são tocadas, salvas e transformadas louvemos a Deus por isso. 

É urgente que Pastores evitem serem seduzidos pela inveja e pelo ciúmes. Que coisas terríveis essas. O invejoso é aquele que fica mais triste com o sucesso do outro do que com seu próprio insucesso. 

Pastores precisam ler as Escrituras não para os outros, mas principalmente para si mesmos. Os melhores sermões são sempre aqueles nascidos de nossas devocionais pessoais e particulares. Pastores precisam encontrar cura na Bíblia para poderem propor tal cura às ovelhas sob seus cuidados.

Sinceramente; antes de cobrarmos da Igreja uma postura mais digna com respeito a nós Pastores, deveria partir de nós o exemplo. Devemos nós Pastores, valorizar, considerar, proteger, ajudar, apoiar, exortar, admoestar, outros Pastores.  

Que Deus tenha misericórdia de sua Igreja e que os Pastores possam sempre receber do Pai das Luzes toda iluminação suficiente para que possam se gastar por suas ovelhas sem esgotarem suas forças.

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