terça-feira, 18 de outubro de 2016

CRESCENDO DE VERDADE

CRESCENDO DE VERDADE
(Atos 2.42-47)


“O verdadeiro crescimento acontece de dentro para fora. O homem só é grande quando seu ego é pequeno”.
Rev. Mauro Sergio Aiello

Os números são importantes.Tanto é que Lucas contabiliza três mil decisões em Jerusalém como resultado do Sermão que Pedro pregou, relatado em Atos 2.14-41. Já em Atos 4.4, Lucas nos informa que o número de conversões subiu para cinco mil. As estatísticas revelam algumas verdades importantes para as quais devemos estar atentos. No Brasil, dizem alguns especialistas, os evangélicos somam a cifra extraordinária de trinta e cinco milhões. Isso é extraordinário se levarmos em conta que chegamos a esse número tendo um crescimento quantitativo expressivo nos últimos vinte anos.  Mas a questão que me incomoda é a seguinte: Por que, apesar de sermos tantos, nós os evangélicos somos quase sempre lembrados pela mídia quando ocorre algum escândalo? Por que na elaboração do Código Civil, de forma absurda, os juristas responsáveis não nos consideraram como uma massa política importante? Esse erro teve que ser corrigido com o decreto lei 10.225 de 22.12.2003 alterando alguns artigos do NCC  que interferiam em demasia em nossos modelos de governos eclesiásticos. Se somos tanto, por que não temos influenciado mais, promovido maiores transformações nos usos e costumes, na ética, na moral?

Creio, particularmente, que isso se deve ao fato de que a quantidade, no caso de nós evangélicos, não têm sido acompanhada da necessária qualidade. Em outras palavras, vemos a quantidade crescer desassociada da qualidade. Então devemos questionar até se o que temos mesmo é um crescimento ou um inchamento.

Lucas nos informa que o caso da Igreja Primitiva descrita em Atos 2, tratava-se de uma comunidade que contava com a simpatia do povo de tal forma que a mesma crescia, pois dia a dia o Senhor acrescentava os que iam sendo salvos. A questão aqui é: O que tinha aquela Comunidade Cristã Primitiva que fazia com que fosse simpática e ao mesmo tempo crescesse de verdade e não apenas nas estatísticas? A resposta a este questionamento se encontra no próprio texto. Vamos estuda-lo no afã de que o mesmo nos ajude a tomarmos atitudes que contribuam, pelo menos, para o crescimento real da Igreja dos nossos queridos leitores.

O primeiro ponto para o qual chamo sua atenção é que naquela Comunidade Cristã Primitiva, em cada alma dos que a compunham, havia temor. (Cf. Atos 2.43ª). A Bíblia nos informa que: “O temor do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”.(Provérbios 1:7) O temor do Senhor é O Princípio Regulador de Nossas Vidas. É o temor do Senhor que nos faz andar pelos caminhos da Santificação e da Consagração. A Comunidade Cristã Primitiva de Jerusalém, descrita por Lucas, era composta por homens e mulheres que levavam a sério um estilo de Vida Cristã onde a Santificação era um compromisso inadiável.

A Santificação de cada membro – eis o compromisso que devemos assumir se quisermos que quantidade tenha tudo a ver com qualidade e se desejarmos influenciar a sociedade na qual estamos inseridos. Giekei & Cowper afirmaram: “Cristo pôs a Igreja no mundo, mas Satanás não tem feito outra coisa senão esforçar-se por colocar o mundo na Igreja”.  Eu não estou falando de um novo estilo de música (com bateria, guitarra, contra-baixo, play-back). Pensar assim é ver as coisas por um prisma muito reduzido. Estou falando da maledicência que é pior que bateria; da licenciosidade com que muitos jovens cristãos levam seus namoros desembocando numa gravidez precoce (1Tess. 4.1-8); do comprometimento de uma vida social que infelizmente negligencia o que diz o Salmista no Salmo 1: “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido”.  (Salmos 1:1-3)

Santificação revela o temor de Deus no coração do verdadeiro cristão. Essa Santificação é fundamental para que a qualidade aliada à quantidade contribua de forma tal que a Igreja Cristã influencie e se torne um poderoso agente de transformações na condução de uma sociedade mais justa e equânime, crescendo de verdade.

A Igreja em Jerusalém crescia a olhos vistos. Lucas afirma que a cada dia eram acrescentados os que iam sendo salvos. Já vimos que uma das razões e, com certeza a maior de todas, para esse crescimento, era o fato de que em cada alma havia temor, conforme lemos em Atos 2.43ª.  Cada membro daquela igreja se preocupava com sua santificação, em aprofundar o seu relacionamento e intimidade com Deus.

Mas havia outras razões para que aquela comunidade cristã primitiva crescesse em quantidade sem se desassociar da qualidade. É que o texto nos informa que aqueles irmãos eram verdadeiramente unidos. Aquela comunidade cristã primitiva em Jerusalém gozava de uma inquebrantável koinonia. Lucas se expressa nos seguintes termos ao referir-se a essa comunhão: ”E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão..., Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum...; Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa...

Ah! Prezados irmãos; se cada um de nós se preocupasse mesmo, de verdade, legitimamente, em promover a unidade, a comunhão! Como seria bom se isso acontecesse. Sabem por quê? (Efésios 4.3)

Em primeiro lugar porque todas as pessoas que entram em uma Igreja Evangélica esperam encontrar ali, um ambiente diferente daquele do mundo. Elas esperam encontrar ali, pessoas confiáveis, verdadeiramente amigas, companheiras com quem possam compartilhar suas alegrias e tristezas, um ambiente ético. Isso é o que essas pessoas esperam encontrar na Igreja Cristã, porque são estes os valores que fazem parte da lista de princípios que norteiam a vida cristã

Entretanto, como é decepcionante quando essas pessoas se defrontam com fofocas, conflitos, preconceitos, discriminações, panelinhas, alcovitagem, coisas das quais elas se cansaram de ver no mundo fora da Igreja. O verdadeiro crescimento depende da nossa unidade e comunhão conforme orou Jesus dizendo: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;  a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:20-21)

Em segundo lugar essas pessoas esperam encontrar entre nós um ambiente demonstrando que nos preocupamos uns com os outros não só em palavras, mas de verdade. É interessante que Tiago, irmão de Jesus, em sua carta à Igreja de seus dias, instrui os irmãos a que demonstrem a fé que proclamam com suas palavras através das obras. Tiago afirma que a fé sem obras é morta. Cantar e falar sobre a fé é fácil; demonstrar de verdade essa fé representa um grande desafio. As pessoas que ingressam em uma Igreja Cristã esperam encontrar dentro dela, as mais nítidas demonstrações de solidariedade, de companheirismo. Mas se não encontram isso, elas se frustram, se abatem. Muitas delas, quando não encontram isso na Igreja onde foram convertidas, saem e nunca mais retornam à comunidade, tornando-se membros de outras Igrejas evangélicas. O crescimento de verdade deve levar em consideração o princípio da unidade e da verdadeira comunhão entre os irmãos. Uma comunhão e unidade que se fundamentam na verdade, na justiça, e no exercício do verdadeiro amor como Paulo expõe na carta aos Coríntios em seu capítulo 13.

Santidade, Unidade e Comunidade são três pilastras sobre as quais uma Igreja deve ser edificada e solidificada. Precisamos urgentemente nos santificar, laborar em prol da unidade e nos esforçarmos em promover a comunhão, assim o crescimento será realizado com qualidade.

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