segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O JULGAMENTO

O JULGAMENTO.
(Mateus 7.1-6)

“O primeiro castigo do culpado é que
sua consciência o julga e jamais o absolve”. Juvenal

Alguns anos atrás eu fui, por uma exigência conciliar, nomeado Relator de um Tribunal onde um Pastor de renome nacional estava sendo julgado. Lembro-me que, ao mesmo tempo em que fiquei lisonjeado com a confiança que o Concílio havia depositado em minha pessoa, fiquei também seriamente preocupado, pois aquele era apenas meu terceiro ano de Ministério. Eu estava apenas começando!

A acusação que pesava sobre aquele Ministro era gravíssima e não havia prova nenhuma para que o Tribunal pudesse sentenciá-lo, com base no Código de Disciplina de minha denominação. Eu estava pensativo em minha casa numa tarde de um sábado quando recebi um bilhete de minha mãe, que havia tomado ciência do problema todo, e também da grande responsabilidade a mim confiada. Ela me escreveu: “Querido filho. Oro para que Deus te dê sabedoria para que possas cumprir tua tarefa; mas não te esqueças que em caso de dúvida é melhor inocentar o culpado do que condenar o inocente”.

Aquele bilhete atuou como um bálsamo naquela tarde de Julho, no ano de 1992. Encontrei forças para poder agir com a consciência mais tranquila. 

Entretanto, como o problema era grave, procurei me aconselhar com um Pastor mais experiente. Contei-lhe tudo o que estava acontecendo, detalhe por detalhe. Ele então pediu que eu lesse Tiago 2.13: “Porque o juízo será sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo”. Com base no bilhete de minha mãe e, fundamentado neste texto, julguei a questão, votando pela absolvição do acusado.

O referido caso, posteriormente, foi levado para um outro Presbitério, onde o Ministro foi também julgado e considerado inocente. Até hoje, para todos aqueles que estão familiarizados com o problema, há a dúvida cruel; seriam verdadeiras as acusações, ou falsas? Para todos ainda há uma dúvida que somente o réu, a pseudo-vítima e Deus sabem a verdade.  Todavia, diante das circunstâncias, julgamos com retidão e misericórdia.

Sabem porque conto esta experiência? É porque ela tem me ajudado muito nessa questão do julgamento que fazemos das pessoas. Foi Jesus quem disse que seremos julgados com o mesmo critério com que julgamos os outros (Mateus 7.1-5). Se julgarmos com misericórdia, haverá misericórdia para nós, mas se negligenciamos a misericórdia, seremos julgados dura e legalmente.

Somos muito rápidos em tirar conclusões sobre as pessoas. Muitas vezes um olhar apenas já é suficiente para confeccionarmos um juízo de valor tão depreciativo, que acabamos por nos isolar da pessoa e até influenciar os outros a que tomem partido do nosso lado. E foi Jesus quem disse que olhamos um minúsculo obstáculo no olho do outro e nem nos apercebemos da trave que há no nosso olho. E quanto maior for a trave, menor visão teremos. Jesus chama tal pessoa de hipócrita. Ele diz: Tira a trave do teu olho e, então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão”. Isto é, tira o enorme obstáculo que há em teu olho para que você veja com clareza e possa julgar com misericórdia. “Não vos esqueçais, ao julgar os homens, que a indulgência faz parte da justiça”, disse com propriedade Malba Tahan.

Rui Barbosa foi discriminado na Conferência da Paz em 1907 na Holanda. Brasileiro, baiano, o que teria esse indivíduo para dizer às mentes brilhantes da Europa e do mundo “civilizado”? Não só falou bem como, passou a ser chamado de O Águia de Haia. Nunca julgues pela aparência ou pelo que você ouviu falar. Os índios Sioux tinham uma prece: “Ajudai-me a jamais julgar outro homem até que eu tenha caminhado sete dias com suas sandálias”.

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