domingo, 16 de outubro de 2016

UMA DESPEDIDA REVELADORA E EMOCIONANTE I

UMA DESPEDIDA REVELADORA E  EMOCIONANTE

II Timóteo 4.6-22

Introdução

A morte de Voltaire

O infiel e materialista Voltaire, ao morrer ofereceu tudo quanto possuía para o médico prolongar-lhe a vida por mais seis meses; chamou um padre, escreveu sua retratação e ordenou aos velhos companheiros ateus que se afastassem de sua presença. Passou dois meses de tão intensa agonia, que, às vezes, rangia os dentes. Outras vezes clamava: - O Cristo! Ó Senhor Jesus!
Virando o rosto para a parede, dizia: “Vou morrer abandonado por Deus e pelos homens”.
Nos últimos momentos, alguém procurou conduzi-lo a aceitar a Cristo pela fé, mas ele virou-se dizendo em voz débil: - Não me falem nesse homem! Deixe-me morrer sossegado.
Tão horrível foi a sua morte, que sua enfermeira depois disse: - Mesmo que me deem todo o ouro da Europa, não quero presenciar outra morte de um infiel. Esta morte foi um horror indescritível.

Vejamos as últimas palavras de alguns dos mais notáveis homens que o mundo conheceu:

·      Lord Byron: - Vou descansar agora. (Poeta Ingles)
·      Dante Alighieri: (poeta, escritor e político de Florença – Vinde a mim!
·      John Milton: (polemista intelectual inglês) – Eis a minha aurora.
·      François Rabelais: (Escritor, padre francês e médico do período do Renascimento) – Que desça o pano, a comédia acabou.
·      Mozart (Compositor): - Deixem-me, pela última vez, a música!
·      Olavo Bilac (Escritor): - Quero ler...
·      Nelson: Um beijo!
·     Torquato Tasso (Poeta italiano): Nas vossas mãos, Senhor!
·     Napoleão Bonaparte: - Colunas do Exército!
·  Johann Wolfgang von Goethe, Literato e Estadista Alemão: - Deixem entrar a luz!
·    Victor Hugo, autor do célebre Les Misarables (Os Miseráveis): - Creio em Deus.
·     D. Pedro II: - Deus faça feliz meu Brasil!
·     Joana D’Arc – Jesus!
·    Sócrates: Vim não sei de onde, estou aqui não seu porque e vou não sei para onde.

Se nos últimos momentos de sua vida, te dessem papel e caneta para que você registrasse algo que ficasse para a posteridade, o que você escreveria?

O texto bíblico que lemos hoje foram palavras emocionantes de despedida do Apóstolo Paulo. Você pode perceber as diferenças?

EXPLICAÇÃO DO TEXTO.

Paulo escreve essa segunda carta ao Pastor Timóteo, seu filho na fé, dentro de uma masmorra fria, úmida, nos estertores de sua vida terrena, quando o crepúsculo se aproxima, quando a morte se avizinha. E ele sabe disso!

O que temos aqui são palavras de despedida. Depois de ter dado bons conselhos a Timóteo quanto ao exercício do Pastorado, Paulo pensa em si mesmo e diz: “Quanto a mim....”.

Agora Paulo não usa mais a expressão encontrada nas duas Cartas que escreveu a Timóteo: “Tu porém”. Agora ele fala a seu respeito, “Quanto a mim”.

É legítimo que nos preocupemos com os outros, mas ao que nos parece há um momento em que todos nós devemos nos voltamos para nós mesmos e pararmos para refletir sobre nossa vida e existência.

É isso que Paulo faz. Paulo faz um inventário de sua vida e o compartilha com Timóteo. Ele fala do presente do passado e do futuro.

1.  QUANTO AO PRESENTE.
“..estou sendo oferecido como libação (spendomai)”.

Libação é o ato de se derramar algum perfume, bebida ou mesmo sangue em referência a uma divindade. No seu caso Paulo se considera como um líquido que seria derramado em louvor e adoração, como um ato sacrificial ao Senhor. Ele morre por conta do seu testemunho a respeito da pessoa de Jesus Cristo. Ele não morre como alguém perseguido por suas convicções ideológicas políticas. Ele não morre porque havia cometido algum crime capital contra o Estado. Ele não morre como um criminoso, lesa pátria. Ele não morre como um proscrito. Ele tampouco morre vitimado por uma enfermidade, apesar de estar em uma masmorra fria, e úmida um ambiente propício a se contrariar várias doenças dentre elas a temida lepra. Sua morte está atrelada à dura perseguição que lhe empreenderam os mesmos que foram responsáveis pela prisão ilegal, julgamento injusto e condenação indevida de Jesus. Tal mestre, tal discípulo. Assim como morreu seu mestre, assim morre seu discípulo. Martirizados por uma só causa. O Evangelho.

“..o tempo da minha partida (analusis) é chegado”.

O termo usado pelo apóstolo Paulo para a palavra partida é “analysis” que está carregada de ideias e sentidos.
Essa palavra era usada para se referir ao momento no qual um animal é livre do seu jugo. Para Paulo a morte era um descanso.

Ela também era usada para se referir ao momento em que o prisioneiro se vê livre das correntes que o aprisionam: Para Paulo a morte era uma libertação, um alívio.

Essa palavra era usada quando alguém afrouxava e soltava os tirantes (as cordas) que prendiam uma tenda. Paulo era fazedor de tendas. Para Paulo a morte era como levantar acampamento e partir.

Ela também era usada para se referir ao momento em que uma embarcação tem suas cordas soltas e o navio livremente pode zarpar. Para Paulo a morte era como soltar as amarras que o prendiam a esse mundo e navegar até a eternidade.

Para Paulo a morte não põe fim à existência. Para Paulo a morte é o começo de uma existência em muito superior a que estava findando. Alfred Lord Tennyson registrou esse momento em seu imortal poema intitulado “Cruzando a Barra”.

Ao pôr-do-sol, noturna estrela.
Tem um chamado para mim
Hora na vida é de atendê-la
Cruzar o vasto mar sem fim
Ir-me ao descanso, ir-me ao sabor
De estranhas águas ao redor

Não haverá rumor nem ventos
Nem onda forte em alto mar
E nem adeuses, nem lamentos
Na hora final de eu embarcar.
Maneira brisa há de esperar-me
E ao lar distante, em paz, levar-me.

Na rota incerta, ultrapassando
Espaço e Tempo dentro em mim
Não temerei se, em torno olhando
Do longo mar não vir o fim:
- Basta-me a face amiga olhar,
Do bom Piloto, e descansar...

2. QUANTO AO PASSADO PAULO DIZ TRÊS VERDADES NOTÁVEIS.
“Combati o bom combate (agonidzomai)”. 

Essa é uma metáfora que se refere à luta de um atleta na arena. Devemos notar aqui o artigo definido: o bom combate. A vida cristã é uma luta pelo bem. O bom combate é a luta em prol do Santo e Bendito Evangelho. Paulo havia escrito à Igreja de Roma: “Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para Salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu como também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”. (Romanos 1;16,17)

“Completei a carreira (dromos)”.

Ou seja, fui até o fim. Tudo que me foi confiado eu levei a bom termo.  O mesmo que disse Jesus na cruz: “Tudo está consumado”. A metáfora aqui usada se refere ao atleta que pratica a corrida dos fundistas ou maratonistas. O velocista jamaicano, o homem mais rápido mundo nos 100 e 200 metros alcança sua maior velocidade, no seu Sprint final. Ele começa como qualquer um, mas termina como ninguém consegue fazê-lo. Paulo, imitou seu Mestre Jesus: ambos começaram e terminaram suas obras com dignidade.

“Guardei a fé (Pistis)”. 
Eu combati e corri observando todas as regras da fé cristã, do começo ao fim. A metáfora aqui se refere ao juramento que todo atleta tem que fazer e cumprir, ou seja, de que competiria conforme as regras pré-estabelecidas. Paulo não trapaceou, ele lutou e correu seguindo todas as regras. Ele foi um combatente e um corredor leal. Durante o combate e a carreira ele se dedicou em cumprir as regras pré-estipuladas.

3. QUANTO AO FUTURO PAULO DIZ:
“Já agora a coroa da justiça me está guardada”.

Tendo lutado bem, completado a corrida bem e feito isso tudo de acordo com as regras ele sabia que o justo juiz o recompensaria. Assim como o atleta recebia a coroa após ter se sagrado campeão, assim ele, Paulo, seria coroado.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO.

No dia 01 de Outubro um jovem acordou pela manhã como havia feito ao longo dos seus apenas 24 anos de idade. Cheio de saúde e de sonhos. Naquele sábado ele iria praticar o esporte de sua preferência – o futebol. Mas de repente ele foi acometido de um mal súbito e veio a falecer. Foi sua última manhã, sua última partida de futebol. Mas ele não foi o único a morrer inesperadamente. No dia 24 de Junho de dois mil e dezesseis, um ônibus conduzindo alunos da UMC, com problemas nos freios, se acidentou ceifando a vida e os sonhos de 18 estudantes e trazendo trauma para suas famílias.  Esses episódios não são únicos e nem isolados.

Muitos morrem de forma surpreendente. Parece que tudo vai bem, mas de um momento para o outro algo lhes sucede e a vida se esvai. Para esses não há tempo de fazer contabilidade, análise de suas escolhas, condutas, decisões.

Mas muitos têm a chance de repensar suas vidas, refletir sobre sua existência, sobre o destino eterno de suas almas e sobre Deus. Esse era o caso de Paulo e é o nosso caso.

Nós temos hoje, o privilégio de estarmos no recinto de uma Igreja onde a Bíblia é lida e meditada, onde cantamos louvores a Deus, e principalmente, onde refletimos sobre a vida e a morte e o destino final de nossas almas. 

Que ricas lições aprendemos com Paulo nessa sua Emocionante e Reveladora Despedida:

1. Paulo sabia que estava na eminência de morrer, mas ele estava preparado.

E quanto a nós? Estamos preparados? A vida ilustra essa verdade.

Quando vamos empreender uma viagem, nós nos preparamos adequadamente. 

Compramos nossas passagens, providenciamos o visto quando é necessário, arrumamos nossas malas, nos despedimos e embarcamos.

Você está pronto para partir? Você já tem o bilhete comprado para sua última e derradeira viagem? Alguém já disse que a única coisa certa dessa vida é a morte; você está devidamente preparado para soltar as amarras do navio que te conduzirá para a eternidade? Paulo estava. E você? Permita-me importuná-lo com essa questão. Esse é um assunto de vida e morte. Vida eterna ou morte eterna. Nos podemos nos equivocar com respeito a muitas coisas nessa vida, mas não podemos errar quando a questão é o destino eterno de nossas alma.

2. Talvez você responda diga que sim; que está preparado. Talvez você repita o slogan calvinista e bíblico que diz: Uma vez salvo, salvo para sempre. Sim isso decorado é bom, mas isso tem feito sentido em sua vida, ou seja, você tem vivido a sua vida como um bom atleta que luta de acordo com as regras?

Não basta declarar com os lábios que temos Jesus como seu Senhor e Salvador. O atleta sabe as regras, mas isso não é a garantia de que ele irá lutar e correr de acordo com elas. Lembre-se das cinco virgens que pensavam estar preparadas para a vinda do noivo.

Certa vez Deus disse por boca do profeta Isaías: “...este povo se aproxima de mim e com sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu....” Isaías 29.13

Nós fomos salvos para vivemos separados do mundo e vivermos para Deus. Isso é: fomos salvos para vivermos a eternidade que começa com nosso compromisso de Santidade. O escritor da carta aos Hebreus escreveu: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”. Hebreus 12.14 Ser santo é o mesmo que lutar e correr de acordo com as regras.

3. Paulo não morreu lamentando sua vida e sua morte, suas palavras revelam que ele sabia bem o propósito de sua vida e o motivo de sua morte.

“Quem vive sem Cristo, morre sem Cristo. Você pode conhecer muito bem as Escrituras; você pode ter nascido em um lar cristão; você pode dominar o evangeliquês, carregar uma Bíblia, cantar louvores, dar sua oferta, ter uma vida moral exemplar, mas se Cristo não for o motivo pelo qual tu fazes tudo isso  e muito mais, você irá morrer sem Ele, porque não viveu nEle e nem Ele viveu em ti!".

4 Paulo aprendeu que mais importante do que ter uma causa pela qual valha a pena viver é termos uma causa pela qual estejamos dispostos a dar nossa própria vida.

Como você tem vivido seus dias atuais? Em que é que você tem gasto tuas energias e tuas potencialidades?

Quais são os sonhos e os projetos que embalam tua vida? O que é tão importante para você, aquilo em que tua alma está apegada, aquilo em que está teu coração? Qual é o teu tesouro? Jesus disse: “Onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mateus 6.21)

A tua vida tem valido a pena? Tens prazer naquilo que tu fazes ou vives como um barco a sota vento sem leme, sem alguém que lhe indique o rumo a seguir e o porto a ser alcançado?

Não  importa saber coisas sobre Deus, o que importa é conhecê-lo intimamente. Saber mais sobre Deus não vai te salvar, mas conhecer mais Deus intimamente sim.

Não importa tanto como começamos nossas tarefas, mas sim como as levamos adiante e quão notavelmente as concluímos.

JESUS

Jesus também sabia o momento de sua partida. Ele suou gotas de sangue no Getsêmane enquanto orava ao Pai porque antevia seu martírio, as humilhações, os açoites, as cusparadas em seu rosto, as pancadas com varapaus, os xingamentos e afrontas, a arrogância dos membros do Sinédrio e de Caifás, o descaso de Pilatos, a traição de Judas, o abandono dos discípulos, a dor dos cravos nos pés e nas mãos, a coroa de espinhos encravada em sua cabeça, o ladrão insultuoso ao seu lado. Por isso ele suou gotas de sangue, mas ele não recuou.

Jesus sabia que por detrás daquela cruz havia um trono; por detrás da humilhação havia a exaltação; depois daquele inferno, haveria o Céu que o aguardava com toda a Glória Celestial. Paulo sabia que uma coroa já estava reservada para ele pelo reto juiz celestial.

Assim finalizo essa mensagem sobre essa primeira parte desse sermão intitulado Uma Emocionante e Reveladora Despedida citando para nosso alerta e apelo aos nossos corações, a passagem de Hebreus 12. 1-3:
  
Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta. Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Hebreus 12:1-3

Um comentário:

  1. Quem procura na vida andar no caminho de Deus e seguir a Jesus Cristo acaba não temendo a morte.

    "Paulo aprendeu que mais importante do que ter uma causa pela qual valha a pena viver é termos uma causa pela qual estejamos dispostos a dar nossa própria vida."

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