domingo, 6 de novembro de 2016

COISIFICAR?

“Jesus não morreu por coisas, ele morreu por pessoas”.
Rev. Mauro Sergio Aiello
João 10.10
Você pode pensar que essa palavra não exista, mas a verdade é que ela existe. Trata-se de um verbo transitivo direto e tem como sentido tornar parecido com uma coisa; identificar com um ato ou objeto concreto, reduzir o homem e sua consciência a coisa, objeto ou valores materiais; tratar o ser humano desse modo. (Houssais)

Não nos temos dado conta de que apesar de não conhecermos e nem conjugarmos esse verbo, o quanto temos coisificado. Coisificamos com uma naturalidade impressionante. Coisificamos, por exemplo, o sentimento do outro. Vivemos dias em que a indiferença nos tem feito olhar para as pessoas como se elas fossem coisas. Tirar a vida do semelhante tornou-se algo tão banal que a vítima se coisificou na mão daqueles que a ceifam. Usar pessoas para atingir objetivos na vida, é coisificar, transformar o outro em um objeto para um fim pré-estipulado. Pessoas têm sentimentos, coisas não sentem.

Coisificamos nossa vida familiar com naturalidade espantosa, Por isso é que há tantos divórcios por questões tão banais. Por isso cada vez mais as casas se tornam menores; salas menores, quartos menores, sem cozinhas ou copas, sem área para lazer ou plantio. Ora, temos coisificado tanto o relacionamento conjugal e familiar que a casa se tornou uma coisa que cônjuges usam apenas para se encontrar, comer e dormir.

Coisificamos nossa vida profissional ao entender, equivocadamente, que o trabalho é uma maldição. Um dia estava eu comprando pão quando no estabelecimento entrou um vizinho do apartamento em que eu morava. Cumprimentamo-nos como manda o figurino e eu perguntei como ele estava. – Cansado, muito cansado – me respondeu ele. Então perguntei: - Cansado do quê. Meu vizinho me respondeu: - Estou cansado de trabalhar. Eu fiquei atônito e de supetão lhe disse: - Graças a Deus por isso, porque vivemos em um país onde há milhares cansados de procurar emprego e não encontram. Coisificamos a vida profissional quando não a entendemos como o recurso por meio do qual temos o pão de cada dia sobre a mesa.

Coisificamos nossa vida religiosa a partir do momento que não damos a ela a importância que ela realmente tem. Tratar a agenda de nossa religiosidade irresponsavelmente é coisificar a religião, e se nós cristãos fazemos isso, acabamos por coisificar o próprio Deus. Aliás, há muitos cristãos que tem procurado fazer de Deus um objeto, um meio para atingir seus propósitos. Tratar Deus assim é coisificar a divindade fazendo-a menos que humana, o que é pior ainda.

Talvez você cometa o mesmo equívoco tão comum de pensar que a felicidade é o pote de ouro no fim do arco-íris. Quero dizer a você que não existe pote de ouro lá. A felicidade não é um lugar onde esperamos chegar um dia, não é o horizonte onde o sol nasce ou se põe, não é um objetivo a ser alcançado na vida. A felicidade é a própria  vida. A vida não é uma coisa, é um dom de Deus. Não caminhamos em busca da felicidade porque a felicidade é a própria jornada que empreendemos sob os olhares cuidadosos de Deus. A vida é a mais bela de todas as artes e seu autor é o próprio Deus. Tratá-la como coisa vai nos fazer infelizes, sejamos ricos ou pobres, cultos ou incultos, bonitos ou feios, famosos ou desconhecidos.

  A vida do meu semelhante não é coisa. Pessoas são mais importantes que coisas. Se você ama mais coisas do que pessoas então você pode ser muito rico, ter toda saúde, fama e proeminência, mas é infeliz. Veja como você tem tratado seu semelhante. Se não houver simpatia e empatia, com grande probabilidade você irá tratar o outro como uma coisa.

   A vida conjugal não é coisa. Nenhum sucesso é maior do que o sucesso no lar.

   A vida profissional não é coisa, é instrumento por meio do qual temos o sustento diário. É muito comum ouvir de pessoas que lutaram para conquistar dinheiro e fama e que depois dizem que sentem saudades do tempo em que possuíam mesmo do que têm agora.  Conta-se que um turista quis conhecer um sábio que vivia no Cairo. Ao entrar na casa do sábio observou que havia pouquíssimos móveis e utensílios. Então o turista perguntou ao sábio: - Onde estão as mobílias e os utensílios. O sábio respondeu perguntando ao turista: - E as tuas onde estão. O turista respondeu: - Mas eu estou aqui de passagem. O sábio respondeu: - Meu querido, eu também.


  Tratar a vida cristã como coisa, deixando de lado o que ela exige de nós em prol de uma jornada mais feliz, é tolice assim como é tolo imaginar que outro casamento te fará feliz, outro carro te fará mais feliz, uma nova casa e assim por diante. A vida cristã não é coisa porque Jesus morreu por mim e por você. Eu não me considero coisa, e você o que se considera?

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