quinta-feira, 17 de novembro de 2016

SAPATOS CHEIOS DE BARRO

(Romanos 5.3) 
“Quando o orgulho galopa na frente, vergonha e sofrimento o seguem de perto”
Luiz XI

Em 1995, eu e Ângela minha esposa, fizemos a primeira viagem à Missão Caiuá no município de Dourados – MS. Foi uma viagem, em todos os sentidos, abençoada. Foi maravilhoso conhecer aquele campo missionário e saber que Deus vocaciona e capacita pessoas a dedicar suas vidas na conquista de outras pessoas tão diferentes, para Cristo.

Em um dos dias em que lá estivemos, fomos conhecer a aldeia de Panambi. Havia um clima de guerra entre os índios e os colonos. A reclamação era de que os colonos haviam se apossado de terras dos índios e plantado soja nelas. Apesar deste clima de apreensão, fomos conhecer a aldeia. No caminho para lá desabou um verdadeiro toró; chuva torrencial. Ao chegarmos à aldeia tivemos que descer do ônibus e caminhar a pé. Sem que me apercebesse aquela terra vermelha, encharcada da água da chuva, começou a se acumular na sola dos meus sapatos de forma que eu, que já sou grandão, estava ficando cada vez maior. Comecei a ter dificuldades para andar. O mesmo ocorreu com os tênis que a Ângela usava. Para entrar no ônibus eu tive que limpar as solas dos meus sapatos. A Ângela generosamente ofertou seu tênis a uma indiazinha que se agradou dela e a acompanhou até o ônibus.

Eu quero lhe falar sobre o orgulho porque para mim esta disposição mental é como aquela terra molhada que se acumulou nas solas dos meus sapatos e dos tênis da Angela. O orgulhoso tem a impressão de que é “grande”, mas é só terra, nada mais do que terra. O orgulho é perigoso. A Bíblia diz em Provérbios 16:18: “A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda.” O orgulho limita nossos movimentos, dificulta nosso caminhar, assim como eu já estava com dificuldades para andar com tanto barro sob as solas dos meus sapatos.

O orgulho nos induz a julgar-nos mais do que somos; a não suportarmos uma comparação que nos possa rebaixar; a nos considerarmos tão acima dos nossos irmãos que o menor paralelo nos irrita e aborrece.

Não podemos confundir auto-estima com orgulho. A auto-estima faz com que tenhamos um conceito e um juízo equilibrado sobre nós mesmos. O orgulho nos leva a imaginar que somos gigantes ainda que sendo anões.

Quando Paulo vai escrever sobre os aspectos práticos da vida cristã, em sua carta endereçada à igreja de Roma ele diz: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3)

Eu não quero ser duro com os orgulhosos, mesmo porque eu não sou tão humilde o quanto deveria ser, mas é preciso que entendamos que o orgulho nos imobiliza, nos faz estéreis, irônicos, motejadores, insensíveis a respeito das limitações dos outros. O orgulho nos coloca em um pedestal! O orgulho faz com que tenhamos a pretensão de que os outros é que devem se interessar por nós. O Padre Antonio Vieira, tão famoso por seus sermões e retórica, afirmou com sabedoria: “Lograr proeminência, e não ser orgulhoso, é procedimento tão raro que nem o primeiro anjo o teve no céu, nem o primeiro homem o demonstrou no Paraíso”.

O orgulho é mesmo uma armadilha que se oculta nas entranhas da alma humana e vez por outra surge para tornar ofuscado o brilho de Cristo em nosso rosto. O orgulho é traiçoeiro. Quer ver?

Certa vez iniciei uma amizade com um irmão Pastor. Eu sentia que ele tinha um pé atrás comigo (ESTRANHO ISSO NÃO?), mas mesmo assim prosseguimos em nossos bate-papos matinais. O tempo passou e ele se abriu comigo.

Maurão – disse ele – eu o achava um cara metido, mas vejo que estava enganado, me perdoe.

Foi então num arroubo de “humildade” que eu lhe disse:

- Irmão, não se engane comigo, eu não sou tão humilde quanto eu acho que deveria ser. Aquele irmão então, surpreso, olhou-me com admiração.

Pronto; fiquei orgulhoso das minhas palavras. Percebeu? O orgulho, lá estava ele de novo.

O caminho para a restauração é olhar para Deus. Jesus disse: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” (Mateus 5:3) Só quando olhamos para Deus é que podemos perceber o quão pequenos e frágeis somos. Só quando olhamos para Deus é que percebemos que cada dia é fruto de sua graça e misericórdia e que por ele devemos ser gratos. Quando olhamos para Deus, e nos vemos como realmente somos, é que percebemos que há tanto coisa para ser melhorada em nós que deixamos de nos preocupar em consertar os outros como se nós mesmos fossemos melhores.

Então, abaixe-se, limpe as solas, tire o barro,.

Ouvi do Rev. Agustus Nicodemos Lopes um relato sobre o Rev. Francisco Leonardo, seu sogro, dos tempos em que ele era diretor do SPN (Seminário Teológico do Norte), em Recife.

O querido Rev. Augustus contou que o Rev. Francisco colocara um quadro a um palmo do chão, no rodapé da parede de sua sala, e que nele havia os seguintes dizeres: “Não mais eu, mas Cristo”.  Dento do E do pronome eu, havia um homem em postura altiva, de pé, queixo erguido e logo depois, dentro do C de Cristo, havia um homem abaixado, em atitude de humilhação.

Acontece que quando o Rev. Francisco Leonardo recebia um aluno com uma postura de orgulho ele mandava o tal aluno ler o que havia naquele quadro. Para isso era preciso que ele se curvasse. Assim quando o seminarista se abaixava o Rev. Francisco, colocando sua mão sobre a cabeça dele, orava pedindo a Deus que o livrasse do perigo da soberba.

Abaixe-se, você não é tão grande quanto pensa ser. A Bíblia diz que Deus resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes  (I Pedro 5.5). Lembre-se do que diz o Salmista: “....um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás”. (Salmo 51.7b) Não se esqueça que é exatamente quando estamos vazios de nós mesmos é que Deus pode nos encher do seu Santo Espírito.

Orgulho.....pecado refinado, escondido
Orgulho, desejo do mal incontido
Disfarçado de esmero e preocupação
Não passa de fingimento, dissimulação

Ore, clame e livre-se dele.

Um comentário:

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