quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A IGREJA (09) – DOUTRINAÇÃO


“E perseveravam na doutrina dos apóstolos.....” (Atos 2.42).

A Igreja nascida no seio do judaísmo, em Jerusalém, era composta, em sua grande maioria de judeus que foram convertidos ao cristianismo. No relato de Atos 2 somos informados que Pedro pregou aos judeus de várias partes do mundo que estavam em Jerusalém por ocasião da Festa do Pentecoste, e que ficaram atônitos em ver que os crentes falavam as grandezas de Deus em suas próprias línguas.

É interessante contrastar esse episódio com o da Torre de Babel (Gênesis 11). Lá, nos primórdios da humanidade, naquela comunidade pós-diluviana, Deus distribuiu línguas para confundir e fazer o monumento do orgulho humano ser interrompido. Aquela gente teve que se espalhar por toda a terra abandonando qualquer pretensão de ficar ali naquele lugar como se pudessem desafiar a Deus deixando de cumprir o imperativo de se multiplicar e encher a terra. Aqui na festa de Pentecoste, Deus derrama seu Espírito cumprindo o que se vê em Joel 2.28-32 e também o que disse o próprio Jesus (Atos 1.4-8), mas nesse caso o falar em línguas foi um ato no qual o povo se aglutinou atônito e ouviu Pedro justificar biblicamente o fenômeno e muitos convertidos voltaram para suas terras levando as boas novas de salvação. E o evangelho multiplicou cristãos.  Muitos que eram da Judéia, especialmente de Jerusalém, formaram a primeira leva de cristãos e a primeira Igreja Neo-Testamentária na cidade do rei Davi.

Essa comunidade de cristãos, como já dissemos, era composta em sua maioria, se não, a sua totalidade, de judeus que deixaram o judaísmo crendo em Jesus como o Messias de quem tanto os profetas falaram. Essa era a composição daquela comunidade de Jerusalém retratada por Lucas. E esse relato de Lucas, o escritor do Livro de Atos é exuberante. Diz Lucas que aqueles irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos.

Toda e qualquer dúvida era sanada pelos apóstolos que estavam ali em Jerusalém: Os irmãos, Pedro, André, e também Tiago e João e os demais contando com o mais novo, Matias, que foi escolhido para ocupar o lugar de Judas Iscariotes. Não se sabe ao certo exatamente quando os apóstolos deixaram definitivamente Jerusalém, mas com boa dose de acerto eles ainda estavam por lá servindo de mestres para essa Igreja nascente retratada por Lucas. E esses apóstolos ensinavam a Igreja.

Fico a imaginar os irmãos daquela comunidade enfrentando seus desafios. Viviam sob o domínio de uma nação estrangeira – Roma. Haviam acabado de deixar o judaísmo que tinha como premissa a fé no Messias que viria, mas que agora, estão convencidos de que esse Messias era Jesus que veio, foi morto, sepultado e ressuscitou. Como viver essa nova religiosidade? O que fazer com as festas judaicas? O que fazer com o templo? Seria necessário continuar com os sacrifícios? Qual seria a estrutura dessa nova religião? O que fazer com o judaísmo de seus antepassados e de tantas tradições? Essas e tantas outras questões devem ter sido levantadas e discutidas. E os apóstolos eram os mestres, aqueles que orientavam afim de que os judeus cristãos entendessem como era essa nova religião essa nova forma de ver e servir a Jeová o Deus do Pacto.

Um caso clássico é visto, por exemplo, na questão da distribuição diária às viúvas dos helenistas (Atos 6.1-7). Os apóstolos foram consultados e deram sua opinião que foi acatada nascendo aquilo que é considerado a Diaconia, um dos Oficialatos da Igreja Cristã. Os apóstolos instruíram a Igreja sobre as qualificações daqueles que podiam concorrer à eleição para essa atividade que deveria garantir a igualdade no que consistia a assistência social.

Ainda que aquela comunidade cristã não contasse com a mesma estrutura que encontraremos mais à frente, por exemplo, na atividade missionária e implantação de Igrejas pelo apóstolo Paulo quando este instalava Presbíteros nas Igrejas nascentes, a Igreja de Jerusalém retrata por Lucas em Atos 2.41-47, tinha instrução. Os apóstolos eram os doutrinadores. Eles ensinavam aquilo que haviam aprendido de Jesus. E o faziam sob inspiração divina. Essa é uma das qualificações do verdadeiro apóstolo. Eles eram profetas no sentido em que profeta é aquele por meio de quem Deus fala. Eram inspirados. Hoje já não há mais apóstolos. O que há por aí é uma total falta de conhecimento bíblico e muitos se aproveitam dessa ignorância.

Nas cartas gerais, ou pastorais, do Apóstolo Paulo, vemos que ele revela a sadia preocupação de que na Igreja haja instrução e esta com base na Escritura Sagrada. O texto clássico de II Timóteo 3.14-17 deixa essa questão sem nenhuma condição de ser refutada. Timóteo era Pastor e seu discípulo.

Portanto, desde os primórdios do cristianismo a Igreja tem recebido doutrina e ensino Bíblico. Assim como havia sido no Antigo Testamento, na tradição judaica, o mesmo deve ocorrer agora com o Israel a Igreja Neo-Testamentária, ou seja, deve haver leitura, meditação e, como diz Tiago em sua carta no capítulo 1.19-27, a prática da Palavra de Deus. E essa leitura, reflexão, meditação e prática das Escrituras devem levar em consideração tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

Como já vimos em A IGREJA (4) – BÍBLIA - A VERDADE, a Palavra de Deus é meio de graça e instrução que propiciam ao fiel conhecer mais substancialmente a Deus, possibilita que esse cristão viva com mais sabedoria, santidade e serviço que realmente seja do agrado de Deus que em Cristo o redimiu.

Uma Igreja que abandona o sério e profundo exame das Escrituras se transforma em um clube religioso, uma sociedade de amigos, um grupo de terapia psicológica, uma agência de bem estar social, um teatro para entretenimento, um restaurante que satisfaz o paladar religioso e filosófico. O que faz a Igreja Cristã ser Igreja de verdade é o fato de que ela se apoia, se baseia na verdade especial de Deus, na Palavra de Deus. A Palavra de Deus, a Revelação Especial de Deus, é que revela Jesus como único e suficiente Salvador, como o segundo Adão que venceu o tentador, e a própria morte (Romanos 5.12-21 – I Coríntios 15), como o único mediador entre Deus e os homens (! Timóteo 2.5), o homem que viveu entre nós sem pecar, o único sem pecado, o Deus vestido de pele humana (Filipenses 2.1-11).

Todas as vezes na história da humanidade em que a Igreja se divorcia da Bíblia ela se descaracteriza, se deforma e deixa de ser a noiva de Cristo. Quando isso acontece ela deixa de ser benção para o mundo cometendo o mesmo pecado e erro dos israelitas, a igreja do Antigo Testamento.

Foi nesta situação de penúria que a Igreja chegou até o dia glorioso em que Lutero afixou suas noventa e cinco teses nas portas da Catedral de Wittemberg procurando provocar o diálogo e reformar a Igreja. Era o dia 31 de Outubro de 1517. Sua intensão não era romper com a igreja dos seus dias e à qual ele servia como frade agostiniano. Mas ele foi perseguido e excomungado. Nasceu o movimento que hoje é conhecido como Reforma Protestante do Século XVI e que fez vir à lume os princípios do Solo Christus, Solo Deo Glória, Sola Fidei, Sola Gracia, o Sacerdócio Universal dos Fiéis e o Sola Scripturae (Somente a Escritura).

Alguém escreveu recentemente: “Não frequente uma Igreja porque ela é próxima de sua casa, pura e simplesmente. Frequente uma Igreja que ame a Escritura e reconheça nela a sua autoridade sobre a Igreja e não o contrário”.

Todo o problema litúrgico é antes de mais nada, um problema teológico e todo problema teológico nasce em uma atitude de distanciamento das Escrituras. Jesus já havia dito aos saduceus lideres na religião de Israel quando foi interpelado sobre a ressurreição: “Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22.29). "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (João 5.39).

Igreja Cristã sem Bíblia é outra coisa menos uma Igreja Cristã simplesmente porque Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo de Deus. Cristo é a essência das Escrituras Sagradas.

Precisamos resgatar o hábito mais que saudável estudo individual e comunitário das Escrituras. O Salmo 1 diz que o homem que ama e medita na Lei de Deus é uma pessoa bem sucedida. Ele é árvore plantada junto a um ribeiro de águas que no devido tempo frutifica e suas folhas não murcham. O ímpio é aquele que se assemelha a palha que o vento dispersa.

Falando mais domesticamente aos meus irmãos presbiterianos eu diria que precisamos reaprender a ler nossa Confissão de Fé, voltar ao hábito escolástico de decorar o Breve Catecismo e o Catecismo Maior. Fazer isso é o mesmo que acender uma luz que ilumina o caminho por onde devemos ir. Não nos esqueçamos do que disse o Salmista (Salmo 119.105): “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para os meus caminhos”.

Ouvi recentemente uma história de um menino que encontrou uma Bíblia sobre um móvel de sua casa e perguntou à sua mãe que livro era aquele. A mãe lhe respondeu: - É a Bíblia meu filho. Então o menino perguntou: - Mas o que é a Bíblia, mamãe. Bem filho – disse a mãe é o livro de Deus. – Então, mamãe - disse o menino - vamos devolver para Ele tendo em vista que nós nunca o lemos.

Vamos lá querido leitor: pegue sua Bíblia. Abra o Santo Livro. Leia-o, medite nele, frequente a Escola Bíblica Dominical, fique atento ao Sermão do Pastor.....esse é um hábito saudável que enriquece a alma, enobrece o coração e te faz crescer espiritualmente.

Amém

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