sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A IGREJA (10) – SUA UNIVERSALIDADE


A Igreja Cristã não é necessariamente denominacional. Ela é uma instituição una e universal. Para dizer isso mais tecnicamente; ela é católica, porque é exatamente isso que o termo “católica” significa, ou seja, “geral” ou “universal”. Veja bem; eu não estou afirmando que a Igreja Cristã é a católica apostólica romana, porque essa denominação é uma contradição de termos. Se for católica não pode ser romana ou qualquer outra coisa.

As denominações são decisões humanas que resultaram, em algum aspecto, de interpretações variadas da Escritura Sagrada. Batistas, Luteranos, Congregacionais, Presbiterianos, Anglicanos, Assembleianos, e outras denominações não são outra coisa senão posicionamentos humanos particularizados em algum ou alguns pontos que distinguem uns dos outros.

Isso não quer dizer que as denominações deixam, por isso, de serem Igrejas Cristãs. São Igrejas Cristãs aquelas que basicamente possuem as marcas que distinguem a verdadeira Igreja daquelas que, a despeito de serem rotuladas de Cristãs, não o são realmente. As marcas, segundo a maioria dos reformadores, são pelo menos três:

(1) A pregação Fiel das e nas Escrituras Sagradas que é a base onde o edifício da Igreja é erigido. A Escritura Sagrada é o alicerce da Igreja e a Sagrada Escritura tem autoridade intrínseca, ou seja, ela é a Palavra de Deus porque diz isso a respeito de si mesma. A Igreja apenas reconhece essa autoridade e se submete a ela. Qualquer outra postura define um grupo como uma comunidade qualquer, mas não como Igreja. Esse grupo pode ter um excelente aporte moral e ético, mas sem a Palavra de Deus como base e alicerce, ela não é Igreja de Cristo.

(2) A prática da disciplina eclesiástica. A Igreja jamais deve se conformar com este mundo. A Igreja e o Mundo não são apenas diferentes, mas antagônicos e opositores. O mundo não aceita a Igreja e a Igreja não aceita o mundo. Vivem em santa porfia. E nessa guerra as portas do inferno não podem prevalecer contra a Igreja (Mateus 16.18). Qualquer costume ou hábito que seja uma nítida quebra da Lei Santa de Deus deve receber tratamento bíblico e quando o Evangelho se tornar motivo de escárnio por conta do mau testemunho de alguns que se intitulam discípulos de Jesus, mas que deixam muito a desejar, os responsáveis devem receber misericordiosa, mas justa punição. Muitas vezes os mesmos, por sua contumácia e gravidade dos seus pecados, podem ser excluídos da membresia de uma Igreja local. A Igreja como comunidade deve zelar pela vida piedosa daqueles que dela fazem parte.  Dizer-se cristão e viver de forma ímpia é um lamentável equívoco.

(3) A celebração sistemática e bíblica dos Sacramentos que são Santas Ordenanças. Basicamente a Igreja Reformada, independentemente, da denominação adota dois sacramentos ou memoriais, como alguns gostam de chamar, em meu entendimento de forma equivocada. Não vou brigar por conta disso desde que o Batismo e a Ceia sejam praticados da forma e com o conteúdo corretos. Sacramento é um termo que não encontramos na Bíblia é verdade.

A palavra sacramento foi utilizada, pela primeira vez, em relação ao Batismo e à Ceia do Senhor, por Tertuliano, um teólogo que viveu muitos anos após a morte de Cristo e dos apóstolos. Mas isso não significa que ela seja imprópria para designar as duas ordenanças deixadas por Jesus para serem observadas por seus servos. Sacramento era o nome dado ao juramento que o soldado fazia ao imperador, até à morte.  E é nesse sentido que alguns fazem uso desse termo. No batismo o crente faz um juramento de fidelidade a Cristo até a sua morte e quando participa da Ceia, o crente reafirma esse juramento. (O QUE TODO PRESBITERIANO INTELEGENTE DEVE SABER, Autoria de Adão Carlos do Nascimento e Alderi Souza de Matos, Grupo Z3, pgs. 153,154).

Há dentre as Igrejas históricas aquelas que batizam as crianças, mas é preciso que entendamos que as que praticam o que é chamado de Pedo-Batismo, não praticam tal ato na mesma perspectiva que a Igreja Católica Apostólica Romana o faz. Esta batiza os infantes para tirá-las da condição de pagãs e coloca-las na condição de cristãs. Já a Igreja Reformada que batiza seus infantes faz assim porque crê que os filhos são filhos da promessa. Os filhos de pais crentes em Cristo são batizados por serem membros da Igreja desde o nascimento. Elas não se tornam membros por serem batizadas, pelo contrário, são batizadas porque já são membros desde o nascimento.

Nossa intensão aqui não é defender o batismo infantil e nem tampouco refutá-lo. Confesso que na condição de Presbiteriano, me sinto a vontade para praticar tal ato, mas não considero, aqueles que não o fazem como hereges. Gostaria tanto que houvesse reciprocidade e respeito desse assunto, assim como respeito os que adotam dogmaticamente a imersão como única forma de Batismo cristão, mesmo havendo razões de sobra para não se posicionar dessa forma. Não quero discutir a esse respeito também.

Com todo meu coração não creio que isso deva nos dividir. Creio que devemos ser profundamente éticos e amorosos nessa questão como em outras. Mas se você é batista, seja batista. Respeite sua forma de ser. Se você é presbiteriano que o seja respeitando profundamente sua denominação. O que precisamos é mais de amor e menos de discussão, mais consideração e menos rótulos. Confesso que me entristeço quando ouço alguns pentecostais chamarem os presbiterianos de sorveterianos, assim como alguns presbiterianos de nariz em pé discriminam pentecostais. Já tendo mais que meio século de vida, me lembro com tristeza de ser chamado de “primo” pelos batistas que não me consideravam irmão em Cristo simplesmente porque eu sou Presbiteriano e, na concepção deles, a única forma de inserção à verdadeira Igreja é o Batismo por imersão, o que revela uma boa dose de exagero quando se imagina que o Batismo é necessário para a salvação. O que era mesmo de doer é que eu, por uma contingência histórica, fui batizado por imersão quando tinha apenas 14 anos e minha família frequentava a Igreja Cristã Evangélica. Na verdade me tornei Presbiteriano no ano de 1982 com já 28 anos de idade.

Uma boa teologia é aquela que entende que uma pessoa realmente convertida sente o impulso e a necessidade de se submeter a esse rito. O exemplo do eunuco relatado por Lucas em Atos 8 é uma clara demonstração disso, mas se o convertido, por uma contingência ou não, morrer sem esse sinal, ele não está fora da Igreja Invisível em absoluto.

Não sou a favor do ecumenismo protestante. Bem, se não sou a favor do ecumenismo protestante, imagine você o que penso eu de qualquer outro tipo de ecumenismo. Todavia, eu penso que há projetos em que, principalmente as Igrejas Históricas, (Batistas da Convenção, Presbiterianos (IPB, IPI, IPC), Congregacionais Calvinistas, Igreja Cristã Evangélica, e outras) poderiam se unir. Sim, porque apesar de nossas diferenças, se estas Igrejas possuem no mínimo as três marcas características da verdadeira Igreja Cristã, elas são uma só. O que é preciso mesmo é respeito e consideração, longanimidade e parcimônia. Precisamos acabar com os rótulos. Precisamos olhar um para o outro com o filtro que encontramos em I Coríntios 13. É preciso que entendamos que o amor é o dom supremo e não apenas superior ao falar em línguas. Se ele é o dom supremo, não há outro dom que o sobrepuja. Precisamos de mais amor e de mais respeito. Precisamos pensar em Colossenses 3.12-17 não apenas para os outros, mas para nós mesmos.

O preconceito é algo odioso e o preconceito denominacional é a forma mais cruel e anti-bíblica de preconceito. Recordo-me de ter ido à uma reunião do Conselho de Pastores de São Paulo na Igreja Assembleia de Deus do Bom Retiro quando o seu Pastor ainda era o Jabes Alencar. O pregador seria o Rev. Hernandes Dias Lopes. Lembro-me que ele pregou sobre o profeta tesbita, Elias. A audiência era composta em sua grande e massacrante maioria de pentecostais. O Sermão, como sempre, bíblico e cheio de fervor. Aliás, ele pregou algumas verdades sobre as quais muitos que estavam ali, do meu lado, atrás e na frente, poderiam usar como carapuça. Em um dado momento, em meio a muitas aleluias e palmas, uma senhora bateu em meu ombro sem saber o que e quem eu era, e me disse: - Ué; dizem que os presbiterianos não pregam com fervor. Eu não respondi, apenas sorri, mas ficou na ponta de minha língua uma verdade que não pronunciei por conta da motivação errada. Eu diria a ela: - Minha irmã querida; um sermão bíblico é fogo que desce do céu para aquecer o coração do pecador como eu e a senhora. Reafirmo: apenas sorri.

Precisamos de mais juízo. Precisamos pensar naquilo que escreveu Paulo em Efésios 4.1-6. Precisamos de mais pontes e menos paredes. Precisamos entender que na unidade da Trindade temos o exemplo do quanto devemos nos unir em torno da verdade que afirma que Deus veio a esse mundo, se vestiu da pele humana, se identificou com nossas necessidades e carências, e sem pecar se apresentou no calvário sendo o único capaz de se tornar o capitão de nossa salvação.

Não adianta nos discriminarmos, porque isso é, em si, um pecado. O que precisamos é de respeito em amor. O que precisamos e saber tolerar e caminhar de mãos dadas pregando o evangelho que salva com o batismo ou sem ele. O que precisamos saber mesmo é que só Jesus é perfeito e santo de verdade. Eu e você não passamos de pessoas miseráveis, aquelas pelas quais Deus dispõe suas misericórdias a cada manhã sem a qual já teríamos sido extintos (Lamentações de Jeremias 3.22,23).

A Igreja Cristã verdadeira, é uma só, ainda que alguns não gostem disso.


(Observação sobre as Marcas de Uma Verdadeira Igreja Cristã. Eu, particularmente, creio que a Igreja Cristã verdadeira possui mais do que três marcas distintivas. Comprometo-me com meus interessados leitores a escrever um outro artigo abordando apenas esse tópico de forma mais substancial).

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