sábado, 21 de janeiro de 2017

A IGREJA (19) CONSIDERAÇÃO FINAL


O desigrejado é um sem teto? Em meu entendimento há desigrejados sem teto, temporalmente falando, e há desigrejados sem teto eterno. A diferença entre um e outro é que o primeiro está vivendo um momento de confusão espiritual, mas ele irá ser reconduzido ao aprisco como a ovelha encontrada, enquanto o outro jamais foi ovelha.

O desigrejado é um sem teto?

Foi essa a pergunta que fiz no Facebook no dia 18 de Janeiro de 2017, à 01h30. Eu estava refletindo sobre a questão do desigrejado e um dos debatedores, Claudio Lysias Vieira sugeriu o seguinte: "Desigrejado" e Igrejado" soa pejorativo. Vamos chamar de "Cristãos Institucionais" (CI)  e "Cristãos Não Institucionais" (CNI). Fica combinado que os CI orarão pelos CNI e vice-versa.

Antigamente o desigrejado era chamado de “desviado da fé”, “desviado da Igreja” ou simplesmente, “desviado”.

Li um artigo que faz uma distinção entre “desigrejado” e “desviado”, afirmando que desviado é alguém que pura e simplesmente abandonou a fé, mas o desigrejado é alguém que continua tendo fé em Cristo, tem comunhão com Deus, mas decidiu que não quer frequentar a Igreja. Aqui está o endereço do texto na Internet para você conferir. Para mim quem tem comunhão diária e saudável com Deus, ama a Igreja, apesar dela.


Quem fez essa distinção deve ser arminiano, por certeza, porque o calvinista crê que um regenerado de verdade, aquele que nasceu de novo e em cujo coração Deus infundiu o dom da fé, jamais perde a fé. Ele morre por causa dela, se for necessário.

"Desigrejado ou desviado"? Essa é uma pura questão de semântica. 

Se não frequentam a Igreja, não tem vínculo com uma Comunidade cristã, não tem compromisso com nenhuma Igreja, mas se um dia fez sua Pública Profissão de Fé em Cristo como Salvador e Senhor, é “desigrejado”, “desviado” ou como meu irmão Cláudio Lysias bem humoradamente sugeriu no Facebook, é um Cristão Não Institucional. 

Em minha opinião aquele que afirma ser convertido, mas não quer filiar-se a nenhuma Igreja, neste caso nem é desigrejado porque não foi filiado a nenhuma instituição formal, denominacional, local. E se for convertido de verdade, com certeza irá se filiar a uma boa Igreja no transcorrer do tempo porque o homem é um ser social, o homem não é uma ilha, ele necessita de comunhão e a Igreja, por mais que tenha lá suas dificuldades intrínsecas por ser formada de humanos redimidos, mas ainda em processo de santificação, é um oásis em meio ao deserto deste mundo.

Veja: não se está aqui falando da Igreja Invisível. Para mim a Igreja Invisível está contida na Igreja Visível. Seus números não batem, mas é no contexto da membresia visível que estão inseridos os que fazem parte da Igreja Invisível. Para mim a Igreja Visível, é visível. É comunidade. É ajuntamento solene. É povo. É plural. É assembleia. Não existe Igreja de um só.  

Neste artigo aludido, e cuja URL ofereço aqui, o autor fala inclusive que há muitos desviados dentro da Igreja e eu concordo com ele, como também creio que há muitos desigrejados mesmo frequentando a Igreja. Isso é possível assim como um casal que reconheceu sua união matrimonial no magistrado civil e até no religioso, mora debaixo do mesmo texto, dorme na mesma cama, come na mesma mesa, mas já não é um casal de verdade há muito tempo. Há membros que estão na Igreja, mas infelizmente a Igreja não está neles. Lamentavelmente isso é possível!!!

Assim como há desigrejados que são crentes de verdade e que por um tempo, em confusão, ficam fora da comunhão. Mas estes voltam, com a mais absoluta certeza. Eu sou prova disso.

Discutir se o termo correto é "desigrejado" ou "desvidado" ou mesmo "Cristão Não Institucional" é fugir da questão central. Essas questões, são periféricas e nos levam para longe da questão primordial que é tratar daqueles que um dia se declararam cristãos, foram membros ativos de uma Igreja Cristã verdadeira (Vide o Artigo em que falo sobre as Marcas Distintivas de Uma Verdadeira Igreja Cristã), (não estou falando de comunidades que de cristãs e evangélicas só tem o nome para atrair os incautos), mas que por vários motivos ou razões aludidos por eles, deixaram de se envolver, de congregar, e pior, desandaram em falar mal, depreciar e até qualificar pejorativamente a Igreja.

Um irmão, muito querido inclusive, afirmou que a Igreja Cristã Local está mais para hospício do que para hospital. Disse também que já viu mais atos de misericórdia em centro de umbanda do que na Igreja. Sinceramente, eu vivo dentro da Igreja minha vida toda. Não nasci Presbiteriano. Minha primeira denominação foi a Igreja Evangélica Congregacional onde eu vivi até meus 27 anos de idade. Aos 28 anos de idade migrei para a Igreja Presbiteriana do Brasil. Aos 30 anos ingressei no Seminário. Aos 35 fui Ordenado Pastor Presbiteriano. Tenho, hoje, 20.01.2017, 62 anos de idade, portanto sou Presbiteriano há 34 anos, sendo dos quais, 28 como Pastor. Em todos esses anos, estive em cargos de liderança em quase todos os níveis. Educado em música pelo meu pai, Vincenzo Aiello, sempre me envolvi com essa área de forma mais específica na Igreja. Fui membro fundador, do Grupo Logos, juntamente com Paulo Cesar da Silva e Nilma Soares da Silva, ambos de origem Congregacional com formação teológica no Seminário Bíblico Palavra da Vida, em Atibaia, São Paulo.

Vi nascer muitas comunidades. Faltaria espaço aqui para falar, ainda que um pouquinho sobre cada uma delas. Muitas são dissidências de Igrejas Tradicionais e Históricas, e outras são divisões de Igrejas Pentecostais. Vi nascer a Igreja que é a máxima expressão do movimento Neo Pentecostal no Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus. Vi nascer Renascer (não resisti ao jogo de palavras), a Internacional da Graça, Mundial do Reino de Deus, Comunidade Paz e Vida, Deus é Amor, etc...etc....Não apenas vi nascer como fui a alguns eventos e analisei o movimento por dentro. Tenho histórias interessantes de minhas visitas à Igreja do falecido Missionário Davi Miranda e da Universal do Reino de Deus. Fui, vi, ouvi, analisei, fui acompanhado pelos seguranças que me fuzilavam com seus olhos e quase me interpelavam perguntando quem eu era e o que estava fazendo ali. Máquina de filmagem e máquina fotográfica mesmo, só escondidas.

Ouço, assisto, leio, acompanho. Sou uma pessoa que, até por conta de minha atividade Pastoral, busca estar sempre atualizado. Hoje, confesso, as coisas acontecem com tanta rapidez que de repente me surpreendo com notícias terríveis de escândalos e propostas indecentes principalmente destes Apóstolos e Bispos dessas Igrejas Neo Pentecostais como o Trízimo, por exemplo, do tal Valdemiro Santiago. Sim Trízimo: dez por cento para o Pai, dez por cento para o Filho e dez por cento para o Espírito Santo. Uma vergonha inominável. Uma criatividade inspirada no inferno. Muito bem escreveu o autor do texto do URL citado: NESTAS IGREJAS, O QUE VALE NÃO É: “POSSO TUDO NAQUELE QUE ME FORTALECE”, MAS: “POSSO TUDO NAQUILO QUE ME ENRIQUECE”.

Mas meus amados leitores, ainda que eu reconheça que há de fato estas comunidades que se intitulam igrejas, além daquelas que tem sérios erros teológicos, ainda assim sempre existiu e existirá o remanescente fiel. 

Nivelar por baixo não me parece ser coisa de gente que lê, honesta, que se informa, tem emocionalidade equilibrada. Devo dizer que tenho visto erros e equívocos em minha denominação. Tenho visto e sou testemunha do quanto a IPB é politizada. Entristeço-me em ver o jogo de conveniência e camaradagem nos Concílios, traição e o jogo de interesses, a falta de companheirismo entre os “colegas” de ministério, um certo corporativismo. Alguns eu considero mesmo “colegas” porque estão muito longe de serem meus amigos de ministério. É muito comum o ciúmes e a inveja dentro da classe Pastoral, e isso em qualquer denominação. Já fui rotulado de Pentecostal só porque toco violão e canto. Pastores fracassados em certo sentido, costumam depreciar o ministério de alguns Pastores cujas Igrejas vão de vento e popa. 

Na IPB encontramos pentecostais liturgicamente falando, reformados neo puritanos, arminianos, calvinistas, pré-milenistas dispensacionalistas e históricos, pós-milenistas e amilenistas. Temos até liberais na IPB. 

Mas apesar de tudo isso somos uma Igreja que tem uma identidade. Temos um Manual (CI/IPB, Código de Disciplina e Manual de Liturgia) e por essa cartilha todos devem “rezar”. Temos nossos Símbolos de Fé: a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e o Breve Catecismo e acima de todos esses Símbolos temos a Bíblia e confessamos que ela é a nossa única regra de vida, fé e prática e que a mesma tem autoridade intrínseca sobre a Igreja e jamais o contrário. Temos uma história e uma identidade. 

Desde 1990 participo de Supremos Concílios. Já fui presidente de dois Sínodos e Presidente do Presbitério Alto Tietê por quatro anos consecutivos.

Já me entristeci inúmeras vezes em minha denominação e em Igrejas Locais onde fui simplesmente membro ou Pastor. Também já decepcionei muitas pessoas. Confesso que as vezes sinto vontade, ao ver, ouvir e sentir algumas coisas, de deixar a Igreja. Eu seria um mentiroso se não admitisse que muitas vezes, triste e até deprimido em ver algumas coisas acontecerem, eu pensei em deixar o Ministério e até a membresia da Igreja. Mas então eu me dou conta de que fazer isso é me julgar melhor que a instituição. Fazer isso é me colocar no lugar de juiz da Igreja Institucional. Vou escrever novamente – A IGREJA AINDA NÃO É O CEU.

Contam que certa vez um membro de uma Igreja procurou seu Pastor e disse que iria sai da Igreja porque havia encontrado outra Igreja de pessoas melhores para frequentar. O Pastor então disse: - Que pena; depois de você se tornar membro dela, ela não será tão boa quanto era antes.

Eu sei que a Igreja é como a Arca de Noé como disse alguém: Se não fosse a tempestade, a inundação e a mortandade lá fora, não se poderia suportar o mau cheiro lá dentro. É uma coisa terrível de se dizer, mas olhando alguns momentos da Igreja e algumas realidades denominacionais e locais é isso mesmo que parece. Mas, lá fora, no mundo o que temos? Será que no mundo inundado de mentira, podridão moral, corrupção em todos os níveis, violência também em todos os níveis, tanta mortandade e aflição é melhor que uma Igreja Local séria e zelosa? Com a mais absoluta certeza NÃO. Parece-me que tem gente que prefere ficar fora. A que conclusão devo chegar?

A Igreja ainda não é um palácio, mas é um oásis no deserto da vida. Um paraíso para quem está sedento de Deus e quer sombra para a sua alma.

Eu sei que a Igreja é um exército que tem o hábito de deixar feridos para trás, como alguém já disse. Falando em Igrejas Locais já vi gente ser abandonada pura e simplesmente. Mas também já vi Igrejas darem chance para adúlteros contumazes, mentirosos e caluniadores, até não se aguentar mais. Já vi gente furtar, durante anos a fio, o gazofilácio da Igreja, construir patrimônio com esse dinheiro e não se arrepender, enquanto vejo senhorinhas e senhorezinhos de idade caminhando em direção ao mesmo gazofilácio onde o larápio travestido de irmão enfiou a sua mão, para depositar o Dízimo ou oferta tirados do surrado e minguado salário de aposentado. 

Eu fiquei fora da Igreja por um breve tempo e nenhum Pastor foi me visitar para saber o que estava acontecendo comigo. Lamento? Sim. E como lamento! Por isso hoje, como Pastor, o meu maior temor e saber que um crente deixou a comunhão por causa de um deslize Pastoral meu. Tento, na medida do que é humanamente possível, ir atrás daquelas ovelhas que se desgarram do rebanho local que está sob meus cuidados. Aliás, é isso que tento fazer com esses meus escritos aqui, ainda que de forma impessoal.

Mas eu voltei à comunhão da Igreja Local e é dela que quero sair quando fechar meus olhos aqui para abri-los na eternidade.

Eu fui, por um tempo, um desigrejado. Pouco tempo! 

Alguns que me leem podem estar vivendo a mesma situação que eu vivi. Eu sei que aqueles desigrejados que são realmente convertidos, voltarão para a comunhão, mas aqueles que não voltarem simplesmente tenho que aplicar, ainda que me doa na alma, o pensamento de João: Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem nos abandonado revela que nenhum deles era realmente dos nossos”. 1 João 2.19.

Que Deus nos abençoe.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A IGREJA (18) OS DESIGREJADOS V – RELIGIÃO É COMÉRCIO.


Igreja virou comércio.

Essa é a alegação de alguns desigrejados. E eles têm uma boa dose de razão. Infelizmente muitos transformaram a religião cristã em um comércio. Mas não a Igreja de Cristo, a verdadeira.

Se retrocedermos na história e nos depararmos com a igreja nos dias que antecederam a Reforma Protestante do Século XVI vamos ficar boquiabertos e estupefatos com a proposta da venda da tal Indulgência.

Mas não é preciso ir tão longe na história. Olhemos para o que temos na televisão de hoje. Valdemiro Santiago, Edir Macedo, Estevan Hernandez, R.R. Soares e tantos outros não vendem indulgência, como fazia Tetzel, mas vendem "bênçãos", prosperidade, assim como Silvio Santos com seu Baú da Felicidade. 

Esses senhores, transformaram a Igreja em um balcão de negócios. Reduziram o cristianismo a um “toma lá, dá cá”. Uma vergonha! A teologia da prosperidade só é próspera para os seus idealizadores e proclamadores. Esses que eu citei estão tão ricos quanto rico era o clero nos dias em que Leão X era o Papa (nos dias da Reforma do Século XVI) e a luxúria e ostentação eram uma vergonha a se contrapor à pobreza tanto econômica, quanto moral e principalmente espiritual em que se encontrava a Europa daqueles dias.

Quando não são estes que mercadejam a fé com a Bíblia nas mãos e os olhos postos nos bolsos dos incautos, temos aqueles que começaram a vender livros e muito pior; vendem a Bíblia em várias versões: a Bíblia do Empresário, a Bíblia do Adolescente, a Bíblia da Mulher; a Bíblia do Ministro; a Bíblia Comentada por este e por aquele. Não precisamos dessas Bíblias. Precisamos ler a Bíblia e meditar nela. Se o cristão brasileiro lesse mais a Bíblia certamente não seria presas frágil nas mãos dos charlatões que, como os leões, ficam à espreita para atacar, na manada, o animal mais fraco. 

Os Reformadores trouxeram a lume a Sola Scripturae (Somente a Escritura). Não precisamos de novas revelações e de nenhum outro escrito. Não precisamos de encíclicas papais, porque nem a encíclica e nem o papa têm a autoridade que a Bíblia possui. Ela é a autoridade sobre a Igreja e não o contrário. A Sola Scripturae foi algo que os Reformadores resgataram e que muitos desses pregoeiros da teologia da prosperidade simplesmente negligenciam no afã de ficar cada vez mais ricos às custas dos iludidos pela esperança de se tornarem prósperos, ricos patrimonialmente falando. O que precisamos mesmo é da Bíblia aberta não como amuleto no Salmo 90, mas diante dos nossos olhos e muito mais, dentro dos nossos corações. (Salmo 1, 2 Timóteo 3).

Também encontramos uma multidão de “cantores gospel” com suas músicas, na sua grande maioria sem nexo teológico, sem base bíblica. A ideia é vender CDs, ficar rico, ganhar notoriedade. Transformaram a Igreja em uma casa de shows. A maioria dos cantores “evangélicos” agora cobra cachê. Eles não são instrumentos de adoração ao Trino Deus, mas instrumentos de distração e passatempo, de entretenimento. Não sou contra pagarmos ao cantor e compositor evangélico. Eu sou contra o método. Não podemos nos nivelar ao mundo quanto a isso. Eu não cobro para cantar. Eu apenas peço que me custeiem as viagens e hospedagens sem ostentação. Sou tratado com muita dignidade pela Igreja que Pastoreio. E essa Igreja é minha prioridade. Não canto para me apresentar. Eu canto para ilustrar minha vida com Deus, para testemunhar a respeito do meu Salvador. As músicas que canto não são apelativas, tem boa teologia, arranjo instrumental condizente com a letra. Não sou cantor que Pastoreia. Sou um Pastor que canta; e isso porque Deus me deu o dom e o talento, a história e a facilidade para a prática dessa arte. Também não estou fazendo propaganda de mim mesmo. Como disse; a Igreja que Pastoreio e as ovelhas do rebanho de Deus colocadas sob meus cuidados, são a minha prioridade.

Tenho visto a tendência dos mega eventos. Nunca se fez e se divulgou tanto Congresso como nos dias de hoje. É Congresso para todo tipo e para todo gosto. E tem gente que comparece mais em Congressos do que nas atividades de sua Igreja Local. Há preletores de alguns congressos que viraram super estrelas. Eu me ponho a imaginar se Charles H. Spurgeon, o famoso pregador do século XIX, vivesse hoje o quanto ele não seria requisitado para falar nesses congressos. Eu só não sei se ele cobraria a fortuna que alguns desses preletores cobram. Aliás, há certo acordo entre algum desses “preletores” e  idealizadores dos tais congressos. Há alguns tele evangelistas que promovem seus congressos e sempre levam seus apaniguados para participar. E quando esses apaniguados promovem seus congressos eles retribuem a “gentileza”. É um comércio. Com a mais absoluta certeza. Há pregadores que admitiram o culto à sua personalidade e hoje estão totalmente perdidos em suas loucuras e devaneios. 

Não estou discutindo aqui o conteúdo desses congressos. Em meu entendimento se a Igreja realmente desempenhasse melhor o seu papel pedagógico teológico, se os Pastores fossem realmente bem preparados teologicamente, se houvesse um grupo de pessoas capazes para cuidar da docência teológica nas Igrejas, não iriamos precisar de muitos desses tais congressos. Mas há congressos muito interessantes e bons. Não posso cometer o pecado contra meus irmãos, gente séria e realmente comprometida com o reino, e nem cometer o equívoco da generalização, mas se os congressos realmente resultassem em algo positivo, o Brasil Evangélico não seria essa salada de fruta que é. Conheço alguns pastores que não saem de congressos, mas seus ministérios pastorais são um fracasso. É preciso se criterioso e ter bom filtro teológico para frequentar alguns congressos, que diga-se de passagem, são muito caros com raras exceções.

O que dizer da Marcha Para Jesus? Em meu entendimento não é outra coisa a não ser uma oportunidade para aferição da capacidade de aglutinação e popularidade. Que resultados espirituais positivos essa tal Marcha Para Jesus tem produzido? O Brasil continua enfermo como antes da criação de tal evento e ainda ouso dizer que o país e o mundo, do ponto de vista da moral e da ética, andaram para trás. Apesar de todo comércio e merchandising produzidos nesse evento. Marcha Para Jesus é ato populista e eu, confesso, tenho um enorme receio de atos populistas, governos e discursos populistas. Eles tendem a serem ufanistas, irreais e infelizmente, inconsequentes. A multidão é muito mais fácil de ser manipulada do que o indivíduo. Ela é a soma de personalidade onde cada indivíduo sede a sua personalidade para a personalidade da multidão. Então fica fácil gritar: – São Paulo é de Jesus. O difícil é constatar que apesar de tanto ufanismo essa não é uma realidade. Nisso eu vejo igualmente comércio. Seria muito bom que nos lembrássemos que Jesus evitou notavelmente as multidões. Nem Jesus participaria da Marcha Para Jesus.

Mas, querido desigrejado, essa também não é uma desculpa plausível para abandonar a comunhão, o convívio com os irmãos na Igreja Local. Precisamos combater isso do lado de dentro e não do lado de fora. Não teremos a mesma autoridade para combater esses desvios se ficarmos do lado de fora como meros críticos que se postam como se fossemos melhores crentes do que os que estão na Igreja. Precisamos estar nos limites da Igreja para podermos criticá-la com autoridade e assim auxiliar de alguma maneira para a sua transformação.

Querido desigrejado; ainda há determinadas denominações e Igrejas Locais que não se curvaram a Mamon (Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça). Ainda há e sempre haverá um remanescente fiel (Cf. Isaías 6.13) e se você conhece as Escrituras como deveria conhecer, certamente identificará quais e onde estão essas Igreja nas quais você pode se tornar um membro, refinar sua fé cristã, ajudar a outros e ser ajudado no crescimento espiritual, contribuir com missões, atuar no desempenho de uma ação social como a boa obra gerada (Efésios 2.8-10) no coração purificado pela fé genuína e não em um ato no qual se busque o favor e a simpatia divinos.

Eu olho como muita tristeza o estado atual de muitas igrejas rotuladas como evangélicas no contexto da sociedade brasileira. Afinal das contas Deus me fez nascer brasileiro, apesar do sangue italiano, e é com a igreja que se rotula cristã no meu país que eu me preocupo em primeiro lugar. No Brasil, pela graça e misericórdia de Deus, ainda há denominações que levam Deus a sério. Ainda há no Brasil Igrejas Cristãs Locais onde a teologia tem produzido boas liturgias e consequentemente muitas vidas têm sido salvas da eternidade sem Deus, muitas famílias têm sido resgatadas das trevas para a luz.

Muitas denominações e igrejas locais, entretanto, se perderam. E isso é evidente como a luz do sol para aquele que conhece a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Assim sendo não se constitui em desculpa plausível ou argumentação suficiente o abandono da membresia e engajamento em uma Igreja Cristã Local séria e Bíblica. Ser desigrejado por entender que a Igreja é comércio é nivelar todas Igrejas às piores quando o mais inteligente é olhar sob a ótica da Escritura a igreja e localizar aquela que ainda se mantém sadia e dela se tornar um membro atuante, abençoado e abençoador.

Que Deus ilumine nossas mentes e corações e com essas considerações em mente muitos deixem de lado as desculpas e se tornem cristãos com Igreja onde possa crescer e ajudar no crescimento de outros também.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A IGREJA (17) OS DESIGREJADOS IV.


Vamos responder a essas duas questões: 

5) Meus filhos são pequenos e dão muito trabalho. 6) Não sei o que aconteceu, eu fui me afastando, perdendo a vontade de ir e agora não frequento mais.

Primeiramente precisamos nos lembrar de que os filhos são herança do Senhor. O Salmo 127.3 diz: “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão”. No Salmo 128 o Salmista diz: “Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera; teus filhos como rebentos da oliveira, à roda da tua casa” (Sl 128.3).

Os filhos vêm ao mundo simplesmente porque Deus decreta, deseja e quer. E Deus tem um propósito para cada criança que nasce. Uma criança nunca é um acidente de percurso no relacionamento de um homem com uma mulher. Por mais irresponsáveis que sejam o genitor e a genitora, por mais inconsequente que eles sejam, ainda que seja uma gravidez irresponsável, uma criança só vem a este mundo se Deus o quiser e Ele tem um propósito para essa vida. Não devemos jamais duvidar disso.

Assim os filhos jamais podem ser a desculpa para os pais abandonarem a comunhão com a Igreja, os cultos, as Escolas Dominicais e outros eventos relativos à Igreja Local. É um pecado afirmar que os filhos atrapalham, por mais peraltas que eles sejam.

Prefiro crianças peraltas na Igreja, no convívio fraterno da família de Deus, onde podemos corrigi-los, educa-los, orientá-los, do que crianças peraltas na frente da televisão ou do computador jogando joguinhos por horas a fio.

Minha mãe me levava à Igreja a pulso. Eu não queria ir, mas ela me levava mesmo assim. Isso se constitui em uma boa recordação porque devo, humanamente falando, a minha mãe minha salvação. Seu exemplo de vida cristã dedicada e piedosa, sua insistência em nos levar para a Igreja, foram as ferramentas divinas em suas mãos para minha conversão.

Que maravilhoso exemplo o de Joquebede que criou seu filho tão bem que no momento dele fazer a escolha entre um egípcio e um hebreu, ele escolheu um hebreu como ele.

Lembro-me de Ana, a esposa de Elcana, a mãe de Samuel. Que mulher admirável. Depois de desmamar a Samuel ela cumpriu sua promessa e deixou seu filho aos cuidados do sacerdote Eli.

Que exemplo maravilhoso o daquela mãe que disputou seu filho diante de Salomão e estava disposta a abrir mão dele para que ele não fosse morto.

Que exemplos foram Loide, avó, e Eunice, mãe de Timóteo, de vidas de fé sem fingimento e que criou Timóteo com tanta dedicação.

Que exemplo o de José e Maria que levaram seu filho Jesus ao Templo quando esse completou 12 anos e podia iniciar a partir dai seu aprendizado mais profundo na cultura e religião judaicas.

A Bíblia instrui os adultos a ensinarem a criança no caminho em que deve andar porque quando se tornar adulta ela não se desviará dele. (Provérbios. 22.6) Deixar a comunhão da Igreja local é o mesmo que entregar seus filhos ao mundo.

Em minha experiência com meus filhos, mesmo quando eles eram bebezinhos, eu os levava até para as vigílias na Igreja. Meus filhos foram criados nos bancos das Igrejas. Não me arrependo de ter feito isso.

É um pecado contra Deus e sua Igreja dar uma desculpa como essa. Lançar sobre os filhos pequenos a desculpa para não irem à Igreja é um pecado terrível. O melhor seria assumir sua falência espiritual e pouca compreensão do que vem ser Igreja do que cometer um desplante desses.

Meu conselho e sugestão é que você volte para a comunhão com os irmãos na Igreja. Isso será bom para você e para seus filhos. Espero que ainda haja tempo para você. Conheço famílias que foram totalmente destroçadas por terem abandonado a comunhão com irmãos em uma Igreja Local. Precisamos incutir em nossos filhos a legítima religião que é o cristianismo e ensinar a eles o quão bom e agradável é que os irmãos vivam em união.

À você que foi aos poucos se desviando até perder o prazer na comunhão, quero lembrar o que disse Jesus na carta que escreveu à Igreja de Éfeso na Ásia Menor: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeira obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. (Apocalipse 2.4,5)

Reflita, raciocine: O que foi que te fez esfriar? As amizades? A riqueza e o patrimônio?

Nem amizades e nem o patrimônio podem te fazer realmente uma pessoa feliz e realizada. Essas coisas são efêmeras, passageiras. Você se deixou seduzir pelo século e pelo materialismo. Você precisa urgente e corajosamente voltar ao primeiro amor. Volte à comunhão! Se deixe usar por Deus e por seu Santo Espírito. Comece hoje a falar de Jesus para essas amizades que fizeram você deixar a Igreja. Algumas revelarão que não estavam interessadas a não ser naquilo que você tem e não naquilo que você é, mas pode ser que você faça de algumas amizades, filhos espirituais. 

Uma outra sugestão. Volte ao jeito simples de viver à vida. Ostentação e luxúria são pecados. Faça como Zaqueu; se livre da avareza e da ilusão de que há segurança no dinheiro. O dinheiro pode pagar os médicos e comprar remédios, mas ele não pode dar a saúde espiritual que faz com que sejamos felizes e satisfeitos em toda e qualquer circunstância (Filipenses 4.10-13).

Como diz a música: “Dinheiro na mão e vendaval”. Muitos viram o dinheiro voar no crack da bolsa de Nova Iorque em 1929 e por amarem esse deus chamado riqueza, tiraram suas próprias vidas.

Hoje vejo alguns desigrejados que amaram o presente século e acabaram abandonando a comunhão com os irmãos da Igreja Local. Eles são como zumbis. Eles comem em restaurantes de luxo, mas não se satisfazem. Eles usam roupas de grife, mas perderam a beleza do coração e por isso tentam adornar o corpo. Elas sorriem, mas parece que estão em estado de choque; não há sinceridade e leveza em seu sorriso. Eles moram em mansões, mas são mais infelizes que muitos que habitam em casebres e têm vida de comunhão com Deus e com a Igreja. Eles deitam em boas camas, mas não têm o sono do justo (Salmo 4.8). Eles viajam para outros países, mas perderam suas raízes. Eles voltam para casa, mas querem viajar de novo. Na verdade tudo isso é uma tentativa de fuga da realidade. São como crianças empinando papagaio, ou seja, se projetam no papagaio que voa pelo céu aparentemente livre e feliz, mas estão presos a uma linha que facilmente pode se romper. (Eclesiastes 11.6,7)

Paulo escreveu alertando ao Pastor Timóteo sobre o perigo do amor ao dinheiro e da falsa segurança que ele gera. Leia com atenção as recomendações de Paulo. (I Timóteo 6.6-10 e de 17-19).

Paulo escreveu aos irmãos da Igreja de Filipos e repetidas vezes disse: “Alegrai-vos no Senhor”. A alegria do cristão está no Senhor, na comunhão simples com os santos do Senhor, no momento de entoar hinos e canções de louvor ao Senhor, no momento da prática dos Sacramentos, e de todos os atos litúrgicos bíblicos e necessários para nossa manutenção como fiéis.

Pais, não deem desculpas dizendo que seus filhos os atrapalham a ir à Igreja. Não são os filhos que educam os pais e sim o contrário. Se você der tudo para seu filho ainda ele irá querer muito mais. De o que é necessário ao seu filho e deixe que ele descubra que o necessário é suficiente. Não dê o que ele quer; dê o que ele precisa. Se você quer ter seu filho como teu admirador e que ele respeite você, apresente Deus em tua vida para ele. O de que a alma mais necessita é de Deus. Talvez o filho não queira isso, mas é disso que ele precisa. Então leve-o a Igreja e o ensine no caminho certo. Vai doer, mas vai funcionar para você e para ele.

Arrepende-te de ter se esfriado. Viva com Deus hoje. O passado passou. Hoje é um novo dia, mas Deus continua sendo o mesmo Deus misericordioso e gracioso (Lamentações 3.21,22). Ter comunhão com ele diariamente e na Sua comunidade, a Igreja, é o de que mais a alma e o coração humanos precisam.

Que Deus nos abençoe!!!

A IGREJA (16) OS DESIGREJADOS III


Eu pretendo responder à seguinte questão:

3) Meu marido (ou esposa) não é crente e eu, no princípio ficava com ele. Com o passar do tempo acabei não indo mais à Igreja.

Essa é uma questão difícil por envolver outras questões, que são: A pessoa se casou com um incrédulo, com um não crente, ou ambos eram incrédulos e um deles foi convertido no transcorrer da vida conjugal? Um dos conjugues já era convertido e se casou com um incrédulo e, com o passar do tempo acabou anuindo e não indo (perdoe-me, não resisti ao desejo de fazer um jogo de palavras), mais a Igreja? Ambos eram membros de uma Igreja quando se casaram e um abandonou a fé.

Já antecipo, com muita parcimônia e respeito por quem faz tal alegação, que ela não é suficiente para justificar ser um desigrejado. 

Vou dizer por que penso assim.

Minha mãe fez dois casamentos. No primeiro, com meu pai, ambos eram de outra confissão. Eram católicos apostólicos romanos. Meu pai era um calabrês vindo de sua terra natal, Itália, ao Brasil com dezoito anos. Minha mãe, Yolanda Dalceno Aiello, era filha de um judeu de Nápoles. Que salada de fruta. A mãe de minha mãe, Emma Zancheta Dalceno era uma católica fervorosa. Lia a Bíblia todos os dias e orava com fervor, do que eu sou testemunha. Deixou de frequentar a sua igreja quando a idade se tornou um motivo realmente impeditivo.

Mamãe foi convertida quando eu tinha dois anos de idade e papai foi convertido e batizado em seu leito de morte quando eu tinha dezoito anos de idade.

A relação conjugal de papai com mamãe nunca enfrentou sérios problemas por conta da religião. Por ser um católico que conhecia relativamente bem teologia papai Vincenzo às vezes discutia com mamãe sobre a Bíblia e mamãe, uma mulher que conhecia bem a Bíblia, respondia com sabedoria e suficiência. Nunca os vi brigando por causa da religião. Discutir é uma coisa, brigar é outra.

Papai, na grande e massacrante maioria das vezes até incentivava mamãe a levar os filhos à Igreja e quando ela dizia a ele que nosso comportamento não tinha sido bom, ele nos disciplinava com eficiência e dizia que a Igreja era a casa de Deus e que devíamos respeitar isso.

Lembro-me de que aos domingos, muitas vezes, mamãe deixava as batatas cozinhando enquanto íamos à Igreja. Ao chegar elas já estavam descascadas e mamãe fazia a massa e o molho para o famoso nhoque. Boa e saborosa refeição! Papai não gostava muito de ir à nossa Igreja porque ele era um excelente músico e os “músicos” da Igreja que frequentávamos eram, apesar de dedicados, muito ruins. Algumas vezes em que papai ia à Igreja, chegava em casa revoltado criticando os músicos. Então ele empunhava o seu trombone de vara e tocava, sem partitura mesmo, os hinos que ele alegava que foram mal tocados na Igreja. Papai tinha razão. Os músicos da Igrejas eram apenas esforçados, mas deviam treinar mais porque para Deus, dizia papai, devemos fazer o melhor.

Como disse, papai nunca proibiu minha mãe de ir à Igreja, mas às vezes, por conta de alguns desentendimentos que não tinha nada a ver com a religião, ele dizia que não queria que fossemos la chiesa (a Igreja). Mamãe, não discutia. Simplesmente não íamos. Foram muito poucas as vezes em que isso aconteceu. Papai foi convertido quando eu tinha dezoito anos. Poucos meses depois papai morreu vitimado pelo câncer.

Dois anos depois de sua morte, mamãe se casou novamente e com um homem não crente que, como papai, era fumante. A primeira coisa que mamãe fez com seus maridos foi ajuda-los a largar esse vício terrível. Eu ainda penso que o câncer de papai tem origem em sua vida pregressa de fumante inveterado durante os primeiros trinta e oito anos de vida. Aliás, o vício ou o hábito de fumar é totalmente desnecessário e inexplicável. Primeiro porque ninguém nasce com vontade de fumar. A pessoa se torna um fumante, fumando. Do mesmo jeito que se torna um viciado em álcool ou qualquer outra droga. Mamãe conseguiu a proeza de tirar seus dois maridos, do vício do cigarro. Minha mãe era uma mulher forte!

Mas no caso do Adonai, eu não entendi porque ela resolveu se casar com ele porque, apesar de ser um bom homem, ele não era um protestante (apesar do nome). Eu sempre dizia a ele que ele devia se converter porque se morresse sem Cristo iria para o inferno e ao chegar lá haveria um alvoroço quando fosse informado que o Adonai estava no inferno. (Adonai é um adjetivo para o ser de Deus que significa “Senhor”). Quando os demônios descobrissem que não se tratava do ser de Deus, mas sim dele, ele iria parar no mais profundo e no lugar mais doloroso do inferno. Claro que falava isso humoradamente.

Bem, a verdade é que Adonai foi convertido e depois foi eleito Diácono. Eu o batizei e o Ordenei Diácono. Ele viveu com mamãe mais do que meu pai e eu nunca os vi brigarem por religião. Aliás, a relação conjugal deles foi muito mais harmoniosa do que a do meu próprio pai com mamãe. Mas eu penso, sinceramente, que mamãe correu um enorme risco, mesmo porque eles não levaram muito tempo para se casar. Eles se casaram quando eu tinha 21 anos. Mas como já disse, eles viveram felizes e crentes até meus 57 anos de idade, portanto, tiveram 33 anos de vida conjugal. Eu tive o privilégio e a honra de cantar nas Bodas de Pratas deles. Como já disse, Adonai foi convertido pela instrumentalidade e vida de mamãe. Uma das cenas que mais emocionava a vizinhança era ver meu padrasto levando mamãe, já com muitas dificuldades para enxergar, para a Igreja Presbiteriana do Jardim Popular, um bairro da Zona Leste de São Paulo, onde, inclusive, Adonai era o Zelador e tocava seu violão. Essa foi a última Igreja da qual mamãe foi membro e deixou uma quantidade enorme de filhos espirituais. Sua memória é reverenciada até hoje naquela comunidade. Era uma anciã respeitada e amada por toda a Igreja.

Mesmo assim, eu não aconselho nenhum cristão a se envolver emocionalmente com um ímpio, por melhor que seja o aporte moral desse ímpio, por melhor pessoa que ele ou ela sejam. Namoro não é obra missionária e nem evangelística.

Quando Paulo fala sobre o jugo desigual (2 Coríntios 6.1-18), é óbvio, que mesmo que ele não se referisse explicitamente ao casamento, essa proibição também estava incluída quando escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? (2 Coríntios 6.14,15).

A estatística prova que é um risco. De cada 10 casamentos de um protestante com uma pessoa de qualquer outro credo, ou o cristão nunca foi um cristão de verdade, ou se é mesmo um cristão, irá perder, pelo impedimento que a própria relação conjugal gera, de viver a vida abençoada como membro de uma Igreja Local onde ela pode exercitar seus dons espirituais, como ajudar na evangelização de inconversos e na doutrinação dos novos convertidos.

A situação se torna muito grave quando a parte que não é protestante, professa algum credo com determinação e é praticante dessa outra religião. Vou exemplificar: Imagine um crente casado com um católico praticante. Quando o filho, ou filhos nascem, onde eles serão batizados na infância? Na ICAR ou na Igreja Protestante que batiza infantes? Se um dos dois é protestante de alguma Igreja Evangélica que não batiza crianças, e o outro cônjuge quiser batizar o filho, ou filhos, como o Protestante irá agir? Vai concordar para que haja paz? Vai adentrar um santuário infestado de idolatria e de uma teologia estranha às Escrituras Sagradas?

Essas e outras questões que passam até: Aonde vamos nos casar? Em uma cerimônia católica apostólica romana ou em uma cerimônia “dos crentes”? Há casais que só se submetem ao ato do Casamento Civil porque um é protestante e o outro de outra “religião”. Há cônjuges que aceitam casar na Igreja do outro, mas apenas para não haver briga, apesar da família, muitas vezes ser contra(Leia em meu Blog o artigo – Jesus e o Cristianismo)

É preocupante! É temerário! Não se atravessa uma avenida movimentada sem que se tenha a mais absoluta certeza de que não vem carro de ambos os lados. Não se joga com a “sorte”. Cristão de verdade não vive por sentimento, mas pelos mandamentos de Deus. Eu não aconselho um jovem ou uma jovem protestante a se unir a outro jovem que não seja protestante e de bom testemunho porque até na própria Igreja há alguns “infiltrados”. Casamento é um consórcio perene e vitalício. Com isso não se brinca. Normalmente os filhos oriundos de um casamento misto geram enormes problemas. Sim, há exceções, mas exceções não são a regra.

Nenhuma situação das descritas acima, justifica o desigrejado. Repito: quem nasceu de novo, de verdade, quem realmente foi regenerado, quem foi convertido, enfrenta essas situações sem abandonar a Igreja.

Como Pastor, já tive (e tenho) membros de Igreja que se encaixam perfeitamente nessas situações. Quando se trata de um crente verdadeiro ela sempre dá um jeito, faz um arranjo, (assim como minha mamãe fez ao longo dos anos), e, mesmo que o seu cônjuge jamais se converta, ela vive e morre como um crente de verdade sem abandonar o convívio com a Igreja.

É óbvio que ela não terá as mesmas facilidades que cônjuges protestantes têm para frequentar e servir a Deus na Igreja Local, mas, pelo que tenho visto ao longo dos meus anos de Igreja, e há mais de 27 anos de Pastorado, um cristão de verdade sempre encontra uma forma de contribuir com a Igreja Local e de oferecer seus préstimos, mesmo sendo limitado.

Que Deus nos mantenha alerta. Que possamos pensar com a mente e sentir com o coração; não é prudente inverter isso. No caso de você pensar com o coração, irá ser um passional e no caso de sentir com a mente será um tolo racional. É preciso que haja equilíbrio e bom senso.

A Igreja é a Grande Família de Deus. As Igrejas Locais são famílias que unidas formam a Grande Igreja Universal, a verdadeira.

Ingresse e fique nela!

Meu desejo é que, após fechar meus olhos aqui na terra e abri-los no céu, eu possa antes passar pela Igreja para me despedir dos meus irmãos e irmãs e quem sabe, ser lembrado por eles como alguém, que apesar das constantes lutas foi perseverante e nunca abandonou a comunhão com os irmãos.

Que Deus nos abençoe.

sábado, 14 de janeiro de 2017

A IGREJA (15) E OS DESIGREJADOS II.

A próxima questão que desejamos considerar é a seguinte:

2) Na Igreja que eu frequentava havia muitas panelinhas e eu não gosto de panelinhas.

Panelinhas? Eu nasci com uma mãe cristã super dedicada e engajada com a Igreja local. E desde pequeno eu percebo essa realidade, ou seja, grupos de exclusividade dentro da comunidade local.

Mas seria esse um motivo justificável para deixarmos a comunhão? Será que isso justifica alguns desigrejados? A resposta é simplesmente não. E vou dizer a vocês porque penso assim.

Em primeiro lugar percebemos que mesmo no colégio de discípulos de Jesus havia alguns que aparentemente tinham mais intimidade com Jesus; Pedro, Tiago e João. Ah! Você deve se lembrar do episódio notável do Monte da Transfiguração! (Mateus 17.1-8) Diz o texto logo no início: “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos dois irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte”. E lá no alto monte Jesus foi transfigurado diante deles.

Quais seriam as razões pelas quais Jesus não levou todos os discípulos? Bem a resposta pode gerar um bom número de especulações. Isso foge aos nossos propósitos, mas a verdade é que Pedro, João e Tiago sempre estiveram na linha de frente daquele grupo composto por doze discípulos.

Talvez esse tipo de atitude tenha inspirado a mãe de Tiago e João a fazer o pedido que encontramos na passagem de Mateus 20.21: “Manda que, no teu reino estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda”.

O que estou tentando mostrar é que, todo grupo, toda comunidade, todo ajuntamento, toda sociedade tem seus grupos de afinidade, pessoas que são alinhadas social, intelectual e até economicamente. A Igreja local é sim composta de grupos de afinidades. Não estou dizendo que sou a favor do sectarismo. Não sou a favor dos grupos que excluem. Mas eu que estou na Igreja por toda minha vida nunca tive problemas em observar grupos de afinidades na Igreja. Eu não promovi ao longo de todos esses anos a criação de grupos. Mas também, nunca me senti preterido por alguns, pelo contrário. Eu tenho que confessar, por estar na presença do Pai quando escrevo isso, que eu tinha o meu, ou meus próprios grupos de afinidade. Não fechava o grupo ou grupos, mas havia certa afinidade com aquelas pessoas que gostavam de música como eu sempre gostei. O diálogo era mais fácil com esses do que com aqueles que davam pouca importância para a música. 

A impressão que eu tenho é que muitos que alegam que a Igreja é feita de panelinhas faz assim não porque é contra a existência desses grupos, mas porque não consegue entrar para nenhum deles.

Isso nunca me tirou o ânimo de frequentar a Igreja, cantar no Coral, tocar no Grupo de Louvor, liderar a Mocidade, ir aos acampamentos, aos intercâmbios entres Igrejas e muito mais.

Muito bem! Cientes de que sempre houve, desde os dias de Jesus até hoje, os grupos de afinidade, que muitos preferem chamar de panelinhas, o que devemos fazer? Ora, abandonar a comunhão não me parece ser o mais correto a fazer.

Bem, em primeiro lugar devemos orar por todos os membros da Igreja. Tiago escreveu: “...orai uns pelos outros” (Tiago 5.16).

Em segundo lugar, se eu sou contra a formação de panelinhas, devo ficar na Igreja porque mesmo com as tais panelinhas ela continua sendo Igreja. Não é isso que a descaracteriza. A Igreja de Corinto era uma Igreja dividida pela questão dos dons, primordialmente pelo dom de línguas, pois os que “falavam” em outras línguas eram tidos como “a panelinha dos mais espirituais”. Paulo vai ensinar que a Igreja é como o corpo humano e que nela há, como no corpo humano, vários segmentos, mas que ela é uma Igreja só. Veja a saudação que Paulo faz à Igreja de Corinto. Ele a chama de Igreja, apesar de tantos problemas que a dividia.

Tiago escreve à Igreja de seus dias fazendo uma série exortação sobre a discriminação. E ele é duro em suas palavras. Ele diz que ninguém pode ser tratado melhor na comunidade só por causa de sua condição econômica, mas Tiago não aconselha ninguém a deixar a comunidade.

Não sou a favor de “panelinhas”, mas elas sempre existiram e existirão. A Igreja não é o céu, repito. Isso não pode me tirar da Igreja.

Não sou a favor das panelinhas, mas elas sempre existiram e existirão, mas eu penso que é permanecendo dentro dela e com meu exemplo de vida que eu vou combater essa prática buscando contribuir para uma maior unidade e comunhão dos irmãos independentemente de suas preferências.

Então pare com essa síndrome de autocomiseração e volte para a Igreja. Há muito para você fazer nela e por ela. Deixar-se possuir por esse sentimento tolo de vitimização, não irá te ajudar na Igreja e em nenhum lugar porque em todo grupo, há “panelinhas”. Repito, não sou a favor da existência delas, mas não as combatemos deixando a comunhão!

Finalizo minhas considerações apelando ao teu coração que reflita nessas palavras do escritor da carta aos Hebreus: Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. (Hebreus 10.23-25)

Que Deus nos abençoe em Sua Santa Igreja.

A IGREJA (14) E OS DESIGREJADOS



Desigrejado é aquele que um dia foi membro, pertenceu a uma Igreja por certo tempo e que abandonou a comunhão, voltou ao estado em que se encontrava, ou vive de Igreja em Igreja tentando encontrar uma que lhe seja prazerosa ao paladar, que atenda seus anseios. Muitos tem um bom aporte moral, mas outros aprofundaram suas raízes no mundo e em seus valores se tornando até inimigos de Cristo e de sua Igreja.

A quantidade de desigrejados cresce a olhos vistos. Em meu trabalho de testemunho pessoal a respeito de Jesus o que eu encontro de “desviados” da fé é algo assustador. Os desigrejados, antigamente eram chamados de “desviados da Igreja” ou “desviados da fé”.

Em alguns casos eu aconselho a pessoa a procurar uma Igreja mais próxima de sua casa, com sua família, (quando é casado (a)), frequentá-la com pontualidade, assiduidade e se engajar em algum ministério para o qual ele (a) tenha dom, talento e experiência. Sempre esclareço a importância do engajamento. Digo que uma ferramenta sem uso enferruja. Um crente sem atividades tende a se tornar crítico porque ele apenas observa. Crentes sem engajamento acabam por se inutilizar.

Quando há tempo, então eu ouço suas histórias. E são muitas. Algumas das desculpas de muitos, para não frequentar a Igreja, são:

1) Descobri que para ser crente, não é preciso ir à Igreja. Para termos comunhão com Deus não precisamos da Igreja.
2) Na Igreja que eu frequentava havia muitas panelinhas e eu não gosto de panelinhas.
3) A igreja é muito radical. A gente não pode isso, não pode aquilo. Cansei.
4) Meu marido não é crente e eu fico com ele para não ter problemas de relacionamento.
5) Meus filhos são pequenos e dão muito trabalho.
6) Não sei o que aconteceu, eu fui me afastando, perdendo a vontade de ir e agora não frequento mais.
7) Descobri que religião é comércio.
8) Eu me casei com uma pessoa não crente e, com o passar do tempo eu acabei por deixar de ir.
9) Na igreja que eu frequentava o pastor só falava em dinheiro.
10) Eu não preciso ser membro de Igreja eu vou quando posso.
11)  Eu trabalho muito e não tenho tempo para me envolver como deveria. Não gosto de fazer as coisas pela metade. Então, não frequento mais.
12) Não preciso ir à Igreja. Eu sou a Igreja.
13) Eu fui criado na Igreja e quando cresci me afastei.

Você, que está lendo esse artigo e que está fora da Igreja, deve ter sua argumentação para justificar sua desfiliação. Ou você que como eu, que testemunha de Jesus, deve conhecer outras argumentações além dessas que eu alistei.

Eu gostaria de responder a essas questões sob a orientação do Espírito Santo. Isso aqui não é um tribunal e eu não sou juiz de ninguém. Eu sou um Pastor que se preocupa com o Rebanho de Deus, que se preocupa com as ovelhas de Deus pelas quais o próprio Deus enviou seu filho para morrer Vicária (substitutiva) e Expiatória (para pagar a dívida que o homem contraiu com Deus ao pecar no Éden).

Vamos então ao nosso trabalho apologético com a Bíblia na mão:

1) Descobri que para ser crente, não é preciso ir à Igreja. Para termos comunhão com Deus não precisamos da Igreja.

Esse argumento é extremamente perigoso porque ele não é totalmente desprovido de verdades. Ele é perigoso porque na essência ninguém precisa da Igreja para ser um crente, um fiel, um discípulo de Jesus, um Cristão. Mas essa argumentação não é suficiente para justificar o desigrejado.

Ninguém precisa, essencialmente falando, da Igreja, para ter comunhão com Deus. Mas essa argumentação também não é suficiente para justificar o desigrejado.

Para ser um discípulo de Jesus é preciso nascer de novo. Falando mais tecnicamente, é preciso ser regenerado. Somente aquele que é regenerado, nasceu de novo, é nova criatura (João 3.1-15, II Cor. 5.11-21), recebe o dom da fé (Efésios 2.1-10) para poder crer em Jesus como único e suficiente salvador, como único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5).

Para ter comunhão com Deus você precisa ler a Sua Palavra. A Bíblia é a revelação especial de Deus. Nela Deus se revela e aponta para a pessoa do seu filho como Salvador e Senhor. Para ter comunhão com Deus é preciso que Ele fale ao teu coração, Ele o aconselhe em sua Palavra todos os dias, mas é preciso que você exercite a prática da oração. A oração é o momento em que você fala com Deus. A oração não muda o coração e os planos de Deus, mas muda o nosso coração e nos faz aceitar humildemente seus propósitos, planos e decretos. A oração é meio de comunhão com Deus.  
                      
Mas então eu me deparo com uma dura e triste realidade. Constato, ao longo de todos os meus anos de vida, que não conheci sequer uma pessoa que leia a Bíblia, medite na Palavra de Deus, tenha o saudável hábito da oração diária que viva fora da Igreja. Muito pelo contrário!

Para ser franco e sincero na presença de Deus; na verdade há muitas pessoas na Igreja que não leem a Bíblia e nem oram individual, devocional e diariamente como deveriam fazer, mas que mesmo assim estão na Igreja, mas elas estão tão equivocadas quanto os que dizem que leem a Bíblia e oram, mas não frequentam a Igreja.

Quem lê e medita na Escritura Sagrada, quem ora todos os dias, tem calo nos joelhos, busca viver uma vida de piedade, sem comprometimento com o mundo, o século e materialismo, frequenta a Igreja e sua vida é uma enorme benção.

Quem realmente é crente, ama a Igreja (Salmo 122); quem realmente é crente, apesar das dificuldades que há na Igreja, apesar dos erros que encontramos nela, apesar de nossas decepções e tristezas nela, ama a casa do Senhor, ama a comunhão (Salmo 133). Não é possível falar em comunhão dos irmãos com uma pessoa só. Quem realmente é regenerado, não somente a frequenta como incentiva os que se distanciam do convívio e da comunhão (Hebreus 10.24,25).

Nós precisamos da Igreja porque nela celebramos a comunhão com Deus e uns com os outros. Precisamos da Igreja e muito importante; precisamos zelar por sua unidade e comunhão comunitária porque diz o salmista inspiradamente no Salmo 133 que é na unidade do povo de Deus, que Ele ordena sua benção e a vida para sempre.

Precisamos da Igreja porque o termo Igreja significa “aqueles que são chamados para fora para se reunirem em assembleia”.  Igreja é assembleia e eu entendo ser uma sandice assembleia de uma pessoa só. Por isso você, nesse sentido, não é Igreja. Você é um membro da Igreja, da assembleia. Você é Igreja exatamente quando se identifica como membro de uma comunidade local e é exatamente aí que você deve ser um bom exemplo, porque as pessoas que te circundam irão ter uma impressão da Igreja que você frequenta, baseada em você.

Com essas considerações eu respondo a 12ª questão. Ninguém é Igreja sozinho. Não há Igreja de um só. Igreja é ajuntamento solene, reunião de santos para adoração ao Trino Deus. Isso começou com os patriarcas, depois se tornou realidade com a nação de Israel e agora na dispensação da nova aliança a Igreja é aquela composta por todos que nasceram de novo, foram regenerados, criados de novo, feitos novas criaturas por Cristo Jesus. O verdadeiro israelita é aquele que foi circuncidado em seu coração.

A Igreja é povo, assembleia, ajuntamento solene. Se você pensa que pode ser um discípulo de Jesus dando as costas à Igreja, ao povo que Ele comprou com seu precioso sangue, você está, infelizmente, equivocado, ou lamentavelmente, nunca nasceu de novo, não é um convertido.

Você precisa da Igreja e a Igreja precisa de você, dos seus dons, dos seus talentos, do seu engajamento, do seu testemunho fora dela, nas manifestações mais simples em sua vida (Mateus 28.18-20).

Quando o evangelho precisava ser pregado aos gentios, Deus levantou na Igreja de Antioquia, dois homens para se incumbirem da tarefa de pregar o evangelho; Barnabé e Paulo. Diz o texto de Atos 13.1-3 que havia naquela comunidade, profetas e mestres e que o Espírito Santo mandou, dentre estes, separar a Barnabé e Saulo (Paulo).

A Igreja não salva ninguém, mas é ela que tem sobre seus ombros a responsabilidade de proclamar a salvação a todos, em todos os tempos e circunstância.

A obra missionária para o mundo gentio partiu de uma Igreja composta em sua grande maioria de crentes gentios. A obra missionária não nasceu da ilustre ideia de qualquer personagem individual da história do cristianismo. A obra missionária começou em uma Igreja Local. Uma Igreja que nem deveria ter muitos membros assim como é o caso de algumas mega igrejas hoje.

É preciso que saibamos que Paulo estava em Tarso há mais de dez anos quando Barnabé foi busca-lo para compor a docência na Igreja de Antioquia onde muitos gentios estavam sendo convertidos. Não sabemos o nome exato de quem pregou aos gentios daquela cidade, mas uma Igreja, uma comunidade floresceu naquele lugar. Todavia, eles não tinham instrução na Palavra. Eram frutos verdes que precisavam ser amadurecidos na Palavra. E somente quando a Igreja se tornou madura, autônoma, é que ela pode ser, nas mãos de Deus, a porta aberta do evangelho para os gentios. Paulo em Tarso não abriu uma Igreja. Ele estava em Tarso testemunhando, mas é preciso que nos lembremos de que Deus o estava preparando exatamente para essa árdua e nobre tarefa que era a de pregar para os gentios.   

Estou escrevendo isso para dizer que a Igreja é comunidade. Igreja é assembleia. Igreja é ajuntamento solene. Igreja é plural e não singular. Jesus morreu na cruz por mim e por você, para fazer de mim e de você, “nós”, a Igreja.

Eu me alegro quando penso no Salmo 122.1 onde o Salmista pensando no templo disse: Alegrei-me quando me disseram, vamos a casa do Senhor”.

Quem realmente é convertido, entende o que o Salmista disse, apesar da própria Igreja.

Responderei as outras questões em outros artigos.

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

FAMÍLIA.....
O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

FILHOS

FILHOS
QUERIDOS