terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A IGREJA (12) – QUANTO MAIOR MELHOR II?

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....Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. Atos 2.47b

Como já tive a oportunidade de mostrar no artigo anterior, não se mede o sucesso de um Pastor pela quantidade de membros que tem sua Igreja. Não se mede o sucesso pastoral pelo tamanho da Igreja. A Igreja retratada em Atos 2.41-47 não possuía Pastor. Ela era dirigida, espiritualmente pelos Apóstolos e nós não sabemos, em detalhes, como era essa liderança no dia a dia.

A Igreja retratada por Lucas em Atos 2.41-47 tinha crescido assustadoramente por conta do primeiro pronunciamento de Pedro (Atos 2.14-40). E temos que admitir que se Pedro pregasse esse Sermão em um dos nossos seminários, naquilo que chamamos de Sermão de Prova, ele provavelmente seria reprovado. Mas o texto diz que aproximadamente 3000 pessoas foram convertidas e muitas delas eram judias de Jerusalém e que compuseram a membresia daquela Igreja retratada nos versículos 41 a 47.

Aquela Igreja é um modelo do que devem ser todas as Igrejas. Seu crescimento não tinha nada a ver com show gospel, nem com acrobacias e malabarismos teológicos. Era uma Igreja que perseverava na doutrina dos apóstolos, ou seja, os apóstolos orientavam a Igreja e seus membros em como deveriam viver agora o cristianismo sem os aparatos litúrgicos do judaísmo já que era uma congregação em sua grande maioria composta por judeus convertidos ao cristianismo, como já escrevemos.

Festas como a dos Tabernáculos, Páscoa e Pentecoste, nome grego dado à Festa das Semanas, perderam, podemos afirmar sem medo de errar, seu sentido. A Circuncisão foi substituída pelo Batismo e a Páscoa pela Ceia. Aliás, Jesus vivenciou e praticou essas duas ordenanças. É óbvio que o culto tinha muito daquilo que era praticado nas Sinagogas, mas agora não se pedia mais para o Messias vir; agora eles agradeciam o Messias que veio, viveu, sofreu, morreu, ressuscitou e vai voltar. Deixar séculos de tradição na prática de rituais foi algo que necessitou de muita instrução e esse ensinamento foi passado através daqueles que viveram bons anos com o Messias. Um exemplo dessa influência do ensinamento dos apóstolos nós vemos no capítulo seis quando surge uma questão que afligia a Igreja, ou seja, a viúva dos helenistas eram preteridas na distribuição das cestas que deveriam suprir suas mesas. Os apóstolos foram consultados e orientaram a Igreja a que elegessem sete homens, cheios do Espírito Santo e sabedoria e que fossem pessoas de boa reputação. E assim foi feito.

Pedro devia ser um dos mais influentes dentre os apóstolos pelo que podemos ver no episódio retratado no capítulo cinco no qual temos o fatídico, trágico, mas pedagógico episódio envolvendo o casal Ananias e Safira. Mas quando chegamos ao capítulo quinze encontramos Tiago, meio irmão de Jesus, como aquele que presidiu aquilo que entendo eu ter sido o primeiro Concílio da Igreja e que tratou da questão sobre se era necessário que o gentio fosse circuncidado para se tornar cristão ou não, e o resultado deixou claro que isso não era preciso, ou seja, nenhum gentio precisava se tornar um judeu para depois ser um cristão.

Não há muitos registros detalhados sobre a atuação dos apóstolos no doutrinamento da Igreja em Jerusalém, mas aquela Igreja se movia sob a orientação e instrução de homens que viveram intimamente com Jesus por pelo menos três anos. Eles todos foram testemunhas do Cristo ressurreto e receberam de Jesus a missão de indo para onde quer que fossem, fazer discípulos (Mateus 18.18-20).

Se vamos tomar a Igreja de Jerusalém como modelo devemos levar em conta que aquela era uma Igreja onde as pessoas perseveravam também na comunhão. Lucas deixa isso evidente. A fé tem um forte componente comunitário. Jesus morreu por pessoas para que essas pessoas vivessem em comunhão umas com as outras. Assim era a Igreja do Antigo Testamento – um povo, uma nação. Assim deve ser a Igreja Neo Testamentária – um povo, uma nação.  O Salmo 133 diz que era no exercício da verdadeira unidade dos irmãos que Deus ordenava a benção e a vida para sempre.

Essa conversa de que não precisamos ir a Igreja para sermos crentes é infantilidade espiritual. Jesus falou de sua Igreja, ou seja, daqueles que são chamados para fora de suas casas para se reunirem em ajuntamento solene de adoração comunitária. Os que receberam o Espírito Santo, como vemos em Atos 2, estavam reunidos em oração.

A Igreja é Comunidade, mas nem toda comunidade é igreja. Somente é Igreja se houver comunhão em torno da Palavra de Deus pregada com fidelidade, onde os Sacramentos são praticados com responsabilidade e onde haja Disciplina que busque manter a pureza da Noiva de Cristo. Mas a Igreja deve ser comunidade porque as pessoas que se amam e têm Cristo como elo, amam estar juntas, apesar de sua humanidade e limitação.

Eu não sou a Igreja. Você não é a Igreja. Eu e você juntos, na adoração, somos a Igreja. Jesus morreu por mim e por você para que nos tornássemos nós – a Igreja. Por isso sou um crítico de Igrejas com grande número de membros, ou seja, estamos no mesmo lugar, mas não somos nós. Somos impessoais. Somos uma massa que vai à Igreja como vai ao teatro. Somos uma massa que vai à Igreja como vai a um restaurante, a um estádio de futebol.

Uma Igreja que pratica a verdadeira comunhão cresce, mas ela não deve crescer para dentro. Ela precisa crescer para dentro até o ponto em que revela condições de gerar outras comunidades, outras igrejas. Cada Igreja local deve ser uma célula vivendo a experiência da mitose celular.

O texto diz que eles estavam sempre juntos e tinham tudo em comum. Você pode imaginar algo desse tipo hoje? Vivemos uma sociedade competitiva, individualista e indiferente. O texto diz que eles se visitavam. Você pode imaginar isso nessa sociedade tão caracterizada pelo individualismo? Vivemos dias em que as pessoas se gabam de dizer "você para mim é problema teu", " "cada um com seus problemas".   

Diz o texto que a comunidade de cristãos de Jerusalém perseverava no partir do pão e nas orações. Os comentaristas bíblicos não são unânimes em afirmar que “partir o pão” aqui é a celebração da Ceia. Entretanto, isso não é relevante. Pela leitura, por exemplo, da primeira carta de Paulo aos Coríntios, que, diga-se de passagem, foi escrita antes do livro de Atos, temos o registro de que a Ceia era celebrada. O que temos em foco aqui é que eles faziam isso conjuntamente. Eles oravam juntos. Eles perseveravam nisso. O resultado era o crescimento numérico. E eu quero deixar bem claro que quando a Igreja Cristã cresceu em Jerusalém e resolveu ficar em sua zona de conforto, a exemplo da geração pós-diluviana que pretendeu ficar em Sinar desobedecendo a ordem de Deus de povoar a terra, e acabou por começar a construção de uma torre, Deus veio e agiu dispersando a ambos.  No caso da Igreja em Jerusalém, veio a grande perseguição que começou com a morte de Estevão.

Sou um ardoroso defensor de que a Igreja Cristã deve ter um número maior de Igreja com um número menor de membros. Isso torna mais fácil a comunhão, o entrelaçamento, a unidade, entre os irmãos além de facilitar o trabalho pastoral.

Quantos membros tem sua Igreja Rev. Mauro? Eu me sinto muito mal quando me fazem essa pergunta, não pela resposta que eu tenho para dar, mas pelo que sei que está por detrás dela.

Que Deus nos dê maturidade para entender que Igreja é comunhão, congraçamento, povo, ajuntamento solene e que ao nos reunirmos para a adoração isso é resultado de uma vida de intimidade pessoal com Deus. Que Deus nos dê maturidade para entender que a Igreja é a Família de Deus e que Jesus é o nosso irmão mais velho, o primogênito. Que Deus nos dê a maturidade para entender que a Igreja é o Corpo de Cristo do qual ele é a Cabeça e que nesse corpo que é constituído de vários membros, cada membro deve fazer sua parte visando o benefício de todo corpo não só do membro.

Que Deus reavive sua obra em nós e amemos sua Santa e Bendita Igreja a qual ele comprou com o precioso sangue de Cristo Jesus seu Filho amado.

Não há método de crescimento de Igreja. O que existe é a Igreja e quando ela persevera na doutrina dos apóstolo, quando ela persevera na comunhão, no partir do pão, nas orações, é exemplo de solidariedade e de igualdade social, então ela não só cresce, mas se torna simpática.

Para a Igreja crescer...basta ela ser pura e simplesmente Igreja.

Amém.

2 comentários:

  1. Grande Mauro, bom lê-lo aqui no Amapá, estou na 2a IPB de Macapá, disputando com a IPB de Mazagão, ser a menor de Macapá. Estamos há muito na 2a divisão Kkkk, mas não quero ir p primeira. Temos 3 Congregações e penso como você. Poucos e servindo ao Senhor com fidelidade e alegria, vamos crescendo na comunhão, partir do pão, oração e evangelização. Grande abraço.

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  2. Mazagão? KKKKK Lembro-me. Um perna de pau. KKKKKK Saudades de todos. Um grande abraço.

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