sábado, 21 de janeiro de 2017

A IGREJA (19) CONSIDERAÇÃO FINAL


O desigrejado é um sem teto? Em meu entendimento há desigrejados sem teto, temporalmente falando, e há desigrejados sem teto eterno. A diferença entre um e outro é que o primeiro está vivendo um momento de confusão espiritual, mas ele irá ser reconduzido ao aprisco como a ovelha encontrada, enquanto o outro jamais foi ovelha.

O desigrejado é um sem teto?

Foi essa a pergunta que fiz no Facebook no dia 18 de Janeiro de 2017, à 01h30. Eu estava refletindo sobre a questão do desigrejado e um dos debatedores, Claudio Lysias Vieira sugeriu o seguinte: "Desigrejado" e Igrejado" soa pejorativo. Vamos chamar de "Cristãos Institucionais" (CI)  e "Cristãos Não Institucionais" (CNI). Fica combinado que os CI orarão pelos CNI e vice-versa.

Antigamente o desigrejado era chamado de “desviado da fé”, “desviado da Igreja” ou simplesmente, “desviado”.

Li um artigo que faz uma distinção entre “desigrejado” e “desviado”, afirmando que desviado é alguém que pura e simplesmente abandonou a fé, mas o desigrejado é alguém que continua tendo fé em Cristo, tem comunhão com Deus, mas decidiu que não quer frequentar a Igreja. Aqui está o endereço do texto na Internet para você conferir. Para mim quem tem comunhão diária e saudável com Deus, ama a Igreja, apesar dela.


Quem fez essa distinção deve ser arminiano, por certeza, porque o calvinista crê que um regenerado de verdade, aquele que nasceu de novo e em cujo coração Deus infundiu o dom da fé, jamais perde a fé. Ele morre por causa dela, se for necessário.

"Desigrejado ou desviado"? Essa é uma pura questão de semântica. 

Se não frequentam a Igreja, não tem vínculo com uma Comunidade cristã, não tem compromisso com nenhuma Igreja, mas se um dia fez sua Pública Profissão de Fé em Cristo como Salvador e Senhor, é “desigrejado”, “desviado” ou como meu irmão Cláudio Lysias bem humoradamente sugeriu no Facebook, é um Cristão Não Institucional. 

Em minha opinião aquele que afirma ser convertido, mas não quer filiar-se a nenhuma Igreja, neste caso nem é desigrejado porque não foi filiado a nenhuma instituição formal, denominacional, local. E se for convertido de verdade, com certeza irá se filiar a uma boa Igreja no transcorrer do tempo porque o homem é um ser social, o homem não é uma ilha, ele necessita de comunhão e a Igreja, por mais que tenha lá suas dificuldades intrínsecas por ser formada de humanos redimidos, mas ainda em processo de santificação, é um oásis em meio ao deserto deste mundo.

Veja: não se está aqui falando da Igreja Invisível. Para mim a Igreja Invisível está contida na Igreja Visível. Seus números não batem, mas é no contexto da membresia visível que estão inseridos os que fazem parte da Igreja Invisível. Para mim a Igreja Visível, é visível. É comunidade. É ajuntamento solene. É povo. É plural. É assembleia. Não existe Igreja de um só.  

Neste artigo aludido, e cuja URL ofereço aqui, o autor fala inclusive que há muitos desviados dentro da Igreja e eu concordo com ele, como também creio que há muitos desigrejados mesmo frequentando a Igreja. Isso é possível assim como um casal que reconheceu sua união matrimonial no magistrado civil e até no religioso, mora debaixo do mesmo texto, dorme na mesma cama, come na mesma mesa, mas já não é um casal de verdade há muito tempo. Há membros que estão na Igreja, mas infelizmente a Igreja não está neles. Lamentavelmente isso é possível!!!

Assim como há desigrejados que são crentes de verdade e que por um tempo, em confusão, ficam fora da comunhão. Mas estes voltam, com a mais absoluta certeza. Eu sou prova disso.

Discutir se o termo correto é "desigrejado" ou "desvidado" ou mesmo "Cristão Não Institucional" é fugir da questão central. Essas questões, são periféricas e nos levam para longe da questão primordial que é tratar daqueles que um dia se declararam cristãos, foram membros ativos de uma Igreja Cristã verdadeira (Vide o Artigo em que falo sobre as Marcas Distintivas de Uma Verdadeira Igreja Cristã), (não estou falando de comunidades que de cristãs e evangélicas só tem o nome para atrair os incautos), mas que por vários motivos ou razões aludidos por eles, deixaram de se envolver, de congregar, e pior, desandaram em falar mal, depreciar e até qualificar pejorativamente a Igreja.

Um irmão, muito querido inclusive, afirmou que a Igreja Cristã Local está mais para hospício do que para hospital. Disse também que já viu mais atos de misericórdia em centro de umbanda do que na Igreja. Sinceramente, eu vivo dentro da Igreja minha vida toda. Não nasci Presbiteriano. Minha primeira denominação foi a Igreja Evangélica Congregacional onde eu vivi até meus 27 anos de idade. Aos 28 anos de idade migrei para a Igreja Presbiteriana do Brasil. Aos 30 anos ingressei no Seminário. Aos 35 fui Ordenado Pastor Presbiteriano. Tenho, hoje, 20.01.2017, 62 anos de idade, portanto sou Presbiteriano há 34 anos, sendo dos quais, 28 como Pastor. Em todos esses anos, estive em cargos de liderança em quase todos os níveis. Educado em música pelo meu pai, Vincenzo Aiello, sempre me envolvi com essa área de forma mais específica na Igreja. Fui membro fundador, do Grupo Logos, juntamente com Paulo Cesar da Silva e Nilma Soares da Silva, ambos de origem Congregacional com formação teológica no Seminário Bíblico Palavra da Vida, em Atibaia, São Paulo.

Vi nascer muitas comunidades. Faltaria espaço aqui para falar, ainda que um pouquinho sobre cada uma delas. Muitas são dissidências de Igrejas Tradicionais e Históricas, e outras são divisões de Igrejas Pentecostais. Vi nascer a Igreja que é a máxima expressão do movimento Neo Pentecostal no Brasil, a Igreja Universal do Reino de Deus. Vi nascer Renascer (não resisti ao jogo de palavras), a Internacional da Graça, Mundial do Reino de Deus, Comunidade Paz e Vida, Deus é Amor, etc...etc....Não apenas vi nascer como fui a alguns eventos e analisei o movimento por dentro. Tenho histórias interessantes de minhas visitas à Igreja do falecido Missionário Davi Miranda e da Universal do Reino de Deus. Fui, vi, ouvi, analisei, fui acompanhado pelos seguranças que me fuzilavam com seus olhos e quase me interpelavam perguntando quem eu era e o que estava fazendo ali. Máquina de filmagem e máquina fotográfica mesmo, só escondidas.

Ouço, assisto, leio, acompanho. Sou uma pessoa que, até por conta de minha atividade Pastoral, busca estar sempre atualizado. Hoje, confesso, as coisas acontecem com tanta rapidez que de repente me surpreendo com notícias terríveis de escândalos e propostas indecentes principalmente destes Apóstolos e Bispos dessas Igrejas Neo Pentecostais como o Trízimo, por exemplo, do tal Valdemiro Santiago. Sim Trízimo: dez por cento para o Pai, dez por cento para o Filho e dez por cento para o Espírito Santo. Uma vergonha inominável. Uma criatividade inspirada no inferno. Muito bem escreveu o autor do texto do URL citado: NESTAS IGREJAS, O QUE VALE NÃO É: “POSSO TUDO NAQUELE QUE ME FORTALECE”, MAS: “POSSO TUDO NAQUILO QUE ME ENRIQUECE”.

Mas meus amados leitores, ainda que eu reconheça que há de fato estas comunidades que se intitulam igrejas, além daquelas que tem sérios erros teológicos, ainda assim sempre existiu e existirá o remanescente fiel. 

Nivelar por baixo não me parece ser coisa de gente que lê, honesta, que se informa, tem emocionalidade equilibrada. Devo dizer que tenho visto erros e equívocos em minha denominação. Tenho visto e sou testemunha do quanto a IPB é politizada. Entristeço-me em ver o jogo de conveniência e camaradagem nos Concílios, traição e o jogo de interesses, a falta de companheirismo entre os “colegas” de ministério, um certo corporativismo. Alguns eu considero mesmo “colegas” porque estão muito longe de serem meus amigos de ministério. É muito comum o ciúmes e a inveja dentro da classe Pastoral, e isso em qualquer denominação. Já fui rotulado de Pentecostal só porque toco violão e canto. Pastores fracassados em certo sentido, costumam depreciar o ministério de alguns Pastores cujas Igrejas vão de vento e popa. 

Na IPB encontramos pentecostais liturgicamente falando, reformados neo puritanos, arminianos, calvinistas, pré-milenistas dispensacionalistas e históricos, pós-milenistas e amilenistas. Temos até liberais na IPB. 

Mas apesar de tudo isso somos uma Igreja que tem uma identidade. Temos um Manual (CI/IPB, Código de Disciplina e Manual de Liturgia) e por essa cartilha todos devem “rezar”. Temos nossos Símbolos de Fé: a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior e o Breve Catecismo e acima de todos esses Símbolos temos a Bíblia e confessamos que ela é a nossa única regra de vida, fé e prática e que a mesma tem autoridade intrínseca sobre a Igreja e jamais o contrário. Temos uma história e uma identidade. 

Desde 1990 participo de Supremos Concílios. Já fui presidente de dois Sínodos e Presidente do Presbitério Alto Tietê por quatro anos consecutivos.

Já me entristeci inúmeras vezes em minha denominação e em Igrejas Locais onde fui simplesmente membro ou Pastor. Também já decepcionei muitas pessoas. Confesso que as vezes sinto vontade, ao ver, ouvir e sentir algumas coisas, de deixar a Igreja. Eu seria um mentiroso se não admitisse que muitas vezes, triste e até deprimido em ver algumas coisas acontecerem, eu pensei em deixar o Ministério e até a membresia da Igreja. Mas então eu me dou conta de que fazer isso é me julgar melhor que a instituição. Fazer isso é me colocar no lugar de juiz da Igreja Institucional. Vou escrever novamente – A IGREJA AINDA NÃO É O CEU.

Contam que certa vez um membro de uma Igreja procurou seu Pastor e disse que iria sai da Igreja porque havia encontrado outra Igreja de pessoas melhores para frequentar. O Pastor então disse: - Que pena; depois de você se tornar membro dela, ela não será tão boa quanto era antes.

Eu sei que a Igreja é como a Arca de Noé como disse alguém: Se não fosse a tempestade, a inundação e a mortandade lá fora, não se poderia suportar o mau cheiro lá dentro. É uma coisa terrível de se dizer, mas olhando alguns momentos da Igreja e algumas realidades denominacionais e locais é isso mesmo que parece. Mas, lá fora, no mundo o que temos? Será que no mundo inundado de mentira, podridão moral, corrupção em todos os níveis, violência também em todos os níveis, tanta mortandade e aflição é melhor que uma Igreja Local séria e zelosa? Com a mais absoluta certeza NÃO. Parece-me que tem gente que prefere ficar fora. A que conclusão devo chegar?

A Igreja ainda não é um palácio, mas é um oásis no deserto da vida. Um paraíso para quem está sedento de Deus e quer sombra para a sua alma.

Eu sei que a Igreja é um exército que tem o hábito de deixar feridos para trás, como alguém já disse. Falando em Igrejas Locais já vi gente ser abandonada pura e simplesmente. Mas também já vi Igrejas darem chance para adúlteros contumazes, mentirosos e caluniadores, até não se aguentar mais. Já vi gente furtar, durante anos a fio, o gazofilácio da Igreja, construir patrimônio com esse dinheiro e não se arrepender, enquanto vejo senhorinhas e senhorezinhos de idade caminhando em direção ao mesmo gazofilácio onde o larápio travestido de irmão enfiou a sua mão, para depositar o Dízimo ou oferta tirados do surrado e minguado salário de aposentado. 

Eu fiquei fora da Igreja por um breve tempo e nenhum Pastor foi me visitar para saber o que estava acontecendo comigo. Lamento? Sim. E como lamento! Por isso hoje, como Pastor, o meu maior temor e saber que um crente deixou a comunhão por causa de um deslize Pastoral meu. Tento, na medida do que é humanamente possível, ir atrás daquelas ovelhas que se desgarram do rebanho local que está sob meus cuidados. Aliás, é isso que tento fazer com esses meus escritos aqui, ainda que de forma impessoal.

Mas eu voltei à comunhão da Igreja Local e é dela que quero sair quando fechar meus olhos aqui para abri-los na eternidade.

Eu fui, por um tempo, um desigrejado. Pouco tempo! 

Alguns que me leem podem estar vivendo a mesma situação que eu vivi. Eu sei que aqueles desigrejados que são realmente convertidos, voltarão para a comunhão, mas aqueles que não voltarem simplesmente tenho que aplicar, ainda que me doa na alma, o pensamento de João: Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem nos abandonado revela que nenhum deles era realmente dos nossos”. 1 João 2.19.

Que Deus nos abençoe.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

SEJA BEM-VINDO E BOA LEITURA!

Fico feliz em que você visite o Blog Conteúdo. Faço parte dessa comunidade de gente que gosta de escrever e expor o que escreve sem nenhum receio de ser lido e contestado. Fique a vontade nessa minha sala de leitura. Espero, sinceramente, que meus escritos ajudem você de alguma maneira, mas principalmente do ponto de vista espiritual. Se você quiser me ajudar ore por mim e peça a Deus que me mantenha firme na fé cristã. Se você não é um cristão como eu, eu gostaria de conhecer você e falar para você sobre minha fé. É só ir na seção dos comentários e fazer contato.

Um abraço.


FAMÍLIA.....

FAMÍLIA.....
O MAIOR PATRIMÔNIO DE UM HOMEM É SUA FAMÍLIA

FILHOS

FILHOS
QUERIDOS