sábado, 14 de janeiro de 2017

A IGREJA (14) E OS DESIGREJADOS



Desigrejado é aquele que um dia foi membro, pertenceu a uma Igreja por certo tempo e que abandonou a comunhão, voltou ao estado em que se encontrava, ou vive de Igreja em Igreja tentando encontrar uma que lhe seja prazerosa ao paladar, que atenda seus anseios. Muitos tem um bom aporte moral, mas outros aprofundaram suas raízes no mundo e em seus valores se tornando até inimigos de Cristo e de sua Igreja.

A quantidade de desigrejados cresce a olhos vistos. Em meu trabalho de testemunho pessoal a respeito de Jesus o que eu encontro de “desviados” da fé é algo assustador. Os desigrejados, antigamente eram chamados de “desviados da Igreja” ou “desviados da fé”.

Em alguns casos eu aconselho a pessoa a procurar uma Igreja mais próxima de sua casa, com sua família, (quando é casado (a)), frequentá-la com pontualidade, assiduidade e se engajar em algum ministério para o qual ele (a) tenha dom, talento e experiência. Sempre esclareço a importância do engajamento. Digo que uma ferramenta sem uso enferruja. Um crente sem atividades tende a se tornar crítico porque ele apenas observa. Crentes sem engajamento acabam por se inutilizar.

Quando há tempo, então eu ouço suas histórias. E são muitas. Algumas das desculpas de muitos, para não frequentar a Igreja, são:

1) Descobri que para ser crente, não é preciso ir à Igreja. Para termos comunhão com Deus não precisamos da Igreja.
2) Na Igreja que eu frequentava havia muitas panelinhas e eu não gosto de panelinhas.
3) A igreja é muito radical. A gente não pode isso, não pode aquilo. Cansei.
4) Meu marido não é crente e eu fico com ele para não ter problemas de relacionamento.
5) Meus filhos são pequenos e dão muito trabalho.
6) Não sei o que aconteceu, eu fui me afastando, perdendo a vontade de ir e agora não frequento mais.
7) Descobri que religião é comércio.
8) Eu me casei com uma pessoa não crente e, com o passar do tempo eu acabei por deixar de ir.
9) Na igreja que eu frequentava o pastor só falava em dinheiro.
10) Eu não preciso ser membro de Igreja eu vou quando posso.
11)  Eu trabalho muito e não tenho tempo para me envolver como deveria. Não gosto de fazer as coisas pela metade. Então, não frequento mais.
12) Não preciso ir à Igreja. Eu sou a Igreja.
13) Eu fui criado na Igreja e quando cresci me afastei.

Você, que está lendo esse artigo e que está fora da Igreja, deve ter sua argumentação para justificar sua desfiliação. Ou você que como eu, que testemunha de Jesus, deve conhecer outras argumentações além dessas que eu alistei.

Eu gostaria de responder a essas questões sob a orientação do Espírito Santo. Isso aqui não é um tribunal e eu não sou juiz de ninguém. Eu sou um Pastor que se preocupa com o Rebanho de Deus, que se preocupa com as ovelhas de Deus pelas quais o próprio Deus enviou seu filho para morrer Vicária (substitutiva) e Expiatória (para pagar a dívida que o homem contraiu com Deus ao pecar no Éden).

Vamos então ao nosso trabalho apologético com a Bíblia na mão:

1) Descobri que para ser crente, não é preciso ir à Igreja. Para termos comunhão com Deus não precisamos da Igreja.

Esse argumento é extremamente perigoso porque ele não é totalmente desprovido de verdades. Ele é perigoso porque na essência ninguém precisa da Igreja para ser um crente, um fiel, um discípulo de Jesus, um Cristão. Mas essa argumentação não é suficiente para justificar o desigrejado.

Ninguém precisa, essencialmente falando, da Igreja, para ter comunhão com Deus. Mas essa argumentação também não é suficiente para justificar o desigrejado.

Para ser um discípulo de Jesus é preciso nascer de novo. Falando mais tecnicamente, é preciso ser regenerado. Somente aquele que é regenerado, nasceu de novo, é nova criatura (João 3.1-15, II Cor. 5.11-21), recebe o dom da fé (Efésios 2.1-10) para poder crer em Jesus como único e suficiente salvador, como único mediador entre Deus e os homens (I Tm 2.5).

Para ter comunhão com Deus você precisa ler a Sua Palavra. A Bíblia é a revelação especial de Deus. Nela Deus se revela e aponta para a pessoa do seu filho como Salvador e Senhor. Para ter comunhão com Deus é preciso que Ele fale ao teu coração, Ele o aconselhe em sua Palavra todos os dias, mas é preciso que você exercite a prática da oração. A oração é o momento em que você fala com Deus. A oração não muda o coração e os planos de Deus, mas muda o nosso coração e nos faz aceitar humildemente seus propósitos, planos e decretos. A oração é meio de comunhão com Deus.  
                      
Mas então eu me deparo com uma dura e triste realidade. Constato, ao longo de todos os meus anos de vida, que não conheci sequer uma pessoa que leia a Bíblia, medite na Palavra de Deus, tenha o saudável hábito da oração diária que viva fora da Igreja. Muito pelo contrário!

Para ser franco e sincero na presença de Deus; na verdade há muitas pessoas na Igreja que não leem a Bíblia e nem oram individual, devocional e diariamente como deveriam fazer, mas que mesmo assim estão na Igreja, mas elas estão tão equivocadas quanto os que dizem que leem a Bíblia e oram, mas não frequentam a Igreja.

Quem lê e medita na Escritura Sagrada, quem ora todos os dias, tem calo nos joelhos, busca viver uma vida de piedade, sem comprometimento com o mundo, o século e materialismo, frequenta a Igreja e sua vida é uma enorme benção.

Quem realmente é crente, ama a Igreja (Salmo 122); quem realmente é crente, apesar das dificuldades que há na Igreja, apesar dos erros que encontramos nela, apesar de nossas decepções e tristezas nela, ama a casa do Senhor, ama a comunhão (Salmo 133). Não é possível falar em comunhão dos irmãos com uma pessoa só. Quem realmente é regenerado, não somente a frequenta como incentiva os que se distanciam do convívio e da comunhão (Hebreus 10.24,25).

Nós precisamos da Igreja porque nela celebramos a comunhão com Deus e uns com os outros. Precisamos da Igreja e muito importante; precisamos zelar por sua unidade e comunhão comunitária porque diz o salmista inspiradamente no Salmo 133 que é na unidade do povo de Deus, que Ele ordena sua benção e a vida para sempre.

Precisamos da Igreja porque o termo Igreja significa “aqueles que são chamados para fora para se reunirem em assembleia”.  Igreja é assembleia e eu entendo ser uma sandice assembleia de uma pessoa só. Por isso você, nesse sentido, não é Igreja. Você é um membro da Igreja, da assembleia. Você é Igreja exatamente quando se identifica como membro de uma comunidade local e é exatamente aí que você deve ser um bom exemplo, porque as pessoas que te circundam irão ter uma impressão da Igreja que você frequenta, baseada em você.

Com essas considerações eu respondo a 12ª questão. Ninguém é Igreja sozinho. Não há Igreja de um só. Igreja é ajuntamento solene, reunião de santos para adoração ao Trino Deus. Isso começou com os patriarcas, depois se tornou realidade com a nação de Israel e agora na dispensação da nova aliança a Igreja é aquela composta por todos que nasceram de novo, foram regenerados, criados de novo, feitos novas criaturas por Cristo Jesus. O verdadeiro israelita é aquele que foi circuncidado em seu coração.

A Igreja é povo, assembleia, ajuntamento solene. Se você pensa que pode ser um discípulo de Jesus dando as costas à Igreja, ao povo que Ele comprou com seu precioso sangue, você está, infelizmente, equivocado, ou lamentavelmente, nunca nasceu de novo, não é um convertido.

Você precisa da Igreja e a Igreja precisa de você, dos seus dons, dos seus talentos, do seu engajamento, do seu testemunho fora dela, nas manifestações mais simples em sua vida (Mateus 28.18-20).

Quando o evangelho precisava ser pregado aos gentios, Deus levantou na Igreja de Antioquia, dois homens para se incumbirem da tarefa de pregar o evangelho; Barnabé e Paulo. Diz o texto de Atos 13.1-3 que havia naquela comunidade, profetas e mestres e que o Espírito Santo mandou, dentre estes, separar a Barnabé e Saulo (Paulo).

A Igreja não salva ninguém, mas é ela que tem sobre seus ombros a responsabilidade de proclamar a salvação a todos, em todos os tempos e circunstância.

A obra missionária para o mundo gentio partiu de uma Igreja composta em sua grande maioria de crentes gentios. A obra missionária não nasceu da ilustre ideia de qualquer personagem individual da história do cristianismo. A obra missionária começou em uma Igreja Local. Uma Igreja que nem deveria ter muitos membros assim como é o caso de algumas mega igrejas hoje.

É preciso que saibamos que Paulo estava em Tarso há mais de dez anos quando Barnabé foi busca-lo para compor a docência na Igreja de Antioquia onde muitos gentios estavam sendo convertidos. Não sabemos o nome exato de quem pregou aos gentios daquela cidade, mas uma Igreja, uma comunidade floresceu naquele lugar. Todavia, eles não tinham instrução na Palavra. Eram frutos verdes que precisavam ser amadurecidos na Palavra. E somente quando a Igreja se tornou madura, autônoma, é que ela pode ser, nas mãos de Deus, a porta aberta do evangelho para os gentios. Paulo em Tarso não abriu uma Igreja. Ele estava em Tarso testemunhando, mas é preciso que nos lembremos de que Deus o estava preparando exatamente para essa árdua e nobre tarefa que era a de pregar para os gentios.   

Estou escrevendo isso para dizer que a Igreja é comunidade. Igreja é assembleia. Igreja é ajuntamento solene. Igreja é plural e não singular. Jesus morreu na cruz por mim e por você, para fazer de mim e de você, “nós”, a Igreja.

Eu me alegro quando penso no Salmo 122.1 onde o Salmista pensando no templo disse: Alegrei-me quando me disseram, vamos a casa do Senhor”.

Quem realmente é convertido, entende o que o Salmista disse, apesar da própria Igreja.

Responderei as outras questões em outros artigos.

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