quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A IGREJA (18) OS DESIGREJADOS V – RELIGIÃO É COMÉRCIO.


Igreja virou comércio.

Essa é a alegação de alguns desigrejados. E eles têm uma boa dose de razão. Infelizmente muitos transformaram a religião cristã em um comércio. Mas não a Igreja de Cristo, a verdadeira.

Se retrocedermos na história e nos depararmos com a igreja nos dias que antecederam a Reforma Protestante do Século XVI vamos ficar boquiabertos e estupefatos com a proposta da venda da tal Indulgência.

Mas não é preciso ir tão longe na história. Olhemos para o que temos na televisão de hoje. Valdemiro Santiago, Edir Macedo, Estevan Hernandez, R.R. Soares e tantos outros não vendem indulgência, como fazia Tetzel, mas vendem "bênçãos", prosperidade, assim como Silvio Santos com seu Baú da Felicidade. 

Esses senhores, transformaram a Igreja em um balcão de negócios. Reduziram o cristianismo a um “toma lá, dá cá”. Uma vergonha! A teologia da prosperidade só é próspera para os seus idealizadores e proclamadores. Esses que eu citei estão tão ricos quanto rico era o clero nos dias em que Leão X era o Papa (nos dias da Reforma do Século XVI) e a luxúria e ostentação eram uma vergonha a se contrapor à pobreza tanto econômica, quanto moral e principalmente espiritual em que se encontrava a Europa daqueles dias.

Quando não são estes que mercadejam a fé com a Bíblia nas mãos e os olhos postos nos bolsos dos incautos, temos aqueles que começaram a vender livros e muito pior; vendem a Bíblia em várias versões: a Bíblia do Empresário, a Bíblia do Adolescente, a Bíblia da Mulher; a Bíblia do Ministro; a Bíblia Comentada por este e por aquele. Não precisamos dessas Bíblias. Precisamos ler a Bíblia e meditar nela. Se o cristão brasileiro lesse mais a Bíblia certamente não seria presas frágil nas mãos dos charlatões que, como os leões, ficam à espreita para atacar, na manada, o animal mais fraco. 

Os Reformadores trouxeram a lume a Sola Scripturae (Somente a Escritura). Não precisamos de novas revelações e de nenhum outro escrito. Não precisamos de encíclicas papais, porque nem a encíclica e nem o papa têm a autoridade que a Bíblia possui. Ela é a autoridade sobre a Igreja e não o contrário. A Sola Scripturae foi algo que os Reformadores resgataram e que muitos desses pregoeiros da teologia da prosperidade simplesmente negligenciam no afã de ficar cada vez mais ricos às custas dos iludidos pela esperança de se tornarem prósperos, ricos patrimonialmente falando. O que precisamos mesmo é da Bíblia aberta não como amuleto no Salmo 90, mas diante dos nossos olhos e muito mais, dentro dos nossos corações. (Salmo 1, 2 Timóteo 3).

Também encontramos uma multidão de “cantores gospel” com suas músicas, na sua grande maioria sem nexo teológico, sem base bíblica. A ideia é vender CDs, ficar rico, ganhar notoriedade. Transformaram a Igreja em uma casa de shows. A maioria dos cantores “evangélicos” agora cobra cachê. Eles não são instrumentos de adoração ao Trino Deus, mas instrumentos de distração e passatempo, de entretenimento. Não sou contra pagarmos ao cantor e compositor evangélico. Eu sou contra o método. Não podemos nos nivelar ao mundo quanto a isso. Eu não cobro para cantar. Eu apenas peço que me custeiem as viagens e hospedagens sem ostentação. Sou tratado com muita dignidade pela Igreja que Pastoreio. E essa Igreja é minha prioridade. Não canto para me apresentar. Eu canto para ilustrar minha vida com Deus, para testemunhar a respeito do meu Salvador. As músicas que canto não são apelativas, tem boa teologia, arranjo instrumental condizente com a letra. Não sou cantor que Pastoreia. Sou um Pastor que canta; e isso porque Deus me deu o dom e o talento, a história e a facilidade para a prática dessa arte. Também não estou fazendo propaganda de mim mesmo. Como disse; a Igreja que Pastoreio e as ovelhas do rebanho de Deus colocadas sob meus cuidados, são a minha prioridade.

Tenho visto a tendência dos mega eventos. Nunca se fez e se divulgou tanto Congresso como nos dias de hoje. É Congresso para todo tipo e para todo gosto. E tem gente que comparece mais em Congressos do que nas atividades de sua Igreja Local. Há preletores de alguns congressos que viraram super estrelas. Eu me ponho a imaginar se Charles H. Spurgeon, o famoso pregador do século XIX, vivesse hoje o quanto ele não seria requisitado para falar nesses congressos. Eu só não sei se ele cobraria a fortuna que alguns desses preletores cobram. Aliás, há certo acordo entre algum desses “preletores” e  idealizadores dos tais congressos. Há alguns tele evangelistas que promovem seus congressos e sempre levam seus apaniguados para participar. E quando esses apaniguados promovem seus congressos eles retribuem a “gentileza”. É um comércio. Com a mais absoluta certeza. Há pregadores que admitiram o culto à sua personalidade e hoje estão totalmente perdidos em suas loucuras e devaneios. 

Não estou discutindo aqui o conteúdo desses congressos. Em meu entendimento se a Igreja realmente desempenhasse melhor o seu papel pedagógico teológico, se os Pastores fossem realmente bem preparados teologicamente, se houvesse um grupo de pessoas capazes para cuidar da docência teológica nas Igrejas, não iriamos precisar de muitos desses tais congressos. Mas há congressos muito interessantes e bons. Não posso cometer o pecado contra meus irmãos, gente séria e realmente comprometida com o reino, e nem cometer o equívoco da generalização, mas se os congressos realmente resultassem em algo positivo, o Brasil Evangélico não seria essa salada de fruta que é. Conheço alguns pastores que não saem de congressos, mas seus ministérios pastorais são um fracasso. É preciso se criterioso e ter bom filtro teológico para frequentar alguns congressos, que diga-se de passagem, são muito caros com raras exceções.

O que dizer da Marcha Para Jesus? Em meu entendimento não é outra coisa a não ser uma oportunidade para aferição da capacidade de aglutinação e popularidade. Que resultados espirituais positivos essa tal Marcha Para Jesus tem produzido? O Brasil continua enfermo como antes da criação de tal evento e ainda ouso dizer que o país e o mundo, do ponto de vista da moral e da ética, andaram para trás. Apesar de todo comércio e merchandising produzidos nesse evento. Marcha Para Jesus é ato populista e eu, confesso, tenho um enorme receio de atos populistas, governos e discursos populistas. Eles tendem a serem ufanistas, irreais e infelizmente, inconsequentes. A multidão é muito mais fácil de ser manipulada do que o indivíduo. Ela é a soma de personalidade onde cada indivíduo sede a sua personalidade para a personalidade da multidão. Então fica fácil gritar: – São Paulo é de Jesus. O difícil é constatar que apesar de tanto ufanismo essa não é uma realidade. Nisso eu vejo igualmente comércio. Seria muito bom que nos lembrássemos que Jesus evitou notavelmente as multidões. Nem Jesus participaria da Marcha Para Jesus.

Mas, querido desigrejado, essa também não é uma desculpa plausível para abandonar a comunhão, o convívio com os irmãos na Igreja Local. Precisamos combater isso do lado de dentro e não do lado de fora. Não teremos a mesma autoridade para combater esses desvios se ficarmos do lado de fora como meros críticos que se postam como se fossemos melhores crentes do que os que estão na Igreja. Precisamos estar nos limites da Igreja para podermos criticá-la com autoridade e assim auxiliar de alguma maneira para a sua transformação.

Querido desigrejado; ainda há determinadas denominações e Igrejas Locais que não se curvaram a Mamon (Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça). Ainda há e sempre haverá um remanescente fiel (Cf. Isaías 6.13) e se você conhece as Escrituras como deveria conhecer, certamente identificará quais e onde estão essas Igreja nas quais você pode se tornar um membro, refinar sua fé cristã, ajudar a outros e ser ajudado no crescimento espiritual, contribuir com missões, atuar no desempenho de uma ação social como a boa obra gerada (Efésios 2.8-10) no coração purificado pela fé genuína e não em um ato no qual se busque o favor e a simpatia divinos.

Eu olho como muita tristeza o estado atual de muitas igrejas rotuladas como evangélicas no contexto da sociedade brasileira. Afinal das contas Deus me fez nascer brasileiro, apesar do sangue italiano, e é com a igreja que se rotula cristã no meu país que eu me preocupo em primeiro lugar. No Brasil, pela graça e misericórdia de Deus, ainda há denominações que levam Deus a sério. Ainda há no Brasil Igrejas Cristãs Locais onde a teologia tem produzido boas liturgias e consequentemente muitas vidas têm sido salvas da eternidade sem Deus, muitas famílias têm sido resgatadas das trevas para a luz.

Muitas denominações e igrejas locais, entretanto, se perderam. E isso é evidente como a luz do sol para aquele que conhece a Palavra de Deus e o Deus da Palavra. Assim sendo não se constitui em desculpa plausível ou argumentação suficiente o abandono da membresia e engajamento em uma Igreja Cristã Local séria e Bíblica. Ser desigrejado por entender que a Igreja é comércio é nivelar todas Igrejas às piores quando o mais inteligente é olhar sob a ótica da Escritura a igreja e localizar aquela que ainda se mantém sadia e dela se tornar um membro atuante, abençoado e abençoador.

Que Deus ilumine nossas mentes e corações e com essas considerações em mente muitos deixem de lado as desculpas e se tornem cristãos com Igreja onde possa crescer e ajudar no crescimento de outros também.

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