sábado, 14 de janeiro de 2017

A IGREJA (15) E OS DESIGREJADOS II.

A próxima questão que desejamos considerar é a seguinte:

2) Na Igreja que eu frequentava havia muitas panelinhas e eu não gosto de panelinhas.

Panelinhas? Eu nasci com uma mãe cristã super dedicada e engajada com a Igreja local. E desde pequeno eu percebo essa realidade, ou seja, grupos de exclusividade dentro da comunidade local.

Mas seria esse um motivo justificável para deixarmos a comunhão? Será que isso justifica alguns desigrejados? A resposta é simplesmente não. E vou dizer a vocês porque penso assim.

Em primeiro lugar percebemos que mesmo no colégio de discípulos de Jesus havia alguns que aparentemente tinham mais intimidade com Jesus; Pedro, Tiago e João. Ah! Você deve se lembrar do episódio notável do Monte da Transfiguração! (Mateus 17.1-8) Diz o texto logo no início: “Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos dois irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte”. E lá no alto monte Jesus foi transfigurado diante deles.

Quais seriam as razões pelas quais Jesus não levou todos os discípulos? Bem a resposta pode gerar um bom número de especulações. Isso foge aos nossos propósitos, mas a verdade é que Pedro, João e Tiago sempre estiveram na linha de frente daquele grupo composto por doze discípulos.

Talvez esse tipo de atitude tenha inspirado a mãe de Tiago e João a fazer o pedido que encontramos na passagem de Mateus 20.21: “Manda que, no teu reino estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda”.

O que estou tentando mostrar é que, todo grupo, toda comunidade, todo ajuntamento, toda sociedade tem seus grupos de afinidade, pessoas que são alinhadas social, intelectual e até economicamente. A Igreja local é sim composta de grupos de afinidades. Não estou dizendo que sou a favor do sectarismo. Não sou a favor dos grupos que excluem. Mas eu que estou na Igreja por toda minha vida nunca tive problemas em observar grupos de afinidades na Igreja. Eu não promovi ao longo de todos esses anos a criação de grupos. Mas também, nunca me senti preterido por alguns, pelo contrário. Eu tenho que confessar, por estar na presença do Pai quando escrevo isso, que eu tinha o meu, ou meus próprios grupos de afinidade. Não fechava o grupo ou grupos, mas havia certa afinidade com aquelas pessoas que gostavam de música como eu sempre gostei. O diálogo era mais fácil com esses do que com aqueles que davam pouca importância para a música. 

A impressão que eu tenho é que muitos que alegam que a Igreja é feita de panelinhas faz assim não porque é contra a existência desses grupos, mas porque não consegue entrar para nenhum deles.

Isso nunca me tirou o ânimo de frequentar a Igreja, cantar no Coral, tocar no Grupo de Louvor, liderar a Mocidade, ir aos acampamentos, aos intercâmbios entres Igrejas e muito mais.

Muito bem! Cientes de que sempre houve, desde os dias de Jesus até hoje, os grupos de afinidade, que muitos preferem chamar de panelinhas, o que devemos fazer? Ora, abandonar a comunhão não me parece ser o mais correto a fazer.

Bem, em primeiro lugar devemos orar por todos os membros da Igreja. Tiago escreveu: “...orai uns pelos outros” (Tiago 5.16).

Em segundo lugar, se eu sou contra a formação de panelinhas, devo ficar na Igreja porque mesmo com as tais panelinhas ela continua sendo Igreja. Não é isso que a descaracteriza. A Igreja de Corinto era uma Igreja dividida pela questão dos dons, primordialmente pelo dom de línguas, pois os que “falavam” em outras línguas eram tidos como “a panelinha dos mais espirituais”. Paulo vai ensinar que a Igreja é como o corpo humano e que nela há, como no corpo humano, vários segmentos, mas que ela é uma Igreja só. Veja a saudação que Paulo faz à Igreja de Corinto. Ele a chama de Igreja, apesar de tantos problemas que a dividia.

Tiago escreve à Igreja de seus dias fazendo uma série exortação sobre a discriminação. E ele é duro em suas palavras. Ele diz que ninguém pode ser tratado melhor na comunidade só por causa de sua condição econômica, mas Tiago não aconselha ninguém a deixar a comunidade.

Não sou a favor de “panelinhas”, mas elas sempre existiram e existirão. A Igreja não é o céu, repito. Isso não pode me tirar da Igreja.

Não sou a favor das panelinhas, mas elas sempre existiram e existirão, mas eu penso que é permanecendo dentro dela e com meu exemplo de vida que eu vou combater essa prática buscando contribuir para uma maior unidade e comunhão dos irmãos independentemente de suas preferências.

Então pare com essa síndrome de autocomiseração e volte para a Igreja. Há muito para você fazer nela e por ela. Deixar-se possuir por esse sentimento tolo de vitimização, não irá te ajudar na Igreja e em nenhum lugar porque em todo grupo, há “panelinhas”. Repito, não sou a favor da existência delas, mas não as combatemos deixando a comunhão!

Finalizo minhas considerações apelando ao teu coração que reflita nessas palavras do escritor da carta aos Hebreus: Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”. (Hebreus 10.23-25)

Que Deus nos abençoe em Sua Santa Igreja.

4 comentários:

  1. Eu não deixaria de ir à igreja por causa dos grupos pois meu foco principal é o Mestre Jesus.

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  2. Deixar de ir pra igreja por causa de panelinhas é um erro, mas confesso que essa prática me entristece, pois não deveria existir acepção de pessoas no meio daqueles que seguem os ensinamentos bíblicos. O mais triste ainda é saber que "cúpulas" lideram todos os trabalhos dentro da igreja e só dá espaço a alguém de fora dessa "cúpula" quando os convém. Em qualquer grupo social é normal existir afinidades, o que não é normal é olhar torto para o irmão e julgá-lo a toda hora. Eu oro para que os cristãos se tornem verdadeiros cristãos.

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    1. Querida Aline Antunes: Obrigado por tua contribuição. Pensamos concordemente. Um abraço fraterno.

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