segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A IGREJA (16) OS DESIGREJADOS III


Eu pretendo responder à seguinte questão:

3) Meu marido (ou esposa) não é crente e eu, no princípio ficava com ele. Com o passar do tempo acabei não indo mais à Igreja.

Essa é uma questão difícil por envolver outras questões, que são: A pessoa se casou com um incrédulo, com um não crente, ou ambos eram incrédulos e um deles foi convertido no transcorrer da vida conjugal? Um dos conjugues já era convertido e se casou com um incrédulo e, com o passar do tempo acabou anuindo e não indo (perdoe-me, não resisti ao desejo de fazer um jogo de palavras), mais a Igreja? Ambos eram membros de uma Igreja quando se casaram e um abandonou a fé.

Já antecipo, com muita parcimônia e respeito por quem faz tal alegação, que ela não é suficiente para justificar ser um desigrejado. 

Vou dizer por que penso assim.

Minha mãe fez dois casamentos. No primeiro, com meu pai, ambos eram de outra confissão. Eram católicos apostólicos romanos. Meu pai era um calabrês vindo de sua terra natal, Itália, ao Brasil com dezoito anos. Minha mãe, Yolanda Dalceno Aiello, era filha de um judeu de Nápoles. Que salada de fruta. A mãe de minha mãe, Emma Zancheta Dalceno era uma católica fervorosa. Lia a Bíblia todos os dias e orava com fervor, do que eu sou testemunha. Deixou de frequentar a sua igreja quando a idade se tornou um motivo realmente impeditivo.

Mamãe foi convertida quando eu tinha dois anos de idade e papai foi convertido e batizado em seu leito de morte quando eu tinha dezoito anos de idade.

A relação conjugal de papai com mamãe nunca enfrentou sérios problemas por conta da religião. Por ser um católico que conhecia relativamente bem teologia papai Vincenzo às vezes discutia com mamãe sobre a Bíblia e mamãe, uma mulher que conhecia bem a Bíblia, respondia com sabedoria e suficiência. Nunca os vi brigando por causa da religião. Discutir é uma coisa, brigar é outra.

Papai, na grande e massacrante maioria das vezes até incentivava mamãe a levar os filhos à Igreja e quando ela dizia a ele que nosso comportamento não tinha sido bom, ele nos disciplinava com eficiência e dizia que a Igreja era a casa de Deus e que devíamos respeitar isso.

Lembro-me de que aos domingos, muitas vezes, mamãe deixava as batatas cozinhando enquanto íamos à Igreja. Ao chegar elas já estavam descascadas e mamãe fazia a massa e o molho para o famoso nhoque. Boa e saborosa refeição! Papai não gostava muito de ir à nossa Igreja porque ele era um excelente músico e os “músicos” da Igreja que frequentávamos eram, apesar de dedicados, muito ruins. Algumas vezes em que papai ia à Igreja, chegava em casa revoltado criticando os músicos. Então ele empunhava o seu trombone de vara e tocava, sem partitura mesmo, os hinos que ele alegava que foram mal tocados na Igreja. Papai tinha razão. Os músicos da Igrejas eram apenas esforçados, mas deviam treinar mais porque para Deus, dizia papai, devemos fazer o melhor.

Como disse, papai nunca proibiu minha mãe de ir à Igreja, mas às vezes, por conta de alguns desentendimentos que não tinha nada a ver com a religião, ele dizia que não queria que fossemos la chiesa (a Igreja). Mamãe, não discutia. Simplesmente não íamos. Foram muito poucas as vezes em que isso aconteceu. Papai foi convertido quando eu tinha dezoito anos. Poucos meses depois papai morreu vitimado pelo câncer.

Dois anos depois de sua morte, mamãe se casou novamente e com um homem não crente que, como papai, era fumante. A primeira coisa que mamãe fez com seus maridos foi ajuda-los a largar esse vício terrível. Eu ainda penso que o câncer de papai tem origem em sua vida pregressa de fumante inveterado durante os primeiros trinta e oito anos de vida. Aliás, o vício ou o hábito de fumar é totalmente desnecessário e inexplicável. Primeiro porque ninguém nasce com vontade de fumar. A pessoa se torna um fumante, fumando. Do mesmo jeito que se torna um viciado em álcool ou qualquer outra droga. Mamãe conseguiu a proeza de tirar seus dois maridos, do vício do cigarro. Minha mãe era uma mulher forte!

Mas no caso do Adonai, eu não entendi porque ela resolveu se casar com ele porque, apesar de ser um bom homem, ele não era um protestante (apesar do nome). Eu sempre dizia a ele que ele devia se converter porque se morresse sem Cristo iria para o inferno e ao chegar lá haveria um alvoroço quando fosse informado que o Adonai estava no inferno. (Adonai é um adjetivo para o ser de Deus que significa “Senhor”). Quando os demônios descobrissem que não se tratava do ser de Deus, mas sim dele, ele iria parar no mais profundo e no lugar mais doloroso do inferno. Claro que falava isso humoradamente.

Bem, a verdade é que Adonai foi convertido e depois foi eleito Diácono. Eu o batizei e o Ordenei Diácono. Ele viveu com mamãe mais do que meu pai e eu nunca os vi brigarem por religião. Aliás, a relação conjugal deles foi muito mais harmoniosa do que a do meu próprio pai com mamãe. Mas eu penso, sinceramente, que mamãe correu um enorme risco, mesmo porque eles não levaram muito tempo para se casar. Eles se casaram quando eu tinha 21 anos. Mas como já disse, eles viveram felizes e crentes até meus 57 anos de idade, portanto, tiveram 33 anos de vida conjugal. Eu tive o privilégio e a honra de cantar nas Bodas de Pratas deles. Como já disse, Adonai foi convertido pela instrumentalidade e vida de mamãe. Uma das cenas que mais emocionava a vizinhança era ver meu padrasto levando mamãe, já com muitas dificuldades para enxergar, para a Igreja Presbiteriana do Jardim Popular, um bairro da Zona Leste de São Paulo, onde, inclusive, Adonai era o Zelador e tocava seu violão. Essa foi a última Igreja da qual mamãe foi membro e deixou uma quantidade enorme de filhos espirituais. Sua memória é reverenciada até hoje naquela comunidade. Era uma anciã respeitada e amada por toda a Igreja.

Mesmo assim, eu não aconselho nenhum cristão a se envolver emocionalmente com um ímpio, por melhor que seja o aporte moral desse ímpio, por melhor pessoa que ele ou ela sejam. Namoro não é obra missionária e nem evangelística.

Quando Paulo fala sobre o jugo desigual (2 Coríntios 6.1-18), é óbvio, que mesmo que ele não se referisse explicitamente ao casamento, essa proibição também estava incluída quando escreveu: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? (2 Coríntios 6.14,15).

A estatística prova que é um risco. De cada 10 casamentos de um protestante com uma pessoa de qualquer outro credo, ou o cristão nunca foi um cristão de verdade, ou se é mesmo um cristão, irá perder, pelo impedimento que a própria relação conjugal gera, de viver a vida abençoada como membro de uma Igreja Local onde ela pode exercitar seus dons espirituais, como ajudar na evangelização de inconversos e na doutrinação dos novos convertidos.

A situação se torna muito grave quando a parte que não é protestante, professa algum credo com determinação e é praticante dessa outra religião. Vou exemplificar: Imagine um crente casado com um católico praticante. Quando o filho, ou filhos nascem, onde eles serão batizados na infância? Na ICAR ou na Igreja Protestante que batiza infantes? Se um dos dois é protestante de alguma Igreja Evangélica que não batiza crianças, e o outro cônjuge quiser batizar o filho, ou filhos, como o Protestante irá agir? Vai concordar para que haja paz? Vai adentrar um santuário infestado de idolatria e de uma teologia estranha às Escrituras Sagradas?

Essas e outras questões que passam até: Aonde vamos nos casar? Em uma cerimônia católica apostólica romana ou em uma cerimônia “dos crentes”? Há casais que só se submetem ao ato do Casamento Civil porque um é protestante e o outro de outra “religião”. Há cônjuges que aceitam casar na Igreja do outro, mas apenas para não haver briga, apesar da família, muitas vezes ser contra(Leia em meu Blog o artigo – Jesus e o Cristianismo)

É preocupante! É temerário! Não se atravessa uma avenida movimentada sem que se tenha a mais absoluta certeza de que não vem carro de ambos os lados. Não se joga com a “sorte”. Cristão de verdade não vive por sentimento, mas pelos mandamentos de Deus. Eu não aconselho um jovem ou uma jovem protestante a se unir a outro jovem que não seja protestante e de bom testemunho porque até na própria Igreja há alguns “infiltrados”. Casamento é um consórcio perene e vitalício. Com isso não se brinca. Normalmente os filhos oriundos de um casamento misto geram enormes problemas. Sim, há exceções, mas exceções não são a regra.

Nenhuma situação das descritas acima, justifica o desigrejado. Repito: quem nasceu de novo, de verdade, quem realmente foi regenerado, quem foi convertido, enfrenta essas situações sem abandonar a Igreja.

Como Pastor, já tive (e tenho) membros de Igreja que se encaixam perfeitamente nessas situações. Quando se trata de um crente verdadeiro ela sempre dá um jeito, faz um arranjo, (assim como minha mamãe fez ao longo dos anos), e, mesmo que o seu cônjuge jamais se converta, ela vive e morre como um crente de verdade sem abandonar o convívio com a Igreja.

É óbvio que ela não terá as mesmas facilidades que cônjuges protestantes têm para frequentar e servir a Deus na Igreja Local, mas, pelo que tenho visto ao longo dos meus anos de Igreja, e há mais de 27 anos de Pastorado, um cristão de verdade sempre encontra uma forma de contribuir com a Igreja Local e de oferecer seus préstimos, mesmo sendo limitado.

Que Deus nos mantenha alerta. Que possamos pensar com a mente e sentir com o coração; não é prudente inverter isso. No caso de você pensar com o coração, irá ser um passional e no caso de sentir com a mente será um tolo racional. É preciso que haja equilíbrio e bom senso.

A Igreja é a Grande Família de Deus. As Igrejas Locais são famílias que unidas formam a Grande Igreja Universal, a verdadeira.

Ingresse e fique nela!

Meu desejo é que, após fechar meus olhos aqui na terra e abri-los no céu, eu possa antes passar pela Igreja para me despedir dos meus irmãos e irmãs e quem sabe, ser lembrado por eles como alguém, que apesar das constantes lutas foi perseverante e nunca abandonou a comunhão com os irmãos.

Que Deus nos abençoe.

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