quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

EM MEMÓRIA DE WALDEMAR DI PIETRO

PENSAR SOBRE A MORTE NOS FAZ VIVER MELHOR.

Eclesiastes 7.3

Todos nós evitamos falar sobre a morte. Esse não é um papo agradável, uma conversa atraente. Todos nós, se pudermos, evitamos estar em lugares onde há luto. Mas, de forma “estranha” o sábio escreve que é melhor estar na casa onde há luto do que na casa onde há festa porque na casa onde há luto as pessoas pensam com mais seriedade e profundidade sobre a vida. E pensar sobre a vida é algo muito importante. (Eclesiastes 7.3)

Veja o quanto pensamos quando nos deparamos com o luto.

I – O QUE É A NOSSA VIDA?
Tiago pergunta retoricamente: “Que é a vossa vida?” Ele mesmo responde: “Sois, apenas como neblina que aparece por instantes e logo se dissipa”. (Tiago 4.14) Com essa conclusão Tiago vai ensinar que devemos evitar os caminhos da soberba e do orgulho. De que adianta sairmos por longos anos em pé, de queixo erguido e nariz empinado, dos lugares onde nos julgamos importantes, se nosso trajeto final de vida será na horizontal e levados por outras mãos já que não podemos sequer caminhar com nossas pernas para o nosso sepulcro?

O que é a vida, senão um amontoado de anos nos quais vamos ganhando conhecimento, mas ao mesmo tempo perdendo o vigor físico (Salmo 90). O que é a vida senão um frágil fio de prata, um copo de ouro? Somos preciosos, porém frágeis demais. (Eclesiastes 11.6). Somos pó. Lembre-se disso quando sentir o terrível desejo de desprezar alguém. Lembre-se que no final iremos prestar contas a Deus de tudo. (Eclesiastes 7.7) Inquietante essa questão, ou seja, dar satisfação Àquele que tudo sabe (Salmo 139), tudo vê (Provérbios 15.3) e é santo. 

II – OLHAMOS O PASSADO.
Quando sepultamos alguém, temos dificuldade em olhar para o horizonte. Somos levados a pensar no passado. Pensamos nos anos com os quais compartilhamos nossa amizade com aquele que morreu. Nessa hora sentimos muitas coisas. Quanta frivolidade! Quanta falta de objetividade! Como poderíamos ter aproveitado melhor nosso tempo! Ora, por que não fomos mais providentes? Por que não conversamos mais? Por que não viajamos mais juntos? Ora, por que perdemos nosso tempo discutindo tantas coisas banais? Mas também nos lembramos das gargalhadas, dos escorregões, dos tropeços na vida, de quantas vezes nos levantamos, daquilo que foi sonho e quase se tornou realidade e daquilo que foi realidade que jamais sonhamos. Pensamos que podíamos nos ter abraçado mais vezes, ou dito que nos amávamos mais vezes.

Pensamos que poderíamos ter visitado mais. Quem sabe ouvido um pouco mais com atenção. Quem sabe feito um mimo qualquer só para massagear o coração do outro. Então percebemos que o tempo simplesmente passou. E percebemos que agora não há nada mais a ser feito a não ser silenciar e sorver as lágrimas da alma. Talvez esse silencio nos ajude a sermos um pouco melhores, porque definitivamente, quando pensamos em nossa vida aqui e em nosso desempenho, percebemos o quanto deixamos a desejar.

Por isso ir à casa onde há luto é um ato pedagógico contra o orgulho, a soberba, a prepotência. Por isso ir à casa onde se celebra a morte é mais útil do que ir à casa onde há banquete; naquela se pensa sobre a vida, seus valores, sua importância, sua origem, sua importância; nessa se pensa só em viver não importa como. 

Hoje eu me despeço de uma pessoa amada. Um marido, um pai, um avô, um cunhado, um irmão, um tio, um amigo. Pessoa fácil de amar. Pessoa que tinha facilidade para amar e ajudar os outros quando podia. Um homem forte, mas mesmo assim frágil. Um homem grande, mas mesmo assim pequeno. E quando nos lembramos dele percebemos que o tempo passou e ele se foi. Sempre vou me lembrar dele cantando ao meu lado no Coral. Vou me lembrar que foi ele que me ensinou a dirigir. Vou me lembrar das viagens que fazíamos juntos e do quanto ele era bom para mim. Vou me lembrar de que quando precisei comprar meu primeiro carro, o Waldemar vendeu um que ele tinha bem baratinho, dividiu em três prestações e que quando eu ia pagar ele perguntava: - Mauro; esse dinheiro vai fazer falta para você?  E me lembro de que respondia: - Eu vou deixa-lo com você. Se eu precisar pego de volta. Lembro-me do nascimento de suas duas filhas; Keila e Silvia e do quanto eu as amo como se fossem minhas filhas. Lembro-me de tanta coisa que ocuparia muito espaço. E agora ele se foi. Quando eu o vi no Hospital, naquela UTI sai rapidamente. Visão deprimente! Não suportei vê-lo naquele estado. Não quero levar em minha memória aquele quadro de dor, isolamento e inércia. Não quero recordar dele ali, triste, sem expressão, esperando o seu ocaso. Quero me lembrar de suas risadas, das gozações, da tiração de sarro, do quanto ele era um sonhador. Nisso ele me fazia lembrar meu pai; um sonhador!

III – REFLETIMOS SOBRE A QUANTIDADE DOS NOSSOS DIAS
De uma coisa podemos ter certeza; ele foi no dia que Deus quis, pois Deus tem todos os nossos dias contados (Salmo 139.16). Ninguém parte antes ou depois, Simplesmente partimos e deixamos um bocado de gente com saudade, com lágrimas e lamentos olhando para trás e pensando: ”Puxa vida, poderia ter sido melhor”. Sim Waldemar...poderia ter sido melhor, mas mesmo assim foi muito boa nossa amizade e carinho compartilhados ao longo desses 46 anos de amizade.

O que fazer? Sim, o que fazer, nós os que ficamos por aqui por algum tempo (que só Deus sabe quanto é)?

IV – PENSAMOS EM MUDAR  DE VIDA.
Bem; creio que devemos caminhar em direção aos que nos rodeiam e sermos mais amáveis, mais doces, mais gentis, mais simpáticos e empáticos e........muito importante: Devemos nos lembrar que quando atravessarmos a ponte que nos leva para eternidade, Cristo nos aguarda (não podemos sequer imaginar como será isso) e nos haverá de acolher em um lugar onde o tempo nunca passa, onde não há saudade e cujo horizonte é lindo demais para ser descrito pelo mais notável poeta. Sim, Cristo, nosso redentor estará ali, pois Ele morreu para nos garantir que ali estejamos. Cristo estará ali em um lugar chamado Eternidade. A Bíblia trata assim aquele que morre no Senhor (porque viveu Nele): "Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham".(Apocalipse 14.13) 

V – PENSAMOS EM DEUS E COMO É O NOSSO RELACIONAMENTO COM ELE.
Por isso quando nos deparamos com o luto devemos pensar em como está nossa vida com Deus, ou melhor, o quanto temos de Deus em nossa vida e existência. Porque nada levamos desse mundo aqui. Urnas fúnebres não tem gavetas. O quão tolos foram os Faraós ao imaginar que levavam sua riqueza material para além morte. E mesmo que façamos como eles, há muita gente que pensa assim. Por isso morrem sobre o montão de bens que acumularam e que os fizeram sufocar.

Nós pensamos que somos imortais! Não somos imortais!!!! Somos eternos! O sábio escreveu: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até o fim”. (Eclesiastes 3.11) Mas a grande questão quando nos deparamos com a morte é onde iremos viver a eternidade? Onde iremos passar a eternidade? Quanto a isso Jesus disse: "A vida eterna é essa; que Te conheçam a Ti único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17.3).

Veja quanta coisa se pensa e nelas refletimos quando nos deparamos com o luto. E são coisas úteis e necessárias de serem refletidas. Pense nelas enquanto você está vivo. Tome sua decisão em seguir Jesus como seu mestre e orientador. Entregue a Ele o seu hoje e você terá um amanhã que jamais acabará. Confia nele de todo coração e ele endireitará a sua vereda. A vida eterna começa quando Cristo se torna nosso Senhor e Salvador, quando ele se torna o morador principal dos nossos corações e a partir disse Ele determina nosso modus vivendum.


Veja o quanto podemos elucubrar a respeito da vida, quando alguém que amamos morre. É paradoxal, mas verdadeiro: Diante da morte é que pensamos mais seriamente sobre a vida.

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