quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS - 2º ATO - O APÓSTOLO NÚMERO 12 - MATIAS - Atos 1.12-21



No texto referido temos a lista dos onze discípulos de Jesus. Sim, onze, porque a essa altura, Judas Iscariotes já havia suicidado. São eles: Pedro, João, Tiago e André, Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago filho de Alfeu, Simão o Zelote e Judas filho de Tiago.

Interessante, apenas para constar que logo no início da lista encontramos nos primeiros três nomes a referência justamente àqueles que estiveram no monte da Transfiguração. Outra observação quanto aos nomes é a presença de Tomé. Sim, aquele para quem Jesus disse que são mais bem-aventurados os que não viram e crerem, porque quando lhe falaram que Jesus havia ressuscitado, ele, Tomé duvidou. Portanto, agora o temos aqui, vivendo esse momento de extraordinário significado para o cristianismo. O evangelho é mesmo gracioso; eis o crédulo Tomé convertido, antes duvidoso.

Temos também Mateus. Aquele que escreveu o Evangelho.

Pouco ou nada se sabe, a partir da literatura canônica, a respeito da grande maioria desses homens no que consiste suas vidas de testemunho a partir deste momento. O que sabemos é que Tiago, irmão de João, irá morrer em breve por mãos de Herodes Agripa I  (Atos 12).  João será o último dos discípulos (apóstolos) a morrer depois de seu exílio na ilha de Patmos onde escreveu o livro de Apocalipse. Pedro aparece com proeminência e destaque até o capítulo 12 de Atos e depois desaparece.

Os demais não são citados mais neste livro que narra a história dos primórdios do Cristianismo, tanto em Jerusalém, reduto da religião judaica e do Cristianismo em sua fase inicial, quanto em Antioquia da Síria que será o reduto da proclamação e pregação do Evangelho ao mundo gentílico já que a Igreja de Antioquia era, podemos supor com boa dose de razão, composta em sua grande maioria por cristãos gentios.

Portanto temos bastante sobre Pedro, pouco sobre Tiago, nada sobre João, e muito sobre Paulo em Atos. Serão mais de 16 capítulos falando sobre esse personagem ímpar na propagação do Evangelho, no doutrinamento dos convertidos – através de suas cartas – principalmente entre os gentios. Mas, por incrível que possa parecer, na hora da escolha a Igreja elege Matias para suprir o lugar de Judas Iscariotes. É óbvio que não poderiam escolher Paulo, que a essa altura era Saulo, nascido em Tarso, cidade importante da Turquia, um fariseu, filho de pais judeus. Na verdade Saulo (Paulo) vai aparecer pela primeira vez no livro de Atos dos Apóstolos de uma forma nada elogiosa, ou seja, quando Estevão estava sendo morto por apedrejamento. Isso está em Atos 8.1 onde lemos: “E Saulo consentia na sua morte”. Passa-me a impressão, pelo menos na leitura em nossa língua, que Saulo poderia ter feito algo para evitar aquele terrível episodio, mas não o fez. Depois, até sua conversão no capítulo nove, Saulo aparece como um judeu ávido de eliminar da fase da terra qualquer traço da nova religião inaugurada por Jesus.

Mas a questão toda é que não são treze os apóstolos. Paulo se qualifica como tal no texto que escreve na primeira carta aos Coríntios (Coríntios 15) quando trata de defender a literalidade da ressurreição de Jesus. Teria a Igreja se precipitado em escolher Matias?

A esse respeito, temos, também, ainda os casos de Tiago e Barnabé. Barnabé é citado como apóstolo em Atos 14.14 e Tiago

Na tradição judeu-cristã o número doze é uma cifra sagrada, um símbolo de pleno sentido, já que eram doze os apóstolos, doze as tribos de Israel, doze as pedras preciosas do peitoral do sumo sacerdote, doze as portas da cidade de Jerusalém, a mulher celestial levava uma coroa com doze estrelas; inclusive a Bíblia diz que o número dos eleitos era 12 vezes 12.000, uma cifra que representa a totalidade dos santos.


A Nova Jerusalém terá doze portões feitos de doze perolas (21:21). Nesses portões haverá doze anjos (v.12), e os nomes escritos sobre os portões serão os nomes das doze tribos de Israel (v.12). O muro da cidade terá doze fundações, com os nomes dos doze apóstolos (v.14). A árvore da vida dará origem a doze diferentes frutos (22:2).

Essa não é uma questão de importância vital.  Mas devemos ser zelosos no entendimento das Escrituras Sagradas.

Quanto a essa questão sobre quem seria o 12º apóstolo é correto admitir que Matias o seja, pelas seguintes razões:

Primeiro, porque aqueles que o elegeram estavam cheios do Espírito Santo quando liderados por Pedro, elegeram a Matias.

Segundo, porque Matias preenchia todos os quesitos necessários para ocupar tão honroso lugar. (a) O escolhido deveria ter estado com os discípulos de Jesus durante todo o tempo em que Jesus desenvolveu seu ministério terreno. (b) Ele precisava ser testemunha da ressurreição de Jesus.

Dois dentre os que ali estavam foram indicados, creio eu, com base nesses quesitos: José chamado Barsabás também conhecido como Justo e Matias.

Terceiro motivo: É notável e interessante a oração que os irmãos fizeram antes de lançarem sorte: “Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido para assumir este ministério apostólico que Judas abandonou indo para o lugar que lhe era devido” (NVI Atos 1.24,25).

Os irmãos oraram e lançaram sortes e a sorte caiu sobre Matias e ele então passou a ocupar o lugar de Judas Iscariotes. Podemos afirmar com segurança que essa foi uma decisão divina pela instrumentalidade daquela assembleia.

Portanto, devemos ter como líquido e certo que Matias é o 12º apóstolo. Entretanto, isso não quer dizer que Paulo não era um apóstolo. Ele mesmo, em sua defesa de seu apostolado na carta que escreve aos Coríntios (I Cor. 15) se defende dizendo que foi um “nascido fora de tempo”, e até num arroubo apologético, diz que fez mais do que todos eles. Nessa notável passagem bíblica Paulo se considera o menor dos apóstolos, mas ainda assim se considera apóstolo e entende que os irmãos deveriam considera-lo assim igualmente.

Portanto, quando lemos Apocalipse 21.14: O muro da cidade tinha doze fundamentos, e nele estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro”, devemos ter como líquido e certo que os nomes são: Pedro, João, Tiago e André, Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago filho de Alfeu, Simão o Zelote e Judas filho de Tiago e Matias. Mas também devemos nos regozijar em saber que Paulo preencheu o primordial quesito para ser habilitado ao Apostolado – Ele foi convertido, viu o Cristo ressurreto de quem, inclusive, recebeu revelações especiais e de importância vital para o desempenho de seu ministério principalmente entre os gentios, justamente ele, israelita da tribo de Benjamim o segundo filho de José com a mulher que ele amava, Raquel, alguém nascido de pais judeus (Hebreu de Hebreus) circuncidado ao oitavo dia, quanto a lei fariseu e tão zeloso que perseguiu a própria Igreja (Filipenses 3.1-11) da qual ele é um notável representante e o maior missionário de toda a história de missões.

Não há mais apóstolos hoje. O último apóstolo a morrer foi João. Ninguém mais viu como os 12, e o próprio Paulo, o Cristo Ressurreto.

O que há hoje é uma corrida por títulos que garantem poder e proeminência. Incorrem, os tais apóstolos dos nossos dias, o mesmo equívoco de Tiago e João, ou seja, a tolice motivada pela exaltação de querer ser maior no reino de Deus esquecendo-se, lamentavelmente, daquilo que Jesus ensinou – que a humilhação precede a exaltação e que todo o que quiser ser maior que seja o menor e sirva aos demais (Lucas 18.8-19 e Lucas 20.26).

Que Deus nos abençoe.

2 comentários:

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