segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

VOLTEMOS AO PRIMEIRO AMOR Apocalipse 2.1-7


Eles formavam o casal perfeito. Viviam de mãos dadas, abraçados, sempre sorrindo um para o outro. Ele era extremamente gentil e presenteava a sua noiva. Ela, retribuía. Todos na Igreja diziam: “Casal 20”.

E o grande dia chegou. Uma cerimônia linda de casamento. Uma festa maravilhosa. Amigos, parentes, música. Havia alegria e festa naquela ambiente. E eles foram para a lua de mel.

O primeiro mês foi de paixão pura. Um se entregava ao outro com doçura e prazer. Eles se divertiam e reafirmavam os votos que fizeram no dia do casamento.

Mas o tempo foi passando e a sublimidade e intimidade do recesso do lar foi apagando a chama. Trabalho, estudo, igreja, compromissos com amigos e parentes, problemas financeiros, e alguns desapontamentos. Ela pensou: Será que estou enganada?”. Ele pensou: “Puxa vida; ela não é mais a mesma”.

Agora qualquer problema se tornava uma tempestade em um copo de água. Ele já não sentia mais tanto prazer em voltar para casa depois do trabalho. Começou a curtir os amigos. Ela sentia falta de companhia em casa, mas quando ele chegava havia pouco diálogo e quando eles dialogavam as cobranças desgastavam a conversa e eles acabavam discutindo. Iam deitar e como o clima estava pesado, não havia condições para a prática do amor.

Então a relação conjugal se desgastou ao ponto de pedirem o divórcio. Cada um para o seu lado.

Talvez não nos demos conta de que isso acontece também em nosso relacionamento com Deus.

Jesus escreveu uma carta à Igreja de Éfeso e disse exatamente isso: Vocês continuam sendo zelosos, operosos e organizados. Você não admitem pessoas falsas no convívio com vocês, mas eu tenho contra vocês uma coisa: Vocês abandonaram o primeiro amor e as primeiras obras.

A cidade de Éfeso era uma metrópole. Era passagem obrigatória de todos os viajores que saindo do Oriente se dirigiam ao Ocidente ou o contrário. Naquela cidade havia uma comunidade cristã que nasceu sob os auspícios do apóstolo Paulo em sua segunda viagem.

Era a grande e fenomenal cidade de Éfeso onde havia o templo da Deusa Artemis ou Diana como os romanos a chamavam. Esse templo foi considerado uma das sete maravilhas do mundo.

Nessa cidade a pregação do evangelho foi tão profícua que afetou até o comércio das estatuetas da Deusa Artemis de tal maneira que os ourives representaram judicialmente contra os cristãos.

Você pode imaginar algo desse tipo? As pessoas agora não queriam mais saber da tal deusa da fertilidade em cujo templo aproximadamente mil sacerdotisas cultuais ofereciam seus corpos para qualquer homem.

Algo parecido aconteceu com a presença de Calvino em tanto em Berna como em Genebra na Suíça. Cidades que se tornaram centros da segunda Reforma Protestante tendo como esteios Lutero e Zuinglio e os famosos pregadores, Antoine Froment e Guilherme Farel. Foi Guilherme Farel quem convenceu Calvino a ir para Genebra quando o Reformador francês deseja mesmo ir para Strasburgo.

Éfeso conheceu o evangelho pregado por Paulo de forma contundente. Como dissemos até o comércio de suvenires da deusa Artemis teve uma considerável queda.

Jesus envia sua carta a essa Igreja reconhecendo algumas de suas virtudes, mas Ele torna enfático o fato de que havia algo de grave naquela Igreja e isto é que “eles haviam abandonado o primeiro amor”.

Eles precisavam reaquecer a chama que outrora havia brilhado de forma tão poderosa que toda a cidade percebeu seu brilho. Eles precisavam voltar ao primeiro amor porque os caminhos se dividem quando o amor é desprezado.

Mas o que é este primeiro amor? O que são estas primeiras obras? Não temos a resposta no texto, mas nós podemos deduzir.

I – O PRIMEIRO AMOR
NOSSA CONVERSÃO.

O primeiro amor e as primeiras obras são aquele momento maravilhoso em que conhecemos Jesus como nosso Salvador e nosso Senhor. Jesus está se referindo à nossa conversão, ao nosso novo nascimento, à nossa regeneração, àquele momento em que descobrimos quem somos realmente, ou seja, totalmente depravados e como consequência dessa nossa total depravação concluímos que somos totalmente inábeis para nos relacionarmos com Deus e obter dele a vida plena e eterna.

Alguém escreveu: Se tu te vês como Deus te vê, então estás pronto a receber o que Ele te oferece, ou seja, Cristo Jesus, seu filho, nosso Salvador e Senhor”.

Nossa primeira reação ao descobrirmos quem nós somos realmente, não é uma reação de alegria e júbilo, mas sim de tristeza e desespero. Por isso Jesus começou seu Sermão do Monte dizendo: “Bem-aventurados os humildes de Espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra”. (Mateus 5.3-5)

Os humildes são aqueles que, tocados pelo Espírito de Deus, olham para si mesmos e descobrem o quão são indignos e miseráveis são por causa de seus pecados. É por isso que eles choram e se tornam equilibrados e mansos. Eles se veem livres de toda jactância, orgulho, soberba e arrogância.

O primeiro amor e as primeiras obras são esse momento de conversão de regeneração, de novo nascimento, que se por um lado revela quem nós na realidade somos e por isso nos entristecemos, por outro lado traz a alegria da salvação, a alegria de termos encontrado um salvador, a alegria que teve o filho pródigo em ter sido recebido por seu pai mesmo o tendo ofendido de forma tão cruel.

II – O PRIMEIRO AMOR
NOSSA SANTIFICAÇÃO.

Com a mais absoluta certeza os irmãos da Igreja de Éfeso experimentaram não apenas uma mudança na cosmovisão, mas experimentaram também uma mudança na forma como passaram a viver a vida.

Quando um casal se casa, tanto o esposo quanto a esposa, deixam a vida de solteiros (singles como se diz no inglês) e passam a viver a vida de casados com uma agenda diferente.

Paulo diz aos efésios que eles deveriam remir o tempo ou seja, eles deveriam deixar a vida de pecados que viviam antes e passar a viver em novidade de vida.

Na carta aos Efésios na passagem que vai do versículo 17 do capítulo 4 até o versículo 21 do capítulo 5.

Mentira; ira pecaminosa; furto e roubo; palavras torpes; amargura; Cólera, gritaria, blasfêmias, malícia, impureza sexual, cobiça, conversa torpe, chocarrices, Incontinência, impureza, avareza, idolatria.

É logicamente possível que os irmãos da Igreja de Éfeso viviam uma fé meramente confessional. Não havia a santidade de outrora. Não havia a transformação de outrora. Era uma comunidade “certinha”, mas vazia da graça simplesmente porque não havia realmente santidade, apenas moralidade.

III – O PRIMEIRO AMOR
NOSSA FRUTIFICAÇÃO.

Não há nada mais encantador na vida cristã do que produzir outros discípulos para Jesus. Na verdade a evangelização e o discipulado é uma forma de refinamento espiritual.

A poesia de Stênio Marcius é interessante ao retratar a figueira com folhas e sem frutos, o que ilustra bem a vida de muitos cristãos que são muito certinhos do ponto de vista moral, eclesiástico, mas que não frutificam.

CONFISSÕES DE UMA FIGUEIRA  
Ele veio a mim
Procurando por frutos, veio a mim
Estendeu Sua mão
Percorreu minhas folhas, meus ramos
Nada encontrou
Foi tão triste, mas nada encontrou
Mal podia acreditar
O sol bateu e eu me escondi
A chuva em mim e eu me encolhi
Terra boa nas minhas raízes
Mas eu não frutifiquei
De que me vale tantas folhas
Vistoso verde, inútil e belo
E agora o que é que eu vou dizer
Tive tudo e nada fiz
Frutificar é necessário. Jesus disse que o ramo que estando nele der fruto Ele o limpa para que frutifique mais ainda.

Sinceramente, é inconcebível cristãos que passam a vida toda sem ter filhos espirituais. Uma das exigências para se arrolar alguém à membresia da Igreja seria que aquele que professa sua fé, produza pelo menos um filho espiritual em um ano.

Se há uma dieta que revitaliza a vida cristã e uma comunidade cristã essa é a dieta evangelística, que discípula pessoal e comunitária.

CONCLUSÃO

Para não abandonarmos o primeiro amor é preciso que voltemos àquele maravilhoso dia de nossa conversão, é preciso que zelemos por nossa santificação pessoal e que produzamos filhos espirituais.

Pode acreditar: se não fizermos isso com urgência, nossa “fé” se esfriará e à despeito de toda nossa correção doutrinária iremos ser cristãos certinhos, mas sem graça, Igrejas organizadas mas sem vida de verdade.

Que Deus se apiede de nossas almas e que possamos orar como fez Habacuque: “...aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e, no decurso dos anos, faze-a conhecida; na tua ira, lembra-te da tua misericórdia”. Habacuque 3.2b

Amém.

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