O
resultado do testemunho de Pedro e João a respeito do do Jesus ressurreto, após
a cura do paralítico de nascença na Porta Formosa do Templo, foi a conversão de
aproximadamente mais duas mil almas. Lucas afirma que o esse número de
convertidos somados aos três mil do primeiro sermão de Pedro, chegou a cinco
mil homens.
Toda
aquela agitação atraiu as autoridades da religião judaica que lançaram mãos dos
apóstolos Pedro e João e os encarceraram até o dia seguinte no qual eles foram
apresentados perante os anciãos e escribas, o sumo sacerdote Anás, Caifás, João
e Alexandre que eram da linhagem sacerdotal. Eles os inquiriram para saber com
que poder ou em nome de quem Pedro e João curaram o paralítico.
Não
sabemos se o paralítico foi preso com Pedro e João, mas o verso quatorze nos
informa que ele estava com eles nesse momento de inquérito. Após ouvirem o
discurso de Pedro ficaram sem ter o que falar. É como diz o ditado: “Contra
fatos não há argumentos”.
Lucas
relata que mesmo sendo duro o discurso de Pedro, as evidências de que algo
extraordinário e milagroso havia acontecido pesou no momento do julgamento e
eles acabaram recebendo uma advertência apenas. As autoridades ordenaram-lhes
que não mais ensinassem e nem mais falassem em o nome de Jesus.
Os
apóstolos Pedro e João, então, tiveram uma atitude notável. Eles responderam às
autoridades da religião judaica, os mesmos que condenaram Jesus de forma ilegal
e injusta: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos a vós outros do que a Deus;
pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos”. (Atos
4.19,20)
Temendo
a reação do povo, que glorificava a Deus pelo que estava acontecendo em
Jerusalém, aqueles religiosos soltaram a Pedro e João, mas antes os ameaçaram.
Que
lições preciosas podemos tirar dessa desse sétimo ato do livro de Atos dos
Apóstolos?
1.
O TESTEMUNHO A RESPEITO DE JESUS SEMPRE
IMPLICARÁ EM SITUAÇÕES DE CONFLITO.
Jesus mesmo disse:
“Pois vim causar divisão
entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra.
Assim os inimigos do homem serão os de sua própria casa” (Mateus 10:35).
Não pense você que
me lê, que o discipulado cristão é isento de lutas, dores, e conflitos. O mundo
não é apenas diferente da Igreja, mas totalmente oposição. O mundo se opõe à Igreja
e vice-versa. Os valores deste mundo são, em quase toda sua totalidade,
contrários aos valores que a Igreja deve esboçar. Uma leitura ainda que
superficial do Sermão do Monte deixa clara essa questão. A Igreja caminha na
contra mão deste mundo.
Não pode o verdadeiro cristão
se iludir com a ideia de que nesse mundo vivemos isentos de perseguição e de
injusta oposição. Citando ainda o Sermão do Monte, Jesus deixou evidenciado
ainda na porção das Bem-Aventuranças o seguinte: “Bem-aventurados os
perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados
sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo,
disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso
galardão nos céus; pois assim
perseguiram
os profetas que viveram antes de vós” . (Mateus 5.10-12)
Se você é um cristão então
você anda na contramão desse mundo terrível que nos rodeia. Há uma santa porfia
(guerra) entre essas duas sociedades, o mundo de um lado e a Igreja de outro
lado. Não há como jungir a ambos. Eles são irreconciliáveis.
2.
PRECISAMOS ESTAR PREPARADOS PARA SERMOS USADOS
PODEROSAMENTE POR DEUS.
Pedro e João seguem ao Templo
e a intenção é simplesmente orar. Esse era o hábito. Mas lá eles se deparam com
uma situação inédita. Algo extraordinário vai acontecer. A hora do milagre não
estava marcada pelos homens, mas Deus sabia o que iria acontecer ali. E Ele
tinha um propósito para tal acontecimento.
Eu tive uma experiência
extraordinária e inesquecível nesse sentido no final da década de 90. Eu havia
ido ao hospital atender uma família da Igreja cujo filho estava com suspeita de
apendicite, o que de fato foi apenas suspeita. Vendo a aflição da família e a falta
de informações me dispus conversar com o médico. Lá, no Pronto Atendimento da
Santa Casa de Suzano, uma sala enorme cheia de pacientes, vi um jovem em uma
maca no chão com lágrimas nos olhos. Enchi-me de amor e compaixão por ele e me
abaixei perguntando o que havia acontecido com ele. O rapaz de uns poucos 20
anos me disse que estava brincando, caiu de cabeça e que a partir de então não
sentia mais nada do pescoço para baixo. O médico veio, fez alguns testes e
mandou-o para a sala de radiografia. No entanto eu fechei meus olhos, coloquei
a mão sobre ele e orei. Pedi a Deus que o curasse. Os enfermeiros o levaram
embora.
Passados alguns dias, que eu
não sei precisar quantos, estava eu na apresentação dos corais da Igreja que
pastoreava e da Igreja Presbiteriana Unida de Suzano em um teatro na cidade de
Suzano. Após o término da apresentação da Cantata de Natal fui chamado á frente
para dizer algumas palavras e orar. Parabenizei os corais, os regentes e todos
os envolvidos na realização daquele momento de testemunho do nascimento de
Jesus. Orei e desejei a todos um feliz natal. Ao sair do palco alguém me pegou
pela mão e me disse: - Maurão; você pode dar uma chegada no
camarim? Há uma família que precisa falar com você. Imaginei que se
tratava do que havia acontecido ali naquele teatro. Ao entrar vi que não
conhecia ninguém a não ser a pessoa que me levou até o camarim. Foi então que,
com lágrimas nos olhos, aquelas pessoas me relataram que eram parentes do moço
que havia se acidentado e pelo qual eu havia orado naquele dia na Santa Casa.
Disseram-me que ele havia sido milagrosamente curado. Disseram-me que viram
quando eu me curvei diante do moço e orei por ele.
Toda glória seja dada Aquele
que pode fazer milagres ainda hoje. Agradeço se pude ser, como foram Pedro e
João, instrumento, ainda que indigno, para que tal milagre acontecesse. Deus
tem nossas mãos, e nossos corações para levar a benção até outras mãos e
corações e não sabemos exatamente quando isso irá acontecer.
3.
NO ABRIR DOS NOSSOS LÁBIOS, O ESPÍRITO SANTO
NOS DÁ PODER PARA TESTEMUNHAR.
Pedro e João não haviam preparado o que iriam
dizer. Eles deviam estar, de certa forma, atemorizados pela situação. Ora, por
conta de terem sido usados por Deus para a cura de um paralítico de nascença e
por terem testemunhado de Jesus, eles foram parar na cadeia.
Agora estão diante das autoridades da religião judaica
e, como dissemos, aqueles mesmos que prenderam, julgaram e foram responsáveis
pela morte de Jesus. O que poderia ocorrer com eles, homens simples?
Jesus, em um determinado momento de seu sermão profético
(Mateus 24 e 25) disse se referindo aos seus discípulos e a todos os crentes de
todos os tempos: “Então, sereis atribulados, e vos matarão. Sereis odiados de todas as
nações, por causa do meu nome”. (Mateus 24.9)
Entretanto, mesmo diante dessas circunstâncias,
eles testemunham de Jesus. E Deus, por meio do Espírito Santo, coloca nos
lábios daqueles homens, as palavras que precisam ser ditas.
4) NEM
SEMPRE O RESULTADO DO NOSSO TESTEMUNHO REDUNDA EM SALVAÇÃO DE ALMAS.
O texto não fala de conversões. Nos outros dois
sermões de Pedro, houve a conversão de aproximadamente cinco mil homens. Mas
aqui, não se fala em conversão.
A obrigação da testemunha é dar testemunho.
Pedro e João disseram: “...pois nós não podemos deixar de falar das
coisas que vimos e ouvimos”. (Atos 4.20)
O testemunho a respeito de Jesus, feito com
amor pode sempre redundar em salvação de almas, mas é possível que muitos, a
despeito desse testemunho, continuem caminhando a passos largos para a
eternidade sem Deus.
Ninguém é condenado porque ouviu o evangelho e
o rejeitou. Nós já nascemos condenados, porque nascemos pecadores, e o pecador não
convertido não pode herdar o reino de Deus. Todavia, nossa situação se torna
ainda mais caótica quando ouvimos as boas-novas de salvação e as rejeitamos.
Quando isso ocorre nos tornamos ainda mais indesculpáveis e mais merecedores
das penas eternas. Somos condenados porque nascemos pecadores e também porque
rejeitamos o presente gracioso de Deus que é a salvação em Cristo Jesus.
Por isso, nós os que já fomos salvos, devemos
testemunhar. As boas-novas são o único instrumento de Salvação. Paulo disse: “Pois
não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para salvação de todo
aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de
Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por
fé”. (Romanos 1.16-17)
4.
É IMPOSSÍVEL CALAR A VOZ DAQUELE QUE RECEBEU A
SALVAÇÃO PELA GRAÇA.
“...não podemos deixar de
falar das coisas que vimos e ouvimos”. (Atos
4.20)
Imagine a seguinte situação
querido leitor. Depois de você fazer alguns exames a pedido do médico,
constata-se que você está à beira da morte. Então, o médico lhe diz que foi
lançado nos últimos dias uma medicação que pode curar você e lhe devolver a
vida que você está prestes a perder. Você vai, compra o medicamente, toma o
remédio e fica totalmente curado.
Agora imagine que você conheça
pessoas que também sofrem da mesma doença de que você foi curado. Teria você o desplante
de se calar, se omitir? Ficaria você em silêncio vendo que outros caminham para
o mesmo destino do qual você se viu livre simplesmente porque um médico lhe
indicou o medicamento que salvou sua vida?
O mesmo acontece com o
Evangelho. Quem por ele foi alcançado para a Salvação em Cristo Jesus, não pode
se calar. É impossível ficar quieto quando sabemos que muitos caminham a passos
largos para o inferno, o mesmo inferno que era teu destino certo, mas do qual Cristo
por sua morte vicária e expiatória te livrou.
Por isso Pedro e João falaram
e não se calaram. O resultado não foi auspicioso como em outras duas ocasiões,
mas eles simplesmente afirmaram ser impossível ficarem quietos.
Concluo lançando um desafio a
você que já é salvo, que já conhece Jesus de forma pessoal e salvífica: Fale
dele! Fale de sua Salvação! Fale da vida nova que Cristo trouxe para aqueles
que nEle creem e por Ele vivem.
Faça isso porque sinceramente,
é algo que não podemos deixar de fazer seja em que circunstância for.
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