sexta-feira, 31 de março de 2017

GENTILEZA


Lá estava eu sentado ao volante do carro esperando minha esposa e filha que haviam levado meu neto ao médico. O ambulatório do Hospital Brasil, no PA de Pediatria estava lotado. Liguei o rádio do carro e fiquei ouvindo as notícias. Entristeci-me pela morte do Senador Romeu Tuma. Eu tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, bem como conheci dois de seus filhos. Eu o admirava porque dentre os políticos brasileiros, apesar de trafegar tanto na esquerda quanto na direita, Tuma era um homem honrado, honesto. Entristeci-me também com a notícia de mais um Tsunami na Indonésia. Começou a chover e eu fechei mais o vidro do carro. Selecionei uma estação que tocava músicas e acabei por adormecer.

Fui acordado com uma gritaria. Olhei e o trânsito estava todo caótico. Um caminhão da Skol estava estacionado no meio da rua para que seus ajudantes descarregassem as bebidas em um bar? Pois é, foi isso mesmo. E nessa ação meio tresloucada, um dos ajudantes deixou uma caixa bater na lataria de um carro estacionado em frente do bar. O proprietário do automóvel ficou indignado e começou a ofender o carregador. Os carros atrás do caminhão começaram a buzinar. Um dos motoristas desceu de sua EcoSport e começou a gritar com o motorista do caminhão. Então chegou um guarda de trânsito, ordenou que o caminhão seguisse em frente e todos foram embora com um terrível barulho de buzinas sem se darem contas de que estavam do lado de um hospital.

Aos poucos o trânsito normalizou-se e eu voltei a me entreter com as canções que eram tocadas na estação de rádio. A chuva continuava e ficava cada vez mais forte. Um carro parou à minha frente e uma senhora que calculei ter mais ou menos oitenta anos desceu com muita, mas com muita dificuldade, com o corpo curvado para frente, mancando e quase caindo. Fiquei imaginando que o motorista fosse descer a ajudar a senhora a entrar no Hospital, mas mal a mulher fechou a porta do carro, o motorista bateu em retirada. Esperei que o segurança lhe trouxesse um guarda-chuva e lhe amparasse. Afinal de contas pude ver, no momento da confusão com o caminhão de bebidas, que se tratava de um brutamontes. Ele bem que poderia pegar a senhorinha no colo, ou trazer uma cadeira de rodas, mas o indivíduo ficou gélido, inflexível na entrada de uma das portas do Hospital. Ninguém fez absolutamente nada. Quando pensei em sair para ajudar aquela senhora, já era tarde demais.

A cada dia que passa torna-se menos comum vermos atitudes de gentileza e carinho. Em um dia desses eu estava na fila do caixa do supermercado. Após passar suas compras o rapaz percebeu que faltava um real. Todas as suas compras já estavam nas sacolas e ele ficou imaginando o que ele teria que devolver. De bate pronto saquei uma moeda de um real de minha carteira e dei á moça do caixa.  Ao sair do supermercado, deixei minhas compras no carro e voltei para deixar o carrinho. O rapaz que eu havia ajudado com a “vultuosa” quantia de um real veio até mim, com sua esposa e filhas, me abraçou com lágrimas no olhos e disse: - Muito obrigado. Eu fiz questão de que minha esposa e filhas o conhecessem. Confesso que me emocionei. Despedi-me e levei o carrinho deixando-o na fileira de carrinhos. Ao voltar, um senhor saiu à porta do supermercado e me disse. Lindo testemunho pastor. O interessante é que eu não conheço esse senhor, mas certamente ele me conhece.

Não sou tão gentil quanto deveria e nem contei isso para você ficar impressionado comigo. Minha intenção é mostrar que vivemos em um mundo tão bruto que atitudes de carinhos e gentileza são oportunidades extraordinárias para mostrarmos o quanto nos importamos com as pessoas mesmo que elas não se importem conosco.

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