segunda-feira, 22 de maio de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 12º ATO – A DIACONIA - UM ATO DE AMOR – Atos 6.1-7

      

A comunidade retratada nos sete primeiros capítulos do livro de Atos dos Apóstolos era iminentemente composta por judeus que se converteram do judaísmo ao cristianismo. Jerusalém era sua zona de conforto, mas nunca é demais lembrar o depoimento de Jesus quando afirmou: “..mas recebereis o poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda Judéia, Samaria e até os confins da terra”. (Atos 1.8).

Ao lermos os sete primeiros capítulos de Atos, o que vemos é o cristianismo crescendo em Jerusalém, se impondo e adquirindo certa importância social. Isso fica mais evidente ainda nesse capítulo 6.8-15 de Atos quando Lucas discorre sobre Estevão e sua influencia na Igreja e entre o povo, o que causou inveja da parte de alguns religiosos em Jerusalém.

Estevão é um marco. A partir do seu episódio, o evangelho, forçado pelas circunstâncias, sai de Jerusalém. Mas antes que isso aconteça a Igreja vivencia um problema de ordem social. Ela que até ai se caracterizara por uma comunhão exemplar, marcada por atos de solidariedade ímpar que redundava em uma comunidade onde todos tinham tudo em comum, tem que enfrentar um ato de discriminação contra as viúvas dos helenistas.

Helenistas eram aqueles judeus que voltaram do exílio e que falavam o grego. Ouço imaginar que eles tinham, também, incorporados em sua personalidade, alguns hábitos próprios dos gregos. Eles estavam em Jerusalém, pois aparentemente compunham um contingente de judeus que voltaram para sua terra ou pátria dos seus antepassados. Suas viúvas, pelo que podemos compreender, estavam recebendo menos do que as viúvas de judeus “puros” quando da distribuição de alimentos que a Igreja fornecia. Eis, portanto, um ato reprovável cometido pela Igreja e que podia fazê-la trincar de dentro para fora.

Isso tudo acontecia porque a comunidade crescia a olhos vistos e dentre os que eram admitidos à comunhão havia essas mulheres.

Houve então certa murmuração (reclamação) da parte dos helenistas. Os doze apóstolos, que permaneciam em Jerusalém, confabularam depois de serem informados a esse respeito. Essa era a prática corrente naquela Igreja primitiva, ou seja, quando surgia um problema os apóstolos eram consultados e a palavra destes homens era respeitada, como vemos nesse episódio.

Em primeiro lugar os apóstolos concluíram que não seria bom deixar a oração e o doutrinamento, que eram trabalhos de cunho espiritual, para atender as viúvas dos judeus helenistas. Esse trabalho era material, social. A solução que eles propuseram foi eleger sete homens de boa reputação, cheios do Espírito (Santo) e de sabedoria. Esses homens, com essas qualidades e características, deveriam compor o contingente que iria se incumbir dessa tarefa social, material, que era garantir a isonomia na distribuição dos alimentos.

Nessa palavra de orientação destacamos o seguinte: 1) Eram sete homens. Não sei a razão desse número, mas eles conheciam a demanda do serviço que esses homens teriam sobre seus ombros e definiram esse número. 2) Eram sete homens. As mulheres tem se revelado ao longo da história como pessoas mais sensíveis. Talvez porque carreguem dentro de si aquele sentimento materno. Poderiam as mulheres se incumbir desse trabalho? Sim, poderiam, mas a orientação dos apóstolos foi clara: homens. Há muito que se pode conjecturar a esse respeito, mas de uma coisa sabemos; a comunidade acatou sem discutir. Na verdade quando se tratava da religião judaica as obrigações que implicavam em liderança, tinham sempre sido confiadas aos homens.  Assim como na Sinagoga a figura masculina era tida como apropriada para a liderança, parece compreensível que isso ocorresse também na Igreja cristã. 3) Deveriam ser sete homens de boa reputação.  É óbvio que essas pessoas deveriam ter boa reputação moral e ética. Até aqui todos os recursos eram deixados aos pés dos apóstolos. A partir daqui, esses sete homens iriam ajudar na identificação dos que precisavam dessa assistência social e deveriam se servir dos recursos que a comunidade dispunha para distribuí-los de forma equânime. Ora, tinha que ser gente de boa reputação, mesmo. 4) Esses homens deveriam ser cheios do Espírito Santo. Não há uma régua com a qual medimos a quantidade do Espírito Santo na vida de uma pessoa, mas é preciso que atentemos para o fato de que uma pessoa cheia do Espírito Santo tem um linguajar sadio, presta culto legítimo a Deus, tem o coração sempre grato, se sujeita ao seu irmão, suas casas são ordeiras (a mulher lhe é submissa, ele ama sua esposa como Cristo ama a Igreja, seus filhos lhe são obedientes e honram os pais e eles mesmos educam seus filhos na disciplina do Senhor sem lhes causar ira) (Efésios  5.15 a 6.1-4). Essa deve ser uma boa forma de expressar o quanto temos do Santo Espírito de Deus em nós. 5) Deveriam ser cheios de sabedoria. Ora, sabedoria é o conhecimento sendo colocado na prática. Esses homens sabiam o que diziam quando abriam seus lábios; eles eram notáveis quando tomavam decisões. Deviam ser homens honrados, respeitáveis e honoráveis.

Temos a tendência de imaginar que só existiam os sete que foram eleitos com essas qualidades e características, mas isso é um equívoco. Foram eleitos sete. Esse era o número específico de homens para o serviço, mas não era o número de homens para concorrerem a esse serviço. A comunidade deveria ter muito mais do que sete. Cremos assim!

Temos que entender que essas qualidades e características já deviam estar presentes nos candidatos. Elas tinham que ser públicas e notórias.

Temos que frisar que em homens assim (boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria), são qualidades mais do que suficientes não apenas para cuidar de causas sociais, mas espirituais também.

E foram eleitos os seguintes: Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Os apóstolos então oraram, lhes impuseram as mãos dando a eles o reconhecimento e a autoridade para o desempenho de suas tarefas.

Lucas encerra esse relato com mais um breve relatório sobre a Igreja em Jerusalém dizendo que “crescia a palavra de Deus e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos: também muitíssimos sacerdotes obedeciam a fé”. (Atos 6.7).

APLICAÇÃO E CONCLUSÃO.

1. A Igreja de Cristo, como comunidade de pessoas salvas mas ainda pecadoras, não está isenta de vivenciar problemas de várias formas. No caso relatado por Lucas o problema era um ato discriminatório.

2. Quando os problemas surgem eles precisam ser corrigidos. Não é boo jogar a sujeira para debaixo do tapete ou colocar panos quentes. os problemas precisam ser confrontados e resolvidos. 

3. LIDERANÇA. As pessoas mais habilitadas para sugerir providências na correção desses problemas são as autoridades. O governo da Igreja não é congregacional. O problema pode ser congregacional, mas cabe às lideranças o encaminhamento da solução do mesmo. O problema pode ser congregacional, mas a solução não pode ser colocado nas mãos de um só homem para resolvê-lo. Em momentos de crise o melhor mesmo é que um grupo se encarregue da tarefa de encontrar uma solução. O proverbista escreveu: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança”. (Prov. 11.14)

4. Há trabalhos e trabalhos. Há atividades de cunho social na Igreja e deve haver pessoas que se incubam de tal tarefa. Por outro lado também, há trabalho de cunho espiritual e deve existir igualmente aqueles que revelam suficiência para atuar nessa área. Deve haver sinergismo. Ambos os trabalhos são importantes para a manutenção da unidade e da comunhão.

O trabalho de um diácono é primordialmente a ação social. O diácono deve estar atento para a membresia e ao constatar aqueles irmãos, ou mesmo famílias, com necessidades na Igreja, cabe a ele envidar esforços para ajudar na solução desse problema.

5. A Igreja precisa estar atenta. É necessário que na Igreja local não haja pessoas que passem por necessidade. É possível existir desníveis sociais em uma Igreja local, primordialmente nos dias de hoje, todavia, o que é inadmissível existir são os necessitados. Repito; é inadmissível dentro do cristianismo os descasos. Tiago afirmou de forma contundente que se um irmão sabe que o outro passa necessidade, e pode fazer alguma coisa e não o faz, revela possuir uma fé morta (Tiago 2.14-17). Igualdade não implica em que tenhamos o mesmo nível social, mas que todos tenham o básico e suficiente para sua subsistência. Dar presentes no natal, aos mais pobres da Igreja enquanto durante todo o ano o descaso existir, é um ato de hipocrisia. No cristianismo devem ser característicos atos de amor fundamentados no próprio ato do amor divino tão bem descrito em João 3.16.

Que Deus abençoe a Igreja de hoje e que nela todos tenham o suficiente para sua subsistência e sejam felizes e contentes com isso conforme escreveu a Timóteo em I Tm 6.6-8.

Amém.

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