terça-feira, 23 de maio de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 13º ATO – ACUSAÇÃO, DEFESA E EXECUÇÃO DE ESTEVÃO – Atos 6.8 – 7


Podemos considerar o episódio do depoimento de Estevão (Diácono), sua condenação e peremptória execução, tudo tendo a conivência do Sinédrio em Jerusalém, como um marco na história do desenvolvimento e expansão do cristianismo na palestina.

Jesus havia dito que o evangelho seria testemunhado em Jerusalém, toda Judeia, Samaria e até os confins da terra. Até aqui o cristianismo é restrito a Jerusalém. Como já vimos em outros comentários, a comunidade cristã em Jerusalém era composta maciçamente de judeus convertidos do judaísmo para o cristianismo.

Parece-nos que se dependesse dos judeus convertidos ao cristianismo uma ação de inserção em outras culturas, povos e nações, isso não iria acontecer de maneira nenhuma. Mesmo já tendo enfrentado alguma oposição como o aprisionamento de Pedro e João (Atos 4.1-22) e dos Apóstolos (Atos 5.17-42), o lamentável e terrível episódio de Ananias e Safira e o incômodo causado na questão da discriminação das viúvas dos helenistas, o cristianismo permanecia firme em Jerusalém e crescia a olhos vistos.

Foi então que Deus levantou um homem, o Diácono Estevão sobre o qual diz Lucas, era cheio de graça e poder e fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. É interessante notar que sempre quando Lucas fala de prodígios e sinais ele os vincula aos apóstolos. Aqui esses prodígios e sinais são feitos por um Diácono. A questão toda é que ele era cheio do Espírito Santo, pois essa era uma das condições para que alguém pudesse concorrer ao diaconato, e Estevão concorreu e foi eleito. Uma pessoa cheia do Espírito Santo faz uma enorme diferença onde quer que ela viva e interaja.

Logo a mesma inveja que consumiu escribas, fariseus, saduceus, sacerdotes, e outros religiosos ao verem a intrepidez e o poder com que Jesus pregava e fazia milagres, possuiu também alguns que eram da Sinagoga chamada dos Libertos , dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilicia e Ásia e estes discutiam com Estevão, sem, no entanto, obter êxito. Então eles subornaram alguns homens para que os mesmos representassem contra Estevão alegando que Estevão proferia blasfêmias contra Moisés e contra Deus. Alegaram também que Estevão falava contra o lugar santo e contra a lei e que Jesus o Nazareno destruiria aquele lugar (provavelmente o Grande Sinédrio que funcionava no Templo) e mudaria os costumes que Moisés havia dado ensinado.

Lucas registra que todos os que se encontravam no Sinédrio, ao observar o semblante de Estevão viram o seu rosto como rosto de anjo. Provavelmente Lucas tenha recebido essas informações do próprio Paulo, pois veremos mais à frente, é possível que Paulo estivesse nessa audiência e a tudo presenciara.

Estevão foi inquirido sobre as acusações que pesavam sobre ele. A forma exuberante com que Estevão respondeu a este inquérito foi registrado por Lucas. Estevão faz uma viagem pela história do povo de Deus começando por Abraão, José, Moisés, Davi e Jesus.

Devemos prestar atenção ao fato de que em sua defesa sobre as duas acusações que lhe imputaram (falar contra Moisés e o Templo) Estevão responde de forma conclusiva ao dizer que o próprio Moisés disse: “Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim”. Obviamente Moisés falava profeticamente sobre a pessoa de Jesus. Portanto, ele estava dizendo aos seus algozes que o próprio Moisés reconhecia que viria um profeta depois dele e que ele seria rejeitado.

Quanto ao Templo a sua resposta é que Deus não habita em casas feitas por mãos humanas. Com isso ele não está depreciando o tempo porque em suas considerações anteriores ele falou sobre o Tabernáculo afirmando que o mesmo havia sido construído por Moisés segundo o modelo que tinha visto (no Sinai). A questão é a mesma abordada pela mulher samaritana para a qual Jesus afirmou que a adoração a Deus tem uma geografia específica que é o coração daquele que O adora em Espírito e em Verdade.

Estevão deixa evidente que aqueles religiosos que conheciam a história que ele acabara de contar haviam reconhecido o Justo (Jesus), pelo contrário foram traidores e assassinos.

O resultado foi a sua morte por apedrejamento. E foi morto sem receber um veredito. 

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO.

1. Não se pode lutar contra os planos de Deus. O evangelho devia sair de Jerusalém e Deus, com seu braço forte o fez por meio do martírio de Estevão, porque depois de sua morte, como veremos no 14º Ato, uma dura perseguição contra os cristãos se estabeleceu em Jerusalém obrigando uma saída dos discípulos de Jesus daquela cidade permanecendo nela apenas os apóstolos.

2. Precisamos estar aptos para responder aos que nos consultam sobre nossa fé. Estevão deu uma aula de história do povo de Deus. Como escreveu Paulo ao seu filho na fé, o Pastor Timóteo: "Procura apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". II Tm 2.15 Precisamos estar cheios da Palavra de Deus cônscios de que a boca fala do que está cheio o coração.

3. Um homem eleito para cuidar da igualdade na distribuição dos alimentos na Igreja é usado por Deus, com poder para testemunhar a respeito de Jesus, como aquele que é maior que Moisés e dizer às autoridades que o lugar da verdadeira adoração é o coração que reconhece em Jesus o Messias preconizado pelos profetas.

4. Os homens se esquecem facilmente dos milagres. Estevão fazia prodígios e sinais, mas quando de sua acusação ninguém ficou ao seu lado como defensor. Assim como o próprio Cristo ele foi abandonado para morrer. Milagres alegram o coração, mas não produz a fé genuína que nos faz enfrentar os gigantes que se opõem ao Cristo de Deus.

5. Aquilo que parecia ser uma derrota não passou de um momento no qual Deus encaminha o evangelho para Samaria, como veremos, e logo depois para os confins da terra. O que Jesus disse em Atos 1.8 se cumpriria na íntegra ainda que por meio de perseguição, dores e morte. Por vezes parece que o mal vence, mas na verdade é apenas mais um golpe divino na história conduzindo tudo para um fim totalmente glorioso. Quando Jesus morreu, a serpente feriu o calcanhar da semente da mulher, mas a ressurreição de Jesus foi o golpe fatal da semente da mulher na cabeça da serpente. Os líderes religiosos pensavam estar sufocando o evangelho em Jerusalém, mas mal podiam imaginar que com sua atitude eles o estavam levando para outros lugares, porque a salvação é para todo o que crê e não apenas para judeus.

6. O primeiro versículo do capítulo 8 começa com a seguinte informação: “E Saulo consentia com na sua morte”, referindo-se a Saulo de Tarso e dando a entender que ele, Saulo, estava possivelmente naquele Sinédrio (Atos 7.58), a tudo viu, ouviu e testemunhou. Mas esse mesmo Paulo está na iminência de se tornar mais um cristão. Isso veremos mais à frente.

Que Deus nos abençoe.

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