sábado, 13 de maio de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 9º ATO – RELATÓRIO E TESTEMUNHO (Atos 4.32-37)


São raros os momentos nos quais a Igreja de Cristo na terra, a Igreja Militante, vivencia esse nível de comunhão e unidade como relatado na passagem que vai do versículo 32 a 35. O relato desse trecho de Atos dos Apóstolos se refere à Igreja em Jerusalém, portanto, composta em sua grande maioria de judeus convertidos do judaísmo ao cristianismo.

Aqueles nossos irmãos da Igreja Primitiva viviam um momento ímpar, singular em sua vida religiosa. Aquele de quem tanto os profetas falaram, o Messias, havia estado com eles. Ele morrera, mas ressuscitara. Muitos dos que viram o Cristo ressuscitado ainda estavam vivos e testemunhavam a esse respeito. Aquilo que era figura, símbolo, nas Escrituras, agora se tornou em realidade, fato. Eles viram a sua glória como do unigênito do Pai (João 1.14b).

A Igreja (comunidade) cresceu a olhos vistos em Jerusalém. Lucas, pelo que sabemos, mesmo não sendo testemunha in loco, descreve com base em informações primárias a esse respeito. E ele diz que além do crescimento quantitativo os discípulos de Jesus eram muito unidos. Ele diz “...era um o coração e a alma”. Que forma maravilhosa para dizer que eles tinham o mesmo sentimento e entendimento, que eram unidos.

Mas Lucas também diz que eles eram solidários porque tudo que eles tinham era compartilhado. Ele escreve: “tudo lhes era comum”. Que forma maravilhosa de mostrar simpatia e empatia.

Em uma comunidade assim, onde o amor de Deus é exercitado de forma prática e emocionante, os apóstolos davam testemunho a respeito de Jesus (sempre a respeito de Jesus) e de sua ressurreição e havia graça neles, ou seja, eles eram atraentes, eles faziam muitos prodígios e sinais.

Que tempo extraordinário esse em Jerusalém na Igreja Primitiva! Não havia necessitado entre eles. Em tempos nos quais o Império Romano esgotava com as cobranças de impostos toda a economia e submetia o povo comum a viver em situação de opróbrio, entre os crentes não havia quem passasse necessidade. Aqueles que tinham mais do que outros vendiam o que tinham, traziam os valores correspondentes e os entregavam aos apóstolos os quais distribuíam aos fiéis na medida de suas necessidades.

Eis aqui um verdadeiro comunismo. Um comunismo não imposto, mas que nascia dentro dos corações de pessoas que descobriram, a exemplo de Zaqueu, que o maior tesouro é Jesus Cristo e uma agenda de temor de Deus. Uma forma solidária não imposta. Um comunismo onde os que recebiam os recursos, não desviavam para seus bolsos e nem usavam para seus benefícios, nem tampouco para enriquecimento de uma instituição, mas para distribuir com critérios aos que realmente estavam necessitados.

O texto também diz: “...então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade”. A qualquer um significa que não havia parcialidade.

Lucas mostra um exemplo interessante; José, um levita natural de Chipre apelidado de Barnabé que significa Filho da Consolação. Ele possuía um campo e vendendo-o deu aos apóstolos o valor que lhe pagaram pelo mesmo.

CONCLUSÃO & APLICAÇÃO

Precisamos orar urgentemente a Deus para que sua Igreja no mundo, hoje, possa ser avivada pelo seu Espírito Santo e experimente algo desse tipo; um comunismo de verdade e não um assistencialismo pontual.

Para que cheguemos a esse ponto, por exemplo, em uma Igreja local, é preciso que haja o verdadeiro temor de Deus nos corações dos crentes. A Igreja de hoje está eivada de gente rica que acredita que pode servir a Deus e às riquezas. Isso é impossível. Nós os servos de Deus devemos ser vistos pelo mundo ao nosso redor como pessoas simples que acreditam que o maior tesouro que podemos possuir é o céu. Jesus já havia dito no Sermão do Monte: “...onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração”. (Mateus 6.21)

Jesus ensinou que a concupiscência dos olhos é caminho de trevas. Ele disse que se “se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas”. (Mateus 6.23) Jesus explicitou que não é possível servir a dois senhores; Deus e as riquezas.

A tendência natural de cada um de nós e se deixar possuir pela riqueza. Jesus teve diante de si um jovem que dizia querer segui-lo. Era, aparentemente, um bom jovem, mas seu coração estava nas riquezas que possuía.

Ninguém dorme em duas camas numa noite. Um pedaço de pão é suficiente para matar a nossa fome. A Igreja de Cristo hodierna, e nós os cristãos, precisamos nos unir para nos servirmos uns dos outros e vivermos de forma pura e simples. Não deve haver anseios de ostentação na Igreja de Cristo.

Precisamos aprender a repartir e também a trabalhar. A Igreja não tem obrigação de sustentar ociosos e preguiçosos, mas ela tem a intransferível obrigação de ajudar de forma perene aqueles que, a despeito de toda dedicação, ainda vivem em condições precárias e de real necessidade.

Não podemos nos despedir do nosso irmão sabendo que ele está necessitado apenas com a frase: “Deus te abençoe”. Precisamos ser instrumentos de bênçãos para esse irmão. Foi nesse sentido que o irmão de Jesus, Tiago, falou sobre a fé morta.

Que testemunho damos de Jesus se nos omitimos no quesito solidariedade? Jesus foi o maior exemplo de solidariedade e em uma situação bastante diferente da nossa. Ele veio a esse mundo para pagar nossa dívida para com o Pai. Ele se deixou aprisionar e ser morto por nossa causa. Sua vida foi de dedicação àqueles que o desprezaram e o abandonaram no momento de seu aprisionamento. Pedro vergonhosamente o traiu por três vezes, mesmo Jesus o tendo alertado quanto a isso. Mas ele morreu naquela cruz de forma solidária, por mim e por você, justamente para quitar nossa dívida impagável.

Que Deus se apiede de sua Igreja e que envie um avivamento que sacuda a Igreja de nossos dias que parece mimetizar a Igreja de Laodiceia, morna, opulenta, autossuficiente, pensando ser feliz e próspera, não percebendo que é infeliz e miserável.

Um alerta aos pregoeiros da teologia da prosperidade. A maior prosperidade não se vê na suntuosidade dos templos, nem nas contas bancárias ou casas onde moramos, mas sim em nosso relacionamento íntimo e sincero com aquele que disse que “não tinha onde reclinar a sua cabeça”.

Que Deus nos abençoe, nos santifique e avive sua obra em nós.

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