segunda-feira, 26 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 17º ATO – SAULO, O EVANGELHO E A PERSEGUIÇÃO - Atos 9.20-30.




A porção final do versículo dezenove (19) diz que Saulo permaneceu em Damasco alguns dias com os discípulos. Saulo desfrutou do convívio com seus irmãos em Cristo logo após Deus tê-lo convertido de uma forma humilhante. Isso foi muito bom para Saulo. Ele não só foi convertido do judaísmo para o cristianismo como também encontrou neste, irmãos, companheiros que tinham a mesma fé. O versículo vinte (20) nos diz que “logo pregava, nas Sinagogas, a Jesus, afirmando que este é o Filho de Deus”. Ele permaneceu em Damasco alguns dias, diz o texto, e então Lucas omite o fato de que ele saiu de Damasco ficou um período nas regiões da Arábia (Gálatas 1.15-24) e depois voltou à Damasco de onde acabou tendo de sair escondido em um cesto que foi baixado pelos irmãos em Cristo do alto de uma muralha até o chão, ato que lhe preservou a vida.

Lucas, parece omitir aqui, por entender que não era necessário aos seus propósitos, o que de fato aconteceu a Saulo depois de seu Batismo. Como vimos isso nos é informado pelo próprio Saulo na carta que escreveu às Igrejas da Galácia (Gálatas) quando o apóstolo dos gentios, faz dura oposição aos “cristãos judaizantes”, ou seja, aqueles que defendiam que um gentio, antes de se tornar um cristão, tinha que ser circuncidado. Ali naquela carta Saulo diz o seguinte sobre esse espaço de tempo que vai de sua conversão até o início de seu testemunho, tanto em Damasco como em Jerusalém e que parece ter Lucas omitido:

“Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco. Decorridos três anos, então, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e permaneci com ele quinze dias; e não vi outros dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor”. (Gálatas 1.15-19)

O máximo que podemos supor é que o período entre seu batismo, pregação em Damasco, sua saída para a região da Arábia, sua volta e fuga de Damasco e então sua volta a Jerusalém foi o de três anos. Devemos considerar também que os judeus contavam como um ano inteiro, parte de um ano.

Eis o gráfico que oferecemos para tentar ilustrar melhor esse período relatado aqui por Lucas de forma fragmentada e sob o qual Saulo em sua carta aos Gálatas lança luz.

                                     
                                               Testemunho em Damasco
Conversão e Batismo                Saída e Reclusão na Arábia          Volta a Jerusalém
                                                     Retorno a Damasco
                                                       Fuga de Damasco
                                                             3 anos

                                       

Por que Saulo agiu assim? Por que se reclusou durante um período que pode chegar a três anos? Por que teria Paulo, logo após sua conversão, ido para as regiões da Arábia? Seria para que pudesse refletir sobre sua vida, seu farisaísmo, sua conversão?

Seja qual forem as conjecturas a esse respeito, é preciso, mais uma vez, relembrar quem Saulo era no contexto da religião judaica e como ele agiu ao perseguir duramente os cristãos.

Saulo era um homem brilhante. Não é possível ler seus escritos sem que cheguemos a essa conclusão. Saulo era filho de israelitas, era da tribo de Benjamim, na religião judaica se tornou um fariseu, (intérprete da lei). Era um notável judeu. Um judeu convicto. Ele entendia que o cristianismo era um atentado contra o judaísmo e que o cristianismo era uma heresia e, como tal, algo pernicioso. Agora ele é um cristão! De perseguidor ele irá se tornar um perseguido. Talvez ele precisasse de um tempo para “digerir”, acomodar, adequar sua mente e coração diante de sua nova condição; ele que houvera sido perseguidor de cristãos, agora se tornara, surpreendentemente, um cristão.

Seja qual for, ou forem, as razões, Saulo afirma ter se isolado por um tempo e depois voltou a Damasco onde começou a expor, ousadamente, ser Jesus o Messias de quem tanto os Profetas do Antigo Testamento falaram.

É importante notar o que Paulo diz a respeito que em sua discussão com judeus quando apresentava Jesus como o Messias, ele mesmo disse aos Gálatas: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”. (Gálatas 1.11,12).

Em sua carta escrita aos Coríntios quando ele fala sobre a prática da Celebração da Ceia, ele diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei”....”. (I Coríntios 11.23a)

Parece-me que o aparente ostracismo auto imposto de Paulo, foi como que um curso intensivo com o próprio Mestre dos mestres, Cristo Jesus. É interessante notar que os outros discípulos também passaram o mesmo tempo com Jesus. Foram três anos de reclusão onde Saulo deve ter refletido profundamente sobre a sua vida passada, sobre seu encontro transformador com o Cristo de Deus e sobre como seria sua vida dali para frente.

O versículo vinte e um nós diz que a ida de Saulo à Damasco tinha como objetivo precípuo prender cristãos e leva-los amarrados aos principais sacerdotes. O evangelho parece ter chegado forte em Damasco.

O testemunho de Saulo deixou todos confundidos, principalmente os judeus. Saulo declarava sem medo e com poder, que Jesus era o Messias (Cristo) que tanto esperavam.

E a oposição a Saulo não foi tardia. Os judeus, enraivecidos decidiram tirar-lhe a vida. O texto dá a entender que eles espreitavam para mata-lo. Todavia, os discípulos sabendo disso, o colocaram em um cesto e o desceram pela muralha. Saulo então retorna a Jerusalém.

Em Jerusalém Saulo procurou os irmãos em Cristo, mas é óbvio que havia muita desconfiança. Talvez imaginassem que ele estava se passando por um discípulo de Cristo apenas para descobrir que eram os discípulos e então prendê-los. Sua fama como perseguidor de cristãos era notória. É como diz o ditado: “Fez a fama, deita na cama”.

Eis então que surge um personagem notável – Barnabé. Bem, já vimos que esse era o apelido pelos apóstolos a um homem chamado José (Atos 4.36,37). Barnabé quer dizer “filho da exortação”. Foi esse José, apelidado Barnabé que levou Saulo aos apóstolos e contou aos apóstolos o que lhe acontecera no caminho para Damasco. Barnabé disse também que Saulo pregava ousadamente em nome de Jesus, na cidade de Damasco.

Saulo então foi aceito e fez o mesmo que em Damasco; pregava ousadamente a respeito de Jesus. Saulo falava e discutia com helenistas, que como já sabemos, eram judeus com nomes gregos e foi duramente rechaçado. Nem Damasco, nem Jerusalém; um começo pouco recomendável, aparentemente desmotivador para alguém a quem Deus convertera de forma tão singela e confiara um ministério notável (Atos 9.15).

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

·   Nenhuma conversão é isenta de humilhação. Zaqueu teve que descer do Sicômoro, depois de ter que subir nele por ser de pequena estatura. Uma vez lá em cima, ouviu as palavras de Jesus: “Zaqueu, desce depressa, pois me convém ficar hoje em tua casa”. (Lucas 19.5b) Não foi um pedido ou convite. A Saulo, Jesus igualmente chamou pelo nome – Saulo – e o fez em tom imperativo – “levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer”. (Atos 9.6)

·    A proclamação do Evangelho não pode ser uma aventura sem preparo e adequação. Saulo tinha conhecimento avantajado das Escrituras Sagradas, mas ele precisava rever alguns conceitos e princípios, ele precisa rever posicionamentos, preparar-se para defender, agora, sua nova posição. Há muitos que se convertem e imaginam que as Escrituras são óbvias e saem fazendo asseverações sobre Cristo que não correspondem ao que é real e bíblico. Muitos naufragam quando a embarcação de suas vidas convertidas ainda navegam por águas rasas simplesmente porque a emoção da conversão não vem acompanhada do necessário aprendizado que o testemunho a respeito de Cristo exige. Outros induzem multidões ao erro e desviam outros tantos do caminho da salvação. Vejam os pregoeiros da teologia da prosperidade. O evangelho por eles pregado não é o verdadeiro evangelho que inclui as perseguições e aflições que são naturais para todos aqueles que primam por uma vida de piedade e santidade. Não foram poucos os que tentaram pregar outro evangelho, mas Paulo não; ele primou por pregar o verdadeiro Evangelho, aquele que o próprio Cristo, o cerne, a essência do Evangelho lhe revelou quando estava recuso nas regiões da Arábia.

·    O resultado da pregação nem sempre é a conversão de almas. Saulo havia sido testemunha do homicídio de Estevão. Os judeus cheios de ódio o mataram sem que houvesse sido proferida qualquer sentença contra ele. Esse foi o resultado do testemunho poderoso de Estevão. O capítulo oito (8) de Atos diz que Saulo consentia com a morte de Estevão. Agora Saulo prova do mesmo juízo cheio de ódio. Ele prega nas Sinagogas. O Evangelho é primeiro para os judeus. Essa seria sua temática em todo seu ministério como missionário. E ele demonstra que Jesus é o Messias. Ele prega com ousadia. Então tentam contra a vida dele em Damasco. Foram os judeus que tentaram contra a vida dele. Nem sempre o resultado do nosso testemunho cristão resulta em conversões. Ele se vê obrigado a sair de Damasco escondido em um cesto que foi baixado pelos discípulos de Jesus, seus irmãos em Cristo. Que paradoxal; aquele que ele antes queria prender, o livram de morrer.

· A proclamação evangélica deve ser continuada, jamais interrompida. Saulo vai para Jerusalém. Foi de lá que ele saiu há aproximadamente três anos. Sai para perseguir e volta como um fugitivo, que teve que se esconder em um cesto. Que golpe! Que mudança de rumo! Que mudança de vida! Deus tem planos e esses planos não podem ser frustrados. (Jó 42.2) Parece, todavia, que em Jerusalém, também, assim como o próprio Salvador, ele, Saulo, não seria aceito.

·      A comunhão é importante para o exercício de nossa fé. A fé tem um forte componente comunitário. Que proveito há na fé de um ermitão. Somos seres sociais. Amamos o relacionamento com outros humanos e principalmente com aqueles que comungam da mesma fé, esperança, sonhos e desejos. Então Saulo procurou os discípulos. É assim mesmo; queremos sempre estar entre os nossos. A Igreja é a família de Deus porque somos irmãos uns dos outros e Jesus é nosso irmão mais velho. Mas, lá em Jerusalém ele também iria enfrentar oposição dura.

·   Em nossa proclamação evangélica jamais estamos sozinhos. Jesus disse, na Grande Comissão, que estaria presente até a consumação do século (Mateus 28.20). Entretanto, além de sua doce presença, temos também irmãos valorosos. Na vida de Saulo surge então José, apelidado Barnabé, e esse personagem notável o inseri na comunidade cristã de Jerusalém. E ele, como em Damasco, prega com ousadia. Em Jerusalém são os helenistas, judeus nascidos fora dos limites de Israel e que preferiam a língua grega ao aramaico. Saulo era um helenista, em certo sentido. Barnabé esteve ao seu lado, mas a situação se agravou e ele teve, com a ajuda dos irmãos em Cristo que sair de Jerusalém. Diz o texto que “levaram-no até Cesaréia e dali o enviaram para Tarso”. (Atos 9.30)

Paulo vai permanecer em Tarso por alguns anos. Ele voltará ao cenário do livro de Atos dos Apóstolos no capítulo 13 quando o mesmo Barnabé o busca em Tarso para uma obra da qual ele se incumbiu de forma notável. 
Isso veremos mais à frente.

Até lá....

terça-feira, 13 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 16º ATO – SAULO ANTES DE SER PAULO – Atos 9.1-19


Um dos maiores personagens da história do Cristianismo é o Apóstolo Paulo. Isso é indiscutível

Ele é considerado uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade.

A forma como ele é inserido na história do cristianismo e como ele levou o cristianismo à Ásia Menor e à Europa é assunto assaz empolgante.

Saulo nasceu na cidade de Tarso. Seus pais eram hebreus (judeus, israelitas) e provavelmente tenham nascido em solo israelita. 

Tarso era uma cidade no país que hoje é a Turquia. Ela estava localizada na região da Cilicia. Era uma cidade que gozava o status de cidade romana. No século 1 d.C., Tarso foi a principal cidade da Cilicia, e possuía importante riqueza comercial e agrícola. Tarso também era um importante centro cultural e intelectual, possuindo uma grande universidade da época que a equiparava com outras cidades como Atenas e Alexandria. A cidade de Tarso também se orgulhava por ter muitos eruditos importantes da época entre seus cidadãos. Embora muitas escavações já tenham sido realizadas na região de Tarso, até agora muitos detalhes ainda impedem que a cidade dos dias de Paulo seja recriada com exatidão. As ruínas da antiga Tarso encontram-se debaixo da cidade atual e de fazendas da região.

Na lei judaica, um garoto deveria iniciar seus estudos das Escrituras aos cinco anos de idade e aos dez anos devia estudar as tradições legais. Aos treze anos um garoto se tornava um bar mitzvah (“filho do mandamento”), período no qual ele se tornava emancipado diante da lei e os garotos mais promissores eram levados para as escolas e colocados aos pés dos Rabinos, mestres mais capazes.

Assim, com grande probabilidade, foi com essa idade, ou um pouco mais maduro, que Paulo foi para Jerusalém. Provavelmente sua irmã o tenha acolhido nessa cidade no período de sua formação. Podemos supor que os pais de Saulo tinham posses.

Além dos estudos na Torá e todos os demais aparatos culturais do povo, Saulo também aprendeu uma profissão que era de fazedor de tendas. Para os dias atuais essa profissão talvez não tenha a dignidade que tinha naqueles dias. Era costume dos pais judeus oferecer ensino formal aliado à instrução em uma profissão. Havia um conceito de que se um pai não ensinasse a seu filho uma forma de trabalho com a qual ele iria ganhar seu pão, ele estaria ensinando seu filho a roubar.

Saulo, então, foi criado e instruído nas Escrituras, na tradição dos seus antepassados e tinha uma profissão digna com a qual adquiria os meios para sua subsistência.

O que podemos saber a respeito de Paulo é mais bem descrito por ele mesmo no clássico texto de Filipenses 3.2-11 onde lemos: Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para O conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”.

Saulo, portanto, no judaísmo, era um fariseu. Era um doutor da lei. A aversão do judeu e, principalmente do fariseu, a respeito do gentio (gentio = quem não é judeu), é notável. Um fariseu considerava o gentio como combustível para o fogo do inferno. Os problemas de relacionamento entre os judeus e os samaritanos se acentuaram ao longo dos séculos por conta de que estes assimilaram muito rapidamente a cultura gentílica enquanto os judeus ofereciam maior resistência.

O que estou tentando fazer nesse meu escrito não é justificar os atos de Saulo contra a Igreja como vemos descrito no texto de Atos 9.1,2. O que pretendo é mostrar ao leitor as razões que levaram Saulo a se opor ao cristianismo de forma tão violenta. Saulo entendia que o cristianismo era uma heresia que precisava ser erradicada. Saulo via no cristianismo um enorme perigo contra o judaísmo. E ele era um homem obstinado!

Homens com esse perfil tendem a ser uma maldição ou uma grande benção. Você não pode deixar de admitir que pessoas como Hitler, Stalin, Gandhi, Golda Meir, M. Tatcher, W. Churchill, José, Moisés, e tantos outros, não foram obstinados. Sim foram! Notadamente foram. E Saulo era assim; um homem obstinado e convicto de que deveria acabar de vez com o cristianismo. Talvez ele não tenha ouvido o conselho de Gamaliel, seu mestre, quando do inquérito dos apóstolos no Sinédrio disse: Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os ir; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus”. (Atos 5.38,39)

No texto que lemos vemos com que violência Saulo investe contra os cristãos. Se fosse preciso ele os mataria ou seria conivente com a morte deles.

Como veremos mais à frente nesse capítulo no versículo 21, Paulo desejava ir à Damasco para prender cristãos, razão pela qual pediu cartas para serem levadas às Sinagogas daquela cidade. Todavia, Deus tinha outros planos para ele. E como disse Jó, depois de sua experiência com Deus: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado”. Jó 42.2 O que sabemos ao certo é que já havia cristãos em Damasco. O evangelho já havia chegado “aos confins da terra”.

Saulo chega a Damasco, mas de uma forma acentuadamente diferente. Ele agora é, aquilo que ele persegue – um cristão. Ele que conduzia, agora é conduzido por mãos de membros de sua comitiva. Uma luz brilhou no céu e ao seu redor. Saulo caiu ao chão e uma voz lhe disse: “Saulo, Saulo, porque me persegues?

Saulo pergunta quem era que falava com ele, e a resposta é: Eu sou Jesus, a quem tu persegues, mas levanta-te e entra na cidade, onde te dirão o que te convém fazer”.  Quanta mudança em um ato só: muda-se o homem – muda-se sua agenda! Irresistível salvador esse Jesus!

Seus companheiros ouviram uma voz, mas eles mesmos não viram ninguém. O texto não diz que Saulo viu, mas parece que somente ele entendeu o que Jesus lhe disse. Ele se levantou cegado pela luz e seus companheiros o guiaram até seu destino e lá ele ficou três dias sem ver e sem comer e nem beber absolutamente nada.

Como já nos referimos, o evangelho já havia frutificado em Damasco e ali havia um discípulo de Jesus de nome Ananias a quem Deus ordenou e convence a que fosse ao encontro de Saulo. A fama de perseguidor de cristãos de Saulo já era conhecida e foi preciso que Jesus esclarecesse a Ananias o que pretendia com esse obstinado judeu/fariseu: “Vai, porque este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. (Atos 9.15,16)

Ananias foi onde estava Paulo e disse: “Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”.  (Atos 9.17)

Imediatamente Paulo passou a ver, levantou-se e foi batizado. Depois comeu, sentiu-se fortalecido e permaneceu alguns dias em Damasco.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

Foi Deus quem fez ser Saulo o que era antes de sua conversão. E Deus agiu assim para mostrar que:

Religião não pode salvar. Somente Jesus tem esse poder. Saulo era um exemplo como homem religioso, mas mesmo assim, ele precisou ser encontrado pelo próprio Cristo. Ele não argumentou, não discutiu, não murmurou; ele simplesmente, como se espera de um regenerado, teve sua história totalmente mudada. 

Ninguém é suficientemente ruim que não possa ser salvo. Saulo mostrou sua crueldade na perseguição que empreendeu contra os cristãos. Entendemos que sua ação cruel contra a Igreja era na realidade um ato de extremado zelo por Deus, mas era um ato injustificável.

Ninguém é tão “justo” que não necessite do salvador. Saulo era um homem que, em sua religião, era um exemplo de piedade, mas mesmo assim ele estava completamente perdido.

A conversão é um processo doloroso de humilhação. Saulo viu luz, mas ficou cego, caiu por terra e precisou de outras mãos para conduzi-lo ao seu destino. Os humilhados, todavia, serão exaltados, aqui e no porvir.

Jesus muda o homem e o homem transformado por Jesus, tem sua agenda mudada. Somos salvos para servir, sermos santos e irrepreensíveis. Somos salvos para vivermos para a glória daquele que nos salva. Aleluia! Depois de Jesus jamais seremos as mesmas pessoas que fomos antes dele.

Nossa conversão (regeneração) é um ato divino. Podemos intelectualmente compreender que somos pecadores, mas não temos forças para abandonar o pecado como uma prática prazerosa. Essa disposição somente Deus é capaz de produzir através da regeneração.

Quem persegue a Igreja; quem persegue ao cristão, está perseguindo o próprio Cristo que neles está representado.

Precisamos estar convencidos de que sofrer por Cristo está na agenda divina do cristianismo. “...eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”. Paulo escreveu: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvir que é o meu”. (Filipenses 1.29,30)

Saulo ficou três dias sem comer, beber, e completamente cego. Eu me ponho a pensar o que não deve ter passado na mente de Saulo nesses três dias de escuridão. Imagino que ele olhou para dentro de si mesmo e pode ver claramente o quanto ele estava errado a respeito de Jesus de Nazaré, o quão injusto ele havia sido com Estevão e os demais cristãos aos quais aprisionou e até foi responsável por suas mortes. Parece que ao ser batizado e cheio do Espírito Santo sua cegueira acabou e ele pode ver claramente o que Deus tinha planejado para ele.

Ananias deu demonstração de amor cristão ao aceitar batizar e acolher a Saulo. A Igreja deve estar atenta ao recebimento e acolhimento dos novos convertidos. 

E a esse respeito veremos nos próximos atos nesse livro de Atos dos Apóstolos.

Que Deus nos abençoe.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

BUSCAR A DEUS ENQUANTO FOR POSSÍVEL ACHÁ-LO......


Recentemente li (07.06.2017), sem confirmar e conhecer o contexto, que o ex-técnico do Santos Futebol Clube afirmou que “o Brasil se esqueceu de buscar a Deus”. Como disse, não conheço o contexto e nem posso confirmar se ele disse isso, mesmo. 

Todavia, impendentemente disso, essa é uma frase cheia de verdade.

Houve um tempo em nosso país no qual os cristãos, tanto protestantes quanto católicos, ensinavam que os filhos devem honrar seus pais conforme preceitua o quinto mandamento. Eu ainda sou daquele tempo. E os filhos respeitavam, reverenciavam, obedeciam e amavam seus pais conforme lhes era ensinado. Mas hoje o que se vê é uma total desconexão com a verdade bíblica. Hoje encontramos filhos que são motivo de vergonha para seus pais; são alimentados, financiados e sustentados por seus pais, mas não honram os pais.

Houve um tempo em nosso país, e por que não dizer, no mundo, em que os pais eram exemplos de honestidade, piedade e de justiça para seus filhos. Eram tempos nos quais mais valia a palavra dita do que assinatura em qualquer contrato. Meus pais foram um exemplo de luta e de dignidade. Meus sogros foram um exemplo pelo estilo simples de vida, mas com dignidade, honestidade e honra. Naqueles tempos a disciplina era mais severa e os pais tinham a consciência de que preparavam seus filhos para a vida e não para viver à custa deles numa dependência patológica.

Houve um tempo em que havia mais respeito e o tratamento entre as pessoas era mais cordial. Hoje vemos um mundo em convulsão no trânsito, nas lojas, nos hospitais, nas escolas, nas academias, nos supermercados. Vivemos dias nos quais se cuida da estética, mas abandonou-se completamente a ética. A cada dia que passa cresce o número de pet shoppings, O homem ama mais o animal irracional do que o próprio filho. O homem corre atrás da beleza do corpo inibindo as rugas de fora enquanto adquiri rugas na alma.  

Eu não tenho dúvida de que isso tudo é assim porque nos esquecemos de buscar a Deus, nos esquecemos de que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria e que são loucos os que desprezam a sabedoria e o ensino que de Deus emanam (Prov. 1.7) Oremos e aceitemos o alerta do Profeta quando escreveu: "Buscai a Deus enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto". Isaias 55.6-13

Cristãos: é tempo de parar, refletir e tomar posição sempre tendo do lado o Deus da Palavra e a Palavra de Deus.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 15º ATO – O DIÁCONO E EVANGELISTA FILIPE – Atos 8.4-40


Entra em cena, na história do cristianismo e sua expansão um personagem chamado Filipe. Ele é um dos sete que foram eleitos para um trabalho específico: servir as cestas de alimentos aos menos privilegiados procurando impedir que as viúvas dos judeus helenistas fossem discriminadas. Filipe é considerado um dos sete Diáconos eleitos em Atos 6.1-8.

Filipe está entre aqueles que, fugindo da grande perseguição contra os cristãos, deixa Jerusalém. Ele vai para o norte e chega a uma das cidades da região de Samaria, capital do Reino do Norte. O texto diz que os que saíram de Jerusalém foram pregando o evangelho e é isso que Filipe faz. Ao verem os sinais que fazia, o poder com que testemunhava, as multidões lhe davam atenção. Diz o versículo 8 que “assim houve grande alegria naquela cidade”.

No relato que Lucas faz dessa saga de Filipe ele nos coloca em contado com Simão, um mágico que impressionava as pessoas com as mágicas que fazia. Ele era chamado de “O Grande Poder”. Mas Lucas diz que quando Filipe chegou, até Simão foi deslocado e ficou atônito com os sinais que ele fazia. Ele até quis comprar esse poder, no que foi duramente repreendido.

Os apóstolos haviam permanecido em Jerusalém e quando ouviram dizer que em Samaria havia conversões enviaram Pedro e João para conferir se isso era possível. E confirmaram. Oraram impondo as mãos sobre os convertidos e esses receberam o Espírito Santo. Ao voltarem para Jerusalém iam pelo caminho testemunhando a respeito de Jesus Cristo.

Enquanto isso Deus desloca Filipe para a estrada de gaza por onde um alto oficial de Candace a rainha dos etíopes passava com sua carruagem. O tal oficial lia Isaías 53.7,8. Filipe alcança a carruagem, ouve o homem lendo (era costume ler em voz alta) e o questiona se ele sabe do que o texto fala. Então aquele oficial etíope responde que não, ao que Filipe se dispõe o esclarece aproveitando a oportunidade para pregar-lhe as boas-novas. O etíope ao ver um lugar onde havia quantidade de água questiona se ele pode ser batizado, ao que Filipe concorda batizando-o. De imediato Filipe é tirado de cena e vai surgir em Azoto próximo de Cesaréia, mais ao norte, onde evangelizava em todas as cidades.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

1.   Deus usa aqueles que Ele quer, onde quer e da maneira que quer usar. Felipe foi usado por Deus como um poderoso evangelista.

2.   Os samaritanos ao longo dos anos se tornaram inimigos ferrenhos dos judeus. Agora, eis um judeu, de nome grego, entre eles, testemunhando a respeito de Jesus e apresentando-O como o Messias de quem tanto os profetas do Antigo Testamento falaram. Aquela era uma região de conflagração, hostil aos judeus. Isso fica evidente no encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. Portanto, quando Deus está presente ele transforma um ambiente hostil em oportunidade especial para testemunho. Não devemos temer. Precisamos estar cheios do Espírito Santo. É isso que fará a grande diferença. E fez com Filipe naquela região. “Houve grande alegria naquela cidade”.

3. Foi preciso que Pedro e João empreendessem uma viagem para se certificarem de que os samaritanos também estavam ouvindo o evangelho e crendo. O fato de orarem e imporem as mãos, segundo Lucas, é porque eles ainda não haviam recebido o Espírito Santo. Lucas diz que depois desse ato, os convertidos recebiam o Espírito Santo. Podemos crer que no caso deles a constatação de que receberam o Espírito Santo era porque eles falavam em línguas? Ora, pode ser. Todavia, não devemos crer que essa seja uma benção adicional à salvação. Nossa regeneração já é o resultado da presença do Espírito Santo em nós. É ele quem nos converte, nos regenera. (João 3.1-16). Em meu particular entendimento, se houve aqui uma manifestação do falar em línguas então isso só serviu mesmo como prova aos apóstolos, judeus convertidos ao cristianismo, de que o evangelho deve ser pregado a qualquer criatura e se ela vier a crer, será salva, assim como foi no caso deles.  

4.   O evangelho é a luz que ilumina as mais densas trevas. O evangelho é mais poderoso que qualquer poderoso mágico e ilusionista. Quando é mesmo o evangelho que é pregado, não há dúvida nenhuma de que é Deus que está salvando e agindo. Simão podia fazer mágica, mas seus “poderes” estavam bem aquém do poder do Espírito Santo em Filipe.

5.  O poder de Deus não se adquire com dinheiro. Isso é uma ofensa ao Deus todo gracioso e bom. Simão precisava mesmo se arrepender dos seus pecados. Hoje muitos pensam que podem, com suas ofertas, dízimos e contribuições financeiras, atrair o favor divino. Era isso que Tetzel pregava enquanto procurava sustentar a luxúria do Papa Leão X e do clero dos seus dias, com a venda das indulgências. Precisamos estar convencidos que contribuir financeiramente com o reino de Deus já é uma benção, uma honra, um privilégio. Com Deus não fazemos negócio. Ele não precisa do nosso dinheiro e se tivéssemos que pagar, não haveria rico suficiente para pagar o preso de nossa ofensa.

6.   Um homem, mesmo que piedoso e bom, ainda sem Cristo está perdido em seus delitos e pecados. Esse era o caso do oficial etíope, um homem temente a Deus. Ele precisou ouvir o evangelho para poder crer em Cristo e assim ser salvo. Deus escolhe seus eleitos e os meios pelo qual esse eleito será chamado eficaz e irresistivelmente. O instrumento humano para a salvação daquele oficial etíope foi Filipe, mas o instrumento sobrenatural para a sua conversão foi o testemunho a respeito de Jesus. Como disse Paulo: De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. (Romanos 10:17).

7.   Os louros das grandes realizações serão os galardões entregues na eternidade em momento propício. Filipe foi tirado de cena e levado para outro lugar. A obra de regeneração do etíope já havia sido completada e outros precisavam ouvir o evangelho.

8.   O desejo de ser batizado é um dos indicadores da verdadeira conversão. Esse foi o desejo explícito daquele etíope. Ele veio como um homem que temia a Deus. Ele veio a Jerusalém para adorar e agora volta para seu país, salvo, nova criatura, alguém que teme a Deus sob uma nova perspectiva, que busca observar a lei de Deus com maior alegria e desprendimento.

9.   Filipe batizou o etíope convertido? Sim, batizou. Mas como se Filipe não era um presbítero? Bem, ainda não havia esse oficialato na Igreja daqueles dias. As mais altas patentes da Igreja eram os apóstolos e como sabemos eles estavam em Jerusalém. O batismo aconteceu de forma legítima assim como legítima foi a conversão daquele homem.

Que Deus nos abençoe de tal maneira que por onde formos possamos, a exemplo de Filipe, testemunhar de Jesus, o Cristo. Amém!!!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ATOS DOS APÓSTOLOS – 14º ATO – A DIÁSPORA CRISTÃ – ATOS 8.1-3


O versículo 58 do capítulo 7 do livro de Atos dos Apóstolos é a primeira referência a Saulo na Bíblia. O texto diz: “E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo”.

Saulo possivelmente assistiu o interrogatório de Estevão e também o seu depoimento em forma de defesa. Saulo era um Fariseu, doutor da Lei e com grande probabilidade compunha o Sinédrio naquele inquérito e julgamento.

Sem que houvesse a declaração formal de um veredito, aqueles que ouviram a autodefesa de Estevão se encheram de furor o que acabou resultando em sua morte por apedrejamento. Lucas começa o capítulo 8 dizendo pura e simplesmente: “E Saulo consentia na sua morte”.

Podemos supor que Saulo podia de certa forma evitar tal acontecimento? Não sabemos ao certo, mas com certeza ele concordava com o que foi feito. Os versículos mais a frente com especial atenção ao 3 deixa isso claro. Diz o texto que Saulo assolava a Igreja, que ele entrava na casa de cristãos e os arrastava, tanto homens como mulheres, para fora e os prendia por causa de sua fé.  Lucas retrata essa ocorrência como grande perseguição.  Muitos cristãos saíram de Jerusalém temendo por suas vidas. Apenas os apóstolos ficaram em Jerusalém.

Precisamos estar atentos a algumas questões aqui. A primeira delas tem a ver com a facilidade com que as multidões mudam de sentimento. O contexto anterior, mais precisamente falando, Atos 6.8, mostra que Estevão gozava com a admiração do povo. Veja o que Lucas escreveu: “Estevão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo”. Entendemos que ele era acolhido pelo povo e que livremente fazia prodígios e sinais. A inveja e os ciúmes de alguns religiosos foram responsáveis pelo seu aprisionamento baseado em falso testemunho. Mas esse mesmo povo pode ter, indireta ou diretamente, participado de seu apedrejamento. Assim foi com Jesus; quando entrou em Jerusalém foi ovacionado e depois de ter sido condenado pelos religiosos e por Pilatos, acabou sendo crucificado. A multidão que uma semana antes o recebia de braços abertos em sua entrada em Jerusalém, agora prefere a um criminoso, (Barrabás), e exige sua crucificação além de lhe lançar em rosto alguns impropérios.

A segunda questão para a qual devemos dar nossa atenção aqui tem a ver com Saulo. Não devemos ser muito duros em julgar as atitudes dele. Devemos entender que Saulo, como judeu e fariseu, entendia que o cristianismo representava um perigo para a religião dos seus antepassados, o judaísmo. Ele estava disposto a fazer de tudo para evitar a extinção do judaísmo já que ele era testemunha do avanço do cristianismo primordialmente em Jerusalém. Até aqui o historiador Lucas retrata a Igreja cristã na cidade de Jerusalém se não totalmente, com certeza em sua massacrante maioria composta de judeus convertidos do judaísmo ao cristianismo. A leitura dos relatórios que Lucas oferece em alguns trechos do livro de Atos nos mostra o avanço do cristianismo, primordialmente, na capital religiosa dos judeus, Jerusalém.

Assim, Saulo era coerente com sua religião e perseguir os cristãos parecia ser algo perfeitamente plausível ainda mais para a mente de um fariseu como ele. Alguém assim bem que poderia ser um instrumento poderoso nas mãos de Deus.

Outra questão tem a ver com a expansão do cristianismo. Jesus havia dito em Atos 1.8: “...mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até os confins da terra”. O que vemos nos primeiros três versículos de Atos 8 não é outra coisa se não a ação do Soberano e Providente Deus na condução do curso da história do evangelho de Cristo Jesus e do cristianismo. Se os gentios fossem depender de uma disposição dos próprios judeus convertidos do judaísmo ao cristianismo, um ato de inserção voluntária, missionária no mundo gentílico, com grande probabilidade isso redundaria em grandes lutas, dissenções, e conflitos. Deus move as peças no tabuleiro da história usando, em princípio um inimigo da Igreja, um homem poderoso em suas palavras e intrépido em suas ações. Com a morte de Estevão aquilo que poderia ser entendido como um momento de provação para os cristãos de Jerusalém se constituiu em uma ação Divina para que o expansão proclamadora do evangelho se cumprisse como que Jesus disse em Atos 1.8.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO.

1.   Não se deve confiar nas multidões. A multidão é uma massa facilmente manipulada emocionadamente. Na multidão cada um cede sua personalidade para compor a personalidade e a psique da multidão. Jesus evitou as multidões. Fico boquiaberto e atônito ao ver como alguns Pastores se deixam seduzir pela ideia de grandes Igrejas.  Grandes Igrejas se tornam em ambientes impessoais. Grandes Igrejas se tornam em uma grande dificuldade para o trato e o relacionamento Pastoral. Claro e óbvio que há exceções, mas o ideal é que as Igrejas locais se constituam em um número suficiente de membros que dê a comunidade o suficiente para gerir sua vida financeira, administrativa e principalmente espiritual.

2.  Saulo (ANTES DE SE TORNAR PAULO) representa hoje, a muitos que se opõem ao Evangelho. Não devemos olhar para estes com o mesmo sentimento que habitava o coração de Ananias (Atos 9.13-19). Deus é poderoso para agir nos corações. Não tenho nenhuma dúvida em afirmar (se for possível perguntarei a esse respeito ao Apóstolo Paulo), que o testemunho em forma de defesa de Estevão produziu um grande impacto em sua vida. Vivamos como Estevão de tal maneira que muitos que hoje nos humilham e nos perseguem, um dia poderão ser convertidos e formarem fileiras conosco na Santa Porfia.

3.   Jamais nos esqueçamos que a aparente tragédia, que aquilo que hoje pode representar duro golpe contra o Evangelho e o Cristianismo pode ser um ato no qual as mãos divinas estão movendo peças, poderosamente, e levando o evangelho para outros lugares. A diáspora cristã não foi outra coisa se não a ação de Deus em fazer com que Atos 1.8 se tornasse um ato a mais nos Atos dos Apóstolos e na história gloriosa do cristianismo.

Que cada um de nós esteja atento à história. Aquilo que fazemos hoje será lembrado e, quem sabe, lido no futuro como lindas lições de como Deus usou nossas vidas para alcançar outras vidas para povoar o Novo Céu e a Nova Terra.

Com carinho.


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Um abraço.


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